RinHaru Project
12 Capítulo 11
Notas iniciais
“Sousuke não tem nada a ver com o Haru. ”
Foi uma das coisas que Rin disse em seu primeiro dia no clube de natação da Academia Samezuka. Apesar de o ruivo não saber, aquilo estava longe de ser verdade.
Seria compreensível que ele esquecesse um garoto de cabelos negros que facilmente seria perdido na multidão que vira vários anos atrás. Se não fosse por Rin.
Sempre era por causa de Rin.
Assim, é claro que Yamazaki Sousuke se lembrava de Nanase Haruka. Foi por aquele garoto que o seu melhor amigo ficou obcecado, cinco anos atrás. Rin o deixou para trás sem pensar duas vezes para nadar com aquele garoto. Mas ele não iria mais deixar “Haru” ficar na vantagem. Sentindo um sorriso surgir em seu rosto, viu Rin entrar no quarto, que agora dividiam.
– Oi, Sousuke. – O ruivo disse, se jogando na cama em seguida.
– E aí, Rin? – Sousuke o cumprimentou. – O treinador queria falar com você?
Rin bufou.
– É.... – Ele revirou os olhos de uma forma exagerada, fazendo o amigo sorrir. – Só umas burocracias chatas pra inscrição pros campeonatos...
– Ainda tá cedo pro campeonato regional.
– Eu sei! Mas o velho queria deixar tudo pronto...
Rin apoiou-se na parede, cruzando os braços. Sousuke riu baixinho. Sabia que Rin não estava com tanta raiva de verdade. Era bom saber que ainda conseguiam ler perfeitamente um ao outro. Algumas coisas não mudam mesmo com o tempo. O moreno foi pegar um caderno – lição de casa – na mochila, enquanto sua mente era povoada pelo pensamento da sutil felicidade de estar novamente estudando com Rin, ainda mais agora que eram colegas de quarto.
Quando eram pequenos, os dois garotos moravam na mesma rua. Sousuke conhecera Rin quando os dois tinham pouco mais de dez anos. O senhor Matsuoka havia morrido no início daquele ano e desde então Rin parecia mais introvertido e trancado em seu mundinho. Um dia, Gou pegou a bicicleta dele que, é claro, não tinha rodinhas de apoio e acabou levando uma queda feia há umas duas quadras da casa deles. Sousuke viu a garotinha ruiva chorando e a ajudou a chegar até em casa, onde Rin veio recebê-la, preocupado, e agradeceu ao outro. A senhora Matsuoka, ouvindo a filha ainda choramingar, veio ver a cena e acabou por convidar Sousuke a entrar e passar a tarde com eles.
Rin não sabia direito como iniciar uma conversa, nem fazia questão, na verdade. Mas Gou logo esqueceu a dor do machucado e começou a falar toda animadinha com os dois. Em algum momento, Rin finalmente levantou o olhar para Sousuke, com um sorriso travesso no meio de uma brincadeira. Foi a primeira vez que o moreno olhou fixamente para aquele par de olhos rubros e aquilo ficou gravado em sua mente. Rin podia parecer feroz de início, principalmente se estava irritado com alguma coisa, mas uma vez que ele lhe permitisse a entrada, significava que você valia muito a pena para ele. E o seu Rin, sempre que se encontravam, tinha no rosto aquele sorriso que era só seu.
Ou que ele achava que era só seu. Até Rin mudar de colégio.
A princípio, uma mudança de escola não parecia grande coisa, apesar de um tanto inesperada. Ao se tornarem amigos, os dois descobriram que frequentavam a mesma escola fundamental, mas em salas diferentes. No ano seguinte, ficaram na mesma turma, mas agora Rin resolvia aparentemente jogar tudo para o alto porque nadar com uns caras da Iwatobi parecia ser mais interessante.
Quê?
Rin não parou de falar com Sousuke. Mas no dia do torneio entre escolas daquele ano, o primeiro em que os dois garotos eram rivais, Sousuke viu seu melhor amigo abraçado aos colegas de equipe. E ele viu o “seu” sorriso no rosto dele.
– Nanase! Vamos fazer uma festa da vitória! – Ele ouviu Rin falar com um garoto de cabelos negros, cantarolando perto de seu rosto.
Ele não pode ouvir a resposta do outro, mas a forma como Rin passou os braços ao redor dos ombros dele fez uma pontada de ciúmes ser despertada dentro de Sousuke. Aquele era Nanase Haruka. Rin já lhe contara que estava fascinado por ele, por causa de algo em seu jeito de nadar. Sousuke pensou ter entendido isso minutos atrás, quando os dois disputaram em raias vizinhas, mas agora lhe parecia.... Que ele talvez quisesse dizer algo mais. Afinal, quando nos últimos dois meses e meio eles se tornaram tão próximos?
“- Afinal, o que tem de tão especial em Iwatobi? – Perguntou, pousando a lata de refrigerante no meio-fio onde estavam sentados.
O ruivo suspirou, com um sorriso radiante no rosto.
– A atmosfera lá é muito boa!
Sousuke inclinou a cabeça, confuso.
– Atmosfera? Do que está falando?
– Eu realmente sinto que é onde eu devo estar! – Rin respondeu, sorrindo cheio de dentes. – Tem uma galera incrível por lá.... Como o Nanase Haruka. Ele é o melhor nadador que eu já vi, apesar de ser bem calado e frio quando está no seco. – Ele riu, coçando a cabeça. – Mas ele me inspira.... Sei que ele também pensa o mesmo de mim, por causa do jeito como ele me olhou outro dia, quase como se estivesse me desafiando...
Sousuke não pareceu convencido. Ele sugou o refrigerante com o canudo, fazendo barulho.
– Você é estranho.
– Eu sei. – Ele encostou a cabeça no ombro do amigo. Sousuke ficou um pouquinho desconcertado com a súbita diminuição do espaço entre eles. – .... Acho que eu estar na mesma equipe dele... É o nosso destino...
Sousuke ouviu o comentário, sem saber como responder. Rin fechou os olhos, ainda sorrindo. Após uns dois minutos parados, Sousuke o empurrou para o lado.
– Ei! O que está fazendo? – O ruivo gritou.
– Não simplesmente resolva dormir em cima de mim, seu folgado!
Rin deu língua para ele, de brincadeira, entre um riso.
– Sem graça...”
Na véspera do evento no Clube de Natação de Iwatobi e, portanto, do primeiro revezamento que Sousuke realizaria na mesma equipe de Rin em cinco anos, o moreno teve problemas para dormir. Mesmo que aquele não fosse um evento oficial, o fazia se sentir mais próximo de Rin, já que estariam nadando juntos. Não fosse pelo ruivo, ele provavelmente nunca se interessaria por revezamentos, onde a falha de outra pessoa pode resultar na sua derrota. Para seu crescente ciúme, ele sabia que algo semelhante acontecera com Nanase Haruka. Rin mudara a vida de bem mais pessoas do que imaginava, apenas sendo a pessoa incrível que era ele mesmo.
Sem dizer uma palavra para não se denunciar, Sousuke apenas encarou a cama acima da sua com um sorriso.
Sentado de encontro à parede, Rin também não conseguia dormir. Para que não se distraísse com isso, o tubarão de pelúcia não mais ficava em sua cama. Mas.... Ele não podia evitar pensar em Haru. Seria a primeira vez que se encontrariam novamente desde o término, então ele não sabia exatamente como deveria agir com o ex-namorado. Haruka não havia falado junto com os outros para chamá-lo para o revezamento do dia seguinte, isso significava que ele ainda estava com raiva dele?
O rapaz soltou um suspiro e deitou-se de lado, encarando a tela do celular. O aparelho exibia o número do telefone de Haru, juntamente com uma foto dele que Rin bateu sem que o outro percebesse. Ele tivera vários dias para tentar entrar em contato com Haruka, mas, se o fizesse, a decisão que havia tomado teria sido em vão. Não, ele precisava manter em sua mente seus objetivos.
Nadar profissionalmente.
Ser merecedor do amor de Nanase Haruka.
Desde pequeno, Haru o inspirara, mas... E quanto a ele? O que Rin tinha para oferecer a ele? Ele iria crescer como pessoa e, então, voltar para reclamar Haru para si. Mas, como o outro dissera (doía lembrar), ele não tinha todo o tempo do mundo para isso.
Rin fechou os olhos. Precisava se concentrar em uma coisa de cada vez. Por hora, ele e Haru eram amigos e ele não deveria se distrair pensando nele. Precisava estar focado, no caso, na competição não-oficial da manhã seguinte.
***
Haruka, Makoto, Nagisa e Rei chegaram ao recentemente reformado Clube de Natação de Iwatobi. Não demorou muito para que o time rival chegasse: Rin e outros três garotos da Samezuka. O mais baixo já lhes era conhecido: Aiichirou Nitori, que nadava peito. Outro, um calouro ruivo, se apresentou como sendo Mikoshiba Momotaru, que estaria no estilo costas. Rin, é claro, estava na borboleta. Então o quarto membro se mostrou aos outros.
Nenhum dos rapazes o reconheceu, à surpreendente exceção de Haruka. Enquanto Gou ia falar com o alto rapaz de cabelos negros, músculos definidos e olhos verdes, uma fortíssima tensão era criada entre este e Haru. Os outros não pareceram sentir os olhares mortais que eram cruzados. Rin, como sempre sem tato, guiou sua equipe até o vestiário.
“O que Yamazaki Sousuke está fazendo aqui? ”
Haruka já nadara com ele antes. Mas o que mais importava era que a coisa mais importante para Sousuke era, agora, a mesma que a sua: Rin. Não importava que o ruivo houvesse terminado com ele, é claro que Haru não parara de pensar em Rin. Mas, se Sousuke estava ali também, isso poderia ser um problema...
– O que você quer, Yamazaki? – Haruka perguntou, ao ouvir o outro se aproximar, quando conseguiram se desvencilhar por um momento de suas respectivas equipes.
– Já faz um tempo, Nanase.
Haru se virou para ele, claramente descontente. O mais alto tinha no rosto um sorriso perigoso que o irritava.
– Vi o revezamento de vocês ano passado... – Sousuke comentou, como que fingindo uma conversa amigável.
– .... E você está aqui agora?
– Acontece. – Ele respondeu, dando de ombros.
Haru se aproximou, sério.
– Sei que não é por acaso que você de repente está na Samezuka. Não estava se dando bem em competições de natação na capital? – Perguntou, não parecendo convencido.
Sousuke demorou uns instantes para responder:
– Tem razão. Não foi coincidência. – Ele mantinha a cabeça meio baixa, como se estivesse recitando para si mesmo, não falando com outra pessoa. – Sabe, o que vocês fizeram foi bem imbecil. Vocês até colocaram o Rin no meio daquilo...
Sousuke riu um riso sem muito humor e Haru o encarou.
– O que é mesmo que você queria dizer?
O sorriso de Sousuke rapidamente minguou.
– .... Eu nunca teria feito algo assim com o Rin.
– Rin fez o que queria. Ninguém o forçou a nada.
Sousuke levantou o olhar, cruzando com o de Haru.
– Você o está estragando. – Falou, sem nenhuma tentativa de esconder a ofensa. – Nanase.
– O que quer dizer?
Sousuke se aproximou, em nenhum momento desviando o olhar.
– Não se intrometa mais na vida do Rin.
Haru sustentou o olhar, não se deixando intimidar.
– Está com medo de perder pra mim? – O maior não respondeu. – Ele já te trocou uma vez, não foi?
Se Sousuke iria disputar por Rin, Haruka definitivamente não iria pegar leve.
– Interessante dizer isso... – Ele falou, em tom de deboche. Mas não havia mais sinal algum de sorriso em seus lábios. – Vocês não parecem ser o mais unido dos casais no momento.
– Eu não vou desistir dele.
– Muito menos eu.
A tensão entre os rapazes era palpável, mas nenhum deles recuou. Uma guerra havia sido declarada, e ambos os lados estavam decididos a ir com tudo o que tinham. Após alguns instantes, ouvindo pessoas se aproximando do local, Sousuke recuou um passo e tomou seu caminho. Haruka observou enquanto ele se afastava, com a cabeça a mil.
Minutos mais tarde, as duas equipes estavam lado a lado nas raias da piscina principal. Iwatobi havia começado na liderança, mas tudo ainda poderia mudar. Com uma curta diferença de tempo, Rei e Rin terminaram seus respectivos percursos. Haruka saltou e, antes mesmo que afundasse totalmente, Sousuke já o seguia.
Aquela corrida era mais do que apenas uma amigável competição entre times. Para os dois nadadores, era uma disputa bastante pessoal. Rin não estava ciente disso, mas ambos nadavam tentando impressioná-lo. Tentando conseguí-lo para si. Haru não subestimava Sousuke, que estava dando tudo de si, e os dois estavam bastante próximos.
Haru chegou em primeiro. Ele saiu da piscina, ainda arfando, mas Rin não olhava para ele. Tudo o que recebeu da Samezuka foi um olhar gélido por parte de Sousuke que, apesar de chegar em segundo, era quem estava mais próximo de Rin no momento. O ruivo não olhou para ele, o que fez Haru não se sentir animado com a vitória. As duas equipes se retiraram do local mantendo os comentários da competição apenas internos entre cada uma. Makoto, como capitão do time, foi se despedir e agradecer a Rin e aos outros pela presença.
– Pensei que fosse falar com o Nanase agora no final.... – Sousuke comentou com Rin, como quem não quer nada, não deixando transparecer a alegria que sentia com isso.
Rin não respondeu. Ele apenas pegou a mochila no armário do vestiário, parecendo muito pensativo.
– Rin.... – Sousuke se aproximou dele. – Tá tudo bem?
– Eu.... Não quero falar sobre o Haru.
Sousuke fez que sim com a cabeça e foi terminar de arrumar as suas coisas, deixando Rin a sós novamente.
Rin estava se sentindo um idiota. O maior de todos. Ele deveria.... Apenas se concentrar na natação, certo? Então porque não conseguia parar de pensar em Haru?
Frustrado, ele pegou o celular.
“Haru.... Eu sinto sua falta.... “
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