Rightful - Interativa
5 Renegado
Notas iniciais
A espada golpeou as costas suas costas, ele reagiu prontamente, avançando sobre o adversário e empurrando-o no chão. Então voltou-se para o segundo oponente, indo em sua direção com a espada na mão. O oponente, um cavaleiro com o dobro da idade do príncipe, respondeu aos golpes magnificamente, mas teve o mesmo destino do primeiro.
Ergueu os olhos, tirando a atenção da luta pela primeira vez. O mestre de armas de Pedra do Dragão foi em sua direção, com um sorriso no rosto, e fez menção de dizer algo. Qualquer coisa que tenha considerado dizer perdeu-se quando Gaemon surgiu na entrada do pátio, com uma expressão séria, acompanhado de Alysanne Tully.
Não houve tempo para elogios, como sempre; todos, inclusive os derrotados, estavam reverenciando o príncipe herdeiro. Mas ele não parecia se importar, caminhava lentamente, com a cabeça erguida. Como se fosse um rei, reparou, desgostoso, e sua amante como se fosse uma rainha. Atrás deles, seu séquito de bajuladores ria de algo. Por um segundo, o príncipe mais novo sentiu-se novamente na corte.
—Irmão.- Gaemon disse, ainda ignorando todos os outros presentes. Essa era uma das coisas que odiava no irmão: a maneira a qual ele parecia distante de tudo, menos da garota que ele tratava como noiva. Ele não vê que Elaena nunca vai permitir que ele se case com uma Tully? Ou com o membro de uma Casa cuja lealdade já tenha sido garantida? Era mais provável que se casasse com uma garota Lannister ou Ameera Martell.— Precisamos conversar. Por favor, me acompanhe.
—Não podemos conversar depois?- Questionou Matarys.- Eu estou ocupado agora.
—Brincando de espadachim, Matarys?- Ele ergueu uma sobrancelha.- Vamos logo, eu não tenho o dia todo.
—Muitos nadas para fazer, Gaemon?- Respondeu o mais novo.- Ou vai brincar de rei e rainha com a Pequena Truta? Você sabe que não é o herdeiro, não é?
—Pelo menos um dia eu serei rei, irmãozinho.- Sua voz era ácida, seus olhos lâminas.- E você? Será como substituto tio Baelon? Ou um desocupado como papai?- Matarys apertou a espada em sua mão.- Ande logo. Não vou chamá-lo de novo.
—Vá, Matarys.- Disse o mestre de armas.
—Oh, sim!- Exclamou, seguindo o irmão.- É melhor não irritar o Protetor das Ovelhas.
Gaemon lançou-lhe um olhar de canto. Matarys foi até a porta. O séquito ficou para trás, porém Alysanne continuava ao lado de Gaemon. Não pareciam haver sinais de que ela fosse soltar o braço dele. Porque a melhor maneira de se manter algo em segredo é comentá-lo na frente de uma garota obcecada por poder, grunhiu, Como Gaemon consegue ser tão burro?
A mãe o esperava na sala de reunião, sentada no lado esquerdo da Mesa de Aegon- uma mesa no formato de Westeros-, em frente a Valaena. Saera Targaryen sorriu quando eles passaram pela porta, mas sua boca tornou-se uma linha fina ao ver Alysanne ao lado de Gaemon.
—Querido, tem certeza que ela deve ficar?- Sua voz era suave e, ao mesmo tempo, fria. Como sempre.— Tenho certeza que a senhora Alysanne vai preferir passar seu tempo na companhia de suas damas, tendo conversas mais interessantes do que as nossas.
—Pensei que fosse uma reunião de família.- Comentou Val, em voz baixa. Matarys sentou-se ao seu lado.
—Agradeço por sua preocupação, Vossa Alteza. Mas eu devo me acostumar com conversar menos interessante como esta.- Sorriu Alysanne. Para quando for rainha, estava implícito.
Val e Matarys trocaram um olhar risonho, Saera voltou a se encostar em sua cadeira, já não tão feliz. Gaemon tomou seu lugar- o lugar de seu pai- na cabeceira da mesa, Alysanne ficou ao seu lado, de pé.
—Não vai sentar, senhora Alysanne?- Questionou Matarys, arrastando a voz na palavra “senhora”.
—Não acho que seja adequado me sentar tão longe de meu senhor, Alteza. E não há lugares próximos a ele disponíveis.- Disse, como se esperasse que cedesse o lugar.
—Uma pena, não?- Saera ainda estava irritada, era perceptível em sua voz.
—Enfim- Pigarreou Gaemon.-. Mais cartas chegaram de Porto Real. Fomos, mais uma vez, convocados para o torneio do rei Jaehaerys. Partiremos antes do fim desta semana.
—Era isso?- Disse Valaena, decepcionada.- Você me tirou do meu quarto para isso?
—Valaena!- Repreendeu a mãe.- Seja educada!
—Sim, irmã, era isso.- Concluiu Gaemon.- Porém, motivo de nossa reunião também é a ameaça daqueles que se chamam de Blackfyre. Nós devemos garantir a lealdade do reino com alianças e, como é de conhecimento geral, a melhor maneira de se fazer uma aliança é com um casamento.- Ele observou a reação dos presentes.- Val, eu sei que isso pode soar mal no momento, mas, pense bem…
—Não!- Guinchou a princesa, erguendo-se.- Não!
—É pelo melhor do reino, irmã. Matarys não tem idade para casar e…
—Não!- Ela ainda gritava, agora avançando em direção ao mais velho.- Case você! Com Alysanne, com Ameera, com a garota Baratheon; não me importa! Eu não vou me casar!
—Valaena.- Matt levantou-se e segurou o braço da irmã delicadamente. Gaemon apenas mantinha o rosto sério e calmo.
—Gaemon!- Era a voz de sua mãe.- Eu acho que você e Alysanne deveriam nos deixar. Eu preciso conversar com seus irmão a sós.
O mais velho arfou, segurando a mão da garota e saindo rapidamente da sala. Saera segurou a mão da filha.
—Acalme-se, querida.- Disse, tranquilamente.- Eu não vou deixar ele te vender. De qualquer maneira, eu precisava falar com vocês sobre isso.
—Por que ele não procura uma noiva mais adequada?- Questionou Matt.
—Ele está apaixonado.- Explicou sua mãe.- Quando a ilusão do amor deixar de tapar seus olhos ele vai perceber o que é melhor para ele e para o reino.
O melhor para o reino, pensou, é nossa obrigação fazer o que é melhor para o reino. E, se ignorar o filho mais novo para incentivar o mais velho é o melhor, é isso que deve ser feito.
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Eles sussurravam, e tudo o que queria fazer era gritar. Gritar até seus pulmões explodirem, gritar até que sua garganta sangrasse, gritar até que todos a seu redor não pudessem mais ouvir e tudo o que sobrasse fosse um zumbido ensurdecedor e todos eles se arrependessem de cada uma de suas palavras.
Porque nenhum deles era corajoso o suficiente para dizer a sua frente; não, eles sussurravam atrás de suas costas, chamavam-a do que queriam. Eles riam, xingavam, amaldiçoavam. Que os Sete a perdoassem, ela queria todos eles mortos.
Mas não podia fazer nada. Era apenas uma criança, não importava seu nome, ou seu sobrenome. Não importava seu sangue, quem era seu pai ou sua mãe. E ela também não deveria se importar. Um dragão não se abala pela opinião de ovelhas.
Era Rhaenys, da Casa Targaryen, nomeada em homenagem a Conquistadora, à Rainha Que Nunca Foi, à Rainha de Meio Ano e a todas as outras. Era a filha legítima do rei Jaehaerys, o Segundo de Seu Nome, e da rainha Elaena, Assassina de Dorneses e Matadora de Sacerdotes.Jamais fora nada; era a Princesa Que Sobreviveu e a Filha da Morte, era do sangue do dragão.
Manteve-se ereta sobre o cavalo negro, sem nem mesmo olhar diretamente para os cavaleiros bêbados a seu lado. Pelo canto do olho, viu-os se encolhendo e baixando a cabeça; as risadas morrendo e os sorrisos se apagando.
—Nomes não são amaldiçoados, sor.- Disse, em voz alta, sentindo dezenas de olhos em si.- Pessoas são.
Não disse mais uma palavra, seguindo lentamente em frente, sentindo alguém se aproximando. Manteve o queixo erguido, enquanto Artemisia Targaryen, a filha mais velha de seu irmão, aproximava lentamente seu cavalo do de Rhaenys.
—Senhora minha tia.- Ela fez uma reverência com a cabeça. Rhaenys respondeu com um pequeno aceno.- Vejo que estão lhe incomodando. Se desejar, posso cuidar deles para você.
—Sor Denys e outros já se ofereceram, sobrinha.- Respondeu a mais nova.- Penso que o constrangimento será punição o suficiente.
—Pensa errado, Rhaenys.- Ela chegou mais perto.- Constrangimento nunca será punição o suficiente para tal tipo de crime. A rainha Elaena teria arrancado a língua de todos eles.
—Vejo que há um motivo para apelidarem minha mãe de Elaena Sangrenta.- Comentou.- Mas eu não tenho autoridade para fazê-lo. Estas são as Terras da Coroa. Os infratores daqui respondem diretamente ao Trono de Ferro e, da última vez que chequei, eu não me sento nele.
—Você passou tempo demais em Essos, tia.- Artemisia riu.- Qualquer um que carregue o nome Targaryen pode exercer a justiça do rei, em casos menores, como este.
—Por isso, qualquer Targaryen pode punir uma pessoa, tendo ela cometido ou não o crime do qual foi acusada, e a única chance de uma pessoa de escapar da condenação é convencer este de que é inocente?- A outra assentiu.- E, se este não for convencido, mesmo que tenham provas de sua inocência, ele será punido?
—Não é assim que julgamentos acontecem, princesa?
—Acho que entendo por que as pessoas correm para dentro de suas casas quando vêem o estandarte do dragão.- Talvez ela tenha realmente passado tempo demais em Braavos, onde os julgamentos não dependiam apenas da vontade de uma pessoa, e sim de um conselho. Você está em Westeros, lembrou-se, onde as pessoas são julgadas pelo sobrenome. E você tem o mais importante deles.
—Todos são importantes, querida.- lembrava das palavras de sua antiga tutora, Rylona Doraemon, esposa do Senhor do Mar de Braavos e membro do Banco de Ferro.- Todos são partes de uma engrenagem. Uma engrenagem não funciona sem todas as partes.
—Por isso mamãe deve ter o apoio de todas as casas dos Sete Reinos?- Ela havia questionado.
—Não todas, querida, isso seria muito difícil.— Rylona respondera, prontamente.— Apenas a maioria. Quando a maior parte das peças quer funcionar, elas dão um jeito de fazer as que não querem funcionar também.
A senhora Rylona também lhe ensinara que não era preciso ter força, ou poder ou imponência, quando as pessoas pensavam que os tinha. Ela lhe contara isso juntamente com a história de como conseguira manipular Mhero Doraemon e convencê-lo que sua família ainda era rica e casar-se com o mais provável candidato a Senhor do Mar. Nunca haviam lhe dado um conselho mais útil.
Não importava o quanto se abalasse por dentro ou o quão insegura, se as pessoas não sabiam disto. Infelizmente, Rylona Doraemon nunca pudera lhe ensinar a parar de sentir.
Oh, Deuses ela daria tudo para poder controlar isso. Daria todos os seus colares para não sentir aquele maldito fogo dentro de si, e nem aquela vontade terrível de arrancar a cabeça de alguém. Mas a senhora Rylona não poderia entender; ninguém poderia. Ela era do sangue do dragão, e o sangue do dragão queimava. Rhae apenas esperava que não a levasse a loucura, como fizera com tantos outros.
Essa é sua maldição, criança, sussurrava, em seus sonhos, sua benção e sua maldição.
Respirou fundo, punindo-se por não trazer Meraxes consigo. Algumas vezes, apenas o ovo de dragão conseguia acalmá-la. Um ovo branco envelhecido, manchado de bege e alguns pontos dourados.
—Está assustada, Rhaenys?- Questionou Artemisia.
—Não.- Mentiu. É a minha casa, não pode me assustar.
—Que bom.- Sorriu a mais velha, apontando para frente.- Bem vinda ao lar, tia.
A frente na estrada, podia ver uma cidade entre colinas, uma cidade enorme, cujo fedor já era perceptível, com portos e casarões. Seria uma cidade comum, se não fosse pela magnífica, imponente e vermelha fortaleza no topo da maior das colinas.
Bem vinda ao jogo, Rhae.
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