Ribellarsi
13 Capítulo XIII
Notas iniciais
Estávamos indo para Florença, eu, Julia e Anthony no carro dele. Atrás de nós estava Emmett, Rosalie e Jacob. Pois é, esse último quando soube que eu iria buscar minha irmã para vir morar conosco e que eu e Anthony estávamos muito bem obrigada, quase surtou! Amigo gay é ótimo, mas deixe eles por fora de algo que verá onde fica o inferno. Eu e Anthony deixamos para Rose e Emmett, explicarem os últimos acontecimentos e nos focamos em Julia. Tínhamos que amaciar o terreno com ela, eu tinha medo das suas reações.
No começo foi difícil explicar que eu já era grandinha quando descobri que tinha uma irmã recém-nascida que não era filha da minha mãe e só do meu pai, que a mãe desse bebê morreu e meu pai não quis ela e daí minha vó pegou a guarda dela para criar a mesma e se afastou dos meus pais, mas que eu sempre ia passar os finais de semana com elas e minha irmã me via como um modelo maternal. Expliquei que depois que conheci Anthony, passamos ir todos os finais de semana juntos ficar com ela na casa da minha avó e por isso ela chama Anthony de pai, mas a mim como Bella. Eu não conseguia entender o que se passava na cabecinha dela, pois ela ficou um tempo analisando Anthony que apenas abaixou a cabeça diante do seu olhar magoado.
Ah, claro! Na cabeça dela ele a tinha rejeitado como filha quando pediu desculpas pelo que falou. Suspirei e resolvi que isso era importante, mas que quem tinha que resolver era eles e não eu. Foquei em tentar explicar, que agora minha irmã era uma moça e tinha 12 anos, que o sonho dela sempre foi morar comigo e com Anthony, que eu errei muito com ela a magoando profundamente e por isso ela hoje era muito difícil e rebelde. Expliquei que iriamos precisar de muita paciência e que seria muito importante que Julia fosse amiga dela. Pois ela iria ganhar uma irmã mais velha. Ela ficou receosa e enciumada, mas entendeu e prometeu tentar ser legal.
Quando o carro estacionou na frente da casa da minha avó, não esperei por ninguém. Anthony podia pegar Julia e eles teriam que se entender a partir de agora, ele tinha que concertar a burrada que cometeu, como eu estava indo fazer. Parei na porta da casa com a mão na maçaneta quando escutei gritos do lado de dentro. Meus olhos se encheram de lagrimas e eu me neguei a chorar, eu tinha que se forte, eu iria ser com ela aquilo que ninguém foi comigo e que eu tanto precisava. Respirei fundo e olhei para trás, eles estavam parados no início da escada me analisando. Ignorei eles, arrumei minha postura de mulher responsável e mãe de família e entrei com tudo na casa da minha avó.
Minha avó se encontrava no meio da sala e me viu assim que eu entrei, seu choque era tão grande que ela esqueceu da pirralha que estava na sua frente gritando com ela. A garota que não tinha me notado ainda jogou o porta-retratos na parede e gritou em plenos pulmões.
— Eu odeio ela! Ela nunca foi uma mãe para mim, eu tenho nojo de ser irmã dela. – e ficou encarando o porta retrato que percebi ser uma foto nossa. Melhor momento para chegar impossível, Isabella! Ri irônica de mim mesma. Dizer que suas palavras não me machucaram seria eufemismo.
— Renesmee Swan! – minha voz não se alterou em nada, pelo contrário ela estava calma e baixa demais, mas o tom ameaçador estava lá e ela percebeu muito bem. No mesmo instante que escutou minha voz se virou mais branca que papel para mim e em choque. – Você irá agora mesmo pedir desculpa para a MINHA avó e irá juntar toda bagunça que fizeste sem eu escutar um piu, fui clara? – ela continuava em choque, me olhando magoada, mas concordou com a cabeça. Desculpa minha grande garota rebelde, mas tem que ser assim, não irei permitir que você se torne igual a mim.
— Des-descul-pa vovó. – falou murmurando de cabeça baixa. Minha avó saiu do choque e olhou de Nessie para mim e apenas abraçou ela e deu um beijo na sua testa. Como ela tinha ousado gritar com essa criatura que sempre deu seu sangue por ela, eu estava puta da vida. Eu escutava cinco respirações atrás de mim, mas ninguém ousava dizer uma palavra. Era melhor assim!
— Tudo bem, querida, já passou. – minha vó falou me olhando e negando com a cabeça. Apenas arqueei uma sobrancelha em sua direção e ela riu. Velha safada, estava me provocando!
— Vamos, Renesmee! Não quero ver um caco de vidro nesse chão e quero um porta-retratos novinho com a nossa foto. Quem te deu o direito de gritar com a minha avó desse jeito? – falei furiosa ainda.
— Quem te deu o direito de entrar na minha casa e falar assim comigo? – falou se virando para mim, empinando o queixo e me encarando. Por Dio, se as pessoas achavam Julia a minha cópia, Nessie deveria ser considerada minha sombra.
— Primeiro, essa casa não é tua, mas se quiser reivindicar algo vá até a casa de Charlie Swan o traste que te renegou, aquela casa sim é tua por direito. – Falei de maneira calma e fria dando dois passos para dentro da sala, nunca elevando o tom da minha voz. – Segundo, essa casa é minha e do meu irmão, pois nosso avô antes de morrer deixou plenos poderes para nós. – cada vez que eu falava um tópico mostrava um dedo – Terceiro, sou a pessoa que te salvou de ir para um orfanato. – Conforme eu ia falando a sala ia ficando mais tensa e seus olhos mais cheios de lagrimas. Ele precisava de limites e eu iria dar isso a ela. – Quarto, desde que eu completei 21 anos eu tenho o direito a tua guarda e me tornei responsável legal por você. – Dei um sorriso irônico para ela. – Quinto, eu sou a pessoa que sempre bancou tudo na tua vida, desde as tuas fraudas até a tua escola. Ou você acha que com o salário de aposentada que a vovó recebe ela conseguiria manter todas as tuas coisas, principalmente depois de Charlie botar a mão em todos os bens dela e virar as costas para vovó? Ou tu acha que teu querido papai Charlie mandava algum dinheiro para ajudar vovó com as despesas? – Falei de forma irônica, ela tinha que ter um choque de realidade. – Sexta e não menos importante, foi por mim que vovó te pegou para criar, pois eu não tinha idade na época. Então é bom você baixar a tua bola e ir fazer o que eu mandei rapidinho, pois eu acho que você se lembra que eu não repito duas vezes a mesma coisa. – ela me olhava espumando de raiva e com lagrimas escorrendo de seus olhos, quando ela estava saindo lhe chamei e ela me olhou de cabeça erguida. – Na escola da rebeldia que estás estudando, não se esqueça que eu sou professora. – ela me olhou e um brilho de diversão passou por seus olhos para depois fechar a cara e se retirar. Suspirei e enterrei meu rosto nas minhas mãos.
— Mio Dio, Isabella! Isso são modos? – Retirei minhas mãos do meu rosto e olhei para a minha vó. Ela segurava o riso e tentava ficar séria. Essa velha nunca teve juízo. Revirei meus olhos e fui ao seu encontro me abraçando a ela. O abraço da vovó tinha sensação de casa. Enterrei meu rosto em seus fios brancos e consegui sentir a paz que a dias tanto desejava.
– Ela precisa de limites, eu estou alguns anos atrasada, mas estou aqui e não deixarei ela ficar igual a mim. – murmurei em seu ouvido.
— Você entende que ela faz exatamente isso para ser igual a você, por te amar tanto e sentir tanto a tua falta. Você sempre foi o ídolo dela, a pessoa a qual se espelhar, querida. – falou acariciando os meu cabelos.
— Só que a vida me ensinou da pior forma que rebeldia tem limite, e que amadurecer e ser responsável é fundamental. Não irei permitir que a vida faça com ela o mesmo que fez comigo, por minha culpa. – Lhe retruquei. Ela suspirou e assentiu.
— Vieste buscar ela. – constatou.
— Só se a senhora me permitir. – falei
— Você está a quatro anos atrasada querida, eu tinha planejado uma viajem pelo mundo e tive que adiar ela até agora. – falou rindo.
— Eu posso te explicar cada um dos motivos e te relatar cada coisa horrível que aconteceu comigo, mas mesmo assim não justificaria minha falta de notícias. – suspirei– podemos conversar a sós?
— Não, pois não me importa e não quero que sofra tendo que tocar nesses assuntos. Se você quer se explicar, se explique para ela, eu sou madura o suficiente para saber que teu sumiço não foi abandono e que se não voltaste é porque não podias, mas ela é jovem e ela sim precisa entender. – falou segurando meu rosto com as duas mãos e beijando minha testa. Como não amar essa mulher? Ela me deixou com meus pensamentos e se voltou para o restante dos telespectadores que continuavam mudos. – é tão bom receber vocês em minha casa, mesmo que seja nessa situação. Rosalie cada dia mais linda, querida! Emmett seu ingrato! – falou puxando sua orelha e fazendo todos rir da cara de choro dele. – Jacob meu querido, você está divino! – ele sorriu todo bobo. – Anthony, meu filho, quem é essa graça no seu colo?
— Minha filha mais nova, Julia. – Escutei algo se quebrando e já sabia quem era. Poxa Anthony, assim tu não me ajudas! Julia que não tinha percebido o silencio que voltou a reinar resolveu se pronunciar.
— Olá, vovó da mamãe! – e mais uma coisa foi quebrada. Respirei fundo, contei até vinte e me virei para eles. Estavam todos em efeito estatua, era como se a qualquer movimento em falso tudo fosse explodir.
— Passione, ela prec.. – ele se calou. Meu olhar dizia tudo, não se meta!
— R.E.N.E.S.M.E.E – Chamei em alto e bom som!
— O que foi Isabella? – perguntou emburrada. Respirei fundo para não surtar com ela.
— Já limpou a sujeira que fizeste? – Falei olhando dentro de seus olhos.
— Já fiz toda a porra que me mandaste. – falou atrevida e eu rugi em fúria. vi de relance Rosalie sair correndo e tampando a boca de Julia, não era o momento de ela reivindicar seu dinheiro.
— Repete. – falei com sangue nos olhos. Ela arregalou os olhos de medo e deu um passo para trás quando eu dei um na sua direção. – Andiamo, Renesmee Swan! R.E.P.E.T.E – falei cada letra com uma frieza mortal. – Cadê a tua arrogância? Andiamo! Seja a garota rebelde, seja má educada e boca suja. Mostra para o homem que tu chamas de pai e que morre de orgulho de você, que você se tornou exatamente a mulher que estava gritando ODIAR a meia hora atrás. – falei fitando seu olhos e apontei para Anthony que estava chocado!
— PARA! – ela gritou chorando.
— Seja forte Renesmee e me xinga, grita comigo, põe para fora todo ódio e desprezo que tu sentes por mim! – Minha vó tinha dor nos seus olhos, Rosalie estava aos prantos abraçada a Jacob que se encontrava duro e sem expressão. Emmett era o único que tinha chegado mais próximo de nós e pela sua cara estava apavorado. Anthony me olhava com um pedido mudo para que eu parasse e tinha colocado Julia de costas para a cena. Eu não podia parar, ela precisava extravasar e escutar. – Está com medinho Renesmee? Cadê a garota petulante de minutos atrás? Você quer ser eu? Quer agir como eu agia?
— Para, por favor.. – pedia em suplicia, mas eu não podia. Estamos quase lá queria! Eu tentei ter essa conversa de outra forma e em outro lugar, mas ela não estava me ajudando. – EU TE ODEIO! – Berrou dando um passo em minha direção. Isso Nessie, põe pra fora! – EU ODEIO VOCÊ! – Minhas lagrimas transbordaram pelos meus olhos e nesse momento eu já tinha ligado o foda-se.
— Você quer fazer o que eu fiz? Quer cometer os mesmos erros que eu cometi? Quer seguir os meus passos? Você quer Renesmee? Para que? Para me atingir? É? Pois saiba que a única pessoa que irá sofrer é você! – Falei exasperada e cansada.
—Cala a boca! Você não é ninguém, você nunca foi nada para mim! EU VOU FAZER O QUE EU QUISER DA MINHA VIDA!– disse aos prantos, berrando a última parte! A essa altura Emmett tinha tirado Julia dos braços de Anthony e saído com ela.
— Você quer ser violentada como eu fui Renesmee? Quer se forçada a fazer coisas horríveis com um monstro? Você quer se sentir um lixo pelo resto da sua vida? Quer ser corrompida? Quer ser espancada por um traste de homem como eu fui? – eu quase gritei nessa hora e ela levantou a cabeça me olhando apavorada. – Você quer ver sua melhor amiga ser espancada por um louco? Você quer assistir sua amiga ser morta? Você quer ter vinte anos e já precisar internar uma amiga em uma clínica de usuários de drogas? Você quer se afastar do homem que ama por medo? Você quer viver longe da sua família por medo? Você quer ver sua amiga gravida renegando o próprio filho e lhe dando para criar? – falei a última parte em um sussurro e apontei para porta – Você quer ainda quer ser eu? Ein, Renesmee?
— M– eu não queria escutar nada agora. Estava exausta! Vi Emmett voltando com Julia.
— Não quero respostas, quero apenas que pense sobre isso! Agora suba para o seu quarto e arrume as tuas malas. Você irá para Roma morar comigo e com Anthony. – Falei me sentando no sofá e sentindo minha cabeça latejar. Ela ainda chorava me olhando apavorada, sem reação no meio da sala. Quando digeriu minhas últimas palavras olhou para vovó para confirmar.
— Sim, Nessie. Era esse o combinado e você sempre soube, Bella só chegou um pouco atrasada. – Tentou fazer graça dando de ombros, secando as lagrimas. – tenho uma viagem pelo mundo que meus netos me prometeram me esperando a quatro anos querida, vai que eu ache um amor por aí! – falou brincando.
— Nem sonhando! – Guincharam Emmett e Anthony juntos!
— Por Dio, vocês são absurdos! Deixem vovó viver. – me olharam indignados.
— Nessie, vem comigo querida. Vou te ajudar a arrumar suas coisas. – Falou Rosalie depois de recomposta. Nessie continuava parada me olhando.
— Eu sei que tu me odeias, eu te entendo! Eu também me odeio muitas vezes, Renesmee. Só que para a tua felicidade irás morar com Anthony e para a tua infelicidade terá que me aturar. – falei suspirando– E nada vai mudar o fato de eu continuar te amando. – Vi que ela iria vir na minha direção, mas Rose segurou seu braço. Me retirei da sala sem olhar para trás.
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