RinHaru Project
15 Capítulo 14
Notas iniciais
Outro dia de treino em Iwatobi.
Outro dia cheio de sorrisos entre amigos e animação pela lenta aproximação do campeonato que seria o mais importante do ano para todos eles.
Makoto dava longas braçadas, movendo o corpo habilmente pela água, mas seu olhar estava perdido nas nuvens espalhadas pelo céu claro. Ele lembrava de Haru lhe dizer certa vez que estar na água afastava todas as suas preocupações. Na verdade, ele vivia soltando meias palavras sobre isso. A forma como Haru se sentia com a natação, ou mesmo só com a água em si, era quase caricaturada, mas Mako achava.... Intrigante. Era divertido saborear cada uma das poucas palavras que ele dizia sobre si e seus pensamentos.
No entanto, Makoto sabia, eles não pensavam da mesma forma. Ele gostava muito da natação, é claro. Era uma parte de sua vida à qual ele se acostumara e que já ficara grudada em sua alma. Principalmente por ser o que o ligava a seu melhor amigo.
Mas a água não lhe era tão poética e infalível como era para Haru. Então ele olhava para cima. Dessa forma, podia sentir que ainda fazia parte do mundo. O céu se estendia acima dele. Os raios de sol do final da tarde chegavam inclinados sobre seus olhos.
Normalmente, essa situação lhe deixava de bom humor, com uma certa paz que incentivava seus frequentes sorrisos. Mas não hoje. Não a semana inteira, na verdade.
Desde que Haru oficialmente o dispensara para ficar com Rin.... Os sorrisos não saíam da mesma forma. Saíam por costume. Por prática. Mas havia algo de errado neles. Uma incompletude.
Ninguém, nem os amigos, nem os irmãos, nem os pais, pareciam perceber isso, no entanto. Ele não sabia se deveria ficar feliz por, afinal, ainda estar fazendo um bom trabalho em sua missão particular de ser feliz, ou....
Sua mão tocou a borda da piscina e ele girou o corpo de frente para a parede. Na raia ao lado, Haruka alcançou também a borda, levantando graciosamente a cabeça e, ao levantar os óculos de natação, lhe lançou um pequeno sorriso.
“.... Ou será que é válido ficar frustrado por ninguém perceber que há algo de errado comigo? ”, pensou, saindo da piscina.
— Makoto-senpai! Haruka-senpai! – Gou correu até os dois que ainda saíam da piscina. Ela, como de costume, tinha uma expressão animada no rosto. Mako deu um sorrisinho gentil para ela, pondo-se de pé à sua frente.
— Oi, Gou. Pensei que tivesse com a Miho-sensei...
— Acabamos de voltar. – Ela deu um risinho, depois seu olhar se perdeu e ela comentou, pensando alto. – Queria que houvesse alguma coisa para fazer no final de semana... O verão já está dando as caras, mas estou morrendo de tédio!
Mako pensou no que ela disse. Seria interessante sair com os amigos novamente qualquer dia.... Quer dizer, eles se viam nos treinos, mas fazia tempo em que não conseguiam conciliar um tempo apenas para “fazer nada”.
Ele e Haru seguiram até o vestiário. Nagisa pareceu levar um susto quando eles entraram e Rei, ao lado dele, ficou vermelho como um pimentão. Haru foi até onde estava sua bolsa para pegar a toalha e no mesmo momento seu celular vibrou.
— Rin está nos chamando para irmos à Samezuka no próximo final de semana. Parece que vão fazer um festival escolar.
— Parece divertido! – Nagisa falou.
— Podemos ir todos juntos... – Haru disse, sem se esforçar em demonstrar muita emoção.
— É... – Mako concordou, com os olhos fixos em Haruka e um sorriso no rosto. – Pode ser algo bem legal.
Haru fez que sim com a cabeça e pegou de novo o celular para responder à mensagem.
***
Sábado. Normalmente, eles estariam treinando, já que, com a chegada do verão, também chegava o campeonato municipal. Mas lá estava a equipe de natação de Iwatobi, na entrada da Samezuka.
— Muito bem, rapazes, eu encontro vocês aqui no fim do dia! – Gou disse para os quatro.
— No fim...? – Mako perguntou. – Pensei que quisesse ver seu irmão...
— Ah, eu vou com certeza vê-lo por aí. Mas antes, eu tenho que checar uma coisa, então... Até logo!
Ela saiu apressada de perto deles.
— Como vamos encontrar Rin-chan e os outros? – Nagisa pensou em voz alta e os outros responderam com um suspiro.
— O jeito é tentarmos descobrir o que estão fazendo. – Rei sugeriu. Nagisa pulou para junto dele, agarrando seu braço e estendeu o seu próprio para a frente.
— Ótimo! Vamos em frente, então.
Mako soltou um riso de ligeiro constrangimento pelo amigo, mas não discordou, assim como Haru.
Bem então, uma garota vestida de empregada esbarrou em Haru, o lançando ao chão. Ele olhou para ela e ofereceu a mão para que ela se levantasse, como um perfeito cavalheiro. A moça murmurou uma resposta, mas sua voz pareceu meio.... Familiar.
Foi só quando ela levantou o rosto que eles viram.
— Ni-Nitori?
O garoto pareceu sem graça, mas provavelmente já tinha ouvido muitos comentários sobre sua roupa naquele dia, então não falou nada a respeito.
— Ah! Vocês são os amigos do Rin-senpai! Ele os convidou para o festival?
— Foi. – Haru disse.
— Por que está vestido assim? – Mako soltou.
— Ah! – Ele virou o rosto para o lado, como que tentando se esconder. – Todos no time têm que fazer isso...
— Espera... Então o time de natação estão fazendo um...
— Um maid café!
Os quatro visitantes se entreolharam, sem saber que reação ter primeiro. Antes que decidissem, Nitori fez questão que o seguissem até a sala reservada para eles.
— Não acredito que todos estão assim! – Nagisa riu.
— Bem, não todos. Quem está no último ano...
— Quem está no último ano têm privilégios, ele quis dizer. – Rin respondeu, os surpreendendo. Ele estava em frente à porta de uma das salas, numa vestimenta completa de mordomo. Ele se inclinou e estendeu a mão cordialmente. – Bem-vindos.
Ele trocou discretamente um olhar com Haru e o moreno sentiu o coração acelerar e uma forte dificuldade em manter a placidez de sua expressão. Rin percebeu, dando um sorriso torto e os guiando até uma mesa.
— Estava me perguntando porque estavam demorando... – O ruivo sussurrou no ouvido do namorado.
— Culpe a sua irmã por nos atrasar...
Rin riu.
— Estava brincando. Então, é um café... O que vão querer?
Haru ia respondendo “caval--”, mas Mako tampou a boca dele.
— Qualquer coisa doce. – Ele respondeu na pressa.
Rin riu.
— Como quiserem.
Quando ele saiu, Mako se afastou um pouco de Haru, engolindo os ciúmes por causa dos dois. Céus, que eles fossem mais discretos!
Rin passou por umas cortinas do lado direito, entrando numa pequena cozinha improvisada. Ele deu um sorrisinho triunfante. Como sempre, o maid café do time de natação era um sucesso e, pra melhorar tudo, Haru estava em uma das mesas!
Sentindo-se de excelente humor, ele andou alguns passos no corredor que mal comportava duas pessoas, indo para junto de Sousuke. O amigo, como ele próprio, usava uma roupa de mordomo, porém, por estar trabalhando na cozinha, sem o paletó comprido.
— É o pessoal de Iwatobi ali? – Sousuke perguntou, concentrado no prato que preparava.
— Ah, você percebeu...
— Dá pra ouvir o que vocês dizem através da cortina. – Ele olhou para o amigo. – E você está vermelho.
Rin fez uma expressão de indignação.
— N-não estou.
— Ainda mais agora. – O moreno brincou. – Pensei que tivesse vergonha disso aqui.
Ele olhou para o lado, meio emburrado, enquanto Sousuke voltava a se concentrar na pequena panela.
— Eu não queria de verdade que eles viessem. Mas Gou ia me matar se não avisasse.
— E o seu namorado?
— O meu..... – Ele então olhou perplexo para Sousuke. – Como você...?
— Te conheço melhor que você mesmo, não é? – Sua entonação parecia de brincadeira, mas ele não parecia particularmente satisfeito. Rin estava prestes a dizer algo, mas Sousuke estendeu uma colher para ele. – Prova.
O ruivo provou e abriu um sorriso.
— Muito bom.
— Ótimo. – Ele pôs o conteúdo da panela em um recipiente decorado e olhou para Rin novamente, parecendo meio ansioso. – É melhor você voltar para recepcionar os visitantes, não? Chame um dos garotos do segundo ano aqui para me ajudar.
Rin o olhou, achando bastante estranho ele se sentir sendo dispensado dessa forma por Sousuke, mas assentiu.
— De qualquer forma, – ele disse antes de deixar Sousuke sozinho na cozinha improvisada – você virá comigo ajudar a mostrar a escola para eles? O pessoal de Iwatobi, quero dizer.
Sousuke suspirou.
— Acho que não tem jeito.
Rin sorriu largamente.
— Legal. Assim que terminar nosso turno a gente se encontra, então!
E com isso, saiu em direção à entrada da sala outra vez.
— Rin idiota. – Sousuke sussurrou para si mesmo e conferiu o relógio de pulso. – Só mais quinze minutos, hã...
No tempo marcado, Rin se apressou até o banheiro e tirou a vergonhosa roupa de mordomo, pondo o uniforme normal da Samezuka em seu lugar. Sousuke entrou pela porta do banheiro segurando o paletó numa das mãos e com a outra já desfazendo a gravata.
— Você tem andado mais cheio de energia ultimamente. – Sousuke comentou.
— Hm? Você acha? Bem, imagino que seja porque seja por causa da chegada do campeonato de natação.
Sousuke soltou o ar num meio riso. Não era só por causa disso, certamente, mas ele preferia não comentar.
— Um passo mais próximo de seu sonho, não é?
— Uhum. – Ele concordou, terminando de juntar suas coisas. – E também vai ser o último revezamento que vou nadar no ensino médio.... Bem, eu fico um pouco ansioso com isso.
Ele riu em falso e Sousuke lhe deu um sorrisinho, ele próprio terminando de se arrumar.
— Bem.... Então vamos. Os outros devem estar esperando.
Na mesa, Haru, Makoto, Nagisa e Rei estavam matando o tempo, com Momotaru pendurado neles. Os veteranos se aproximaram da mesa e, sem demora, os rapazes estavam caminhando pelos corredores da Samezuka.
— Quer dizer que teve que fazer isso no ano passado? – Haru perguntou para Rin.
O ruivo corou e franziu as sobrancelhas.
— Não é como se eu tivesse uma escolha. O capitão Mikoshiba disse que seríamos expulsos se não fizéssemos parte do tal maid café do inferno....
Haru olhou divertido para a cara de insatisfeito do namorado e Mako soltou um risinho. Nesse momento, Nagisa percebeu alguma coisa comestível (?) sendo vendida num canto, chamando, não se sabe por que, a atenção dos outros junto. O loiro pegou uma unidade do que parecia um bolinho recheado com superfície enegrecida e o ofereceu a Sousuke, que o olhou com uma mistura de negação e confusão.
— Parece que Nagisa grudou em você, Yamazaki-kun. – Mako brincou.
Sousuke suspirou, dando um passo a mais para longe de Nagisa. Então olhou para Makoto, revistando-o dos pés à cabeça. Eles nunca tinham se falado exatamente, certo? Ainda assim, se pegou respondendo:
— Não precisa do sufixo. E basta só me chamar de Sousuke.
Mako arregalou um pouco os olhos, a gentileza o pegando de surpresa, então abriu um sorriso. Sousuke franziu de leve o cenho, meio desconcertado pela luminosidade que parecia jorrar daquele sorriso.
— Entendido. Então você também pode me chamar só de Makoto.
Sousuke assentiu discretamente e Mako riu em resposta. Ele achava irritante esse hábito de rir quando não sabia como seguir em frente com a situação, mas a aura que Sousuke parecia lhe transmitir não lhe passava insegurança. Ele assumiu que deveria ser porque ele estava como um membro desse grupo, então todos se tratavam como amigos.... Deveria ser isso.
Ele se virou para falar alguma coisa, provavelmente apenas um pensamento em voz alta, com Haru e Sousuke desviou o olhar quando percebeu que o mantivera preso no outro por tempo demais. Seu coração ainda parecia meio inquieto e ele se permitiu testar em voz bem baixa a familiaridade com o som.
— Makoto.... – Ele pronunciou pausadamente, saboreando cada sílaba.
Então balançou a cabeça e fechou os olhos. O que raios foi isso?
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