Notas iniciais
Adivinhem quem está com bloqueio criativo? Isso mesmo, eu, a autora! -.-' Sério, gente, desculpa. Eu já tinha terminado o capítulo, mas não tava conseguindo postar. Se serve de consolo, eu já tenho algumas ideias pros próximos, sei lá, três caps.... Não ser preocupem, vou continuar postando! Aliás, queria agradecer a todos que estão postando ^^ Vocês não sabem o quanto eu fico feliz quando leio seus reviews *-* Enfim, vamos à história.

Nagisa soltou o lápis e pôs os braços atrás da cabeça, imitando um travesseiro.

– Awwww.... Queria que as férias chegassem logo!

– Do que está falando? – Rei reclamou. – Mal faz uma semana desde que as aulas começaram...

– Exatamente! Isso significa que ainda faltam mais dois meses até as próximas férias! – O loiro respondeu, manhoso. Ele fechou os olhos e se encostou na parede, deixando-se escorregar até ficar com o corpo praticamente na horizontal.

Ao lado dele, Makoto, riu, fechando o livro que estava lendo.

– Não fale assim, Nagisa, afinal foi você que deu a ideia de nos reunirmos para estudar.

Rei suspirou.

– Ainda não sei por que toparam isso. Se estão um ano na frente, vamos apenas atrasá-los com nossas matérias...

– Eu não me importo. – Makoto disse, sorrindo para ele. – Além do mais, eu já estou adiantado nos estudos. E Haru disse que não se importava.

Estavam os quatro garotos na casa de Haruka, em uma espécie de estudo em grupo. Haru revisara algumas coisas com Mako, enquanto Nagisa e Rei resolviam suas tarefas juntos, mas agora o dono da casa havia ido até a cozinha providenciar comida.

– Você poderia ter chamado o Rin se quisesse.... – Makoto comentou com Haru, apenas para ele ouvir, indo até a cozinha.

Haru deu de ombros.

– Não acho que ele fosse querer vir. A rotina de estudos na Samezuka com certeza é bem diferente da nossa....

– Sabe que não foi isso o que quis dizer. Seria uma chance de passarem mais tempo juntos.

Haru parou o que fazia e olhou para o amigo.

– Rin.... Prefere manter nosso relacionamento em segredo. Eu nem sei o que ele ia dizer se soubesse que te falei. Não acho que ele se orgulhe muito de me namorar.

– Pare com isso, ele te adora! Além do mais, ele já te disse que está apaixonado por você, não te disse?

Apesar de Makoto ter falado aquilo de uma forma tão otimista, Haruka não se animou, apenas enrubesceu, enquanto respondia:

– .... Na verdade, não.

Mako o encarou, confuso e sem jeito. Então eles estavam namorando, mas Rin não tinha de fato se declarado? Isso era meio estranho.... Mas quem entendia Rin?

– Não? Ahn.... Deve ser então porque---

– Não precisa tentar me animar. – Haru interveio. – Eu to legal. E..... Nós estamos juntos, acho que isso é o mais importante.

Contra sua vontade, Makoto sentiu novamente aquele aperto no coração, algo que vinha ocorrendo com uma frequência bem maior do que ele desejava. Haru era muito bom em deixar seus pensamentos escondidos das pessoas, mas ele sabia que o rapaz estava feliz com o namorado.

Da sala, Nagisa observava Makoto e Haruka conversarem, enquanto Rei resolvia exercícios, com um livro aberto a sua frente. Aproveitando a distração dos mais velhos, o loiro deitou a cabeça no ombro do outro.

– Nagisa! – Rei reclamou, tentando não falar alto demais para não chamar a atenção dos outros garotos. – Não deveria fazer essas coisas quando estamos com mais gente....

– Sabe, a volta às aulas teve uma enorme vantagem, apesar de tudo. – O menor continuou, ignorando o comentário. – Agora posso te ver quase o tempo todo.

Rei sabia que seu rosto provavelmente estava corado (estava mesmo), mas tentou manter-se sério. Nagisa era um fofo, impossível negar. Eles não tiveram muitas oportunidades para se verem nas férias, pois os Hazuki haviam viajado para algum lugar que ele esquecera o nome. Realmente era bom poder ver o namorado com mais frequência....

.... Mas isso não queria dizer que não tivessem tido uma oportunidade ou duas durante as férias de se curtirem devidamente. Rei nunca agradeceu tanto ao fato de seus pais serem dois obcecados por trabalho. Em outras palavras, ele tinha a casa inteira para ele na maior parte do dia. E não foi muito difícil para Nagisa conseguir sair também para encontrar “um amigo”....

Nagisa escorregou a mão pela perna de Rei, o que fez com que um pequeno arrepio o distraísse por completo da questão de matemática que ainda estava resolvendo.

– Nagisa.... – Rei suspirou, virando o rosto para o loiro e beijando-o nos lábios.

– .... Sua casa tá vazia hoje? – Nagisa perguntou em seu ouvido, com um sorrisinho, quando se afastaram.

– Seu tarado! E não. Meus pais resolveram tirar o dia pra descansar....

O loiro fez uma careta de insatisfação. Rei sorriu. Nagisa era sempre assim. Num momento, era todo romântico e bonitinho, mas de uma hora para outra ele começava com esses toques e essas insinuações.... Era meio complicado, mas Rei não conseguia não amar o jeito dele.

Rei afastou a mão do namorado, que já se encontrava perigosamente próxima de sua virilha. Ele não pretendia ficar “animado” na casa de Haruka, de jeito nenhum. Ele beijou o rosto de Nagisa, permitindo que suas mãos se encontrassem. O menor pegou um lápis na mesa e desenhou um coraçãozinho no canto do caderno de Rei. Este sorriu para ele e escreveu “R+N” no meio do desenho.

Apesar de não terem contado aos amigos sobre seu namoro, não era como se eles pretendessem escondê-lo de ninguém. No máximo dos pais de Rei, porque o garoto dizia que não estava preparado para lhes dar a notícia. Não tinha certeza do que diriam quando soubessem que o filho era gay.... Ele não duvidava nem por um momento do que sentia por Nagisa, mas era complicado contar isso para uma família mais conservadora....

Poucos minutos depois, Haruka trouxe uma bandeja com biscoitos. Nagisa implicou dizendo que era coisa de menina e o moreno respondeu que isso não existia. A carinha de raiva que ele fez provocou risos nos rapazes, o que distraiu Haru e Makoto de perguntarem sobre os outros dois estarem tão próximos um do outro.

Por um momento, Haruka se arrependeu de realmente não ter chamado Rin. O que ele estaria fazendo agora? Será que, assim como Haru estava com os seus, Rin estaria se divertindo com os amigos de seu colégio? Ele não conhecia de fato nenhum dos rapazes da Samezuka, apenas sabia o nome de uns dois ou três. Sabia que Rin estava feliz com ele, mas.... Agora que estavam de volta cada qual ao seu mundinho, sentiu receio de não poderem estar próximos o bastante um do outro, não só no sentido físico da coisa. Tentando parecer casual, perguntou a Makoto, entre um assunto e outro:

– Quando faremos outro treino conjugado com a Samezuka?

– Está louco pra voltar pra piscina, não está, Haru-chan? – Nagisa brincou.

Mako vislumbrou nos olhos azuis do amigo o que ele quisera dizer de verdade.

– A primeira semana foi meio atarefada, pois todos estão voltando à rotina e ajustando horários. Mas posso falar com o Mikoshiba para realizarmos um na próxima sexta.

Haru sorriu discretamente. Então em menos de uma semana eles se veriam de novo, se tudo desse certo, é claro.

***

“Mikoshiba acabou de dizer ao time que treinaremos junto com Iwatobi esta semana =D Ansioso pra te ver.

– Rin. ”

“Makoto nos contou. Que bom que deu certo. Nos vemos lá ;)

– Haru. ”

Rin reviu a mensagem no celular, enquanto voltava para o quarto. Ainda faltavam três dias até o treino coletivo. Já esperava que o time de Iwatobi fosse treinar com eles nesse período, já que o clima frio impossibilitava o nado a céu aberto. Um sorriso se formou em seus lábios. Iria encontrar com Haru ainda naquela semana.

Jogando a mochila num canto do quarto, ele passou a mão pelos cabelos ruivos. Quando se tornara tão meloso? Não havia nem dez dias desde que vira Haruka pela última vez, não tinha razão em ficar ansioso daquela forma. Além do mais, era apenas um treino, não iria acontecer nada de especial entre os dois. Principalmente porque Haru provavelmente ficaria entretido demais com a piscina para prestar atenção nele....

Será que Haru estava pensando nele tanto assim também? Sentir-se-ia o maior idiota do mundo se ele fosse o único nessa relação que estava quase surtando o tempo todo.... Haru era bem difícil de se ler e era irritante que logo ele lhe provocasse sentimentos tão intensos. Pensar que tudo isso era recíproco.... Era só nisso que ele queria acreditar, por mais que fingisse para todos que não.

E..... Tinha o outro problema. Naquele dia na casa de Haru percebera que talvez não adiantasse só admitir que gostava do moreno. A parte.... Física.... Do namoro o assustava bastante. Ele era adolescente, era evidente que teria certas necessidades sexuais.... E a forma como Haru o deixara excitado naquele dia.... Ele queria mais daquilo....

Com o rosto corando, ele se deixou cair na cama. Aquilo era tão constrangedor.... Não devia estar pensando em como outro rapaz poderia lhe dar prazer, isso era coisa de garota! Mas por outro lado, não seria justo com Haru se ele continuasse lhe dando esperanças de.... Ir até o fim, se ele não pensasse que um dia iria aceitar ir, não é?

Virou-se de lado, ficando de frente para a parede. Era culpa de Haru que ele ficasse nesses intermináveis dilemas. Ele o ficava seduzindo com aquela voz grave e aqueles olhos hipnotizantes!

– Ahhhhh! – Gritou frustrado, enfiando a cara num travesseiro.

– Rin-senpai?

Rin sentou-se rápido e encarou Aiichiro Nitori, parado na entrada do quarto.

– Quando você chegou?

– A-agora há pouco... – O menino gaguejou. – Há algum problema?

Rin desviou os olhos. Não queria entregar que estava tendo draminhas por causa de um garoto como uma garota de doze anos.

– Não é nada! – Respondeu, soando mais grosseiro do que pretendia.

Nitori ofegou. O ruivo levantou o olhar para o colega de quarto, arrependido por ter levantado a voz.

– Desculpa. É.... Besteira.

Nitori se aproximou hesitante.

– Se.... Se quiser conversar.... Bem.... Pode falar comigo.

Rin deu-lhe um meio sorriso. Nitori ficou com o rosto inteiramente vermelho e tentou esboçar um sorriso, que não deu muito certo devido ao seu nervosismo.

– Claro. – Rin respondeu. Então levantou uma sobrancelha. – Você tá legal? Tá todo vermelho. Ficou lá fora no frio*?

– N-não! Eu.... – Ele pôs as mãos no rosto para esconder o rubor. – Deve passar logo!

Rin deu de ombros. Ele encarou o vazio por um tempo.

– Nitori....

– Senpai! – O garoto se assustou, virando-se bruscamente para ele.

– Você.... Acredita em.... – Rin sentiu o rosto corar. – Amor?

Não que ele estivesse dizendo que amava Haruka! Mas era mais fácil de explicar assim.... Ele não ia ligar para Gou para conversar esse tipo de coisa, seu orgulho não o deixava fazer algo assim. Ela ia ficar toda empolgada e falar coisas estranhas. Não, era melhor falar com outro rapaz, mesmo que fosse um assunto estranho. E Nitori não precisava saber de quem ele estava falando. Então ignorou o coração começando a acelerar de nervosismo.

– P-p-por que está perguntando algo assim, senpai????

Ele estava claramente perturbado. Rin o olhou, confuso. Aquele garoto era estranho. Simpático e consideravelmente talentoso na natação. Mas ainda assim estranho. Isso até o distraiu de seu próprio constrangimento por causa do assunto.

– Ahn.... Você disse que eu podia conversar com você, certo? – Ele respondeu, franzindo o cenho e desviando o olhar, enquanto puxava um dos joelhos para junto do tronco.

Nitori estudou o rosto do mais velho, em pânico. Qual era a maldita resposta certa para uma pergunta como esta????

– E-eu.... Sim.... – Ele respondeu, segurando o olhar em Rin. – T-tem.... Uma pessoa que eu gosto....

– Ah, é? — Rin dirigiu-lhe o olhar. – E.... Bem.... – Ele pigarreou e completou rápido a frase. – Até onde você iria pela pessoa que gosta?

– Bem.... – Nitori se virou, fingindo arrumar alguma coisa em sua parte da escrivaninha. – Eu.... Faria qualquer coisa. A felicidade da pessoa que você ama é ainda mais importante que a sua, não é?

Rin podia ouvir novamente as batidas de seu coração acelerado no peito. A felicidade de Haru.... Ele pensou no namorado, sorrindo para ele após terem se beijado.

– .... Mesmo se.... – Ele voltou a perguntar. Sua voz parecia um pouco distante, como se aquilo fosse uma extensão de seus pensamentos. — .... Amar essa pessoa seja um tabu?

Nitori. Estava. Surtando.

– Claro que sim! – O garoto conseguiu responder. Ele se virou para Rin novamente, o que os fez cruzarem o olhar. Ele vacilou, mas continuou. – Se o que sente é amor, se é forte assim, não importam as dificuldades que você teria que passar para ser feliz com essa pessoa!

Rin o encarou fixamente, atingido pelas palavras. Nitori engoliu em seco. O ruivo sorriu, gentil. Ele se levantou da cama, rapidamente passando a olhar o colega de quarto de cima, ao invés de antes.

– Obrigado....

– D-de nada.... – Nitori balbuciou.

– Eu vou tomar um pouco de ar. – Rin comentou, pegando o casaco e indo em direção à porta. – Não volto tarde.

Ele saiu, deixando Nitori atônito, ainda de pé, pensando no que diabos havia sido aquela conversa repentina.

***

Rin mal podia conter a ansiedade quando a sexta-feira finalmente (fi-nal-men-te!) chegou. Devia ter olhado o relógio umas trinta vezes só no primeiro período. Quando os ponteiros marcaram a hora do treino, ele foi o primeiro a adentrar a área das piscinas. Sentia-se um bobo por estar agindo daquela forma. Mas precisava vê-lo.

Minutos depois, com o espaço já povoado por vários alunos da Samezuka, ele avistou quatro garotos com casacos azul-claro. Nagisa foi obviamente o primeiro a vê-lo, visto que apontou para ele e gritou seu nome. Rin foi até eles, tentando parecer calmo.

– Oi.

– Oi, Rin. – Makoto saudou. – Legal o treino ter dado certo, já que ainda está frio....

– Rin-chan! Como foram as férias? – Nagisa interrompeu.

Ele revirou os olhos.

– Só fui passar um tempo com a família....

Sua mente se desligou um pouco da conversa fiada com os rapazes quando seus olhos se fixaram nos de Haru. Este sorriu para ele. Rin corou, sorrindo de volta.

– Que bom que pudemos nos encontrar.... – Ele falou para Haruka. Era uma frase segura para ser dita em público, mas ele sabia que o namorado ia entender o que ele realmente queria dizer. Não “nós” o grupo. “Nós” eles dois.

Haru concordou com a cabeça. Rin nunca esteve tão certo do que sentia por ele. O ruivo abriu um largo sorriso e passou um braço pelos ombros do outro.

– Que tal uma corrida pra aquecer?

Haruka sorriu.

– Com toda certeza.

Notas finais
Admito que modo de rir escrevendo essa parte do Nitori, então espero que gostem kkkk Explicando o que precisa ser explicado: (*) Se você sai no frio, o vento gelado muito provavelmente vai queimar o seu rosto (se você sair sem proteção). Uma queimadura caiada pelo frio fica com cara de queimado mais fácil do que no caso do sol (sim, o frio é mais severo do que o calor). Na verdade, eu só queria uma desculpa pra se estar com o rosto vermelho sem ser por vergonha, desculpem a nerdice kkkk Bem, é isso, gente, até a próxima ;)