RinHaru Project
20 Capítulo 18
Notas iniciais
Makoto observou enquanto as crianças percorriam a extensão da piscina, dando orientações aqui e ali. Já quase passava da hora de encerrarem, mas todos ainda estavam muito animados e ele não queria tirar o brilho daqueles olhos.
Apesar de ter sido algo um tanto inesperado, Makoto se sentia feliz em estar naquele emprego provisório. Era algo que mantinha sua mente limpa e relaxada. Também lhe permitia sentir.... Que estava fazendo algo certo. Algo com um propósito. Sem que tivesse a impressão de estar se intrometendo.
Uma impressão que ele sentia bem mais do que o necessário quando estava com Haru e os outros.
Ele sabia que Haru não se sentia realmente incomodado com ele. Ele era parte do time. No entanto era fácil olhar para Haru, que se entregava tanto à natação, e acreditar que ele podia transmitir a mesma coisa. Não, ele não podia. Ele gostava de verdade da natação e amava estar ali com seus amigos. Mas não era igual.
.... Para não falar do.... Outro lado da vida de Haru. O amigo estava genuinamente feliz com Rin. E Mako dizia para si mesmo que estava feliz por isso. Ele estava, não estava? Tudo estava em seu lugar, por fim.
Então por que ele se sentia como se fosse apenas um complemento para tudo?
— Certo, garotos, nos vemos amanhã! – Ele se despediu das crianças com um sorriso.
Um após o outro, os alunos acenaram e partiram. Makoto ficou para trás ainda, organizando as pequenas pranchas usadas na aula. Ele as empilhou num dos cantos e foi para a saída do clube.
— Ah, Tachibana-kun! Um amigo seu esteve aqui...
“Um amigo...? Haru? ”
— Ele está me esperando?
— Ah, não, ele foi embora quase agora. Não quis dizer o nome.
— Hmm...
“Isso é estranho. Por que Haru iria querer não se identificar? ”
— Certo, obrigado.
Mako pegou suas coisas e correu pela porta. Ele esperava encontrar a pessoa se ela ainda não estivesse longe, mas não havia sinal de ninguém conhecido quando ele saiu do centro de natação da cidade. O rapaz olhou ao redor, confuso, depois pegou o celular, enquanto caminhava.
— Alô. – Haru atendeu.
— Haru? O que foi?
— O que foi? – Ele repetiu, confuso.
— Hm... – Mako pensou no que exatamente perguntar. – Você queria me ver?
— ... – Haru continuava sem entender. – Eu te vi na escola.
— Tá, então por que foi até o centro de natação agora?
— Eu não fui. – Haru falou, impassível. Pausa. – Na verdade, tem vários dias que não vou lá.
Mako parou na base da ponte no meio do caminho. Ele franziu as sobrancelhas.
— Você não foi...? – “Então quem...? ”
— Como eu disse, não fui.
— .... – Mako se encostou na beirada da ponte. – Tá.... Até mais, Haru.
— Até mais... – Mako esperou que ele desligasse. — ... Mako, você está bem?
— Eu...?! Haha, estou ótimo. Nos vemos amanhã, Haru!
Sem esperar resposta, ele desligou o celular.
Makoto se virou, encarando o rio.
“Não foi Haru que veio me ver, então... ”
Logo em seguida, Makoto se censurou, com um riso, e pôs uma mão na cabeça. Que patético, alguém falava a palavra “amigo” e a única pessoa em quem ele podia pensar era em Haru. Se Nagisa soubesse disso provavelmente iria brigar com ele...
... Mas Nagisa tinha dito que faria alguma coisa hoje de tarde, não era...? Então não podia ser ele também. E Rei deveria estar junto.
Makoto olhou para a água do rio, colorida pelo pôr do sol que se aproximava. Quando eles eram jovens, ele, Haru, Rin e Nagisa atravessaram essa ponte juntos inúmeras vezes, indo para o centro de natação. Naquela época... Não, antes, antes de Rin aparecer, eles tinham vários amigos dentre as crianças que treinavam ali, não era?
Era estranho pensar que ele morara a vida toda na mesma cidade e que, mesmo assim, o único amigo que tinha conseguido conservar era Haru. Não era algo muito... digno, era?
***
Sousuke se recusava a voltar logo para o quarto. Ele ainda sentia o rosto quente e estava tendo flashbacks das últimas conversas com Rin e de...
... Makoto.
— Tch. – Ele estalou a língua, recostando-se numa parede e observando o céu já escuro.
Foi apenas uma coincidência, e ele queria continuar pensando assim. Ele tivera que ir mais cedo àquela parte da cidade para mandar uma carta aos pais que, diferente dele, não haviam se mudado para Iwatobi. A Samezuka estava passando por um daqueles aborrecedores dias de exames, fotografias e basicamente apenas checagem da existência dos alunos. Sousuke conseguiu chegar cedo o bastante no ginásio para resolver tudo o que precisava com seu professor responsável. Depois, ele estava liberado pelo dia.
Sousuke preferia não ficar pensando nas questões de saúde ou em como isso influenciava a visão dos alunos uns pelos outros. Claro que numa escola particular com excelência nos esportes isso era mera formalidade, já que a maioria dos alunos eram perfeitamente saudáveis.
Assim, no meio da tarde, Sousuke se viu vagando pela cidade, sem muita vontade de retornar à Academia Samezuka, mas sem nenhum objetivo em particular.
“Hmm...” Ele se pegou pensando, “não vai ter treino da equipe de natação hoje por causa da conferência de todo mundo...”
Erguendo um pouco os olhos e dando de ombros para a vida, então, ele vagou até o centro de natação. Era o meio da semana e da tarde, então ele não sabia ao certo o que esperar. Talvez apenas buscasse alguma coisa, como tinha prometido a Rin que continuaria buscando quando nadavam juntos.
“Pensando bem, era aqui que Rin treinava com os moleques de Iwatobi, não é...? ”
Ele abriu a porta e foi saudado por uma sorridente atendente.
— Precisa de ajuda, senhor? – Ela perguntou amigavelmente, vendo que ele parecia meio perdido.
Sousuke ergueu os olhos para ela e desconversou, sem prestar muita atenção. Ele correu os olhos por uma das paredes, dando as costas para ela. Haviam fotos penduradas, de crianças alegres segurando troféus. Como que num instinto, seus olhos pousaram num rosto de grande sorriso emoldurado por cabelos rubros. Ele abraçava outros três garotos posando para a foto, ainda que o de cabelos negros parecesse querer fugir dela.
— Rin.... – Ele murmurou. – Valeu à pena assim...?
Interrompendo-o, de alguns metros à direita, vieram vozes infantis empolgadas. Sousuke deu uma última olhada na fotografia depois olhou na direção das vozes. Seguindo por ali, ele sabia, era a área principal, com as piscinas olímpica e semiolímpica dispostas, além de uma bem mais rasa, para as crianças pequenas.
Sousuke olhou através da porta de vidro que o separava de lá, sem querer entrar de fato e atrapalhar o que ele agora via como sendo uma aula infantil. Os meninos e meninas estavam junto da piscina semiolímpica, dois nadando a distância com a ajuda de pranchas e o restante sentado ou se segurando na borda.
Ele sorriu, achando adorável a empolgação deles. Ele não sabia lidar direito com elas de perto, mas de longe crianças podiam ser adoráveis. O professor delas era bem novo, parecia nem ser mais velho do que Sousuke...
...
?!
— M... Makoto...?!
Sem dúvidas, era Makoto ali, ensinando as crianças. Sousuke sentiu num instante seu rosto corar e sua mente se embaralhar. Ele levou a mão ao rosto, esperando que ninguém aparecesse de repente.
“O que eu estou fazendo...? ” Ele se censurou, virando-se de costas. Então olhou para trás por cima do ombro e Makoto exibia aquele sorriso radiante dele. Sousuke olhou para ele, dessa vez, sério.
E cá estava Sousuke agora, de volta à Samezuka. Ele fora embora imediatamente, sem dar a Makoto tempo de cruzar com ele, nem dar nenhuma informação sua a ninguém ali. A Samezuka já estava com movimento de novo, todas as atividades do dia estavam encerradas e alguns alunos entediados povoavam os corredores a procura de seus colegas ou simplesmente de algo que os entretivesse.
Sousuke não entendia. Ele sentia como se houvesse uma espécie de assunto não resolvido com Makoto. Era por causa daquele maldito beijo? Eles dois na hora sabiam que não iria significar nada.
Ele levou uma mão aos lábios involuntariamente pela lembrança. Então franziu o cenho e se afastou da parede.
— Tch. Como se um beijo daqueles fosse ter importância...
Ele resolveu voltar ao seu quarto.
“O que será que Rin iria pensar? ” Ele pensou, logo antes de abrir a porta.
Ele adentrou o quarto. Seu companheiro estava em sua cama, aparentemente lendo. Rin ergueu os olhos para ele.
— Hey, Sousuke! Onde esteve o dia todo?
Sousuke passou reto e foi estender o casaco num canto.
— Só tive vontade de andar.
— Hm? Ficou todo esse tempo andando pela cidade.
— Algo assim.
Rin olhou para ele. Então deu um salto de sua cama para o chão e olhou para os olhos claros do amigo, colocando uma mão sobre o braço de Sousuke.
— ... Tem alguma coisa em que precisava pensar? – Rin leu seus pensamentos.
Sousuke afastou a mão dele sem responder.
Ele não queria que Rin fosse amigável logo agora. Essa era a razão de ele ter demorado tanto para vir para o quarto. Rin era sempre assim. Ele aquecia seu coração. E Sousuke não queria isso.
Não quando a razão pela qual ele não conseguia parar de pensar em Makoto, o beijo dos dois, foi porque Sousuke queria fugir desse calor que Rin lhe trazia.
Ele queria que nadassem juntos. Ele nunca aceitaria que tinha perdido o jogo, mas talvez ao menos compreendesse os termos de sua derrota romântica se conseguisse ver aquela coisa.
Como era mesmo que Gou tinha contado?
“Meu irmão e Haruka-senpai mostraram um ao outro no revezamento algo que nunca tinham visto”, ela lhe contara em algum momento. Ele se perguntava como ela sempre parecia saber palavra por palavra o que se passava entre os dois e isso era meio constrangedor.
“O que raios significa isso de ‘algo que nunca viram’? ”
Então ele fingiu não reparar em Rin ficando de pé olhando para ele por ainda mais vários segundos.
Até porque.... Uma parte dele realmente queria gastar mais alguns instantes pensando em como tinha sido bonito ver o sorriso de Makoto.
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