Ribelle Amato
16 Capítulo 14 - Apaixonada
Notas iniciais
Capítulo 14 — Apaixonada
EU AINDA NÃO CONSEGUIA ACREDITAR. Estávamos do lado de fora das cavernas que eu vivia há mais de dois meses. Eu queria pensar que era algo apenas da minha cabeça, estar ali fora – mesmo que correndo riscos – com Jamie. Sendo que ele me levou por livre e espontânea vontade. Isso é bom demais para ser verdade.
— Vem, quero te mostrar uma coisa. – Jamie disse, segurando minha mão e me levando pela terra do deserto até o que parecia ser uma rocha bem escondida.
Ele deitou-se atrás dela e, depois de analisar um pouco, percebi que não tinha nada a perder e me deitei também ao seu lado. Jamie me puxou para mais perto de si e eu me aconcheguei nele. Ficamos um tempo em silêncio apenas observando as estrelas que povoavam o céu negro. Era simplesmente mágico, não tem como explicar o que eu estava sentindo. Eu sentia um turbilhão de emoções massacrando meu coração de uma vez só. Eu não queria que isso acabasse.
— Em que está pensando? – ouvi sua voz um pouco rouca, próxima ao meu ouvido e senti um arrepio me atravessando por inteira.
— E então? Está muito calada. – ele insistiu.
— Estrelas. – eu disse a primeira coisa que veio em minha mente. Na verdade, foi mais para a primeira coisa que eu vi na frente.
— Sério? – ele perguntou e eu assenti. – Eu costumava ver as estrelas quando eu e Mel acampávamos com nossos pais. Mas isso foi bem antes da inserção.
— Eu nunca fui muito fã de acampar, não. Eu e Matt gostávamos era de jogar futebol. Sempre foi nossa paixão.
— Jura? E por que então nunca quis tentar jogar com a gente antes? – ele perguntou e se eu não estivesse tentando disfarçar que eu estava realmente olhando para as estrelas, teria virado o rosto apenas para vê-lo arqueando a sobrancelha esquerda, como sempre faz quando tenta me desafiar. Isso era uma das muitas manias que eu conhecia dele.
— Bem... – gaguejei. – Eu só não achei que vocês iriam me querer tão cedo ali no meio.
Uma meia verdade é melhor do que uma completa mentira. E mesmo que eu seja boa com as mentiras, como Jeb falou, eu não sei se aguentaria mentir para ele. O amor, definitivamente, é uma droga.
— Nada disso, Rachel, todo mundo te adorou logo de... cara. – ele fez uma pausa até estranha.
Virei para ele e o encarei. Ele parecia envergonhado, com os olhos arregalados de modo surpreso, como se tivesse dito alguma bobagem. E eu recordei sua voz dizendo sua última frase novamente. Ele me chamou de Rachel.
— Ahn... Desculpe, Rocker.
— Sem problemas. – abri um sorriso, mas tentei impedir que soasse muito falso. Gostei dele me chamando de Rachel. – Sabe, eu nem mesmo me lembro o porquê de eu odiar meu nome. – revelei e pude perceber que ele ficou bem surpreso.
— Então como começou tudo isso?
— Eu não sei, a lembrança é meio embaçada. Eu era mais nova e eu e Matt tínhamos acabado de fugir depois de vermos os olhos dos nossos pais. Eu pedi para ele me inventar um apelido diferente, porque Rachel me lembraria dos nossos pais gritando quando eu fazia alguma coisa errada. E lembrou que Jeb sempre me chamava assim, e eu odiava. Então acabou pegando.
Jamie riu.
— Que tio Jeb não é uma pessoa normal eu já sabia, mas essa pareceu além da conta. – rimos.
E depois caímos em um silêncio quase desconfortável.
— Jamie, você vai me deixar ir à incursão, não é? – perguntei, sentando-me bruscamente.
Ele suspirou, e se sentou ao meu lado. – Eu quero muito que você fique aqui.
Fiquei de pé rapidamente, tentando ao máximo impedir que a raiva me consumisse por inteira.
— Mas eu vou! E você parece não ter entendido isso ainda! Por quê quer tanto que eu fique?
Jamie também se levantou, ficando à minha frente, e eu pude perceber o quanto minha falta de tamanho podia significar em uma discussão. Ainda mais se eu estiver de costas para a grande rocha.
— Sabe por quê? Porque eu não suportaria te perder!
Ele se aproximou mais de mim, com os olhos fixos em meus lábios e eu não conseguia me mexer. Foi um choque para mim, ouvir essas palavras. Ninguém nunca se importaria comigo, a não ser Matt – que no momento deveria estar sugado para dentro da própria mente – e Jeb, mas ele era gênio – ou louco – demais para falar qualquer coisa do tipo. Tudo bem, eu sempre percebera que Jamie se preocupava comigo, mas eu jamais imaginaria que ele um dia chegasse a me dizer isso com todas as letras. E ouvir isso assim, com tudo dentro de mim em um turbilhão, e ainda observando meus lábios há poucos centímetros dos seus, não ajudava muito. E eu sabia que por mais que eu quisesse que aquele mantra desse certo, eu sabia que já estava apaixonada por Jamie.
Jamie se aproximou mais, tão tenso quanto eu, e encostou nossos lábios delicadamente, como se pedisse permissão, ou não soubesse o que fazer. E então eu lembrei de um detalhe que poderia estragar tudo, mas não poderia deixar de ser dito.
— Jamie, eu... – fui interrompida.
— Desculpe, eu não devia. – ele disse rapidamente e já ia se afastar, se eu não tivesse colocado a mão sobre seu rosto.
— Não, não é isso. – eu dei um risinho nervoso. – É que eu nunca tinha beijado ninguém.
— Não preocupe. – ele disse, olhando diretamente para meus olhos e sorrindo abertamente. – Anos em uma caverna com ninguém da minha idade também não me traz nenhuma experiência.
Eu sorri e me inclinei mais à frente, anulando a pouca distância entre nós. No início eu não sabia o que fazer. Havia todos os sentimentos se revirando dentro de mim e eu realmente não tinha ideia de como continuar dali. Mas então eu tentei me recordar de todas as vezes que eu via Peg beijando Ian. Ou Melanie e Jared. Não foram muitas, mas ao menos me deu uma pequena noção do que fazer. Mas quando entreabri os lábios sobre os macios dele, nada me preparou para a sensação de sua língua acariciando a minha. Era uma sensação nova e gostosa e eu sabia que Jamie sentia a mesma coisa, pois senti-o sorrindo sobre meus lábios. Podíamos nunca ter feito isso antes com ninguém, mas ambos estávamos em êxtase e eu estava mais do que feliz por ter tido meu primeiro beijo com ele.
Foi estranho no começo, afinal, era meu primeiro beijo. E eu estava inquieta. Até que Jamie colocou uma das mãos em minha nuca e a outra em minha cintura, puxando-me delicadamente contra si e fazendo nossos corpos se chocarem. Quando me afastei em busca de ar, sorrindo, abri os olhos lentamente, apenas para encontrá-lo sorrindo também.
Até que ouço um click conhecido do que parecia ser a ativação de uma alavanca de uma arma.
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