Ribellarsi
22 Capítulo XXII
Notas iniciais
Durante todo o caminho até em casa fui analisando o quanto eu estava sendo egoísta em afastar as crianças de Anthony, o quanto eu estava ignorando coisas principais e fundamentais para eles por causa de brigas nossas, eu precisava me impor e não deixar meus sentimentos interferirem no relacionamento entre as crianças e Anthony. Nessie não podia tratar o homem que sempre fez tudo por ela daquela forma, ela não deveria se meter em assuntos nossos, assim como Matteo não tem que ficar no meio dessa confusão que foi submetido. Julia que agora tinha ganhado segurança em se relacionar com homens e em confiar neles, agora que ela tinha ganhado um pai, um exemplo masculino, o seu herói, eu estava tirando isso dela por birra. Pietro que tanto sofreu por ser rejeitado pelo pai, que foi submetido a abusos psicológicos naquele orfanato, uma criança que nunca teve estabilidade emocional e uma segurança de família, poderia ter isso agora. Poderia ter segurança e ensinar para o próprio pai o quando ele era especial e o quanto seu pai deveria se arrepender por ter lhe abandonado. Mia tinha o direito de nascer em um ambiente de harmonia e segurança, com irmãos e pais felizes, ele não precisava passar pelo que os irmãos tinham passado, ela era o sonho de Julia e a coisa mais planejada que eu já tinha feito na minha vida. Eles merecem tudo de melhor e eu tenho que fazer isso por eles!
Resolvi que estava na hora de colocar controle nessa situação, liguei para Eleonora, a pobre mulher se revezava entre o nosso apartamento e o de Anthony, solicitei se ela poderia começar amanhã mesmo na casa nova conosco e deixei claro que ela teria uma ajudante por causa do tamanho da casa, foi impossível não rir com o suspiro de alivio que a mesma soltou ao saber da ajudante. Eleonora me lembrava muito minha vó e era fantástica com as crianças, precisava dessa mulher para conseguir manter a casa e a minha vida em ordem.
Nesse momento me encontrava sentada no terraço do meu quarto observando Julia e Pietro brincando de pega-pega com Matteo. O tempo estava até agradável para o inverno, não tinha vento e o sol estava mais forte. Senti meu celular vibrar e vi que tinha recebido uma mensagem de Emmett.
“Maninha, como estão as pestes dos meus sobrinhos? Queria avisar que está tudo em certo sobre o processo na justiça contra James, caso ele entre na Itália a Policia Federal será avisada imediatamente. Beijos”.
“Obrigada Ursão e estão todos terrivelmente bem! Fico extremamente aliviada com isso. Convide Rose e venham jantar aqui em casa conosco hoje, já estamos na casa nova e você ainda não a conhece”.
“Temos um jantar de negócio essa noite, mas marcamos para amanhã se ficar tudo bem para vocês”.
“Perfeito, espero vocês amanhã para jantarmos. Beijos ursão”.
Conforme fui mexendo na minha agenda vi o número de Anthony e sua foto, uma parte me dizia para ligar e a outra dizia que não. Escutei a porta do meu quarto bater e passos se aproximando, senti Nessie deitar no divã comigo e por sua cabeça em meu ombro e uma de suas mãos acariciar minha barriga.
– Você deveria ligar para ele. – falou suavemente.
– Ele me magoou.
– A mim também, assim como você também me magoou. – falou suspirando. – Eu te odiei tanto por ter me abandonado, você era a minha mãe, eu sei que somos apenas irmãs, mas eu sempre te vi como minha mãe. Você me abandonou e eu culpei ele, a vovó, me culpei por anos, achava que eu não fui suficiente, mas depois que você voltou eu entendi. Você vive salvando as pessoas e como me salvou de Charlie, precisou também ir salvar Julia, só que isso não diminui o fato que eu precisei de você e você não esteve aqui. Ele também precisou, ele não era mais o mesmo, parecia um zumbi, ele se esforçava para me fazer bem e estar ali para mim como meu porto seguro, mas era nítido o sofrimento dele também. – fiquei em silencio absorvendo suas palavras e vendo o quanto minha garota estava madura e crescida. – Papai errou, não importa se foi mais ou menos, mas você também errou. Tenho certeza que Julia irá errar, eu irei errar, Matteo irá errar, Pietro e Mia também. Você irá nos expulsar ou se afastar por isso?
– Nunca, jamais faria isso mia farfalla. – As palavras de Nessie mexeram comigo extremamente e me atingiram de uma forma que eu não imaginava. – Irei conversar com Anthony! – disse decidida.
– Isso mamãe! – comemorou com um sorriso contido.
– Querida, o que houve hoje na escola? – indaguei suavemente.
– Uma garota da sala de Matteo, ela vive se jogando para ele e ele finge que não enxerga. Hoje ele saiu mais cedo e ficou me esperando sair da sala, quando sai fomos caminhando juntos até essa garota aparecer e dizer “Não acredito que continua andando com essa pirralha, Matteo!”. – Nessie afinou a voz e falou de forma melosa que foi impossível não rir. – Ninguém me chama de pirralha mamãe! – disse revoltada. – Quando eu fui para cima dela ele me segurou e disse que jamais iria me deixar bater nela, minha fúria foi tanta que o soco que eu iria dar nela dei nele. Quer defender vadias que defenda e aprenda a lidar com as consequências! – a cara de revolta e ciúmes dela era impagável. Minha garotinha estava vivendo seu primeiro amor.
– Certo, eu te entendo e não serei hipócrita em dizer que nunca fiz algo do tipo na sua idade, mas também não estou feliz com a tua atitude. – falei suspirando e lembrando quando brigava com Anthony por causa de outras meninas. – O que eu posso te aconselhar é ignorar essa garota e todas as outras. – a cara de chocada e incrédula era tudo. – Querida esse conselho que irei te dar normalmente uma mãe normal jamais iria dar a sua filha, mas seja inteligente. Você pode ser nova, mas é mais linda que essas garotas e devem haver milhões de garotos na escola que arrastam um caminham por você, jogue esse jogo na forma Swan, comece a conhecer e falar com outros garotos, abra teus olhos para quem está a tua volta e faça Matteo enxerga o que está na frente dele, a garota que ele está perdendo. – falei rindo e piscando de suas bochechas coradas. – Se ele realmente gostar de você, ele vai rapidinho cair em si.
– Está tão visível assim? – perguntou encabulada.
– Até seu pai já percebeu querida! – falei fazendo ela rir.
– Você é a melhor mãe do mundo!! – ela gritou se jogando contra mim e me abraçando. Era gratificante ouvir isso dela, o sentimento que me preencheu foi tão, mas tão intenso que eu não consegui conter as lagrimas. – Não é para chorar mamãe! – falou rindo e beijando minhas bochechas.
– Culpa dos hormônios e do meu amor por você, farfalla. – Nessie riu e se retirou dizendo que precisava terminar as tarefas da escola e organizar algumas coisas no seu quarto. Meus olhos se voltaram para os pequenos que agora estavam brincando apenas os dois com uma bola e deixei minha mente viajar sobre meu relacionamento com Anthony e as palavras de Nessie. Eu precisava falar com Paola e dar alguma satisfação sobre o seu filho, peguei meu celular e disquei seu número.
– Ciao Paola. (Oi) – Saudei assim que ela me atendeu.
– Bella, come stai? (como está?) – perguntou alegremente. – E il mio ragazzo? (e o meu garoto)
– Siamo tutti fantastici. (Estamos todos bem) – fiz uma pausa pensando no melhor jeito de falar que Nessie bateu em Matteo. – Nessie e Matteo combattuto a scuola. (Brigaram na escola)
– Dio! – Paola ficou alguns minutos em silencio e aguardei suas palavras. – Come? (como) – questionou.
– Tra i due! (entre os dois) – falei suspirando.
— Donna, non è che fosse tardi! (Mulher, não é que até demorou!) – falou rindo. – Da quello che Matteo mi ha detto su Nessie ha il forte genio. (Pelo o que Matteo me falou sobre Nessie, ela possui o genio forte.).
— Ho già parlato con lei. (Já conversei com ela) – falei de forma justificadora.
— Mi aspettavo già questo. (Eu já esperava por isso) – Paola parecia estar se divertindo. – Sono adolescenti innamorati, é nomale! (São adolescentes apaixonados, é normal). – Até poderia ser normal nessa fase, mas não iria permitir que isso se tornasse rotina.
— Pensavo fosse giusto dirlo. (Achei justo te contar) – disse não querendo entrar em uma discussão sobre o que ela acha normal ou não!
– Nessun problema, piccola! (Sem problemas, querida!) – Disse com sua voz melodiosa e calma. Ouvindo sua voz não conseguia imaginar a mulher brava e maluca que Anthony e Matteo tinham me descrito. – Addio!
— Addio, Paola! – Finalizei a ligação achando a nossa conversa um tanto quanto maluca. Talvez eu seja a errada, mas eu estaria pirando se fosse ela me ligando e falando isso. Balancei a cabeça dissipando esses pensamentos e resolvendo ir fazer algo de janta para as crianças.
— Pietro! Julia! – Chamei fazendo ambos pararem de correr e me olharem. – Para o banho agora que eu irei começar a fazer o jantar! – ambos resmungaram, mas fizeram o que eu disse. – E nada de matarem o banho, irei passar para checar vocês! – ambos riram e saíram correndo. – Não corram nas escadas ou nada de sobremesa. – só consegui ouvir mais risos e um “Tá bom”.
Cheguei na cozinha e decidi por fazer uma massa de filé ao molho branco, todos gostavam e seria rápida e pratica de fazer. Deixei o macarrão cozinhando por dez minutos e resolvi ir dar uma olhada nas crianças. Peguei o elevador, habito que eu decidi aderir por causa de Mia, desci no segundo andar e parei na primeira porta que era a figura do Olaf da Fronzen, dei duas leves batidas e entrei, dava para escutar o barulho da água do chuveiro e a voz de Julia cantando alguma música infantil. Bati outra vez na porta do banheiro que estava meio aberta e me escorei no batente observando minha garota inteligente tomar banho.
— Oi mamãe! – falou rindo e se balançando enquanto passava shampoo na cabeça. – Viu como estou tomando banho direitinho?
— Estou vendo minha pequena garota esperta! – observei ela tirar o sabão com maestria e começar a passar o condicionador. Minha bebê estava crescendo e isso ao mesmo tempo que me deixava orgulhosa me deixava apavorada. – Já que você está se saindo tão bem sozinha irei ajudar Pietro, certo? – ela concordou com o polegar e voltou a cantar e se mexer em um ritmo engraçado e desajeitado.
Voltei para o corredor e entrei na porta da frente que desenhos de vários Minions, bati duas vezes e fui entrando. Pietro estava sentado de cueca e camisa no carpete de nuvem branco e felpudo enquanto pintava algum desenho em um livro, era uma cena linda de se ver.
— Oi príncipe. – falei me fazendo presente, pois ele não tinha escutado eu bater na porta e nem percebido minha presença.
— Oi moça bonita! – falou me presenteando com um sorriso lindo e seu emaranhado cobre caindo em suas esmeraldas. Eu precisava levar ele para cortar o cabelo.
— Achei que você já estaria no banho. – vi suas bochechas corarem e ele ficar encabulado.
— É que eu gosto que você me ajude a tomar banho, você se importa? – perguntou acanhado.
— Claro que não príncipe, eu adoro ajudar meu pequeno garoto no banho. – falei me aproximando e mexendo em seus cabelos. – Só irei pedir para a tua irmã cuidar a comida enquanto te ajudo no banho, ok? – Pietro concordou e se levantou guardando suas coisas enquanto eu me dirigia para o quarto de Nessie que ficava ao lado do de Julia, sua porta era dourada e nela tinham vários espelhos em formato de borboleta. Dei duas batidas e escutei um “entre”. Nessie estava jogada na cama enquanto folheava alguma revista.
— Querida se importa de cuidar alguns minutos da comida para eu ajudar Pietro no banho?
— Sem problemas! O que a senhora está fazendo?
— Massa ao molho branco com iscas de filé. – Falei observando ela calçar seu chinelo e fazer uma dancinha maluca em sinal de comemoração. – é só cuidar a massa e desligar daqui alguns minutos, logo desço para terminar o restante.
— Pode deixar comigo! – passou por mim e jogou uma piscadela.
— Cuidado para não se queimar! – Gritei observando ela descer os degraus, voltei para o quarto de Pietro e o mesmo me esperava sentado no vaso.
— Hora do banho príncipe! – no mesmo instante ele já foi tirando a cueca e a camisa enquanto eu ia esquentando a água do chuveiro. – Pode entrar e veja se não está muito quente.
— Está perfeita moça bonita! – entreguei sua esponja e coloquei um pouco de sabonete líquido para ele se lavar. – Passa nas minhas costas? – me pediu depois de ter lavado o restante do corpo. Peguei a esponja e virei meu pequeno garoto para esfregar suas costas.
— Tem que passar no pescoço também príncipe. – falei passando na região que ele tinha esquecido. – Vamos lavar a cabeça? – concordou me entregando seu shampoo e condicionador do Mickey. – Precisamos cortar esse cabelo mocinho, já estava começando a cair nos teus olhos.
– Eu gosto dele. – deu de ombros.
– Eu amo essa bagunça cobre, mas não significa que não seja preciso cortar um pouco. – falei sutilmente.
– É igual ao do papai das meninas. – falou de forma murmurada, mas alto o suficiente para que fosse ouvido.
– é igual ao do pai de vocês. – falei de forma leve e sutil, ele precisava entender que Anthony era pai dele independente de qualquer coisa.
– Não posso pintar para ficar igual ao teu? – falou ficando de frente para mim.
– O teu é tão lindo, meu amor! – não consegui entender o motivo de querer mudar. – Por que quer mudar?
– Você me quis e ele não! – falou como se fosse óbvio.
– Seu pai é tão complicado príncipe. – falei sem argumentos contra uma criança de apenas quatro anos.
– Eu queria ser apenas teu filho. – disse enquanto eu secava ele.
– Você é meu filho! – falei segurando seu rostinho e fazendo ele olhar em meus olhos. – Nessie, Julia e você, podem não ter sidos feitos dentro da minha barriga como a Mia, mas vocês são tão meus filhos quanto ela, entendeu? – eu queria passar segurança para ele.
– Elas também não saíram da tua barriga? – perguntou com os olhos arregalados.
– Elas saíram de outras barrigas, cada uma de uma diferente e mesmo assim elas são minhas, assim como você! – falei afagando suas bochechas.
— Nossa que legal! – falou me olhando com admiração.
– Vamos vestir uma roupa antes que pegue um resfriado. – falei fazendo ele vestir o roupão do capitão américa. – Vai escolhendo uma roupa no closet que eu irei juntar essa bagunça e já te encontro lá. – ouvi seus passos se distanciando e terminei de juntar as roupas. Quando cheguei no quarto Pietro estava parado e rígido na entrada do closet olhando para lá.
– Príncipe, o que houve? – perguntei me aproximando, minha surpresa foi tanta que pisquei duas vezes para ver se era real. Anthony estava parado nos olhando com algumas roupas nas mãos. Tentei raciocinar rápido e agir de forma natural para deixar Pietro tranquilo e seguro. Coloquei minhas mãos em seus ombros e comecei uma suave massagem fazendo ele relaxar. – Olá Anthony! – falei sorrindo amarelo. – Que surpresa!
– Cheguei faz algum tempo! – disse se justificando e apenas arqueei uma sobrancelha exigindo mais explicações. – Matteo abriu a porta para mim e Nessie me disse que você estava ajudando Pietro no banho, resolvi subir para conhecer o quarto das crianças, só que Julia já estava descendo e me mostrou onde vocês estavam. Não achei que seria um problema entrar, fiquei esperando vocês e ouvi quando falaste que ele precisava se vestir e resolvi ajudar. – se justificou dando de ombros e mostrando as mãos. Ele não falou abertamente, mas era palpável que ele tinha escutado minha conversa com Pietro e que tinha ficado abalado. Raio de homem intrometido!
– Acho que você deveria perguntar se o Pietro não se importar de você mexer nas coisas dele. – falei mostrando e deixando claro que aquele ambiente era do Pietro e seu porto seguro.
– Você se importa, campeão? – Não sei se foi o campeão ou a atitude de Anthony se abaixar para ficar na mesma altura que ele em um claro sinal de igualdade. Pietro que já estava bem relaxado em minhas mãos e só observava o pai deu de ombros.
– Tudo bem! – falou se virando para mim. – Você me ajuda a colocar a roupa? – seria forçar a barra tentar fazer com que ele deixasse Anthony ajudar.
– Claro, príncipe! Vai indo para a cama com Anthony que eu já volto, só irei mandar as roupas para a lavanderia.
– Promete que volta? – falou duvidoso.
– Alguma vez falei algo e não cumpri? – falei apertando a ponta do seu nariz com os dedos. Negou com a cabeça e foi se retirando, mas parou quando viu que estava sozinho.
– Você não vem? – falou se dirigindo a Anthony que se encontrava petrificado no mesmo lugar. Rapidamente o homem que se encontrava na minha frente parece que ganhou vida e foi em direção ao garoto que lhe deu as costas e foi subindo em sua cama. Juntei as roupas que tinha largado no chão e sai pelo corredor, assim que larguei elas pelo acesso e me escorei na parede respirei profundamente. Anthony nunca foi muito conhecido pela sua sutileza, mas ele as vezes conseguia deixar até eu desestruturada com suas ações, então imagina a cabeça de Pietro. Respirei mais uma vez e voltei para onde eles estavam.
– Então príncipe, vamos se vestir! – falei entrando no quarto. Pietro estava sentado escorado na cabeceira e mostrava o livro que estava pintando mais cedo para Anthony que se encontrava sentado ao seu lado.
– Estava mostrando para o Anthony o que eu estava pintando. – Disse como se fosse algo banal. Anthony tinha um sorriso contido nos lábios.
– Uau, que legal príncipe! E o que ele achou? – Perguntei tentando dar corda.
– O que você achou? – Perguntou se dirigindo para o pai.
– Muito bonito, você pinta muito bem. – Pietro sorriu lindamente e concordou firmemente com a cabeça não se importando nem um pouco em ser modesto.
– Eu sei, a moça bonita fala que serei o melhor pintor do mundo dela. – Falou engatinhando em minha direção pela cama. – Isso é muito importante, sabia? – Indagou o pai.
– Tudo que tem a ver com o mundo da tua mãe sempre vai ser muito importante. – Verbalizou desta vez me olhando, mas fugi de seu olhar e agarrei Pietro o trazendo para mim e lhe enchendo de beijo.
– Vamos se vestir logo que as tuas irmãs e Matteo devem estar morrendo de fome, tenho que terminar o jantar ainda. – falei ajudando ele a vestir a roupa que seu pai tinha separado.
– Você vai jantar conosco? – Pietro questionou Anthony.
– Você se importaria? – perguntou inseguro.
– Tanto faz, é a minha moça bonita que decide. – respondeu dando de ombros.
– Prontinho mocinho, já pode ir se juntar a tua irmã na sala para assistir televisão. – ele me agradeceu com um beijo no queixo, coisa que já virou rotina entre nós dois e saiu correndo. – Não corre nas escadas Pietro! – protestei em tom de voz alto. – Vamos! – falei e sai sendo seguida por um Anthony pensativo. Passei pela sala para ver as crianças e todos estavam espalhados pelos sofás e chão assistindo algum desenho animado, Julia exigiu que o pai se sentasse com eles e assim ele fez. Fui para a cozinha e terminei o jantar depois de uns trinta minutos e organizei a mesa de jantar. Eu sempre soube me virar sozinha e sempre gostei de fazer tudo por mim mesma, mas a minha barriga estava me cansando mais que eu imaginava e eu não via a hora de ter Eleonora conosco em tempo integral.
– O jantar está pronto! – Gritei da cozinha enquanto pegava a garrafa de suco de uva. O jantar foi agradável, conversas leves, sem trocas de farpas, todos comeram bastante e o melhor Anthony e Matteo se responsabilizaram pela organização e limpeza da louça. – Então já que eles irão cuidar da louça que tal irmos assistir um filme com a mamãe. – sugeri para Nessie, Julia e Pietro.
Fomos para a sala, me deitei com Julia e Pietro cada um de um lado agarrados em mim e Nessie com a cabeça em minhas pernas. Vinte minutos de filme e os três já dormiam, Anthony e Matteo chegaram e pedi para que Matteo me ajudasse a colocar Julia na cama e que Anthony colocasse Pietro, acordei Nessie que ignorou a todos e se retirou para seu quarto. Matteo deitou Julia na cama enquanto eu ajeitava suas cobertas e agradeci por ela ter colocado seu pijama depois do banho, dei um beijo de boa noite na minha garota, outro em Matteo que se retirou para o seu quarto e fui dar uma espiada em Nessie que já estava enroscada em suas cobertas. Entrei no quarto de Pietro, Anthony já tinha arrumado ele na cama e se encontrava parado olhando o filho dormir.
— Eu sou um mostro né? – me perguntou de forma sussurrada.
— Não, você apenas cometeu um grande erro. – falei de forma suave e baixa para não acordar Pietro.
— Ele me odeia, Isabella! – tinha dor em sua voz. – Ele não gosta nem de ser parecido comigo.
— Ele é apenas uma criança, crianças não odeiam. Esse sentimento é muito ruim para a pureza deles. – divaguei. – Ele quer ser diferente, pois foi rejeitado por você e fui eu que acolhi ele, é normal eles quererem parecer com as pessoas pelas quais possuem confiança.
— Eu me sinto horrível! – suspirou. – Olho para ele e me vejo, na fisionomia, no jeito, na forma de falar e até na forma de te amar e de te idolatrar. – sorri pelas suas palavras.
— Talvez consigas fazer com que Pietro te ame e idolatre da mesma forma. – me aproximei do meu garoto e acariciei seus fios rebeldes iguais ao do pai.
— Acho impossível! – disse sorrindo de forma triste.
— Nunca saberá se não tentar. – falei lhe encorajando e vibrando por dentro, aquele homem eram o meu marido! – Vamos deixar ele dormir sossegado antes que acorde por nossa causa. – falei ligando seu abajur e a babá eletrônica, saímos de fininho e fomos para a sala.
— Está ficando tarde e eu preciso ir. – Por mais que eu quisesse que ele ficasse, precisamos ir devagar. Concordei com um aceno e o acompanhei até a porta. – Amanhã cedo voltarei para te apresentar os seguranças e os funcionários. Eleonora está radiante por vir trabalhar integralmente conosco. – sorri por sua colocação de palavras e preferi não corrigir.
— Perfeito! – falei abrindo a porta e esperando ele passar. Quando o mesmo se encontrava do lado de fora minha vontade era de puxar ele para dentro e transar até o dia raiar com ele. – Boa noite, até amanhã. – falei apertando ao máximo o trinco da porta e tentando manter o meu controle.
— Boa noite, passione. – Não esperei ele virar de costas e fechei a porta antes de perder o restante de controle que ainda possuía. Aquele homem mexe com minhas estruturas.
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