Riccione

4 Capítulo Três


Notas iniciais
Olá, olá! Meio em cima da hora, mas consegui postar. Hoje o dia foi tão corrido, mds Como vocês estão? Boa leitura!

“And I wonder when you hear it

Are you getting that same feeling?”

— Robyn

Capítulo Três

Quando Edward pediu meu número novamente, eu nem ao menos cogitei negar. Depois de todas aquelas visitas ao meu restaurante, ele poderia ter me chamado diretamente para sair e eu diria sim.

Alice me mandou um áudio completamente animada assim que viu a mensagem que mandei para ele, dizendo que estava feliz por mim e dizendo que eu precisava marcar um encontro duplo para Edward apresentar Jasper para ela. Ele nem tinha me chamado pra um encontro ainda, mas Alice já tinha planos para o futuro.

No dia que Edward me mandou a primeira mensagem, eu estava de folga, o restaurante fechava as segundas-feiras. Tinha acordado no meu horário de sempre e levado Lucy e Jude para correr na praia, como todos os dias. Estava sentada no sofá enquanto via um dos meus filmes favoritos — Letra e Música —, Lucy e Jude disputavam espaço no meu colo, quando recebi uma mensagem dele.

Número desconhecido: O que você tá fazendo?

Eu sabia que era ele de cara, as borboletas no meu estomago deixando tudo claro. Além do mais, eu não tinha passado meu número pessoal para ninguém por aqueles dias, mas mesmo assim eu quis brincar com ele.

Bella: Quem é?

Edward: Desculpa! É o Edward

Bella: eu sei

Bella: Sobre o que eu estou fazendo: aproveitando a minha folga e vendo filme.

Edward: Qual filme?

Bella: Letra e Música.

Edward: É um ótimo filme! Adoro a trilha sonora

Bella: Eu também! Sei ela de trás pra frente. A combinação da trilha sonora perfeita + o Hugh Grant me tem completamente, é um dos meus filmes favoritos.

Edward: Eu também adoro os filmes dele, mas o meu favorito com certeza é Um Lugar Chamado Notting Hill.

Bella: Julia Roberts?

Edward: Com certeza! Hahaha

Bella: Eu amo a cena em que ela fala que é apenas uma garota em frente à um garoto pedindo para que ele a ame

Edward: Clássica!

Edward: Eu também amo a cena do brownie

Bella: Eu também! Corri para procurar a receita assim que vi o filme pela primeira vez, acho que faço um brownie ótimo

Edward: Seria um prazer tirar a prova :)

Bella: Quem sabe um dia, não é?

Edward conseguiu me distrair completamente do filme, acabamos concentrados em comentar os filmes do Hugh Grant, então passamos para os da Julia Roberts e acabamos comentando outros clássicos dos anos 90 e do início dos anos 2000, como Ghost, Romeu e Julieta, O Show de Truman e Meninas Malvadas.

O assunto rendeu até que Edward foi obrigado a largar o celular porque precisava participar de uma reunião com a sua agente.

Voltei o filme do começo com um sorriso no rosto, Jude havia saído do meu colo e olhava para mim como se perguntasse o que eu estava fazendo.

— O que foi? As pessoas ficam felizes quando falam com pessoas legais — me defendi de seu olhar julgador.

*

Nós continuamos conversando pelos próximos dias, não tanto como o primeiro dia — nós dois estávamos realmente ocupados —, mas mandávamos pelo menos uma mensagem ao dia, perguntando como o outro estava ou mandando algo engraçadinho.

Eu não era nenhuma pessoa inexperiente quando o assunto eram relacionamentos, porém fazia tanto tempo que eu não sentia todo o frio na barriga e a excitação de conhecer uma pessoa nova, que eu me sentia como uma adolescente a cada conversa.

Imaginei que ele pararia de ir com tanta frequência no Riccione depois que conseguisse meu número, mas ele me surpreendeu.

Estava decorando algumas taças de Zabaglione na cozinha quando Angela apareceu com um sorrisinho no rosto para me avisar que Edward estava no restaurante. Eu passei a sobremesa para Jéssica finalizar e sai tentando não saltitar como uma adolescente.

Ele estava em uma sala privada novamente, olhando através da porta sem constrangimento e sorriu largo quando me viu.

— Oi, Edward! O que eu posso te oferecer essa noite? — questionei.

— Fica parada — pediu ele.

Franzi o nariz, mas não o questionei. Achei que ele faria algo, só que eu estava enganada e Edward apenas continuou parado, olhando para mim.

— Você é muito bonita — falou depois que eu comecei a corar, o que tornou tudo ainda pior.

— Você é muito estranho — declarei balançando a cabeça.

Edward riu com isso.

— Eu trouxe algo para você — falou ele antes de me entregar um embrulho.

— Não precisava — disse pegando o embrulho.

— Eu gosto de dar presente — deu de ombros. — Abre.

Não precisei de um novo pedido e comecei a rasgar o embrulho. Dentro havia um quadrinho completamente delicado, com uma arte feita a mão da livraria de Um Lugar Chamado Notting Hill.

— A primeira coisa que pensei foi em flores, mas eu ainda não sei quais são as suas favoritas. Então pensei em te dar algo de Letra e Música, mas não achei nada que fosse tão marcante além das músicas para ser pintado — explicou-se.

— Foi você que fez? — questionei.

— Não — respondeu rindo. — Se fosse feito por mim estaria mais para uma junção de linhas tortas, não sou talentoso assim.

Eu ri com ele.

— Não precisava mesmo, mas é perfeito. Obrigada pelo presente, Edward.

Ele apenas sorriu de canto, o que fez meu coração perder uma batida. Então Josh trouxe o pedido que ele havia feito e aproveitei aquela deixa para voltar para a cozinha, mas antes disso falei.

— Orquídeas, eu gosto de orquídeas.

*

Dois dias depois, mandaram entregar um vaso com orquídeas brancas no restaurante. Angela me entregou as flores e meus funcionários da cozinha fizeram piadinhas enquanto eu passava com elas até meu escritório.

Felizmente eles tinham contratos que os proibiam de espalhar qualquer coisa sobre famosos, então o que quer que estivesse acontecendo com Edward e eu estava seguro.

Não consegui mandar uma mensagem para Edward durante todo o dia, mas assim que cheguei em casa peguei o celular.

Bella: Obrigada pelas flores, eu amei! Como você sabia que eu prefiro flores em vasos?

Ele não demorou para me responder.

Edward: Que bom que gostou :)

Edward: Foi um chute, você tem cara de mãe de planta hahaha achei que você ia curtir algo mais duradouro.

Bella: você acertou!

Bella: eu realmente sou mãe de planta

Bella: ou tento ser, meu gato adora destruir as minhas plantas

Edward: você tem gato? cadê?

Jude e Lucy estavam deitados em um canto, Jude deitado em cima da Lucy como se ela fosse sua própria cama, então aproveitei o momento e tirei uma foto.

Bella: o gato é o Jude e a cachorra é a Lucy.

Edward: Beatles!

Bella: SIM! Eu amo os Beatles.

Edward: Como não amar?

Bella: você tem algum bichinho?

Edward demorou dois minutos para me responder, mas quando o fez, enviou uma foto dele e de um cachorro grande e marrom abraçados.

Edward: esse é o Allegra.

Bella: desculpa, não peguei a referência :(

Edward: é o nome de um antialérgico hahaha

Edward: Eu tenho uma rinite terrível, sou completamente alérgico ao pelo de animal. Mas eu sempre quis um cachorro, então eu adotei e forcei meu corpo a se acostumar

Bella: ele é muito fofinho!

Nós continuamos falando sobre animais, então Edward pediu para me ligar.

A sua voz era mais rouca por ligação. Eu não sabia se era o normal, ou se ele apenas estava com sono. Mas eu tinha certeza de uma coisa, sua voz era sexy.

Conversamos por alguns minutos, até que eu soltei um bocejo involuntário.

— Acho que é melhor eu te deixar dormir, você deve acordar cedo amanhã — disse ele.

— Não é todo mundo que é tem a vida boa igual a sua, Astro Pop — comentei rindo.

— Bons sonhos!

— Obrigada, pra você também.

— Ah, Bella. Uma coisa antes de desligar.

— Diga.

— Você quer sair comigo na sua próxima folga? — perguntou. Sua voz parecia receosa.

O frio na barriga voltou.

— Claro — respondi tentando não afinar a voz.

— Ótimo — disse ele. — Bons sonhos, doce Bella.

*

Quando contei pra Alice que Edward tinha me convidado pra sair, ela ficou completamente animada e perguntou se eu queria ajuda para me vestir.

Ela não precisou perguntar duas vezes para eu aceitar.

Então na minha folga, próximo a hora do almoço ela apareceu no meu apartamento com um vestido da marca dela a tiracolo, além de um sorriso de animação um tanto assustador.

Eu cozinhei para nós duas como costumava fazer, Alice era uma bajuladora quando se tratava da minha comida e eu gostava de mimá-la. Comemos com tranquilidade, conversando sobre a vida, até que eu resolvi começar a me arrumar, então Edward se tornou o assunto.

— Você vai deixar eu desenhar seus vestidos quando for acompanhar ele nos tapetes vermelhos? — questionou ela esticada na minha cama.

— Alice! É só um primeiro encontro, nem sabemos se vai dar em algo — falei tentando ser racional.

— Mas é claro que vai dar em algo, eu sinto — disse Alice. — Além disso, você está toda bobinha suspirando e sorrindo à toa.

— Eu me sinto uma adolescente — resmunguei fazendo uma careta.

— Não é uma coisa ruim — apontou Alice. — Vocês só estiveram flertando por alguns dias e ele já está te fazendo bem, tenho certeza que quando vocês se conhecerem mais, vai se sentir melhor.

— Eu tenho medo de quebrar a cara — confessei. — Edward é uma estrela, toda vez que ele vai no restaurante tem paparazzi na porta. Tenho medo de estar criando um príncipe encantado na minha mente e me decepcionar.

— Não existem príncipes encantados, apenas pessoas legais que nos fazem bem. Mas você precisa correr riscos pra conhecer essas pessoas — disse ela.

— É assustador.

— Eu sei. Mas se eu consegui superar Eric e conhecer pessoas novas, você também consegue se permitir conhecer Edward.

Alice tinha tido um namorado nos últimos dois anos de faculdade. Ele era metido a artista, tinha um jeito um pouco arrogante, mas Alice o amava, então eu apenas convivia com ele.

Enquanto ela sonhava com uma marca de roupas, ele sonhava com os holofotes e ela achava isso um equilíbrio. Durante o tempo que eles estiveram juntos, ela desenhou alguns looks para quando ele começasse a aparecer em premiações e deu para ele de presente.

Mas quando ele conseguiu um contrato para um filme, terminou com ela. Já estava ruim aí, mas ele começou a ganhar notoriedade. Começou aparecendo em premiações adolescentes, até ser indicado em premiações mais relevantes e em cada tapete vermelho, ele usou algo que Alice criou.

Só que ele nunca deu os créditos pra ela.

Aquela foi a única vez que vi Alice errar sobre a índole de uma pessoa e ela ficou tão arrasada.

— Você foi forte — comentei.

— A pior parte foi ele não me dar os créditos pelas minhas criações, sabe? Minha vida estaria muito mais fácil se o filho da puta tivesse sido honesto — disse ela.

— Realmente. Mas seu dia vai chegar e suas roupas vão ser mais famosas do que ele.

Alice sorriu tranquila com meu comentário, confiante nas minhas palavras.

*

Alice ficou comigo até Edward me buscar, mas ficou escondida no meu quarto quando ele chegou.

Eu estava pronta no horário, então quando ele apertou a campainha do apartamento — tinha deixado a entrada dele liberada com a portaria —, apenas abri a porta.

Edward olhava para baixo, usava all star, jeans escuro, uma camisa verde e óculos escuros. Quando a porta abriu, subiu o olhar pelo meu corpo lentamente.

Eu usava um vestido azul escuro com decote princesa e um colar dourado, estava de tênis como ele.

Ele abriu um sorriso e tirou os óculos, então disse:

Sei bellissima! Quel vestito ti sta proprio bene! — elogiou em um italiano quase perfeito.

Tão sexy!

Grazie!

Eu perguntei se ele queria entrar e beber algo, mas ele recusou para não nos atrasarmos, então ele colocou os óculos de volta, pegou minha mão e me conduziu até o carro.

Edward não fez surpresa sobre o lugar que iria me levar, um restaurante não turístico de Palm Desert. A cidade era pouco turística e com uma população grande de idosos e adultos, então Edward achava que não seria incomodado lá.

O restaurante parecia espaçoso, um local de um único andar, com uma aparência simples e interiorana.

Nós fomos atendidos por uma senhora de uns cinquenta anos, que olhou fixamente pra Edward por alguns segundos, depois balançou a cabeça e nos levou para uma mesa afastada.

Fizemos os nossos pedidos, então puxei assunto.

— Vamos, me conte mais sobre você — pedi.

— Me diga o que você sabe, aí eu preencho as lacunas — respondeu.

— Eu realmente não sei muita coisa, não costumo acompanhar os artistas em alta daqui. Gosto mais de música antiga e música italiana no geral.

Edward corou rápido como só eu conseguiria fazer, vermelho forte.

— Meu Deus, eu sou um babaca arrogante — falou. — Tô tão acostumado a ser reconhecido por todo mundo que já espero por isso. Me desculpa!

— Tudo bem — eu ri. — Pelo menos você não perguntou se eu não queria um autógrafo.

Ele deu risada junto comigo, então a mesma senhora trouxe nossos pratos. Assim que ela terminou de colocar os pratos na mesa, olhou Edward de novo e disse:

— Você parece tanto aquele cantor que canta aquela música que toca no filme novo da Emma Stone. Alguém já te disse isso? — comentou ela.

— Sempre falam isso pra mim! — comentou como se contasse um segredo — Acho que eu devia investir na carreira de sósia.

— Você ia ganhar muito dinheiro! — exclamou animada.

Eu passei o diálogo inteiro segurando a risada, a seriedade que os dois estavam falando era hilária, principalmente por Edward.

*

Quando a garçonete saiu, Edward começou a falar sobre si, como eu havia pedido.

— Eu sou filho de artistas — começou ele. — Carlisle foi guitarrista de uma banda de rock por alguns anos, mas nunca focou em estar sob os holofotes. Ele comprou uma gravadora assim que conseguiu dinheiro o suficiente, depois uma produtora e tem administrado alguns nomes importantes da música.

Edward contou sobre o amor dele por música desde novo e como mesmo adolescente não quis crescer através do nome do pai dele, então se inscreveu para participar da boyband em outra gravadora.

Falou sobre os cinco anos na boyband, como mesmo crescendo em Hollywood a vida dele mudou completamente. Então ele falou sobre o início da carreira solo, do contrato com a gravadora do pai depois disso e o medo de ser irrelevante sozinho que acabou sendo um medo infundado.

Ele parecia realmente amar o que fazia.

Então ele voltou a falar sobre a família dele.

— Minha mãe foi modelo por anos, mas também atuou como coadjuvante em alguns filmes — contou. — Ela sofreu na mão do primeiro agente dela, então quando resolveu se aposentar das passarelas resolveu abrir uma agência para representar modelos e atores de forma justa.

Edward conte-me sobre como seus pais combinavam, como eram dedicados ao trabalho e gostavam que os artistas fossem representados de forma justa. Era nítido o amor que ele sentia por eles.

— Foi natural para mim e minha irmã seguir os passos deles, mas ao nosso modo — comentou. — Rosalie é modelo desde adolescente, mesmo meus pais tentando fazer ela se interessar por outras coisas. Hoje em dia ela também é faz parte de uma série da HBO junto com o namorado dela.

*

Edward não falou sozinho, me perguntou também sobre a minha família, mas eu tinha uma família grande demais, mesmo sendo filha única e não consegui resumir tudo.

Ao invés disso eu me concentrei em Athenodora, minha Nonna, e como todos os momentos que passei na cozinha com ela me levaram a abrir meu próprio restaurante.

Era fácil conversar com Edward, diferente de todos os artistas que esbarrei. Pra ser exata, diferente de muita gente que conheci.

Nós ficamos no restaurante por muito tempo, quando conseguimos ouvir a música ambiente que tocava notamos que estávamos sozinhos, então Edward resolveu me puxar para dançar.

Tocava uma música da Robyn e quando começamos a dançar, alguém aumentou o som. Edward me trouxe para perto e me guiou em uma dança lenta.

— Eu tenho essa estranha sensação de que já te conheço — comentou ele.

— Meu Deus, eu não estou maluca! — exclamei. — Acho que a gente deve ter se esbarrado algum dia, tenho essa mesma sensação.

— Deve ter sido isso — disse ele. — Mas é tão estranho, porque eu me sinto tão confortável ao seu redor, não é algo apenas como se tivéssemos nos cruzado em algum lugar. Tem todo um conforto misturado com frio na barriga.

— Acho que você está se apaixonando por mim — falei sorrindo.

— Eu também acho.

Ele tinha um sorriso leve em seu rosto, seus olhos transbordavam expectativa enquanto ele se aproximava mais de mim.

Meu coração acelerado ao perceber ele se aproximando, então quando seus lábios finalmente tocaram os meus, meu próprio universo explodiu. Era como estar de volta a adolescência, mas de uma maneira melhor.

Eu queria sentir aquilo todos os dias.

Notas finais
* todo italiano nessa história é fruto do google, eu não falo italiano E aí, o que acharam do primeiro encontro deles? Beijos!