Riccione
5 Capítulo Quatro
Notas iniciais
“Just when it can't get worse, I've had a shit day”
— Pink
Capítulo Quatro
No nosso terceiro encontro, Edward me levou novamente para outra cidade pequena da Califórnia. Aquela ideia dele estava nos rendendo encontros tranquilos e fora do radar, mesmo que ele tivesse sido reconhecido por uma fã no encontro passado, era quase com sair como uma pessoa normal.
Nós tínhamos jantado em um restaurante de comida mexicana, então saímos para caminhar em um parque que tinha ao lado do restaurante.
— Ok, já falamos sobre emprego e família. Você já sabe sobre minha mãe um pouco intrometida — comentou ele.
— E você já sabe sobre todo o drama do divórcio dos meus pais e como minha avó não é muito fã de americanos por causa disso — lembrei.
— Acho que é hora de falar sobre ex namorados — sugeriu ele.
— Quer mesmo revirar esses esqueletos?
— Claro!
— Então você começa.
Começamos falando sobre nossos relacionamentos da adolescência, meu primeiro namorado tinha sido com 15 anos, a primeira de Edward tinha sido com 16.
Então ele falou sobre todos os seus relacionamentos. A modelo Lauren Mallory com 19 anos, Maria — também modelo — com 21, a atriz Kate Denali com 23 e sua última namorada, a cantora country Zafrina com 24 — aquela que partiu seu coração —.
— Zafrina estava namorando um de seus companheiros de banda por todo o tempo, estava comigo só pra conseguir notoriedade — contou. — O plano dela era bom, mas os paparazzi acabaram pegando ela me traindo e eu descobri, foi um caos.
— Eu sinto muito.
— Tudo bem, já passou. Escrevi meia dúzia de músicas tristes, ganhei algum dinheiro e meu coração se curou.
— Nada inspira mais do que um coração partido, não é?
Ele concordou.
Não era justo deixar apenas ele falando, então contei para ele sobre meu único namorado além do garoto que namorei no ensino médio.
— Namorei Jacob Black por três anos, dos 22 aos 25. Ele era muito divertido, meio irresponsável, mas eu amava ele — contei. — Ele vivia reclamando que eu trabalhava demais, estudava demais e nunca tinha tempo para ele. Então a banda dele conseguiu um contrato com uma gravadora pequena e ele terminou comigo.
— Como ele pode? — questionou Edward indignado.
— Acho que ele imaginou que iria ficar muito famoso e queria estar com alguém igual a ele — dei de ombros. — Acabou que a gravadora era meio furada e ele nunca deslanchou, pediu pra voltar comigo um ano depois, mas eu estava ocupada demais para ele.
Edward sorriu e apertou minha mão.
— Que bom que você tem tempo para mim.
— Eu tento — disse me aproximando dele e beijando-o
*
Sexto encontro e as coisas continuavam indo bem. Edward era carinhoso, divertido, amigável e surpreendentemente pé no chão. Eu não me sentia deslocada ao lado dele, nem mesmo nas vezes em que saímos e acabamos encontrando alguns fãs dele.
Não imaginava que fosse me sentir diferente quando tivesse com outros amigos dele.
Naquela segunda, tínhamos combinado de que ele jantaria na minha casa pela primeira vez. Não tínhamos falado sobre isso, mas depois de vários amassos e quase sexo dentro do carro de Edward algumas vezes, eu achava que era hora de finalmente dar aquele passo em nossa relação.
Eu tinha acordado animada, então segui minha rotina de levar Jude e Lucy para passear. Nós estávamos descansando na areia da praia quando uma família realmente barulhenta chegou, a presença deles deixou os dois agitados e de algum jeito Lucy conseguiu se soltar da coleira e correr.
Peguei Jude no colo e corri atrás dela, mas ela era muito mais veloz e eu não consegui deter antes que um carro a atropelasse.
— Me desculpe, eu tentei parar quando vi, mas o cachorro estava muito perto — disse o motorista com ar preocupado.
Por sorte o carro não estava indo rápido demais e o impacto não tinha sido muito forte, mas Lucy chorava e não conseguia se mover.
O motorista me ajudou a levar Lucy para o carro e me deu o telefone para que eu passasse a conta do veterinário para ele, então acelerei o carro até o veterinário.
Cheguei no lugar em tempo recorde, então levaram Lucy para fazer um raio-x e eu fiquei esperando na recepção com Jude.
O tempo parecia não passar enquanto eu esperava, ouvir o choro de Lucy despertou em mim os piores medos possíveis e quanto mais eu esperava, mais eu pensava que ela não sobreviveria ao acidente.
Felizmente eu estava enganada.
Com o raio-x descobriram ela estava com as duas patas da frente quebradas, mas nada muito grave além disso, então imobilizaram as patas e receitaram um remédio para dor, recomendando deixar ela dentro da caixinha de transporte ou de um cercadinho para não se movimentar muito.
Sai do veterinário e passei em uma loja para comprar um cercadinho para Lucy, então voltei para o apartamento, para arrumar as coisas par o jantar com Edward.
*
Passei a tarde inteira distraída, mesmo cozinhar, que era uma coisa que eu amo, conseguiu me entreter o suficiente para não pensar em Lucy, no choro dela ou na dor que ela estava sentindo.
Me queimei algumas vezes enquanto cozinhava, coisa que eu não fazia há algum tempo e quando resolvi me arrumar, deixei o vestido florido de lado e coloquei uma calça jeans e uma blusa, meu humor tinha ido embora.
Assim que Edward chegou, olhou pra mim e perguntou?
— O que aconteceu, Bella?
Então eu comecei a chorar.
Ele me levou para dentro, me fez sentar no sofá e me abraçou.
Não havia notado isso em mim, mas o choro que eu tinha segurado durante todo o dia apareceu naquele momento.
Edward esperou que eu me acalmasse, fazendo carinho nas minhas costas e beijando a minha testa. Quando finalmente parei de chorar, contei a ele sobre o acidente e como eu estava me sentindo culpada, como eu tinha medo que ela morresse.
— Não foi sua culpa, baby. Lucy fugiu da coleira — disse ele. — E ela está viva, você vai conseguir fazer ela cumprir o tempo certinho imobilizada e logo ela fica bem.
Ele estava tão sereno e confiante enquanto falava, que eu acreditei no que ele dizia, então levantei com ele, guardei o sorvete que ele havia trazido na geladeira e fiz um tour com ele pelo apartamento, aproveitando para apresentar Lucy que estava em um cercadinho no canto da varanda — Jude tinha se apresentado primeiro, pulando nele assim que sentamos no sofá —.
Eu tinha fugido da comida italiana aquele dia, optando por fazer um frango com batatas e um molho especial que eu mesma havia criado a receita.
Levei Edward para a mesa da varanda, porque gostava da vista e queria o ar fresco.
Mesmo com toda a distração e as queimaduras, o jantar estava delicioso e Edward ressaltou isso com alguns gemidos obscenos.
Ele me manteve distraída durante o jantar, me contando histórias sobre sua família, sua infância e sua amizade com Jasper — eles eram amigos desde a infância —. A conversa leve como sempre me fez rir e agradecer por Edward ser sempre tão carismático.
Quando terminamos o jantar, estava começando a ventar, então pedi ajuda para mudar Lucy de lugar e o levei de volta para sala para comermos a sobremesa, petit gateau.
Resolvi retribuir as histórias dele e arrastei meu baú de lembranças até a sala, então comecei a mostrar álbum por álbum para ele, enquanto contava histórias, principalmente sobre meus verões na Itália.
— Esse aqui foi do meu último verão na Itália antes da faculdade, com certeza foi um dos melhores — comentei pegando o álbum.
Eu costumava guardar poucas fotos e mais ingressos e outros objetos — tudo que coubesse no álbum —, com alguma legenda sobre o que tinha acontecido de especial para aquilo estar guardado.
Edward ouvia tudo com atenção, sério. Quando vi o trio de fotos da última página, descobri de onde vinha a sensação instantânea que eu tinha quando conheci ele. Ou melhor, reencontrei.
— Você! — exclamou ele. — Minha Bella italiana, bem aqui, em Los Angeles.
Ele tinha um sorriso grande no rosto, como alguém que acaba de saber que o seu bilhete é premiado, mas pela primeira vez desde que eu o vi, não consegui sorrir junto com ele.
Eu estava tão irritada, me sentia enganada.
— Tony! Você disse pra mim que seu nome era Tony! — exclamei indignada.
— Edward Anthony Cullen — explicou.
Ele era um babaca.
Nem ao menos era famoso e omitiu o próprio nome para mim, não havia desculpas. Ele nem ao menos usava o seu nome do meio.
Eu não queria olhar para ele naquele momento, então levantei e abri a porta.
— Eu não quero falar com você agora, por favor vá embora — pedi.
— Bella? — chamou ele levantando-se. — Isso aconteceu há doze anos.
— Tchau, Edward.
Ele não insistiu mais uma vez, me deu um beijo na testa e foi embora.
Eu não podia acreditar que o cara por quem eu estava apaixonada havia mentido para mim.
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