Revolution

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Desculpem a demora. Espero por comentários.

Há muitos anos houve uma guerra.

Uma guerra em busca da sobrevivência de seus países.

Atualmente estamos nessa situação porque os Governos lutaram por seus países e não se juntaram uns com os outros. Eles só pensavam em si.

A América do Norte e o continente Asiático foram os que mais sofreram com isso, não entendo bem como, mas fomos os que mais sofremos com o Governo.

A radioatividade se espalhou pelo mundo, não só para a América do Norte como pela América do Sul.

Como forma de manter a pouca população que ainda se encontrava ''normal'' e para que os ''normais'' não procriassem com os Radioativos fazendo com que eles tivessem filhos menos normais eles criaram os sistemas das Províncias. Nos separaram pelo que éramos: Inteligentes, Fortes, Vigilantes e Sinceros e deixaram os Radioativos com uma Província só deles.

O medo que implantaram no resto da população fez com que os Radioativos saíssem de sua Província e fossem procurar um lugar para morar onde descobriram que eram capazes de fazer mais coisas do que pensavam.

Os humanos ''normais'' nunca pararam para pensar que eles tinham conseguido reconstruir muita coisa graças a ajuda dos Radioativos e então, sem dó nenhuma, esqueceram da existência deles.

Até a SSUCOR entrar em jogo.

Nimble nos explicou que a SSUCOR foi a responsável por meter medo na população em relação aos Radioativos, mas eles queriam estudá-los e sabem com que tipo de espécie estavam lidando. Isso fez com que os Radioativos encontrassem um lugar mais longe das Províncias para morarem e esconderem esse lugar das pessoas para que ninguém os encontrasse.

Conforme os anos foram passado se tornou cada vez mais difícil lidarem com a SSUCOR, e então... Bem, nós sabemos o que aconteceu depois.

Nós estávamos hospedados na capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Para nós era uma cidade incrível. Havia Radioativos aqui também e mesmo eu não sendo um fiquei fascinado. Era estranho estar fora das Províncias, ficar longe de casa. E ao mesmo tempo era incrível.

Havia muitas pessoas na rua, era uma concentração muito grande de pessoas caminhando por todos os lados. Lia e eu tivemos que andar de mãos dadas para não nos perdermos um do outro. Isso não garantiu que nos perdêssemos de Nimble vez que outra.

—Você tem certeza que não nos afastamos muito da América do Norte? Quer dizer, o quão longe estamos? —Questionei. Ainda estávamos na rua.

—Sim, estamos realmente muito longe. Mas o LdR já estava bem distante por isso utilizávamos o Portal. Vocês caminharam tanto que já estavam bem próximos do Brasil. Tivemos sorte de encontrar outro como o Gatte por aqui já que ele está verificando o estado do continente Asiático no momento.

—Gatte está vivo?! —Perguntei com uma exclamação. Era bom saber que mais alguém que eu sabia o nome estava vivo.

—Sim, ele está. —Respondeu. —Bem, chegamos. —Ele disse parando em frente a um local com muitas entradas e todas fechadas.

—Que lugar é este? —Questionou Lia enquanto adentrávamos.

—Este costumava ser o Mercado Público da cidade. Depois os Radioativos transformaram em um lugar só deles para poderem testar suas habilidades.

—E as outras pessoas aceitaram isso numa boa? —Questionei incrédulo. Se os Radioativos quisessem tomar conta de um local nas Províncias as pessoas iriam enlouquecer.

—É, parece que eles concordaram numa boa. Parecia ótimo não precisar se preocupar em ser queimado vivo caso algum Radioativo com esse poder inventasse de testá-lo no meio da rua.

Enquanto passávamos as luzes iam se acendendo pelos corredores.

Comecei a enxergar pessoas andando por todos os lados desse outro LdR. Ele me lembrou muito o primeiro, que eu mal conheci.

—Quantos dos Radioativos, ahn... Antigos, sobreviveram ao ataque no LdR? —Perguntei enfim.

—Uns doze, pelo menos. Alguns estão aqui, outros preferiram ir se encontrar com suas famílias em outros estados.

Doze? Apenas doze?

—E J-Hidden? —Perguntei.

—Nós não sabemos dele. —Nimble respondeu sem nos olhar.

—Lily era uma radioativa. —Lia falou, do nada.

—Quem? —Questionei.

—Uma garota da Força que sentava-se comigo e Candy as vezes. Ela meio que fazia parte do nosso grupinho de festas. Descobri isso no último dia.

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Steven tinha um plano e pretendíamos coloca-lo em prática em breve. Ou assim que tentassem me matar.

Tínhamos um plano A e um plano B. Ideias dele e minha, portanto não iria culpá-lo caso desse certo. E não iria. Não poderia dar errado. Se desse, eu acabaria morta e Steven iria acabar preso com essas pessoas horríveis para sempre. Ou por quase sempre.

Já se passara dias e Steven continuava me trazendo pequenas quantias de vitaminas em todas as refeições.

Encontrei Lily hoje, ela parecia mais acabada que eu. Ou era isso que eu achava já que nunca mais me vira em um espelho.

Depois que parei de pensar que eu poderia morrer, comecei a pensar o tempo todo em como estavam meus outros amigos. Se estavam vivos.

Pensava em Thomas, Lia e Thiago. Sentia falta deles, tanta falta.

Pensava em meus pais e sabia que eles estavam bem, agradecia por não ter deixado que eles ficassem no LdR aquele dia.

Quando pensava em Thiago lembrava do quão idiota eu tinha sido naquelas últimas semanas que mal olhava para a cara dele e nem sabia do motivo. Tentava procurar um motivo para termos nos afastado tanto a ponto de nos tratarmos como completos desconhecidos e não achava. Não achava uma razão boa o suficiente para justificar essa idiotice.

Lembrava dos beijos dele. Do toque da sua pele na minha. Não tivemos muitos momentos de intimidade, mas eu lembrava do seu toque em minha pele e me perdia em pensamentos.

E Lia.

Lembrava-me de minha amiga na Força babando por Thiago e o provocando.

Ria sozinha de suas bobagens e me batia uma nostalgia que dava vontade de chorar. Mas eu não o fazia.

Pensava em Thomas e me lembrava dele em casa, do garoto com quem eu passei toda minha vida ao lado brigando, conversando, xingando, abraçando e amando. Pensava no quanto ele havia mudado nesses meses. No garoto forte que ele havia se tornado.

Quando foi que ele cresceu?

Pensava em Nimble e na sua amizade desde que nos conhecemos. Pensei nas diversas vezes que achei que ele estava dando em cima de mim e nas diversas vezes que pensei se eu estava retribuindo.

Pensava em J e me lembrava do quão amigão ele era para comigo. No quanto ele me ajudou.

E quando eu parava para pensar em todas essas coisas pensava que isso deveria ser algo que você fazia quando sabia que iria morrer e parava imediatamente. Eu não podia morrer. Tinha tantas coisas que eu ainda queria fazer.

Eu não tinha feito tanta coisa.

Não podia deixar de me sentir culpada em relação a Thiago. Só queria poder estar com ele por um momento e pedir desculpas. Queria o abraçar até não poder mais, sentir seu cheiro e sua pele quente contra a minha que era sempre gelada.

Eu pensava que poderia passar com ele o resto da minha vida toda.

Pensava em meus pais e em todas as vezes que eu os magoei com minhas palavras e sentia vontade de chorar e de me desculpar por tudo. Tive tantas oportunidades que não aproveitei.

Você ainda terá muitas.

Dizia para mim mesma.

Você tem tempo.

Mas e se eu não tivesse esse tempo? E se eu morresse sem me despedir? Sem me desculpar? Sem vê-los uma última vez?

...

Steven entra no quarto.

—O que houve com você? —Foi a primeira coisa que ele me perguntou enquanto fechava a porta.

—Eu estou morrendo. —Falei com um sorriso fraco.

—Você não está morrendo, entendeu? —Ele veio até mim e sacudiu meus ombros.

—Mas pareço. —Falei quando ele me soltou.

—Mas não vai, nem está. —Ele revirou os olhos, bravo, e então sentou-se na cama.

—O que faz aqui essa hora? —Questionei. Era cedo, pelo menos parecia.

—Só vim te ver. Fora essa sua crise de ''eu-vou-morrer'' você está bem?

—Estou.

—Certo. Sinal que as vitaminas estão funcionando. Te trago mais hoje a noite. —Completou.

—Certo. —Falei olhando ele se levantar.

—Até mais então. —Ele falou abrindo a porta.

—Até mais. —Respondi.

E então ele fechou a porta, saindo da minha visão.

Notas finais
Comentem, pls. É importante.