Ribelle Amato
26 Capítulo 24 – Completa
Notas iniciais
Capítulo 24 – Completa
– MATT! — GRITEI, LEVANTANDO-ME NUM pulo e o abraçando forte.
– Está me apertando, pirralha! — ele murmurou quando apertei meu abraço, mas não tentou me afastar.
E eu não queria sair de seu abraço fraternal. Eu sentia falta de Matt e acho que somente esse abraço não faria os dois meses e meio voltar atrás, mas já era um começo. Matt foi sempre meu irmão, melhor amigo, confidente e, quando começou a verdadeira invasão e fomos obrigados a fugir, também se tornou pai e porto-seguro. Quando ele foi pego, fiquei bastante depressiva, quase a ponto de me matar, mas eu havia feito uma promessa. Então duas semanas depois de me recuperar do choque de perdê-lo, eu parti em busca das cavernas. E, mesmo cercada por mais de cinquenta humanos, eu ainda não me sentia completa. Mas agora eu me sinto. Porque aqui eu tenho todos que preciso para me sentir bem e feliz. Matt, Jamie, Peg, Melanie, Lily, Ian, Jared, Jeb. Matt e Jamie principalmente.
– Eu senti sua falta. — ele sussurrou ao meu ouvido.
– Eu também senti. — me afastei dele, sorrindo.
Olhei em seus olhos. Verdes opacos, sem qualquer vestígio do prateado que havia há horas atrás, e extremamente idênticos aos meus — nossa única semelhança. E então fez-se ouvir o barulho de um tapa em seu rosto. Matt me olhou como já esperasse por isso.
– Como você ousa me abandonar?! — eu esbravejei. — Você não tem ideia de como eu fiquei quando vi aqueles brutamontes te levando e eu não podia fazer nada porque eu prometi!
Ele riu. O canalha do meu irmão riu.
– Parece que a personalidade da ruiva continua intacta. — ele disse risonho.
Eu revirei, mas depois olhei para ele com um sorriso maníaco. — Está me devendo dois meses e meio.
– Dois meses e meio de que? — ele perguntou, parecendo confuso.
– Ainda não me decidi, mas ainda está me devendo dois meses e meio de eu estar presa aqui sem você. — eu disse e já estava prestes a pedir desculpas a Jamie pelo que disse, afinal, ele me ajudou bastante. Mas quando eu me virei, não havia ninguém. Nem mesmo Doc estava ali. — Ué, onde Jamie foi?
– Aquele seu amiguinho?! — Matt perguntou sarcasticamente e eu assenti. — Saiu com o aquele cara de jaleco assim que você pulou em mim.
– Acho melhor eu ir chamar Doc. — eu disse e ele me olhou confuso. — Aquele cara de jaleco.
– Ok, mas não demora que eu odeio ficar sozinho e você sabe disso.
Completamente diferente de mim. Eu sempre preferia ficar sozinha, na minha, e sem ninguém para me incomodar. Eu ainda não entendia como ele podia ser meu irmão.
– Não saia daí. — ordenei, antes de sair para o corredor.
Foi quase impossível fazer com que eu parasse de querer saltitar e cantarolar. Eu estava feliz. Verdadeiramente feliz e parecia que essa felicidade não estava muito bem controlada dentro de mim, pois a cada Alma aculturada ou humano que passava por mim sorria, como se soubesse o que eu sentia ou já soubesse da novidade de termos trago três humanos de volta. Bem, só tinha a confirmação de um apenas, mas para mim, saber que Matt agora era apenas Matt, já seria o suficiente. Quando cheguei na cozinha — onde eu sabia que Doc poderia estar -, encontrei metade da população das cavernas ali. E eu não estava enganada quando disse que Doc poderia estar ali.
– Doc! — gritei por ele, me aproximando da mesa em que estava com Jamie e Paige. — Acho que precisamos de você lá no hospital.
Ele sorriu para mim e eu não consegui mais segurar meu sorriso. Ele se abriu como se nada mais pudesse acontecer. E por mais que eu tentasse, meus lábios não queria voltar à linha reta de antes.
– Então está na hora de ver o bonitão, não é?! — Doc disse, se levantando.
– Parabéns, Rocker. — disse Paige. — Todos sabemos como é difícil recuperar alguém da família.
Como se fosse possível, meu sorriso aumentou mais.
– Vamos, Rocker? — perguntou Doc, já caminhando para fora.
Acenei para Paige e Jamie e o segui. Alguns segundos, porém, eu senti que estava sendo seguida. E pela reação exageradamente exagerada do meu coração eu tinha uma séria desconfiança de quem vinha ao meu lado.
– Por que saiu de lá? — perguntei.
– Achei que você precisava de um tempo com seu irmão. — eu ouvi a voz de Jamie ao meu lado e eu percebi que estava certa.
Meu sorriso se apagou. O amor é confuso, cara! Uma hora eu quero que Jamie esteja longe, para que eu consiga pensar com clareza, na outra que já o quero do meu lado, pois meu coração não aguenta que ele fique longe. Por impulso, segurei a mão de Jamie. Ele não soltou, mas eu sabia que ele estava sorrindo. Quando chegamos no hospital, porém, eu logo soltei-lhe a mão.
– Vamos ver como você está, Mattew. — disse Doc, se aproximando de seu catre.
Eu fui logo atrás, postando-me do outro lado do catre e vendo que Jaime parara na entrada. Doc analisou meu irmão rapidamente, apenas para ver como ele estava.
– Como se sente, Mattew? — perguntou Doc, anotando alguma coisa em um papel, que eu julgava ser seu histórico de pacientes.
– Na verdade, me sinto muito bem. — ele disse. — Só um pouco cansado.
Doc sorriu. — Sendo assim você pode sair daqui ainda hoje a noite.
– Mas antes precisamos encontrar um quarto para você. — eu disse, tentando pensar onde o Jeb estava, para ir atrás dele à caça de um quarto para Matt.
– Rachel. — Jamie me chamou, da entrada do hospital improvisado, e eu o olhei em um ato reflexo, com uma expressão nem um pouco irritada. E eu pude ver que Matt me olhou confuso, pois ele sabia que eu odiava quando me chamavam pelo nome.
Mas ele com certeza não sabia que eu adorava quando Jamie me chamava de Rachel. Dei uma rápida olhada para Matt antes de seguir Jamie para o corredor.
– O que foi, Jamie? — eu perguntei, percebendo que ele estava meio desconfortável.
– Bem... — ele coçou a nuca e percebi o quanto ele estava desconfortável com a situação. — Jeb tinha me dito que vai colocar Matt em um quarto junto com Aaron e o garoto que era hospedeiro de Sol. Mas eu e Brandt concordamos que ele devia ficar com você, então resolvemos tirar na sorte quem ia mudar de quarto.
– Onde está tentando chegar, Jamie? — perguntei, agora extremamente confusa.
– Eu... — ele gaguejou, antes de realmente falar o que precisava. — Eu estava pensando se não seria melhor se eu fosse para o outro quarto.
– Mas quem foi escolhido para ir? — eu perguntei, meio que já imaginando quem era e sentindo meu coração se apertando.
– Brandt, mas...
– Então você não precisa ir. — eu disse rapidamente, com meu coração na mão por saber que eu acertara a possibilidade. Odiava pensar que ele queria apenas se afastar de mim. — A não ser que você queira ir.
Eu sabia que ele entendia o que queria dizer.
– Não, nada disso! — ele se apressou a me dizer. — É que talvez seu irmão não goste muito da ideia de você dormir no mesmo quarto que eu.
Eu sorri. — Deixa disso, Jamie! — ri aliviadamente. — Matt pode ter se tornado um pai e porto-seguro, além de melhor amigo, mas ele não poder me obrigar a nada.
Ele sorriu e se inclinou sobre mim. Deu-me um selinho, mas eu me desviei; e ele me olhou confuso.
– Espere um pouco. — eu disse, sorrindo. — Matt está há apenas uma parede de distância.
Jamie riu. — Entendi.
Segurei sua mão, antes de voltar para dentro. Matt analisou nossos dedos entrelaçados e franziu o cenho em uma careta desgostosa. Mas eu apenas o ignorei e disse.
– Matt, achamos o quarto perfeito para você.
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