Riding In Cars With Boys

1 Capítulo 1 - Prólogo


E então ele precisava saber.

Não era insegurança, nem nada do tipo, porque Jesse conhecia John, e conhecendo John como Jesse conhecia, ele sabia que seu namorado não faria nada absurdamente errado naquela noite, certo?

Mesmo que fosse a noite de Ano Novo e que ele estivesse em Cleveland enquanto John estava em Salt Lake City, afinal, distância nunca foi o grande problema entre eles. O grande, e quando ele dizia grande ele realmente estava falando de proporções absurdas, problema entre eles era a falta de confiança que a distância proporcionava. Não a distância.

Quem se importava com distância?

E era por isso, justamente por isso que ele estava lá, no meio daquela festa, encarando o visor do Sidekick, se decidindo entre ligar para John e o deixar saber que apesar dos dois copos grandes de vodca com maracujá – já que aquela era a melhor definição que ele podia dar à tentativa de batida de Garrett – ele estava bem, estava festejando com os rapazes e não estava nos braços de ninguém, porque o único par de braços no qual ele gostaria de estar, estava do outro lado do país, ou simplesmente apertar o power, desligar aquele treco e beber o bastante para não se lembrar da noite desastrosa que o ano novo estava sendo.

Gostava de estar com Vinnie, Brian, Garrett, Kevin e os meninos do Manchester Orchestra, gostava e se sentia à vontade, mas havia algo que não estava certo. Ele estava desde cedo se perguntando por que estava tão ansioso pela noite, por que fez a barba, por que se arrumou tanto. Era como se estivesse tentando impressionar alguém com quem pretendia se envolver, e isso não era o que ele deveria estar fazendo.

No entanto, encarar o telefone não era algo que ele deveria estar fazendo também, e lá estava ele, sendo um idiota.

Ele podia sentir os olhares das pessoas sobre ele, e ele não sabia exatamente como reagir. No momento, fingir que estava ótimo e que não estava se sentindo um quadro em esposição era o negócio.

Mas queria ligar para John.

-Se você não largar esse telefone, eu vou me sentir extremamente ofendido. – uma voz conhecida e um tanto animada soou, ao mesmo tempo em que seu dono se sentou no banco de madeira da varanda ao seu lado, dois copos de champagne nas mãos, a franja ruiva cobrindo as esferas escuras que eram seus olhos. Jesse sorriu, tomando da mão que Kevin lhe estendia, a taça, observando enquanto mais pessoas se aglomeravam na varanda.

- Estava contemplando a possibilidade de ligar pro John. – comentou, apertando o power, jogando o sidekick para o bolso do jeans que usava com a camisa preta.

- Pra que? Ele não atendeu às suas últimas chamadas, não é? Deve estar ocupado. – Kevin comentou, fixando os olhos nos garotos do Manchester Orchestra que levavam uma grande bronca de Andy, razoavelmete bêbado. E o ruivo tinha razão.

John o estava evitando há alguns dias, não atendia às suas chamadas e parecia sempre ocupado demais nos e-mails que enviava. E Jesse estava com saudades de ouvir a voz de John – e ouvir o CD não contava, porque John não murmurava sonolento que o amava no CD – e tudo aquilo o estava deixando louco. Não que ele fosse admitir que estava ficando desesperado pela indiferença do namorado, mas estava, e os garotos estavam começando a notar.

- Talvez. Eu só queria... não sei. Só queria falar com ele. – Jesse deu de ombros, levando a taça aos lábios, sentindo a mão de Kevin o parar pouco antes de tomar o líquido.

- Espera dar meia-noite! – exclamou. –Só falta um minuto. – e sorriu. Jesse se surpreendeu um tanto, não sabia que havia passado quase duas horas encarando o visor do celular, inconscientemente esperando que o nome de John aparecesse ali, o ligando para desejar um “Feliz Ano Novo!”. Estava um tanto chateado, mas queria estar feliz, afinal, estava com pessoas ótimas, sendo Kevin uma delas, e estar com Kevin era uma das coisas que fazia todo o resto valer a pena.

Mas queria tanto John...

Talvez fosse só a vontade de ter alguém para beijar à meia noite, talvez fosse a necessidade de não estar sozinho, mas ele estava se sentindo o maior de todos os perdedores ali. Era como se todos estivessem acompanhados, como se todos já tivessem combinado com alguém, ou fossem amados o bastante para simplesmente terem alguém que os ligaria à meia noite, ou decidiria que iria passar a meia noite com eles.

Os outros não precisavam encarar o celular para esperar uma ligação.

Pensar que talvez John não o amasse mais doía, e parecia tão absurdo e impossível que ele tentava não cogitar a possibilidade.

- Queria beijar alguém à meia-noite. – Kevin comentou, franzindo a testa com desgosto quando Andy começou a puxar a contagem regressiva. Ele não conseguiu evitar rir quando o amigo, bêbado, passou o braço pelos ombros de Robert, quase indo com ele pro chão. Inconscientemente – quando já contavam o “sete” – pousou a mão sobre o celular no bolso.

- Também queria. – encarou longamente a taça em sua mão, se perguntando se passaria mal ao virar todo o conteúdo pela garganta. Ouviu quando Kevin suspirou pesaroso, ouvindo o “Feliz Ano Novo!” gritado vindo do grupo de amigos à sua frente, e a próxima coisa que sabia é que havia uma língua enfiada em sua garganta, e que ele estava correspondendo o beijo à altura. Os dedos de Kevin seguravam firme sua nuca, e ele, sem perceber – ele jurava que havia sido sem perceber! – apoiou a mão sobre a perna do ruivo. Sentiu os dentes de seu amigo se prenderem em seu lábio inferior por pouco tempo, até que ele se afastou, o bastante para virar a taça de champagne, lhe desejar “Feliz Ano Novo” com um sorriso gigante e sumir no meio da multidão.

Jesse não saberia dizer quanto tempo demorou para voltar a si, mas o conteúdo da taça desceu muito bem depois do susto.

Notas finais
Comentários e notas são bem-vindos.

I'm BAAAAAAAAAAAACK.