Revival
1 Capítulo Um - Do Fim
Notas iniciais
Espero que gostem :)
Em uma reuniãozinha, perdida em alguma das ramificações da linha temporal, uma vez um homem fez uma pergunta que, para quem estava ali, era a coisa mais idiota que ele poderia questionar. “O que é a Terra?”, ele disse em um tom completamente embriagado. Ninguém respondeu e a pergunta vagou por todos os cantos daquele cômodo por tempos e tempos, mesmo que não tivesse sido trazida a qualquer pauta em momento algum além daquele.
Mas, claro, a quem não sabe, sinto o dever de explicar. A Terra era um planeta pequeno no meio de um sistema solar qualquer, bom, era pequeno, pelo menos, se a dimensão do universo fosse considerada nesse caso. Mas, se não, se a visão fosse a de um grão de areia no meio de um deserto gigantesco, sim, a Terra podia ser considerada como algo que chamava a atenção.Isso até ser destruída num fenômeno que os humanos chamariam de apocalipse se estivessem vivos. Era uma história triste a ser contada. A Terra agora era um planeta vazio. Ou praticamente isso, já que só alguns insetos sobreviveram ao fim dos tempos. Algo inexplicável, certamente. O que importava era que, diante do fim do mundo, existia apenas um homem vivo. Ele devia ser, provavelmente, o que alguns chamavam de “o único que ficou para contar a história”, mas, veja bem, ele não tinha a quem contar. Ninguém além do manequim com que ele costumava conversar, não era um diálogo justo. E havia também restado um ponto, ele estava bêbado o tempo inteiro. Só que o homem em nada tem a ver com essa história. Como poderia ter? Era só um sobrevivente da maior catástrofe que aquele mundo havia visto. Abraçado ao manequim, ele deitou no chão. E os olhos fecharam e o abraço apertou, até que o último suspiro foi dado. Ele nunca mais acordou. Enquanto isso, em outro pedaço da linha temporal, um senhor abria os olhos com os primeiros raios solares do dia, ouvindo o barulho de saltos no chão. O que viu naquele momento mais pareceu uma miragem advinda de sua imaginação do que a realidade. Uma mulher em carne e osso, trazendo uma maleta, sorrindo como se nada houvesse acontecido. Ela era de suma importância para o que aconteceria a seguir. Com um gesto gentil, a moça estendeu a mão ao senhor sentado no chão. Muitos não sabiam, mas aquele homem sim fazia parte daquela história escabrosa. E só ele poderia mudar o rumo que tudo levou.
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