Ribellarsi
6 Capítulo VI
Notas iniciais
Quando cheguei na sessão da Bela e da Fera, fiquei em choque e espumando de raiva e alivio ao mesmo tempo. Julia se encontrava no colo de Anthony lhe mostrando dois vestidos de princesa da Bela, um do seu tamanho e outro de um bebê recém-nascido.
— Por Dio, Julia! – Falei alto e exasperada fazendo os dois de virarem para mim. Julia me olhava sorrindo e Anthony sério, quando Julia foi percebendo meu desespero seu sorriso desmanchou e eu quis me chutar por isso. – Principessa, eu quase morri de preocupação! – Falei tirando ela do colo que Anthony e afundando meu rosto em seus cabelos. Ela tinha o poder de tirar e me dar o mundo ao mesmo tempo.
— Desculpa, mamãe! É que eu lembrei dessa fantasia, vim buscar para te mostrar e o Anthony me achou. Olha mamãe, é para mim e pra Mia! – Falou sorrindo novamente toda alegre.
— Ok, garota esperta! Só que já havíamos conversado sobre ficar longe de mim e principalmente sumir sem me avisar. Isso foi extremamente errado Julia e eu realmente espero que sendo essa garota esperta que és isso não volte a se repetir. – Falei seria, enquanto uma Julia amuada concordava olhando para baixo. – Certo, foi só um susto e eu fiquei nervosa! Calma! – Nesse momento percebi que já estava divagando comigo mesma e suspirei corando. Ouvi um pigarro e me lembre de Anthony, minha raiva voltou novamente. – Sim? – Falei o mais frio possível.
— Já foste mais educada Isabella. – Falou arqueando uma sobrancelha. Olhei dentro das suas belíssimas esmeraldas e revirei os olhos, era só o que me faltava mesmo! Foi certeiro, eu terminei de revirar meus olhos e ele trincou o maxilar e fechou os punhos.
— Mamãe é educada sim, Anthony! Sabia que é muito feio tratar uma menina assim? – Julia falou de queixo empinado. Foi ela terminar de falar e eu desabei rindo da cara de choque de Anthony. Essa é a minha garota! – Mamãe é feio rir dos outros! – Arqueei uma sobrancelha para ela e revirei meus olhos ao mesmo tempo que ela. Jesus!
— Santa merda! – Anthony falou nos olhando.
— Olha a boca, temos uma criança aqui! – Falei lhe fitando séria.
— Anthony terá que colocar dinheiro no cofrinho, mamãe! – Minha menina esperta ficaria rica com esse bando de boca suja. Sorri assentindo para ela e me virei para ele.
— Por que eu estaria devendo dinheiro para você, bella ragazza? – Julia corou! Por Dio, ela corou! Anthony era Lúcifer na terra. Não era possível, ela era apenas uma criança. Se eu estava indignada? Obvio que não!
— Sempre que a mamãe fala palavrão, ela tem que pôr dinheiro no meu cofrinho e se eu falar eu perco dinheiro do cofrinho. É uma forma de castigo por falarmos palavras feias. – Ela fala toda contente e complementa. – Eu nunca falo palavras feias. – Diz toda orgulhosa.
— Então já deves estar abrindo falência Isabella! – Filho de uma hooker, com todo respeito a Dona Esme.
— Muito engraçado, Anthony Masen. – Falei e vi um brilho de luxuria passar por seus olhos. Dois podem jogar esse jogo, ragazzo.
— Muito bem, Isabella Swan! É bom saber que ainda se lembra do passado. – Um sorriso sacana surgiu em seus lábios e meu ventre se contraiu. Desgraça de homem quente! Arqueei minha sobrancelha de forma irônica para ele.
— O papo está ótimo, agradeço por ter achado Julia, mas já estávamos de saída. – E como uma pessoa muito educada que eu sou, virei minhas costas e sai andando sem esperar reposta. Ele odiava esse meu comportamento prepotente, hipócrita né?
— Mamãe, eu acho que Anthony ficou te chamando. – Julia sussurrou no meu ouvido. Segurei a risada, pois com certeza ele me chamou, ele odiava quando eu virava as costas e lhe deixava sozinho.
— Talvez, querida, talvez. – Falei chegando ao caixa e entregando as duas fantasias para a garota. – Então, meu bem, conseguiu ver se tem a disponibilidade de alguém entregar as compras mais tarde na minha casa? – A menina iria me responder quando escuto a voz da réplica de Lúcifer na terra em minhas costas.
— Não será necessário, estou de carro e posso dar uma carona para vocês. – Respirei fundo, contei até vinte, revirei meus olhos, suspirei e me virei.
— Não é necessário, estamos passeando e não tenho horário fixo, vamos caminhar muito ainda e temos muitas coisas para comprar. – Não entendi o motivo da minha grande explicação, mas agora já foi.
— Eu faço questão e não irei aceitar um não como resposta. – Falou sério me olhando.
— Pois eu já disse que não, ainda irei levar Mia e Julia para almoçar. – Falei topetuda e erguendo o queixo.
— Não irei repedir Isabella, vocês irão comigo! – Aquilo me enfureceu de tal forma. Quem ele pensa que é para me dar ordens?
— Quem tu pensas que é para dar ordens, Anthony Masen! Vai cuidar da tua vida e me deixa em paz. – Já me encontrava espumando de raiva.
— Deixa de ser petulante, cazzo! – Falou em um rugido baixo e deslizou seus olhos para baixo. Segui seu olhar e Julia se encontrava sentada no balcão ao lado da vendedora, ambas nos olhando chocadas e divertidas variando olhares entre nós dois.
— Deixa de ser um stronzo intrometido! – Não consegui segurar as palavras em minha boca, na verdade, nem tentei segurá-las.
— Mamãe o que é stronzo? – Julia me questionou. Olhei mais puta da vida para Anthony, enquanto o mesmo me olhava com um sorriso de vitória nos lábios.
— Estou te devendo dois euros, principessa. Ah, Anthony, você também! – Limitei a responder apontando para ele, enquanto a mesma ria absorvendo que aquilo significava uma das palavras proibidas. Podia parecer bobagem, mas me negava a pagar essa dívida sozinha sendo que ele falou na frase anterior caralho.
Anthony passou por mim com uma boneca em mãos que até agora não tinha notado que ele segurava e entregou para a vendedora.
— Débito – Disse entregando um cartão preto para a vendedora que lhe olhou em êxtase. Por Dio, ele era lindo, mas não era para tanto garota. Revirei meus olhos para atitude adolescente da vendedora. Tentei chegar perto de Julia para pegar ela no colo e tirar do balcão, mas o mesmo ficou na frente dela impedindo minha passagem. Ele estava conseguindo me irritar.
— Principessa, para você. – Ei!! Ele chamou a minha menina de principessa, só eu chamo ela assim! Isso era um absurdo, eu queria voar pescoço dele. O pior foi ver a pequena traidora corando envergonhada para ele e aceitando a boneca que agora eu percebi ser a Ariel da pequena sereia.
— Obrigada, Anthony. – Minha pequena traidora respondeu toda meiga. Cadê a minha garota rebelde? Cadê?? Onde esse mundo vai parar! Por Dio, ela é apenas uma criança e já está caindo nos encantos da cópia de Lúcifer. Sim, eu era viciada em séries e sim Anthony era o sósia de Lúcifer em minha vida.
— Ok, já chega. Vamos, Julia! – Ela iria descer quando um Anthony intrometido lhe estendeu os braços para ela ir com ele, naquele momento eu segurei minha respiração. Porra, Anthony! Tu já foste mais sutil, cazzo. Julia o analisou dos pés à cabeça e depois desviou seus olhos para mim, era como se esperasse uma reação minha. Eu não poderia, eu não tinha o direito de dizer o que ela poderia ou não fazer. Era a sua escolha, o seu poder de decidir confiar em alguém ou não. Tudo bem que esse alguém era justo Anthony, mas por ela eu iria engolir meus ciúmes e acatar sua decisão.
– Você irá me machucar, Anthony? – Sua pergunta inocente e direta fez meus olhos se encherem de lagrimas, assim como pude observar Anthony ficar rígido em seu lugar. Anthony virou levemente para mim e arqueou uma sobrancelha em questionamento. Encolhi meus ombros e baixei meus olhos, era o melhor que eu conseguiria no momento.
— Não principessa, não irei te machucar. Vamos fazer um acordo, você vem no meu colo, sua mãe pega as tuas compras e vamos juntos almoçar. O que você acha? – Eu queria bater em Anthony ao mesmo tempo que queria lhe beijar quando vi Julia olhar para ele sorrindo timidamente e aceitando que ele a pegasse. Jogo sujo, Anthony! Gritou minha consciência.
Anthony pegou Julia em seu colo e a mesma me olhou timidamente enquanto colocava sua cabeça no vão do pescoço dele e agarrava protetoramente sua primeira boneca aqui na Itália.
— Sua pequena traidora! – Falei lhe mostrando a língua, enquanto a mesma apenas ria do meu ciúme.
— Não precisa ficar com ciúmes, mia Bella. – Olha o abuso da garota. Revirei meus olhos para eles e fui até a vendedora que nos olhava como se fossemos loucos. Peguei as muitas sacolas da pequena traidora e me virei para eles. Anthony foi andando na minha frente e quando percebi seu motorista já pegava as sacolas das minhas mãos e coloca no porta malas. Ele era um filho da boa mãe mesmo! Me enrolou até conseguir o que queria, mas como já dizia o ditado: Uma vez stronzo, sempre stronzo.
– Certo, Anthony, agora que já conseguiu o que queria me responda uma coisa. – Me manifestei enquanto nos dirigíamos a algum restaurante que não prestei atenção ao nome quando ele anunciou a ordem para o motorista. O mesmo se encontrava no outro canto com uma Julia entre nós, ele virou o rosto e ficou me encarando. – O que você estava fazendo em uma loja infantil de manhã no meio da semana, ou melhor, você estava me seguindo? – Quase surtei quando cheguei a essa conclusão. Era obvio! Tão a cara de Anthony Masen. Ele soltou aquela merda de sorriso torto, só poderia ser um mal de família, por Dio!
– Já foste melhor, Isabella! – Cretino, usando minhas palavras contra mim! Revirei meus olhos e vi ele fechar os dele e respirar fundo. Toma essa, baby! Gritei mentalmente com um sorriso irônico. – No entanto, me fizeste duas perguntas e não uma, mas acredito que já saiba as respostas. – Finalizou e se virou para janela. Que Dio proteja esse stronzo ou irei cometer um crime hoje.
– Stronzo! – Falei indignada de forma murmurada, mas ele entendeu já que soltou um riso contido. Julia me olhou questionadora, tinha me esquecido da minha garota rebelde. Ela era rápida para gravar as coisas e principalmente quando era para encher o seu cofre, nada escapava dela. – Quatro euros, Julia, quatro euros! – Ela sacudiu a cabeça concordando e me estendendo a mão. Olhei indignada para ela e a mesma me deu de ombros. Abri minha bolsa, peguei minha carteira e dei quatro euros para ela. Julia olhou as notas as analisando, ela não tinha tido contato com euro ainda, só com reais. Franziu a testa e resolvi explicar. – Principessa, aqui o dinheiro é euro e as notas são assim. É diferente do Brasil! – Subi meus olhos e encontrei Anthony nos analisando, preferi ignorar ele. Julia guardou o dinheiro no bolso da calça e se virou para Anthony com a mão estendida. Isso minha garota! Tinha como não ter orgulho da minha miniatura?
– Anthony, você tem que me pagar também. – Dando risada ele retirou o dinheiro da carteira e lhe estendeu as notas. Essa garota iria conquistar o mundo desde jeito!
– Chegamos, ragazze! – Anthony anunciou se retirando do carro e estendendo a mão para ajudar Julia a descer. Desci pelo meu lado para não precisar da ajuda de ninguém e andei até deles. Olhei para fachada do restaurante e fiquei desconcertada, esse tinha sido o último lugar que jantamos juntos antes de eu ir embora. – Se quiser podemos ir em outro lugar, mas como tu sempre amou a vista e o cardápio achei justo trazer vocês para almoçar aqui. – Fiquei intercalando meu olhar entre ele e a fachada da La Terrazza dell’Eden. Se isso mexeu comigo? Seria hipocrisia negar, mas não poderia deixar me influenciar. As meninas eram prioridade.
– Obrigada por lembrar, Anthony! Realmente o La Terrazza estava entre um dos restaurantes que eu queria trazer a Julia hoje. – Ficamos nos encarando até Julia quebrar o silencio.
– Mamãe, vamos comer que Mia deve estar tão faminta quanto eu! – Concordei e deixei Anthony ir na frente e falar com o recepcionista. Fomos direcionados até uma mesa com a vista para todo o Parking Ludovisi. Logo o cameriere chegou para anotar os pedidos.
– Vamos querer três risotos de filé e o melhor vinho branco da casa. – Não ragazzo, você realmente não é acostumado à minha nova rotina.
– Para nós, duas limonatta, por favor! – Anthony acenou ao cameriere. Revirei meus olhos, era um absurdo ele ter que autorizar meu pedido para o cara anotar e se retirar. Bufei exasperada!
– Por Dio, Isabella! Ele só estava fazendo o seu trabalho e para de revirar esses olhos, até Julia já faz isso! – Revirei os olhos outra vez para irritar mesmo! Quem ele pensa que é para ficar me dando bronca? – Você é uma causa perdida, donna! – Olhei indignada para Anthony!
– Mamãe, vocês brigam muito sabia? – Apertei a ponta do nariz com os dedos e assenti com a cabeça.
– Scusa, principessa! – Falei acariciando seus fios ruivos. – Quer alguma coisa em especial?
– Um doce depois da comida? – Perguntou com os olhos brilhando.
– Vamos tomar um gelato de sobremesa então! – ela me olhou duvidosa por causa do nome estranho. – é muito parecido com sorvete, principessa!
– Eu amo sorvete sabia Anthony? – ela questionou toda animada. – Eu, a mamãe e a vick sempre íamos tomar sorvete depois do trabalho da mamãe. – Sorri com nostalgia. Como eu queria Victória aqui agora, ela saberia lidar muito melhor com essa situação, principalmente com Anthony.
– Imagino que sim, principessa! – ficamos nos olhando até eu sentir um corpinho se deitar sobre a minha barriga e começar a fazer carinho na mesma. Ela era tão especial! Desviei meus olhos para bela vista e fiquei acariciando os cabelos de Julia. – é uma bela visão. – Escutei Anthony falar, eu não era boba e sabia muito bem que ele não estava falando da paisagem. Resolvi me fazer de desentendida.
– Sim, é uma belíssima visão. Eu já não aguentava mais estar longe de casa. – Fui sutil, mas tenho certeza que ele percebeu a imposição do meu limite.
– Já falou com Alice e Jasper? – Questionou me fazendo olhar para ele. Neguei com um aceno. – Ela sente muito a tua falta e nunca durante esses seis anos ela deixou de falar de ti ao menos uma vez ao dia.
– Eu acredito, pois eu também nunca durante esses seis anos deixei de lembrar de vocês. Muitas coisas aconteceram e não era justo envolver vocês nisso, foram escolhas que fizemos e pagamos um alto preço por isso.
– Eu gostaria de entender ou ao menos tentar! – Ele falou de forma baixa, mas eu conseguia sentir a exasperação na sua voz. Ele nunca foi conhecido pela paciência!
– Existem coisas que eu mesma não compreendi ainda, Anthony! Muita coisa aconteceu e muitas cicatrizes estão abertas ainda, isso é muito complicado para mim, mas mais complicado e delicado para Julia. Ela foi uma das pessoas que mais sofreu nisso tudo! – Falei da forma mais sincera que eu consegui.
– Espero que um dia tu consigas confiar em mim o bastante para me deixar ajudar vocês duas! – Seus olhos me transmitiam tanta sinceridade que chegava a ser sufocante. Eu sabia lidar e jogar com o Anthony controlador e babaca, mas esse prestativo me deixava perdida e eu não gostava disso.
– Um dia talvez. – falei meio contrariada e resolvi mudar o foco para ele. – Então, o que fizeste nesses seis anos? Como conseguiu sobreviver sem mim? – Resolvi quebrar o clima. Ele me olhou e depois negou com a cabeça rindo.
– Realmente tua personalidade continua a mesma. – Falou rindo. – Digamos que não foi muito fácil quando foste embora, mas depois deduzimos que você teria ido atrás de Victória. Não foi difícil deduzir na verdade, já que depois da ligação dela no meio da noite tu começou a agir de forma estranha e dois dias depois sumiu deixando apenas um bilhete pedindo perdão e dizendo que amava todos! – Senti meus olhos lacrimejar, malditos hormônios. Era tão bom estar gravida e poder culpas eles por todas as minhas emoções! Concordei com a cabeça e deixei ele desabafar, parecia que ele precisava disso! – Eu tinha planejado fazer a faculdade de medicina naquele ano, lembra? – acenei com a cabeça e olhei para baixo. Julia estava calada e ainda acariciava a minha barriga, eu tinha certeza que ela prestava atenção em cada palavra que era dita. Até o momento não vi problemas, ela saberia de qualquer forma, pois eu sempre era verdadeira com ela por mais difícil que a realidade fosse. Nossas palavras estavam sendo fáceis e nada que pudesse deixar ela confusa ou traumatizada. – Desisti da faculdade depois que tu foste embora e assumi os negócios da família. – Ele falou baixo e de vagar, eu sabia que ele estava esperando minha reação. Respirei fundo ao mesmo tempo que senti um arrepio frio descer pela minha coluna, procurei por suas esmeraldas e fiquei lhe encarando. Queria tentar achar algum indicio de brincadeira, mas pelo jeito ele estava falando sério.
– Quais negócios da tua família tu assumiu, Anthony? – Questionei temendo sua resposta.
– Todos, Isabella! – Retirei minha mão dos cabelos ruivos de Julia e esfreguei exasperada meu rosto. – Eu preciso que tu me entendas e mantenha a mente aberta. – Olhei indignada para ele. Se fosse verdade o que ele estava me dizendo, significava que eu e as minhas filhas estávamos almoçando com o mais jovem chefe da máfia Italiana.
Isso era um absurdo!
Fale com o autor