Rich Boy and The Geek
6 Behind the mask
Nas semanas seguintes Bruce não apareceu em aula nenhuma. Ficou somente dentro do quarto, deprimido. Blake não o obrigava a sair, buscava lanche para ele no refeitório. Bane havia contado seu segredo para Jonathan e isso não o impediria de contar para a escola toda que o Príncipe de Gotham era apaixonado por Jonathan Crane.
Jonathan não o procurava, mas perguntava dele para John.
Seus pais foram chamados na escola e resolveram levar Bruce para fora do colégio por pelo menos um mês. Isso seria bom pra ele talvez.
- Acha que ele vai voltar? – Selina perguntou para Blake, enquanto desenhava qualquer coisa no caderno. Ela não era muito fanática por estudar.
- Eu não sei. – John respondeu tentando analisar a pergunta que o professor havia feito – E você e Crane? Ainda estão juntos?
- Não sei o que há de errado com ele. Anda muito preocupado. Talvez ele sinta falta do Bruce, eles eram muito amigos.
- Até mais do que isso. – Blake pensou alto e Selina o encarou.
- O que quis dizer?
- Nada não. – Blake disfarçou e voltou a escrever. Há umas duas classes na frente, Jonathan estava estudando, mas ele não parecia nada concentrado. Ficava balançando a perna e olhava para todos os lados. O professor já tinha advertido ele umas duas ou três vezes para que ele se focasse no trabalho. – Selina, eu vou mudar de lugar, se importa?
- Vai lá. – Ela deu de ombros.
*
Não sabia o que tinha de errado consigo. Física era a matéria que ele mais dominava e agora simplesmente tinha esquecido tudo.
Não era o tempo que passava com Selina nos intervalos, com certeza. Talvez fosse saudade de Bruce.
Caramba, como sentia saudade de Bruce nessas semanas em que esteve fora. Mas tinha um lado bom, em três dias Bruce Wayne estaria de volta e tudo voltaria normal. Talvez.
Não acreditava ainda nas palavras que Bane lhe dissera. Será que o riquinho esnobe era mesmo apaixonado por Jonathan? Não. Impossível. Bane só queria colocar um contra o outro, somente isso.
Como quisera que fosse somente isso.
Agora Jonathan tinha sentimentos estranhos em relação a Bruce.
Talvez o amasse.
Não. Era coisa da sua cabeça. Sempre soube que Wayne gostava de Rachel.
John Blake sentou-se ao seu lado, eles ficaram se encarando por um momento.
- Precisa de ajuda ai? – Engraçado, normalmente seria Jonathan a dizer essa frase para Bruce.
- Não... Eu só... Não estou prestando atenção no que a professora diz. – Jonathan se desculpou. Ouviu alguém sussurrar seu nome e se virou. Era Selina lhe mandando um beijo, ele sorriu pra ela.
Por mais que gostasse de estar com ela e gostasse de beijar ela, ele não conseguia gostar dela. E ele sabia que ela também não gostava dele, aquele era só um lance dela, sabe-se lá pra que, talvez só pra chamar atenção.
Oh, olhe pra mim, eu sou linda e estou namorando Jonathan Crane!
Patético.
Porém ela sabia como mexer com a estrutura dele.
- Por que não liga pra ele?
De que diabos esse garoto falava?
- Ahn?
- Ligar pro Bruce. Você sente falta dele, não sente? Eu liguei pra ele semana passada. Ele ia adorar receber uma ligação sua.
- Acho que ele ainda está de mal comigo.
Nem tinha tido essa ideia de ligação... Blake era um gênio!
- Pode passar no meu quarto depois da aula, eu te empresto meu celular pra você ligar pra ele. Ou podemos ir à biblioteca e ir usar o Skype do computador.
- Ótima ideia.
*
Após a aula, Jonathan passou um tempo com Selina, ajudara ela com seu dever e depois se despediram. Como combinado, foi encontrar Blake na biblioteca. Ele já estava no computador e ria descontroladamente de alguma coisa.
Ele já estava conversando com Bruce e não o tinha esperado?!
Ele se aproximou para ouvir a conversa.
- E aí? O que você fez? – John estava mesmo conversando com Bruce pelo programa do computador.
- Bom, eu não segurei o riso, o cara tinha caído na minha frente! Eu o ajudei, mas continuei rindo!
Embora a voz saísse de um modo diferente pelo microfone, era realmente muito bom ouvir Bruce novamente.
- Ei Bruce, Jonathan está aqui do meu lado, quer conversar com ele?
- Não Blake, acho melhor não...
- Vem cá, seu bobo.
- Oi Johnny! – Bruce acenou e Jonathan acenou de volta, John avisou que ia buscar alguma coisa pra comer – ele só sabia comer, cruzes – e deixou os dois conversando – E aí, muitas novidades?
- Bom, eu ganhei o primeiro lugar no torneio de matemática... Mas isso não é novidade.
- Que legal Jônatas! Parabéns! – ele elogiava. Parecia animado. Estava melhor do que nas ultimas semanas que o vira ainda dentro da escola.
- Quando você vai voltar? – Jonathan ajeitou a tela do computador para melhorar a imagem e percebeu que Bruce estava sem camiseta do outro lado da tela, e usava um correntinha. Ele praticamente derreteu ao ter aquela visão.
- Em dois ou três dias, talvez eu vá no domingo, quero jogar futebol com Blake, prometi a ele.
- Legal. – Jonathan ajeitou os óculos.
- Ué? Trocou os óculos?
Ele tinha reparado.
- Sim... Meu grau diminuiu. Não tenho mais astigmatismo.
- Bom... Então a gente se vê no domingo?
- Claro.
- Ok, até domingo então. – Ele se despediu acenando com a mão.
- Tchau, tchau. – Bruce havia fechado o seu computador portátil e Jonathan tratou de desligar o da biblioteca.
Não tinha matado totalmente a saudade de Bruce, mas iria esperar até domingo.
O menino parecia mais alegre, mais vivo. Lembrava-se que ele estava estranho quando Bane chegara. Bane realmente era uma ameaça. Derrubou dois professores das cadeiras em menos de uma semana.
Talvez aquela saída de lá tivesse sido boa para ele, queria poder sair com seu tio também, se ele não fosse um velho chato.
Avistou John chegar com uma bandeja de doces, ele estava sendo seguido por Selina. Onde ele conseguia tantos doces?!
Mudou o pensamento quando Selina se aproximou. Ele precisava terminar com ela, precisava dizer a Bruce que havia mudado em relação a ele, e que se fosse verdade o que Bane lhe dissera, iria corresponder ao amor de Bruce. Mas precisaria confirmar primeiro.
Será que esse tempo fora do colégio havia mudado os sentimentos dele em relação a Jonathan?
Esperava que não.
- Bruce já desligou o laptop dele? Eu queria perguntar se ele vinha no domingo para eu guardar um lugar pra ele no time.
- Ele disse que vem. – Respondeu Jonathan no mundo da lua. Selina o abraçou e assim os dois ficaram comendo doces e mexendo no computador.
*
- Explodir a escola, pai? Ficou maluco?! – Miranda perguntou para o pai, que ela sempre achara esquisito.
- Não aguento mais esse local, filha. Eles me fazem sofrer aqui. Eles têm que pagar.
- Peça demissão! – A menina estava em seu quarto, observando o pai andar de um lado para o outro, falando em destruir a escola de Gotham.
- Você é nova, não entende. – Ele fez uma pausa — Ah, mais uma coisa filha. Aquele tal Bane... Sei que você anda com ele sem que as outras crianças saibam, mas eu sei.
- O que tem?
- Quero que pare de andar com ele! Ele é perigoso, descontrolado e agressivo, pode acabar te machucando. – Ele advertiu. Ela o encarou, séria.
- Pai, ele é meu amigo, ele jamais me machucaria.
- E aquele tal... Como é o nome? Bruce?
- O que tem o Wayne? – O pai era paranoico. Só podia.
- Os pais dele são meus rivais, então não quero você perto dele também. – Ele depositou um beijo na testa da filha – Te vejo na próxima aula de jiu-jitsu. Não falte.
- Até, papai. – Miranda ficou observando o pai sair. Esperou ele fechar a porta, e quando a silhueta dos pés dele sumiu embaixo da porta, ela se abaixou no beliche. – Pode sair daí, Bane.
- Seu pai é louco?
- Doidinho da Silva. – Ela disse se aconchegando nos braços enormes do amigo.
- Achei legal a ideia dele. – Bane deu de ombros. Era estranho estar com Bane, por mais que gostasse dele. Talvez se ele tirasse a máscara...
- Você é outro doido. – Ela disse ficando cara a cara com ele – Não tem como tirar a máscara?
- Ter tem. – Ele falou – Mas iria doer um bocado, sem falar que não ia gostar do que tem embaixo.
- O que tem embaixo?
- Você não precisa saber.
- Tiraria por mim?
- Ah, sim.
Miranda tateou a máscara dele tentando descobrir como abria. Sem sucesso. Bane pôs as mãos atrás da cabeça e ouve um som abafado, e logo em seguida um gemido. Mas não era o mesmo gemido sem a máscara. Mesmo que não pudesse ver, sabia que ela tinha saído. Vibrou com a expectativa.
Mas Bane não tirou toda a máscara, somente a parte que cobria sua boca. Os lábios dele eram normais, cheio de furinhos, mas eram normais. Ela colocou a mão nos lábios dele e sorriu. Ele era perfeito, e ele era dela.
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