Ribs
2 I - But who am I?
Notas iniciais
Já se passava das oito da manhã, quando Alvo e Scorpius se arrumavam para o seu primeiro dia de aula após a pausa das festas de fim de ano.
O loiro organizava sua mochila com os livros das matérias que teria no dia, enquanto o moreno se encontrava entretido no ato de dar o nó em sua gravata, porque, de alguma forma quase que inexplicável, mesmo estudando em Hogwarts por mais de 5 anos, Alvo ainda conseguia ter dificuldades com uma tarefa tão básica e isso o aborrecia profundamente.
"Bom dia!" Anunciou Rose resplandecente com seu habitual jeito teatral, enquanto abria a porta do quarto dos meninos abruptamente os assustando. Era bizarramente natural, o fato da ruiva grifinória entrar com facilidade nos dormitórios da Sonserina, ela simplesmente fazia o que queria e quando queria.
"Puta que pariu Rose, você ainda não aprendeu a bater nessa maldita porta" Reclamou Alvo irritado ao ver que o susto o fizera perder seu progresso com a gravata.
"Já está mal humorado, Al? Sabia que sua amizade com o Scorpius te tornaria amargo" Disse a menina suspirando, enquanto entrava e fechava a porta atrás de si.
"Por Merlin Weasley, chegamos em Hogwarts tem nem 24h, não vamos começar agora" Falou o loiro sem nem olhar para a menina, se referindo a tradicional guerra de provocações entre os dois que costumavam ser intermináveis.
"Também senti saudades, Malfoy" Disse a ruiva revirando os olhos e se aproximando do primo que estava emburrado olhando para a própria gravata "Deixa que eu faço isso, Al" Falou Rose tomando as pontas da gravata nas mãos e começando a fazer o nó "Então, passei aqui apenas para recorda-los da festa de boas-vindas hoje à noite na Sala Precisa"
"Hoje? Hoje é quarta-feira Rose, temos aula amanhã" Lembrou Alvo fazendo a prima dar de ombros.
"Assistir aula de ressaca é uma tradição de volta às aulas, você já deveria ter se acostumado" Disse a Weasley finalizando o nó e o ajeitando "Eu não quero saber de desculpas, quero os dois presentes hoje à noite"
"Passo, obrigado pelo convite" Respondeu Scorpius rapidamente a fazendo bufar irritada.
"Você só pode estar de brincadeira, Malfoy" Disse a ruiva soltando uma risada incrédula "Puta merda, é nossa última festa de volta às aulas, a última, nos formamos em 6 meses e você não pode nem ao menos tentar se divertir no tempo que te resta aqui"
"E você se importa com isso, Weasley?" Rebateu o loiro a encarando.
"Claro que me importo, é nosso último semestre e quero que todos os formandos tenham ótimos últimos momentos aqui" Respondeu Rose rapidamente.
"Quem te nomeou a embaixadora da formatura?" Questionou o loiro revirando os olhos.
"Eu, obviamente" Disse a menina com seu sorriso largo.
"Vida longa a rainha" Debochou Alvo, se referindo a piada tradicional de que Rose caminhava pelos corredores como se fosse a rainha e Hogwarts fosse seu castelo.
"Muito obrigada, Al" Falou a ruiva beijando a bochecha do primo "E tendo em vista o cargo dado de mim para mim, eu vou me certificar que vocês vão aparecer na festa hoje e venho busca-los às dez, estejam prontos"
"Eu não sou nem formando Rose, me deixe faltar nessa" Disse Alvo encarando a prima com suas feições de cachorro que acabara de cair da mudança.
"Sem desculpas, eu quero os dois prontos às dez" Falou a ruiva aparentemente encerrando o assunto "Agora vou indo, porque tenho mais pessoas para convidar, tenham um ótimo dia" Disse a menina lançando um beijo no ar para os dois e se retirando logo em seguida.
"Sério cara, porque sua família deixou ela assim? Eu conheço todos eles e ninguém é desse jeito" Disse Scorpius balançando a cabeça em negação.
"Ela é o nosso maior mistério" Respondeu o moreno soltando uma risada.
"Puta que pariu" Resmungou o loiro que já colocava a mochila nas costas.
Soltando mais uma risada, Alvo também colocou a mochila sobre os ombros e acompanhou o amigo para fora do dormitório.
Alvo Potter e Scorpius Malfoy era uma dupla de amigos um tanto irônica e até mesmo estranha, quando levado em consideração seus sobrenomes e mais estranho ainda era como tudo entre eles tinha acontecido de forma extremamente natural.
Scorpius, diferente do que todos esperavam, era um garoto quieto e reservado que não era o maior fã do mundo de ser o centro das atenções, dedicado e centrado nas aulas, o loiro fugia totalmente das expectativas postas em cima de um filho de Draco Malfoy e tudo isso se devia ao fato de ser filho de Draco Malfoy.
Quando o menino de cabelos loiros, pele branca pálida e olhos cinzentos nasceu, mal imaginava tudo que a vida lhe guardava, ser filho de um ex-comensal, mesmo que seja de um ex-comensal arrependido, é um fardo pesado e complicado de se aguentar e o primeiro contato que ele teve com tal peso, foi quando tinha apenas 5 anos e foi chamado de "filhote de comensal" por uma criança cruel que brincava com ele no parquinho perto de sua casa, de primeiro momento ele não entendera a ofensa, mas bastou crescer um pouco mais, para que a situação se repetisse e ele compreendesse o peso dessas palavras.
O menino cresceu com a sombra do passado de seu pai o perseguindo e tudo ficara ainda pior, quando Scorpius notou que quem mais se machucava no meio de tudo isso era o próprio Draco, que via as consequências de seus erros nunca o abandonarem e para o menino isso era tão cruel, pois a todo momento o pai se provara uma pessoa gentil e paciente, ainda mais quando exercia a paternidade e com isso o loiro sentiu o fardo ficar ainda mais pesado, o fazendo colocar em sua mente que ele precisava dar orgulho a Draco e sempre medir seus atos para que não houvessem brechas para possíveis ataques e comparações cruéis, gerando assim o menino reservado que ele havia se tornado, o que o fez ter um primeiro ano em Hogwarts bem solitário, até que em seu segundo ano ele ganhou um amigo que assim como ele sofria com o peso de um sobrenome, Alvo Potter.
Alvo, muito diferente de seu irmão James que era popular, sociável e bem articulado, era tímido, fechado e sentia uma pressão absurda em carregar o sobrenome do pai. Desde que tomara consciência de quem seu pai era e de como todos prestavam uma atenção absurda em sua família, o menino e sua ansiedade crônica amplificaram as expectativas alheias e as colocou de forma ainda mais cruel em cima de si mesmo, se ele era um Potter, então ele teria de fazer por merecer esse nome e acima de tudo deveria orgulhar seu pai. Entretanto Alvo não era como James que era extrovertido e adorado por todos, então para tentar cumprir suas próprias expectativas, o menino decidiu que se esforçaria ao máximo nos estudos e faria o que fosse possível para ser o mais perto de um filho exemplar.
Seus planos eram muito claros para as primeiras semanas de aulas, mas eles foram automaticamente quebrados quando ouviu o chapéu seletor anunciar a Sonserina na sua vez, pronto, o menino estava feito, além de ter sérios problemas de sociabilidade ele estava na Sonserina, seu desespero e suas crises de ansiedade apenas diminuíram após seus primos o acalmarem e seu pai lhe enviar uma longa carta dizendo que estava extremamente orgulhoso e que amava o filho mais que tudo no mundo, mas mesmo com suas crises ocorrendo de forma menos frequente, elas ocorriam e em uma delas, na qual Alvo estava sozinho no Salão Comunal da Sonserina no horário de aulas, Scorpius acabou por nota-lo e ajuda-lo, o que deu início a uma grande amizade, porque afinal, ninguém conhecia mais o pânico gerado de uma pressão excedente do que Scorpius.
Desde então os meninos não se desgrudavam mais, apesar de no início alguns familiares de Alvo terem ficado um tanto quanto relutantes com essa amizade, mas graças a seu pai e Rose, que intervira a pedido do primo, como os bons diplomatas que eram logo convenceram a todos, com exceção de Rony que tem como maior defeito a teimosia, a deixar o passado no passado, o que inclusive permitiu com que Scorpius visitasse A toca diversas vezes nas férias. No todo Scorpius tinha ótima relação com os Weasleys e Alvo tinha a simpatia de Draco e a extrema aprovação de Astória que sempre fora muito gentil e amável, sinceramente, Alvo adorava a mulher que sempre tinha histórias incríveis para contar sobre suas viagens de pesquisa, já que ela era uma antropóloga renomada e fazia diversas viagens anualmente.
No fim das contas não poderia ser diferente, Alvo e Scorpius estavam destinados a serem melhores amigos, porque não existe ninguém que os entenda tão bem quanto eles.
•
A ruiva estava irritada, extremamente irritada.
Bem-vinda a mais seis meses nesse inferno, disse Lily em pensamento enquanto se preparava para sair de seu quarto e ir para o salão principal.
Sinceramente, a ruiva não sabia como não tinha se jogado do Expresso de Hogwarts em pleno movimento no dia anterior para não ter que voltar para aquele lugar, ah se o arrependimento matasse.
A Potter mais nova era uma adolescente comum de quinto ano. Possuía quinze anos, espinhas no rosto, uns quilos a mais para o que ela julgava ser o peso ideal, problemas de desempenho acadêmico, problemas com os pais e principalmente, problemas com os irmãos.
Lily odiava ser a irmã mais nova e ainda pior do que ser a irmã mais nova, era ser a irmã mais nova, menos bonita e menos inteligente do grandioso James Sirius e do exemplar Alvo Severo, por Merlin ela preferia ser afogada no Lago Negro enquanto a torturavam com uma maldição imperdoável do que ter aquela vida.
E mais do que odiar aquela vida, ela odiava a pausa para as festas.
Era no Natal e no Réveillon que toda sua família se reunia e ela tinha de fingir por intermináveis horas, que estava tudo bem para ela ver James recebendo toda a atenção, simplesmente por ser James, e Alvo ser ovacionado pelas suas notas altas e desempenho louvável, enquanto ela era sempre a garotinha da família, a adorável menina que estava ficando cada dia maior, mas que caralho de traço de personalidade era crescer? E ainda por cima crescer e permanecer sendo a garotinha da família? Ah como Lily odiava as festas, elas só ficavam um pouco mais suportáveis porque seus avós eram extremamente calorosos e adoráveis e ela os amava mais que tudo.
E no meio de tudo isso também havia seus pais. Harry e Gina estavam longe de serem péssimos pais, eles eram carinhosos e participativos, gostavam de conversas calorosas à mesa e de saber da vida dos filhos, mas diferente do que acontecia com James e Alvo que a relação parecia ser forte, com Lily não ocorria dessa forma. A ruiva não era como seus irmãos e ela nunca fora, seus problemas, suas inquietações e sua visão de mundo eram diferentes de seus irmãos, mas seus pais não pareciam notar isso, o que a fazia ficar extremamente frustrada porque ele simplesmente não a enxergavam, o que tornava a convivência ainda mais difícil.
E após tanto sofrimento em casa, ao chegar em Hogwarts tudo também conseguia ser odioso, porque lá mais do que nunca ela era uma versão menos interessante de seus irmãos e de seus primos, o que a fazia ser extremamente sozinha. Ela não tinha um Scorpius como Alvo tinha, ou uma Dominique e uma Davina como Rose e muito menos era tão simpática a ponto de se dar bem com todo mundo como James, ela conseguia ser tão sem personalidade que era praticamente sozinha, praticamente, pois nos últimos meses ela tinha feito algo próximo a uma amiga.
No início do ano letivo, Lily havia colapsado mais uma vez por estar de volta àquele lugar, principalmente porque nesse maldito ano ela faria os N.O.M.s e como já dito, ela tinha dificuldades sérias nos estudos e pensar em tudo isso a fez desatinar a chorar atrás da estufa de herbologia, após algumas aulas tediosas e foi quando uma menina de cabelos loiros lisos que iam até a cintura e um nariz arrebitado enfeitado com um pequeno piercing, a viu e ousou se aproximar, se tratava de Priah Johnson uma grifinória do sétimo ano que era muito reservada e Lily mal notava na escola, mas quando se aproximou da ruiva disse o que a menina esperava há muito tempo, ela perguntou se ela estava bem.
E era uma pergunta sincera! Não era mecânica como todos os outros, repreensiva como James ou procedimental como Rose, Priah realmente queria saber como ela estava! Lily obviamente não despejou todos seu problemas na menina, ela apenas disse que não se sentia bem naquele lugar e prontamente a loira se sentou do lado da ruiva para lhe fazer companhia. E foi a partir daquele momento que Lily passou a ter alguém para ao menos conversar ou apenas dividir o silêncio, era bom não se sentir mais tão sozinha.
"Lílian!" Chamou Priah ao ver a ruiva sair de seu dormitório e caminhar em direção a saída do Salão Comunal.
"Priah" Disse a menina sorrindo tímida de lado e se aproximando da loira.
"Não te vi ontem à noite, imaginei que não tivesse voltado para esse inferno" Respondeu a menina, fazendo Lily soltar um pequeno riso.
Nota importante sobre Priah, ela também não encaixava em Hogwarts, o que a fazia odiar aquele lugar assim como a ruiva e também semelhante a menina, Priah gostava menos ainda casa, pois morava com uma mãe praticamente ausente que após um doloroso divórcio mal se importava com a filha, ou seja, Lily e Priah se davam bem pois eram unidas pelo ódio em comum com o universo que as havia feito assim.
"Infelizmente eu voltei" Disse a ruiva soltando mais um riso, enquanto começava a caminhar acompanhada da loira em direção à saída "Estava cansada da viagem e dormi direto, nem fui para o jantar"
"Como foram as festas?" Perguntou a loira, fazendo Lily dar de ombros.
"O mesmo de sempre" Respondeu a ruiva, que por uma fração de segundo pensou que poderia ter sido diferente se Priah tivesse aceitado seu convite para ir para A Toca, mas festas em família não faziam nem um pouco o estilo da loira.
"Vai na festa hoje? Você já está no quinto ano, vai ser sua primeira festa de boas-vindas!" Disse a menina fazendo Lily abrir um sorriso, quando recordou o fato de que a ruiva agora podia comparecer as festas por ser do quinto ano.
"Talvez eu vá, não me decidi ainda e James provavelmente vai encher meu saco" Falou a ruiva suspirando, enquanto passava com a loira pela porta do Salão.
"Não liga para o seu irmão, vamos Lily vai ser divertido, você pode encher a cara e ficar chapada para esquecer esse caralho de vida" Sugeriu a loira fazendo a ruiva pensar mais uma vez.
Mais um ponto importante na amizade das duas, como Lily havia feito 16 anos e ela estava no quinto ano, um novo mundo se abriu pra ela e quem girou a chave da porta desse mundo foi Priah. Na festa de início de ano letivo na Sala Precisa, como James estava entretido com as últimas glórias de início de ano letivo de sua vida, ele não a caçou como um urubu e a menina conseguiu aproveitar, ou seja, ela experimentou álcool e fumou pela primeira vez, o que a fez se sentir estranhamente bem e desde então, ela e Priah iam até Hogsmeade em muitos finais de semana para beber e, às vezes, fumarem.
"Ok, talvez você tenha me convencido" Disse a ruiva soltando uma pequena risada.
"Vai ser legal e depois das festas precisamos disso" Concluiu a loira levando seus olhos e sua atenção para os quadros das paredes, o que significava que a conversava estava encerrada e ela e Lily compartilhariam apenas o silêncio.
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"Bem-vindos ao último retorno a Hogwarts de suas vidas!" Anunciou a professora Erin de poções logo no início de sua aula "Como estão meus Corvinos favoritos? Animados? Assustados? Aliviados?" Perguntou a mulher negra de cabelos cacheados volumosos encarando os alunos azul e prata a sua frente.
"Mais aliviado impossível" Disse Dacre Lovegood para a irmã gêmea Davina que se sentava ao seu lado e para Dominique Weasley que sentava a sua frente, fazendo as meninas soltarem um pequeno riso.
"Como, Senhor Lovegood?" Questionou a professora encarando o menino de pele escura de forma desafiadora.
"Profundamente triste, Senhorita Dumont" Mentiu o menino fingindo estar de coração partido "Me sinto profundamente triste, como viverei o resto de minha vida sem a Senhorita?"
Dacre Lovegood e sua irmã Davina, se tratavam do que há de melhor nos corvinos, inteligentes, simpáticos e muito espirituosos, além de claro, extremamente bonitos. Com sua pele escura que chegava a ficar dourada quando era banhada pelo Sol, Dacre possuía um sorriso largo de dentes brancos, olhos azuis como os de sua mãe e seus cabelos em dreadlocks negros de lã caíam para além de seus ombros, o menino esbanjava carisma e simpatia, se dava bem com absolutamente todos, além de ter uma vida amorosa/sexual bem movimentada, ele era simplesmente com facilidade, o que todos se esforçavam para ser.
Já sua irmã Davina possuía o mesmo sorriso resplandecente e os mesmos olhos azuis, com seus cabelos com faux dreads de crochê loiros e castanhos que iam até pouco mais da metade de suas costas, a morena ostentava de uma beleza magistral e o mais importante, ostentava habilidade no quadribol. Sendo a melhor artilheira da escola e a capitã do time da Corvinal, a menina se encontrava em um ano decisivo já que era a última chance dela levar o titulo para sua casa, pois que apesar de ter um talento invejável e imbatível, a Grifinória possuía um time mais completo e homogêneo, diferente da Corvinal que apesar de ter Davina e Charles, um goleiro excepcional, não conseguia conquistar o campeonato apenas nas costas de dois jogadores, no entanto, agora o time vermelho e dourado estava levemente desfalcado devido a formatura de dois dos seus melhores jogadores e era nessa fraqueza que Davina trabalharia nessa temporada, em outras palavras, era um último semestre aparentemente promissor.
"Imagino que vá ser realmente doloroso, Senhor Lovegood" Respondeu a mulher soltando um pequeno riso "Mas agradeço a deixa" Disse se sentando sobre sua mesa, a Senhorita Dumont sabia que isso era proibido e que Filch ficaria extremamente irritado se a visse, mas ela parecia pouco se importar com possíveis reclamações de um zelador ranzinza "O resto de suas vidas... Falar isso assusta vocês? Porque sinceramente isso me assusta, o resto de nossas vidas é muito tempo e como já tive a idade de vocês, eu sei como isso é terrivelmente assustador. Daqui a seis meses vocês vão deixar esse castelo para sempre e partirão rumo à vida adulta e pensar sobre isso é realmente assustador, o que irão fazer? Como irão fazer? Quem vocês serão? Quem vocês são?" Falou a professora fazendo suas últimas palavras ecoarem pela a sala.
Dominique Weasley que mexia nervosa com as pontas de seus cabelos loiros, sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao ouvir as últimas palavras, que tipo de aula era aquela?
"Acho que essa última pergunta em particular é a mais importante, quem vocês são? Vocês sairão da escola e terão que dar a cara tapa no mundo real, e fazer isso sem saber quem vocês realmente são pode ter consequências desastrosas, falo isso por experiência própria" Relatou a professora que passava os olhos por cada aluno na sala os encarando de forma sincera "Durante todos esses anos eu ensinei a vocês as mais diversas poções, soluções de fato mágicas que possuem as mais diversas utilidades e causam os mais diversos efeitos, eu ensinei vocês a fazerem poções que podem fazer mentirosos patológicos serem sinceros, pessoas insensíveis amarem e que podem fazer até o Chudley Cannons ganharem algum jogo se o jogador certo tomar" Brincou fazendo alguns torcedores do time soltarem vaias bem humoradas "Eu ensinei tudo isso a vocês, passo a passo, ingredientes, modo de fazer, tempo de preparo... Mas existe uma coisa que eu não posso ensinar, eu não posso porque simplesmente ainda não inventaram uma poção para isso e olha, eu realmente queria que tivessem inventado, mas isso ainda não ocorreu, infelizmente eu não tenho como ensinar a vocês uma solução mágica para que vocês saibam de um dia para o outro quem vocês são" Revelou a mulher soltando um suspiro e ajeitando seus cachos, enquanto seus olhos se perdiam na paisagem além da janela "Eu realmente sinto muito por isso jovens, mas eu quero fazer alguma coisa por vocês, vocês sabem que essa não é a minha obrigação e que teoricamente eu poderia só ensinar poções e ir embora, que eu continuaria a receber os galeões de ouro no final do mês normalmente, mas como eu disse eu já estive no lugar de vocês e sei como é assustador e confuso, vocês não sentem um friozinho na barriga, vocês sentem como se tivesse uma colônia de diabretes da Cornualha fazendo de seu interior uma verdadeira zona e pensando nisso, eu quero propor a vocês o trabalho mais importante que já fizemos até agora" Disse por fim fazendo todos a encararem curiosos e intrigados "Até o final desse semestre letivo eu quero que cada um me entregue um pergaminho com um texto sobre o seguinte tema: quem eu sou?" Finalizou a mulher fazendo todos da sala arregalarem os olhos sutilmente "E eu quero que vocês sejam extremamente sinceros em suas palavras, não levem esse trabalho como um peso, mas sim como uma ajuda que eu ofereço a vocês, porque quando vocês colocam no papel seus sentimentos e pensamentos tudo fica mais claro, é como quando estamos fazendo uma poção e não sabemos onde estamos errando, mas quando escrevemos todos os passos que fizemos, tudo fica claro e até óbvio, então de coração espero que vocês façam esse trabalho com dedicação... E ele vai compor mais de 40% da nota final de vocês" Finalizou rapidamente, agora todos os alunos possuíam olhos verdadeiramente arregalados e aturdidos.
"Achei divertido" Comentou Davina, que ajeitava seu cabelo.
Mas era claro que a morena achava divertido, ela era impressionantemente madura e bem resolvida, não seria nem ao menos chocante se ela chegasse no dia seguinte com uma análise perfeita de si mesma em mãos.
"Quer fazer o meu, irmãzinha?" Perguntou Dacre abrindo um sorriso ladino para a menina.
"Vou ter que recusar, D" Disse a menina o fazendo suspirar fingindo frustração.
"Tudo bem por aí, Domi?" Perguntou Dacre ao notar a loira com suas mãos tremendo levemente.
Se Dominique estava bem? Oh não, ela não estava nem um pouco bem, sua ansiedade parecia que havia pego um martelo e a acertado repetidamente. Suas festas realmente tinham sido nada como o esperado, além de ter de se despedir de sua irmã Victoire que agora moraria na França, a menina teve um discussão terrível com James... Ah James, aquele presunçoso imbecil, será que algum dia eles conseguiriam ter uma relação sem constantes desavenças? Era um verdadeiro ciclo vicioso, primeiro eles começavam a se aproximar e dar indícios que sentiam falta um do outro, depois trocavam alguns beijos descompromissados e quando menos esperavam, estavam debaixo dos lençóis com seus corpos em combustão, depois disso passava algum pouco tempo e eles discutiam se afastando novamente.
Um ciclo.
E nas festas esse ciclo havia se repetido mais uma vez e a discussão havia sido realmente séria, mas ela estava acostumada, as coisas sempre ficavam sérias quando ela trazia o passado à tona, era previsível.
Mas talvez por conta de todo o estresse pelo ida de sua irmã e pelas inseguranças que rondavam sua mente a todo momento a respeito de seu último ano em Hogwarts e de seu futuro, a discussão com James havia tomado grandes proporções dentro dela e desde então ela se encontrava extremamente irritável e nervosa, mas para ajudar com a bomba-relógio que se formava dentro de si, agora havia esse maldito trabalho que ela não sabia nem ao menos como começar, ela tinha certeza que Erin não esperava ler que a aluna se considerava uma verdadeiro campo minado com bombas de ansiedade que quem pisasse no lugar errado seria capaz de gerar uma explosão catastrófica, ela tinha plena certeza que isso não era o que a Senhorita Dumont esperava.
"Comi pouco no café hoje, só estou ansiosa para o almoço" Mentiu a menina dando de ombros e recebendo como resposta de Dacre um carinho no ombro.
"E agora que vocês já sabem o que fazer, vamos as poções preciso deixar vocês tinindo para os N.I.E.M.s" Disse a professora por fim, levando todos a abrirem os próprios livros.
•
"Não Alvo, você não entendeu meu ponto" Disse Dominique bufando para o primo que insistia em não entender o que ela dizia.
"Dominique tudo é muito claro, Henry Prescott não é melhor que o Donald Hansen, olha os números, olha as estatísticas!" Insistiu o moreno cruzando os braços irritado "Não é tão difícil ver o óbvio!"
"Mas o Donald é feito de vidro! Ele se machuca mais do que joga, o custo benefício não é tão alto" Explicou novamente a loira que parecia estar a ponto de esganar o primo, a situação fez Scorpius rir para si mesmo.
Os três estavam sentados em uma das "mesas de piquenique" de madeira na área externa do castelo, contando com aquela, havia 20 mesas no total dispostas no local para os alunos estudarem nos horários livres.
"Mas quando ele joga em um jogo ele faz mais do que o Henry em dez!" Rebateu o menino dando um leve tapa na mesa, brigas a respeito de quadribol costumavam ser bem intensas entre os Weasleys, mas antes que Dominique pudesse sequer ofender o primo, foi interrompida pela chegada de Rose, James e Davina.
"Boa tarde!" Cumprimentou a ruiva se sentando sobre a mesa, Davina se sentou rapidamente ao lado de Dominique e James ao lado de Alvo, a loira ao ver o Potter se sentar, juntou suas coisas e sem cerimônia alguma se retirou.
"Adoro o clima leve de volta ás aulas" Comentou Davina com um sorriso forçado nos lábios, fazendo James bufar.
"Quem está pronto para o tradicional boletim de notícias de ano-novo?" Falou a ruiva se ajeitando sobre a mesa.
"Fofocas não são notícias, Weasley" Disse Scorpius revirando os olhos.
"Ah Malfoy você é tão bonito, pena que é tão... Assim" Disse Rose suspirando em meio aos tradicionais flertes provocativos que faziam Scorpius revirar os olhos tão forte que pareciam sair de órbita "Fofocas são as únicas notícias que importam quando se está na escola" Respondeu a ruiva como se fosse óbvio "Bom, começando pelo mais importante, nosso querido amigo Dacre Lovegood está completamente livre novamente!" Anunciou Rose com um largo sorriso nos lábios fazendo Davina e Scorpius revirarem os olhos e Alvo se engasgar com a própria saliva, mas disfarçar rapidamente "Infelizmente ele e Joshua não deram certo" Disse a menina fingindo um certo tom de tristeza.
"Se essa é a notícia mais importante, eu me preocupo com o nível das outras" Disse James que com sua varinha brincava levitando algumas folhas de árvore que estavam um pouco distante da mesa.
"Rose, tem tanta gente na escola, porque sempre o meu irmão? É de foder ter que sempre flagrar vocês em momentos nojentos" Falou Davina bufando irritada.
"Aprenda a bater em portas" Disse a ruiva sorrindo, fazendo Scorpius e Alvo levantarem as sobrancelhas com a hipocrisia da ruiva "Mas quanto as outras notícias... Henderson e Olivia se separaram, Carla surtou e transformou a ex dela em uma iguana em uma discussão, Jules foi enfim deserdado pelo pai, Ethan enfim se aceitou e começou o tratamento de hormônios, então quem ousar errar os pronomes dele vai morrer, estejam avisados" Intimou a ruiva encarando todos de forma ameaçadora "E por último, mas não menos interessante, James conseguiu foder tudo com Dominique novamente" Concluiu a menina recebendo um olhar mortal de seu primo irritado.
"Eu não fiz porra nenhuma" Corrigiu o menino largando as folhas ao vento, fazendo todos da mesa rirem.
"Ah Jay, você pode enganar todo mundo menos a gente e vocês dois realmente precisam de uma terapia de casal" Disse a ruiva fazendo James revirar os olhos.
"Primeiro de tudo nós não somos um casal e em segundo lugar, você é a última pessoa nessa mesa que pode sequer imaginar em me dar algum conselho de relacionamento" Rebateu o moreno fazendo a ruiva rir.
"Odeio dizer isso, mas a Rose 'tá certa James, você e a Dominique precisam tentar se resolver de alguma forma ou só vamos viver em um ambiente pacífico, quando um de vocês dois morrer" Disse Davina que ajeitava um de seus dreads.
"Eu acho a preocupação de vocês realmente admirável, mas estamos bem assim" Disse o moreno rapidamente.
"O seu conceito de bem é curioso" Opinou Scorpius brevemente, enquanto mantinha os olhos grudados no livro que lia.
"Bem? Vocês explodem entre si e depois explodem com a gente e isso acontece desde o que? Do quarto ano?" Falou Alvo revirando os olhos irritado.
O menino Potter estava certo, aquela guerra interminável entre Dominique e James acontecia desde o fim do quarto ano, mas a história deles havia começado bem antes na verdade.
Quando James tinha apenas 6 anos, ele já eram completamente encantado pela prima oitavaveela de cabelos loiros e olhos claros, ela foi sem sombra de dúvidas sua primeira paixão infantil e ele foi a dela. James como sempre muito gentil e simpático, fazia a menina sentir um frio na barriga quando se aproximava, sorria alegre para ela e, muitas da vezes, entregava flores roubadas do jardim da vovó Molly que sempre ficava uma fera quando via os estragos feitos pelo neto, mas ele pouco se importava, já que Dominique as adorava. Entretanto, a paixão infantil dos dois verdadeiramente aflorou quando eles tinham 8 anos e brincavam de esconde-esconde com os primos n'A Toca.
O fato ocorreu no Natal, para matar o tédio James sugeriu que os primos brincassem de esconde-esconde, como Alvo era o mais novo da brincadeira ficou responsável por contar, enquanto o resto das crianças se esconderam, rapidamente James se encaminhou para o sótão onde ele sabia que Alvo sempre esquecia de procurar, mas ao chegar no lugar empoeirado e repleto de caixas o menino se deparou com Dominique que também se escondia entre as caixas. Ao vê-lo a menina pediu para que ele se escondesse rápido junto com ela, eles ficaram por uns minutos em silêncio e quando ouviram os gritos vindos dos andares inferiores anunciando que a correria já havia começado, antes de sair do esconderijo a loira em um impulso de coragem roubou um selinho do primo e saiu correndo pela porta, deixando um James completamente aturdido para trás. O menino ficou longos minutos no sótão apenas divagando sobre o acontecido, saindo do transe apenas quando seu irmão o encontrou e foi correndo até o local de contagem anunciar seu nome e desde aquele dia, James ficava cada vez mais fascinado por Dominique.
Após aquele beijo infantil roubado, os primos ficaram por um bom tempo sem contato mais íntimo, vivendo de trocas de olhares que apenas eles sabiam o significado, mas isso foi até ambos entrarem em Hogwarts e bem, quando se está na escola, muitas coisas mudam. Tanto James quanto Dominique eram muito bonitos o que chamava a atenção de muitos outros a alunos, incontáveis foram às vezes que James quis esganar os alunos mais abusados que flertavam com Dominique e a loira também não conseguia mensurar quantas vezes ela teve ataques de ciúmes internos, quando via meninas ficando mais próximas de seu primo, era extremamente irritante.
Mas o fato era que nenhum dos dois conseguia tomar nenhuma iniciativa, para James era muito fácil lidar com garotas no geral e Dominique também era muito decidida quando se tratava de garotos, mas a questão era que entre eles era diferente, era como se qualquer ato pudesse desmoronar aquela atmosfera que existia entre eles há tanto tempo e de fato foi o que ocorreu, quando James após se irritar ao ouvir que Dylan Cranshberry planejava levar Dominique para o seu primeiro baile de inverno no quarto ano, foi mais rápido e convidou Dominique que obviamente aceitou, e foi naquele maldito baile que tudo mudou entre os dois.
A noite em si foi maravilhosa, o casal ficou muito próximo e após muitas conversas a mesa, saíram para tomar um ar e foi quando o primeiro beijo deles aconteceu, foi apaixonado, intenso e perfeito, do jeito que ambos imaginavam, mas quem dera que a noite tivesse acabado ali, foi naquele mesmo dia que seus corpos entraram em combustão pela primeira vez, que eles sentiram a pele nua um o do outro e que eles consumaram algo que até então era só fantasia, foi a primeira vez dos dois e foi tão especial quanto o momento necessitava, mas os problemas apareceram no amanhecer.
Quando a menina acordou ao lado de James, ela sorriu inconscientemente e sentiu seu coração inteiro se aquecer, e aquilo a assustou, a assustou muito. Dominique havia ouvido muito de sua irmã mais velha e mais experiente sobre suas desilusões amorosas, a loira havia visto Victoire chorar inúmeras vezes por causa de um coração partido e como se não bastasse, ela se lembrava perfeitamente de quando era mais nova e seus pais ficaram por um tempo separados, pois as brigas eram muito constantes, e naquele momento, ao sentir seu coração se aquecer, todas as memórias vieram à tona e ela sentiu medo. Assustada a menina recolheu suas coisas e foi embora, amedrontada Dominique ficou uma semana fugindo de James e tentando entender a si mesma, mas o distanciamento para ele significava outra coisa, o que o fez colocar na própria cabeça que o que ele sentia não era mútuo.
Dias depois James foi flagrado com Jill Bresly atrás das estufas de herbologia, o que para Dominique foi um sinal claro de que era ele que não sentia o mesmo e foi naquele momento, que a guerra entre os dois começou.
"Talvez" Respondeu o moreno suspirando e dando de ombros "É mais complicado do que parece, eu tenho certeza que se vocês estivessem no meu lugar estariam do mesmo jeito" Disse fazendo todos negarem automaticamente.
"Eu já teria esclarecido tudo" Disse Rose rapidamente.
"Eu não seria idiota assim" Pontuou Alvo.
"Eu nem teria me colocado nessa situação" Respondeu Scorpius balançando a cabeça em negação.
"Loiras não fazem meu tipo" Davina se limitou a dizer.
"Mas Jay é sério, você não pode fugir disso pra sempre, com a Dominique é diferente e você sabe disso, você vai vê-la pelo resto de sua vida e você não pode lidar com isso assim" Aconselhou Rose acariciando o rosto do primo que deu de ombros "Mas agora tenho que ir, marquei de encontrar Edward para conversar sobre as bebidas" Disse a menina descendo da mesa e beijando a bochecha de James "E quanto a vocês dois, vou buscá-los às dez, não se esqueçam!" Falou a ruiva apontando para Alvo e Scorpius que responderam com sorrisos forçados, antes que a ruiva saísse deixando o grupo para trás.
Grupo era o que eles junto de Dominique eram, não um grupo de melhores amigos ou qualquer coisa do gênero, eles eram um grupo de pessoas próximas que se encaixavam nos mais diferentes contextos e no fim das contas, acabavam na mesma mesa de piquenique.
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