RinHaru Project
8 Capítulo 8
Notas iniciais
A noite já havia caído completamente. Acima, o céu estrelado parecia infinito. Deitado na grama, Rin apertou a mão do rapaz ao seu lado e trouxe o seu corpo mais para junto do dele.
– É raro podermos ver tantas estrelas... – Rin comentou a esmo. Ele se virou para Haruka e o encontrou olhando para ele.
– Elas não são a coisa mais bonita aqui...
Rin corou. Haru se apoiou em um cotovelo para alcançar os lábios do namorado em um beijo suave. Ao se afastar, ele exibia um sorriso. Rin gostava de quando Haruka sorria. Sentia que estava fazendo as coisas da forma certa.
A luz da lua delineava o rosto bem feito de Haru e o contraste da noite fazia seu cabelo parecer da cor do escuro céu. Como se ele fosse um complemento para o cenário, com o intuito de trazer a ele a perfeição. A presença de Haru era quase sobrenatural. Como podia existir alguém tão fascinante assim? Era injusto que ele próprio só conseguisse ser um telespectador dessa beleza toda.
– Eu te amo... Rin.
Não.... Ele não era nenhum espectador.... Nanase Haruka havia lhe concedido a chance de se unir a ele em sua transcendental forma de ser. Haru... Era ali que ele queria ficar. Junto dele. Não queria que existisse Austrália, ou ruas de distância, ou corredores vazios. Contanto que tivesse Haru com ele, sabia que estava tudo bem...
Lentamente, como se apreciando o momento, Haruka apoiou cada braço de um dos lados do rosto de Rin, trazendo seu corpo para cima do ruivo. Rin sabia que deveria estar ruborizado, mas não se importou. Ansiava por Haru.... Cada parte dele....
A boca de Haru beijou a sua novamente, levando-o para as nuvens. Era completamente injusto ele ser rendido tão facilmente.... Mas, nesse momento, não queria pensar em nada que o fizesse recuar. Queria ir adiante....
Haru trouxe o rosto para junto de seu ouvido e estava prestes a sussurrar-lhe algo....
– Bom dia, Rin-senpai! – A voz de Nitori, não a de Haru, o atingiu e o arrastou a força para longe da noite estrelada.
Rin resmungou qualquer coisa, cobrindo-se com o lençol e tentando voltar para o sonho.
– Senpai, não deveria dormir a manhã inteira... – Nitori insistiu.
A manhã inteira? O ruivo levantou-se num susto.
– Que horas são?
– Calma, hoje é domingo. – O garoto respondeu com um sorrisinho bobo. – E.... É o aniversário do senpai!
Ele lhe estendeu um pequeno bolinho com uma vela acesa em cima. Rin finalmente conseguiu se situar. 2 de fevereiro. Sorriu e apagou a velinha, pensando exatamente no que queria naquele dia.
***
– Vocês não falaram nada, não foi? Gou perguntou, enquanto iam para a casa de Haru.
Makoto suspirou.
– Ele não está sabendo de nada, apenas relaxe! – Ele respondeu, pela terceira vez.
O olhar dela estava no rapaz de cabelos negros. Haruka percebeu e a olhou de volta.
– Não falei nada.
– É bom mesmo. – Ela disse, empinando o nariz. Nagisa riu.
Assim que Haruka virou a chave na porta, a ruiva entrou em disparada.
– .... Por que tinha que ser aqui? – O anfitrião perguntou, entrando também.
– Ora, se fosse lá em casa, ficaria óbvio! O propósito de uma festa surpresa é que o aniversariante só descubra na hora. E você é o único que mora sozinho; aqui temos a casa inteira para nós.
– ....
Rapidamente, Nagisa pegou uma das caixas que a amiga trouxera e a abriu. Estava cheia de balões coloridos.
– Rei-chan! Venha me ajudar a encher! – Falou, estendendo alguns para ele.
O rapaz inspecionou o conteúdo da caixa.
– São cores demais.... Não seria melhor separar só dois ou três tipos?
Nagisa fez um beicinho.
– Mas quanto mais balões melhor! – Disse, abrindo os braços para indicar “muito”. Rei deu um tapinha na própria testa.
Enquanto ajudava Gou a afastar uns móveis para criar mais espaço na sala, Makoto perguntou para Haruka:
– Você fez o que combinamos?
Haru fez que sim com a cabeça.
– O bolo está na geladeira. Tem refrigerante também....
– Eu quero docinhos! – Nagisa reclamou, choroso, aparentemente ouvindo a conversa dos dois.
– Não adiantava fazer muita coisa! – Mako disse ao loiro que não pareceu muito convencido disso. – Nem poderemos ficar até muito tarde, todos temos aula amanhã cedo.
Os rapazes concordaram. Gou olhou no relógio.
– Haruka-senpai, é melhor você ir logo encontrá-lo.
– .... Tem certeza? Ainda há muito o que ser feito....
– Eu conheço sua casa melhor que você mesmo. – Makoto interrompeu, com um sorriso. – Podemos cuidar de tudo por aqui.
Haru concordou, mas antes que pudesse se virar sentiu Gou puxando-o pela camisa. Ele virou-se para ela. Então a menina abriu um sorriso malandro.
– Como estão você e o meu irmão? – Ela falou, apenas para ele ouvir.
Haru se espantou. Gou sabia que eles estavam namorando?
– .... Rin te contou?
– Ah, por favor, eu sei sobre vocês dois desde antes que vocês mesmos soubessem!
Ele desviou os olhos. Gou era doida.
– Estamos bem. – Disse apenas. Ela respondeu lhe fazendo um muxoxo. – O que quer que eu diga?
– Me diga você! É você quem é o namorado dele.
Haru manteve-se sério.
– Não há o que falar.... Estamos bem.
– Isso não é justo! – Ela brigou com ele. – Meu irmão não quer me contar nada; você não pode ficar guardando segredo também, Haruka-senpai!
– .... Esse é o propósito do segredo...
– Mas não o façam comigo! – Ela se alterava, lutando para manter a voz baixa. Queria a todo custo arrancar do rapaz a verdade e os detalhes interessantes.
– .... Então Rin realmente não lhe contou que estamos namorando....
Gou o observou, com cara de tédio.
– Isso muda taaaaaaaanto as coisas.... – Ironizou. – De qualquer forma, estou do lado de vocês, só fiquei curiosa.
Haruka suspirou.
– .... Rin é maravilhoso.... – Ele respondeu, instantes depois. – Estou muito feliz de estar com ele....
Antes que a garota pudesse fazer novamente algo que o prendesse ali por mais tempo, ele foi até a porta.
– Tem razão.... É melhor eu ir vê-lo logo.
Gou não se chateou ao ouvir a porta batendo. Tinha estrelas nos olhos, um enorme sorriso no rosto e muitas ideias passando por sua mente.
“Fofos! ”
***
Seria a segunda vez que Haru ia até a Samezuka encontrá-lo, mas dessa vez Rin soube com antecedência e pode se arrumar propriamente. Quando enfim desceu para ver o namorado, estava tão ansioso que estava suando frio mesmo sendo inverno. Já tinham se encontrado novamente, graças aos treinos conjuntos de Iwatobi com Samezuka, mas seria a primeira vez desde que as aulas voltaram que eles ficariam a sós. E hoje era um dia especial...
O rapaz soltou um suspiro e atravessou o portão da Samezuka. A princípio, não viu Haru, mas sentiu uma mão puxar a sua e quando percebeu estava cara a cara com o moreno.
– Oi. – Haru disse, prendendo seu olhar. Malditos olhos encantadoramente azuis! – Feliz aniversário.
Rin corou. Haru não costumava ter aquela atitude com ele.... Será que alguém os tinha visto? Ele tentou se desvencilhar, mas o outro não permitiu.
– O-oi, Haru. – Respondeu. Sabia que se tentasse falar qualquer outra coisa, era capaz de derreter. Por que Haruka sempre o deixava daquele jeito? Ele já deveria estar acostumado, não? O namorado afrouxou o abraço, deixando-o se afastar.
Haru abriu a boca para falar algo, mas desistiu. Oh, deuses! Ele queria tanto apenas agarrar Rin bem ali! Soltou o ar e desviou os olhos. Não iria envergonhar o namorado em frente à sua escola. O ruivo riu e se aproximou dele, encostando a testa na dele.
– Obrigado por ter vindo me ver. – Disse, com um sorriso.
Rin viu que o rosto de Haru também estava corado. Há! Então ele também ficava envergonhado com essas coisas!
– E-então.... Já que é o seu aniversário, quer escolher para onde ir? – Haru perguntou, num blefe. Precisava ganhar tempo, mas esperava que Rin não dissesse nenhum lugar impossível.
– Você é quem me chamou para sair, deveria ter algo em mente. – Rin o repreendeu, com um muxoxo. Então riu.
Haruka sorriu discretamente.
– Pensei que você gostasse de dar as ordens.
– Também gosto de não ter obrigações no meu dia. – Ele cruzou os braços atrás da cabeça, se apoiando no muro.
Haru pensou um pouco. O que poderia fazer para agradá-lo?
– .... Quer ir à praia?
Rin olhou para ele de soslaio.
– Isso é uma indireta para irmos para a sua casa só porque é do lado?
“Sim. “
– Não. – “Pelo menos, não ainda. “ Haru respondeu. – Foi só uma ideia.
– Então vamos.
Rin começou a caminhar, fazendo o moreno ir atrás dele.
– .... Que bom que está de bom humor hoje.... – Haru murmurou. Para sua surpresa, Rin ouviu.
– O que quer dizer com isso? – Perguntou, franzindo o cenho. Sua voz, porém, não se alterou. Felizmente.
– Nada. Só nunca sei o que se passa de verdade na sua cabeça.
Rin riu.
– Olha só quem fala.
Haru o observou, à espera de um complemento.
– Tsc. Esqueça. Gosto de você, mesmo introvertido assim.
Tu-dum.
A praia era consideravelmente longa. Mesmo chegando lá, ainda daria uma boa hora de caminhada (pois Haru definitivamente não pretendia se apressar) até onde os colegas organizavam a festa. Haruka tirou os sapatos e saiu da calçada, pisando na areia fofa. Rin o imitou. Engraçado.... Às vezes se vive a vida inteira à beira-mar, mas.... A gente se esquece de aproveitar coisas como a areia passando por entre os dedos nus, a brisa com cheiro de maresia, a aurora colorida no mar.... Este último, é claro, era inviável pelo horário, mas não tinha importância. Gentilmente, Haru deixou-se aproximar do namorado, que não o afastou, mesmo havendo algumas pessoas dispersas na praia.
A mão de Haru estava quente ao tocar na de Rin. O ruivo sorriu. O mar infinito estava à frente deles, enquanto caminhavam na direção, ele sabia, da casa de Haru. Por anos, observara sozinho o oceano, enquanto pensava em Haru o esperando, do outro lado dele. E Haru o esperara. Exatamente como ele desejara a cada estrela cadente e a cada aniversário antes deste. Era a primeira vez em cinco anos que não precisava sonhar em estar junto de Haru, porque.... Ele finalmente conseguira isso.
Puxando a mão do namorado para que o acompanhasse, ele se sentou. Quando o moreno se sentou ao seu lado, Rin apoiou uma das mãos na areia atrás dele e aproximou o rosto do de Haruka. Ele gentilmente beijou a bochecha do rapaz e então pousou a cabeça em seu ombro. Dando continuidade à cena, Haru passou a mão pelos ombros de Rin, mantendo-o junto a si.
Nenhum dos dois teve coragem de perturbar a harmonia do momento por vários minutos. Não havia o que olhar, eram apenas as velhas ondas quebrando na velha areia, debaixo de um céu claro demais para ser considerado romântico.... Mas ambos enxergavam muito mais.
Haru sentia que finalmente conseguira trazer Rin para dentro do seu mundo. Aquela praia era quase uma extensão de tudo a que se resumira sua vida quando o ruivo foi embora. Conseguia enxergá-la de sua casa, atravessava-a todos os dias com Makoto na ida e na volta para a escola e, desde que parara de nadar, tinha passado a visitá-la, apenas para olhar o mar, quando a saudade da água era grande demais para caber em uma banheira. Fingia em seus pensamentos que era um sereiano e que tinha todo o mar do mundo para si. Se o fosse, não existiria distância relevante dali do Japão até a Austrália, ou até onde mais fosse necessário. Atravessaria tudo aquilo a nado. Pegaria para si o que considerava mais importante....
Seria livre.
Finalmente lembrando-se do que deveria fazer, ele consultou o relógio de pulso. “2:58 p.m.”. Já deveriam ter terminado de arrumar tudo e provavelmente estariam apenas esperando por eles. Ele fez menção de levantar, mas Rin o segurou antes que ele o fizesse, o que fez Haru cair de costas na areia. Rin se debruçou contra ele. Um sorriso se abriu em seus rostos e ele tomou-lhe um beijo.
Haru fez um aviso mental de sempre guardar na lembrança aquele sorriso. Rin ficava tão mais bonito quando sorria. Ele lembrava da dor que lhe causara quando o rapaz voltara mudado, evitando-o, ou antes disso, quando o fez chorar. Era imperdoável tirar dele aquele sorriso. Rin tinha sido feito para ser feliz. Ele queria poder ser um meio para isso, nunca um impedimento.
Haruka sorriu, levantando-se.
– Vai ficar todo sujo de areia, desse jeito. – Falou para o outro, enquanto tirava os grãos brancos dos braços.
Rin riu.
– Eu não me importo.
– .... Deveríamos ir para a minha casa. Estamos perto agora e tem algo que quero lhe mostrar. – Ele estendeu a mão para ajudá-lo a se levantar.
Rin concordou rapidamente, mas quando começaram a caminhar se tocou. “Algo que quero lhe mostrar? “, será que Haru não estava falando de.... Não! Não! Não! Ele não podia! Disse que não ia fazer nada até que ele mesmo falasse! Mas.... E se ele pedisse um agrado? E se.... Ahhh! Haru idiota!
– Ei! – Falou de repente, soando mais desesperado do que queria. – O que vamos fazer na sua casa?
“Não fale sobre a festa! Ele só pode saber quando chegar lá!”, a mente de Haru lhe gritava. Mas.... Então o quê?
– Nós... É.... Você vai ver quando chegarmos. Já disse, tem algo que precisa ver. É tudo o que vou falar.
“Nanase Haruka, eu não quero vê-lo completamente nu ainda! “, Rin pensou, enrubescendo totalmente. “Ou melhor.... Eu quero.... Você é bem gato, mas.... Ahhhhh!!!! Malditos pensamentos traidores!!!”
Haru não percebeu, nem Rin falou mais nada. Apenas seguiu o namorado até a casa dele. Ele que visse o que ia acontecer se tentasse fazer alguma coisa!
Com um sorriso para Rin e um rápido beijo em seus lábios, que o deixou confuso momentaneamente, Haru abriu a porta da casa.
– SURPREEESAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!
Rin foi puxado para dentro, atônito. Gou surgiu de sabe-se lá onde e lhe abraçou, com um enorme sorriso no rosto.
– Feliz aniversário, irmão! – Ela lhe estendeu um pacotinho de presente, que ele pegou no automático.
Rin virou-se confuso para Haru, que deu de ombros.
– Era isso o que queria me mostrar?
– Sim. Todo aniversário merece festa, não é?
E então Rin riu. Alto e sem receios. Ele abraçou os colegas, que também vieram parabenizá-lo. Nem se importou quando Nagisa quis que tirassem fotos. Foram dezenas delas. Todos juntos, sozinhos, em pares, fazendo poses.... Ele tinha que admitir, foi muito divertido.
De repente, percebeu que Haru sumiu. Ele virou para Makoto.
– Ei. Cadê o Haru?
Makoto vasculhou o local com os olhos.
– Ele deve ter ido pegar alguma coisa no quarto. Mas já já ele v----
Rin não esperou a segunda frase, só largou Mako na sala com os outros e correu até o quarto de Haru, entrando sem bater.
– Haru!
O moreno se assustou ao ouví-lo chegar, quase derrubando o que tinha em mãos. Rin percebeu e chegou mais perto.
– O que é isso aí?
Haru estendeu para ele o envelope que segurava. No verso, dizia apenas “Rin”. Ansioso, ele abriu.
Rin,
Você conseguiu me fazer o homem mais feliz do mundo só com tão pouco tempo juntos. Você é muito especial para mim. Você é um maluco. E eu te amo. De verdade. Acho que sempre soube que queria você em minha vida. Feliz aniversário. Pra nós dois.
Parabéns
Haru.
– Eu.... – Haru disse, não lhe dirigindo o olhar. – Não sou bom com palavras. Deve ter ficado piegas e..... Idiota. Mas não consegui pensar em nada bom o bastante pra te dar, então.... É isso....
Rin o interrompeu com um abraço.
– Obrigado.... – Sua voz indicava que ele deveria estar à beira de chorar. – Obrigado por estar comigo, Haru!
Haruka sorriu e o abraçou forte.
– Eu que agradeço.
Rin o beijou ardentemente. Suas mãos traziam o rosto e o corpo de Haru sempre para mais perto. Haru.... Que sensação incrível....
– Feliz aniversário de namoro. – Rin disse, afastando apenas o necessário os seus rostos e fixando-se nos olhos azuis do outro.
Haruka sorriu.
– O primeiro mês....
Rin concordou com a cabeça, emocionado, e segurou as mãos dele cerimonialmente.
– O primeiro de muitos.
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