Ricarda

3 Capítulo 3


Na janela trincada do quarto de Pinto, um vento estranho ocorre.

- Oxente, que bichinha é essa? — Disse Ricarda Moreira.

Uma coisa branca, calva e fedorenta bate no vidro, que com o impacto se quebra.

- MAINHAAA!! — Grita Ricarda Pinto.

- Que foi, meu cheiro? — Pergunta Ricarda Gilda.

- Acho que aquele Baião de Dois que eu comi na Festa Junina tá fazendo efeito. Tô vendo umas bichas esquisita aqui no vidro, oxe!

Ricarda Gilda verifica a janela quebrada, e no mesmo momento, o espírito tirisso de Gino a pega pelos cabelos falsos, onde sua peruca cai na piscina de vômitos da balada vizinha.

- RICARDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!! — Grita Gilda.

- Que foi meu cheiro? — Pergunta Ricardo Santo.

- Chama a polícia que o cancão tá piando, aqui.

- Minha Nossa Senhora! O diabo tá se manifestando? Vou chamar o reverendo aqui.

Já era 02:30 Horas quando o Reverendo Ricardo Lampião chega no barraco de Pinto para exorcisar a moradia. Quando o padre pisa no assoalho, barulhos entranhos começam a aparecer: um ruído fenomenal, estranho, esquisto toma conta da favela toda, onde todos acordam e vão direto para a casa de Ricarda Pinto.

A água benta já não faz mais efeito, as paredes corroem quando esse líquido é jorrado nas divisórias.

Silêncio. Por dois minutos, o silêncio toma conta do local. Mas rachaduras começam a aparecer no chão.

Os favelados corriam para tudo que é lado pois o chão estava cedendo com um buraco enorme que engolia tudo e todos.

Está achando que é o espírito de Gildo fazendo isso? Não, é que o cimento usado no piso era vagabundo.

Reverendo Ricardo estava no meio de tudo aquilo, porém quando a água benta caiu de sua mãos junto com o curcifixo, algo estranho aconteceu: fantasmas de outros carnavais começaram a aparecer no barraco.