Ribellarsi
15 Capítulo XV
Notas iniciais
A paisagem do entardecer passava voando aos meus olhos, queria alguém para apostar comigo que a velocidade que estávamos não baixava de 180 km/h. O calor da mão de Anthony na minha era tranquilizante Estávamos na Via A1/E35, faltava uma hora, mais ou menos, para chegarmos em Roma. Julia dormiu logo no início da viagem e Nessie pediu meu celular para acessar suas redes sociais e se despedir dos seus amigos. No som tocava um blues baixinho até outro som tomar seu lugar, olhei para Anthony e ele fez uma careta ao apertar em atender no painel do carro.
– Masen! – Atendeu com a voz séria e fria. Arqueei uma sobrancelha e ele deu de ombros da minha direção. Observei que ele olhava a todo momento para as meninas pelo retrovisor.
— Chefe. – saldou alguém do outro lado da linha. Minha ficha caiu, era algo relacionado com a máfia. Eu não gostava disso, não gostava dele envolvido com isso e correndo riscos.
— O que eu falei sobre me contatarem esse final de semana? – falou baixo, mas a ameaça estava na sua voz.
— Entendo perfeitamente, padrinho! – suspirou o coitado. – Jamais incomodaria o senhor se não fosse algo sério.
— Fale Matteo. – falou suspirando de forma mais tranquila. Quem seria esse ragazzo para o qual Anthony baixou a crista.
— Nosso carregamento foi saqueado e Sam está sumido. – falou murmurando. De todas as reações e perguntas que eu esperava de Anthony, a que ele teve não estava nem no último tópico da minha lista
— Como você está sabendo de tudo isso, Matteo? – falou murmurando de forma ameaçadora. Um fleche de lembrança iluminou meus pensamentos, o afilhado de Anthony. Eu sabia da existência, mas nunca cheguei a conhecer a criança. – Eu juro por Dio que se você me desobedeceu irei te mandar de volta para Palerma. – falou furioso. Suas mãos apertavam fortemente o volante e seus olhar se encontrava fixo na estrada.
— Padrinho, o senhor precisa entender... – Anthony não deixou o rapaz terminar.
— Em menos de uma hora estarei chegando e irei direto para o escritório, é bom que esteja à minha espera. – falou de forma rápida e cortante, estava com pena do pobre garoto.
— Não posso, padrinho. – falou em um murmuro.
— Irei ignorar o que falaste, Matteo. – o homem estava uma ferra e se eu não tivesse totalmente louca, não era por causa da carga, mas sim por causa do garoto. – Meia hora no meu escritório e arrumamos a bagunça. –desligou não dando a chance do garoto retrucar. – Pode perguntar, passione! – eu ri. Tinha como não amar esse homem? Não!
— Estou confusa, Anthony! Matteo é aquele afilhado seu de Palermo? Aquele que nunca cheguei a conhecer ou estou maluca? O que esse garoto está fazendo trabalhando com você na máfia e em Roma? – perguntei suavemente – Nós iremos com você? Não é arriscado? – Digamos que minha curiosidade estava para lá de aguçada nesse momento e até o escritório da máfia eu queria conhecer.
— Querida, não sei que tipo de filme você anda assistindo sobre máfia e tudo mais, mas iremos ao meu escritório na empresa. Comando tudo por lá, nada de escritório em uma zona de risco em um prédio detonado por fora, mas belíssimo por dentro. Nada disso, passione! Quem me observa jamais diria que trabalho com outras coisas, pois saio de casa vou para o escritório e do escritório para casa. Poucas vezes só quando preciso resolver um problema sério e grave, é que vou aos depósitos. A nossa — falou frisando a palavra e me olhando. – máfia hoje possui um contrato com Camorra, Cosa Nostra e Ndrangheta. Cada uma lida com as suas principais “especialidades” e eu cuido da parte empresarial, politica, contratos governamentais, controle dos traficantes de Roma, da distribuição de drogas em Roma e raramente, como hoje por exemplo, carregamento, prostituição e todo o resto. Formamos uma hierarquia, eu comando tudo daqui de Roma, mantenho o equilíbrio entre a máfia e o governo, e eles controlam as outras coisas de e em outras cidades. Criamos um monopólio nosso, obviamente existem outras máfias como os chineses, mas eles não mexem conosco e nós deixamos eles fazerem seus negócios em uma região. Todos me devem satisfações, quem dá a última palavra sou eu, e tudo passa por mim, mas quem negocia e lida com as coisas continua sendo eles. Entende, passione? – perguntou sorrindo. Digamos que não era a vida que eu tinha sonhado para nós e para as meninas, mas sim eu entendia e aceitava. Eu amava ele e não seria isso que iria nos separar.
— Sim, gostoso, eu entendo. – suspiro.
— Cazzo, papai você é o chefe da máfia Italiana! Dio, isso é grande. – quando escutei as palavras de Nessie, virei com tudo para trás e ela tinha os olhos brilhando. Fechei meus olhos e contei a até dez.
— Renesmee, você acabou de perder dinheiro para a sua irmã. Controle essa língua ou eu darei um jeito. – falei séria. – Esse assunto é nosso e espero que tu entendas o quanto é perigoso, principalmente para você e para Julia, então nunca, jamais, em hipótese algum esse assunto será discutido com outras pessoas além de nós, da nossa família. Ainda não contamos para Julia, eu mesma estou tentando me acostumar com isso. Portanto muito cuidado sobre esse assunto, pois Julia não tem idade para entender essas coisas ainda e isso vale para você também Anthony. – Ambos concordaram com a cabeça.
– Papai não respondeu quem é Matteo. – falou me olhando e com os olhos brilhando. Por Dio, que Anthony não visse isso.
– Ele é meu afilhado, filho de Raffaello De Luca da Cosa Nostra, veio de Palermo para cá sobre minha responsabilidade. Raffaello quis afastar Matteo um pouco, pois ele estava se envolvendo muito na parte prática e pegando muito gosto pela ação. Resolvemos que seria bom ele vir ficar comigo e aprender sobre a parte burocrática do comando. – respondeu calmamente me olhando, eu entendi que teríamos mais um adolescente dentro de casa. Concordei com a cabeça, mas com medo também. Eu não conhecia esse garoto, não sabia do que ele era capaz e minhas experiências me deixavam temerosa. Acho que meu medo era visível, pois Anthony agarrou minha mão levando aos seus lábios e beijando a mesma. – Pode ficar tranquila, ele é um bom garoto, Paola fez um ótimo trabalho e logo irá conhecer eles. A história dele é complicada e mais tarde eu te conto. – assenti ainda com receio. – Eu jamais colocaria nossas garotas em perigo, principessa. – eu sabia, mas era instinto de proteção e sobrevivência falando mais alto.
– Eu confio em você, é só meu lado protetor falando mais alto. – ele negou com a cabeça e me olhou, seus olhos diziam que ele sabia não ser só aquilo. Não demorou muito e tínhamos chegado na empresa. Fomos nos encaminhando para o elevador com uma Nessie abraçada na minha cintura e Anthony carregando Julia. Eu já tinha vindo alguns vezes durante meu namoro com Anthony na adolescência, mas parecia que muitas coisas tinham mudado. As cores estavam mais claras, era tanto branco com móveis negros e paredes de vidro. Pequenos detalhes de decoração como arbustos e quadros que deixavam o ambiente mais agradável.
Quando chegamos na sala de Anthony, tinha um ragazzo de costas para nós olhando pela janela, seus cabelos eram escuros praticamente negros, mas brilhosos e um aspecto macio que davam uma vontade de tocar. Quando o ragazzo percebeu nossa presença e se virou escutei um suspiro ao meu lado e olhei para Nessie que estava babando no garoto. Por Dio, ainda bem que Anthony estava na nossa frente e de costas para ela. Apertei seus ombros e ela me olhou assustada, sorri para ela e arqueei uma sobrancelha, ela ficou com as bochechas vermelhas e deu de ombros. Anthony iria surtar, minha vontade era de dar risada.
— Padrinho. – falou cumprimentando Anthony e me olhou franzindo a testa. – Isabella, eu acredito? – falou galanteador e escutei dois bufos na sala. Segurei meu riso. – Não irá me apresentar a tua esposa padrinho? – Ok! Agora eu estava chocada. Nessie me olhou exigindo respostas e apenas sussurrei mais tarde.
— Matteo, essa é Isabella. Isabella esse é Matteo e pare de jogar suas pequenas assas para a minha mulher ou arranco teus olhos. – falou rabugento fazendo o garoto rir.
— Não te trocarei nem por dez Matteos, gostoso. – falei me aproximando e abraçando a sua cintura. – Não que você não seja um belo ragazzo, Matteo. Só que teu padrinho é único. – falei rindo. Ele me olhou concordando e rindo, depois seus olhos migraram para trás de nós. – Matteo, essa é Renesmee minha filha e de Anthony. – Ele rapidamente tirou seus olhos dela e olhou para o padrinho que só analisava a situação. Anthony muito quieto me dava medo.
— Precisamos resolver o problema padrinho. – falou mudando sua postura. Ele tinha os olhos acinzentados e uma marra que gritava Bad Boy.
— Querida, fique com Nessie e Julia por aqui, que eu irei com Matteo resolver as coisas. – Falou me olhando. Seu olhar estava nublado e eu sabia que seu lado chefe da máfia tinha sido ligado. Peguei Julia e me dirigi aos sofás com uma Renesmee na minha cola, depois que eles saíram. O silencio era terrível e Renesmee estava me deixando inquieta com a careta que tinha no rosto.
— Achei Matteo muito bonito e você? – perguntei sondando.
— Não reparei muito nele. – falou dando de ombros e mordi meu lábio para não soltar uma risada. Essa garota era absurda, a dez minutos atrás estava babando no ragazzo.
— Teu pai pelo jeito vai levar ele para morar conosco. – precisava saber da sua opinião e precisava que ela confiasse em mim.
— Tudo bem desde que ele não se meta nas minhas coisas e eu não tenha que dividir meu quarto com ele. – falou sincera, jamais colocaria ela nessa situação, mas intendi seu ponto. Privacidade.
— Você terá o teu quarto e ninguém vai mexer ou entrar nele se você não quiser. Você não irá se sentir desconfortável com um estranho na tua nova casa? Se você não gostar de algo é só me falar, ok? Não importa o quão bobo ou sério for, combinado? – ela me olhou com lagrimas nos olhos e assentiu a cabeça.
— Eu ouvi uma conversa de papai e Jacob hoje de tarde. Eu estava deitada na lateral da casa lendo e eles estavam na área dos fundos, não me viram e começaram a conversar. – falou me olhando. Prendi a minha respiração. – Jack estava falando para papai sobre a conversa de vocês ontem na pracinha. Eu sei que você acreditaria em mim, assim como eu sei que nem você ou o papai irão deixar alguma coisa acontecer. – Não sei se eu matava ou agradecia a Jacob, pois eu jamais teria coragem de contar para Anthony. Puxei Nessie para os meus braços e fiz ela encostar a cabeça no meu ombro enquanto fazia cafuné em seus fios cobres. Julia tinha a cabecinha em meu colo e o resto do corpo no sofá. Passamos mais de hora assim e nem percebi quando cochilamos. Acordei assustada com o barulho de dois homens entrando pelo escritório. Anthony estava bufando e Matteo de cabeça baixa, mas estancaram assim que nos viram. Matteo olhava para Nessie sem conseguir desviar o olhar, olhei para Anthony que encarava o garoto com a sobrancelha arqueada, mas o mesmo nem bola dava para ele. Me olhou indignado e eu mordi o lábio para não rir e acordar as garotas.
— Queridos, já está tarde e precisamos botar essas ragazze na cama. – Anthony veio na minha direção, mas Matteo passou por ele e se abaixou na minha frente.
— Se importa que eu leve Renesmee, para não precisar acordar ela? – falou de forma doce. Olhei por cima do seu ombro para Anthony que se encontrava perplexo e concordei com a cabeça. Matteo pegou Renesmee no colo e andou até a porta nos esperando. Anthony respirou fundo e veio pegar Julia e me ajudar a levantar.
— Eu vou mandar ele para Palermo amanhã bem cedinho. – falou enciumado no meu ouvido.
— Antes ele do que um inimigo seu ou um de má índole. Não acha? – Questionei desafiadoramente com uma sobrancelha arqueada. Nessa idade nós dois já namorávamos e ele que não venha se fazer de rogado comigo. – Além do mais você não viu o suspiro que ela deu assim que colocou os olhos nele. Parecia que eu estava revivendo doze anos atrás, só que dessa vez como telespectadora e não como personagem principal. – falei dando uma piscadela para ele, que me retribuiu com um sorriso torto. Sai na frente, passando meus braços pelos ombros de Matteo e levando ele comigo. Nessie e Julia deveriam estar extremamente cansadas, pois não acordaram em momento algum até chegar em casa.
Abri a porta do apartamento para Anthony e Matteo passar com as meninas, arrumei a cama e eles colocaram ambas deitas. Anthony desceu para buscar as malas de Nessie e Matteo ficou na sala comigo.
— Quer tomar ou comer alguma coisa, Matteo? – perguntei suavemente.
— Não precisa, Isabella. – disse desconfortável.
— Bella, apenas Bella para você. – falei sorrindo.
— Obrigada por me aceitar aqui, eu sei que é complicado ter um estranho na tua casa. – Falou acanhado.
— Sabe Matteo, eu e Anthony não tivemos uma vida fácil, principalmente dentro da nossa casa. Por isso que quero dar uma vida e uma família tranquila para as meninas e eu não irei me importar em te ter nesse pacote, desde que você jamais machuque elas. – falei olhando dentro dos seus olhos e sorrindo.
— Irei cuidar das meninas como eu cuidava da minha irmã. – falou fazendo careta. Isso não daria certo, ragazzo. Mordi o lábio para conter um riso e neguei com a cabeça, pobre garoto.
— Acho que se vocês cuidarem um dos outros e se derem bem como amigos já será ótimo. – falei de forma sutil e ele sorriu aliviado concordando com a cabeça.
— Passione, irei voltar para o meu apartamento com Matteo e amanhã pela manhã voltamos. – falou deixando as malas de Nessie ao lado do sofá.
— Matteo, cancele ou remarque todos os compromissos que vocês teriam amanhã. Utilizaremos o dia para arrumar os quartos, compras e instalações. – falei para eles. Matteo iria retrucar, mas lhe cortei.
— Não foi um pedido e sim uma ordem, Matteo! Eu sou a mãe por aqui e a pessoa que dita as regras. – falei levantando uma sobrancelha e sorrindo para ele.
— Se acostume, ela consegue ser pior que a tua mãe. – Matteo me olhou engolindo em seco e assentiu.
Anthony e Matteo logo foram embora e eu voltei para o meu quarto. Não contive o suspiro de paixão que saiu dos meus lábios com a imagem a minha frente. Julia e Nessie estavam dormindo uma agarrada na outra, não me contive e logo troquei de roupa e me deitei com elas.
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