Reviravolta

5 Capítulo 5.


Notas iniciais
Olá, escrevi com muito carinho, espero que vocês gostem ♥ Boa leitura!! Ah, na parte em que Soul toc piano se vocês quiserem escutar a musica é Kanakana Shigure do filme Hotarubi no mori e (OST 10.)

A necessidade de acertar as coisas me tomava por completo, não podia negar que estava muito ansiosa, entretanto a vida, ela é do contra e naquela semana teria feriado, nunca tinha ficado com tanta raiva de um feriado, fora que; nesse fim de semana meu pai viria nos visitar. Mas, não podia negar a felicidade que inflava meu peito apesar de ter que aguentar até terça pra poder falar com Soul e Black Star, iria expor tudo o que e havia ocorrido nessas terríveis duas semanas.

Era sábado de manhã, o tempo começou a ficar chuvoso, mama e eu já havíamos feito nosso desjejum e agora aprontávamos as coisas para o almoço; Salmão grelhado com ervas frescas com queijo derretido por cima. O cheiro exalava por toda a casa me abrindo o apetite novamente. A campainha tocou e um forte suspiro saiu de minhas narinas.

— Comporte-se. – Mama já me repreendia e eu sorri irônica. – Vai lá.

— Como a senhora quiser.

— Senhora sua avó!

— Irei falar isso pra ela. – Sai da cozinha enquanto riamos.

Não guardo rancor do meu pai, de forma alguma, mas ter essa postura rígida perante dele me deixava melhor, ele não precisava saber disso. Ele se arrepende do que fez então não há motivos para ficar pisando nessa mesma tecla, foi dolorido foi. Mas temos duas escolhas, sofrer com o passado ou aprender com ele e seguir em frente, por minha mãe ter escolhido a segunda opção eu apenas acatei e aprendi a lidar com a situação. Papa sempre vinha nos visitar trazendo presentes e contando de suas viagens. Um riso passou por meus lábios ao se lembrar de um acontecimento uma das primeiras vezes que ele viera nos visitar, depois que se reconciliaram; ele trazia consigo uma buquê de flores lindo para entregar a minha mãe, antes que o fizesse perguntou pra mim se ela iria gostar, acabei dizendo que de nada mudaria já que ela tinha uma floricultura. Aquele dia meu pai só faltou desmaiar e Mama não sabia o porquê. Eu era uma criança um pouco perversa e sempre deixava meu pai pra baixo em toda e qualquer oportunidade.

— Boa tarde Spirit. — O cabelo ruivo caído nos ombros e seu terno sobre medida, é, era ele. Desejei abrindo a porta, ele encarava o relógio de pulso estava de perfil para mim, quando o chamei ele se virou com os olhos claros brilhando. Em suas mãos não haviam buquê e sim caixas de bombons importados.

— Makaaaaaa, — Me agarrou de surpresa girando-me de um lado para o outro me deixando sem ar, Isso nunca mudaria. — não me chame de Spirit e sim de Papa. Eu não sou um estranho, sou seu pai...

— Afinal de contas , certo? – Completei a costumeira frase que era muito dita por ele, chama-lo pelo nome era apenas um modo para provoca-lo. Sorri contente em vê-lo. – Bem vindo, Papa.

Adentramos a casa e Shiro veio recebe-lo aos latidos e rodopios, conversávamos sobre como eu estava na escola até chegarmos a cozinha. Apesar de adulto e com sua vida já feita meu pai perdia a compostura diante da minha mãe, sorri de canto outra coisa que nunca mudaria. Íamos colocando o assunto em dia no decorrer em que preparamos o resto do almoço. Papa era bastante habilidoso na cozinha assim como Mamãe, agradeço muito a isso pois sou ótima cozinheira.

Essa aura familiar que nós rondava era tão gostoso que muitas vezes me pegava pensando em como seria bom ter a família completa de novo, mas como isso não era assunto meu deixava pra lá, apenas desfrutando ao máximo desses momentos.

— Maka, — Sussurrou quase gritando. Ele fazia sinal para que eu fizesse silêncio e o seguisse para fora da cozinha. — preciso de um favor seu.

— Não vai ser de graça. – Caçoei dele vendo-o fazer uma careta.

— Pode ficar com o troco ok? – Assenti fazendo-o continuar. – O aniversário de Akari está chegando – Referia-se a Mama. – e eu vim a viagem toda planejando algo, — Dizia ele empolgado. – já está tudo certo, só preciso que você vá levar esse convite para aquela véia que me odeia.

— Porque você não leva pra ela?

— Porque? Ela me odeia! – Deu ênfase nas palavras finais me fazendo rir. Assim como eu minha avó adorava tirar um sarro dele.

— E a onde ela mora?

— Eu não sei, mas peguei alguns de seus registros e achei a rua, — Ele pegou o celular e logo o meu vibrou, peguei e observei o pequeno mapa estampado no arquivo que havia recebido. – sabe onde fica?

— É longe. – Dizia pelo que observava. – Como é que não sabemos onde a vovó mora. – Perguntei encabulada.

— Aquela véia é louca, com certeza ela é envolvida com alguma o coisa, por isso sempre é tão difícil de encontra-la.

— Não fale isso. – Segurei a risada das supostas suposições que ele tirava sobre a véia louca.

— Ela sempre esta fora do país, o que você pensa sobre isso? – Perguntou ele com tom investigativo.

— Que você podeira muito bem estar metido nisso com ela, caso ela fosse chefe de um suposto contrabando. – Ele fez cara de indignado. – Afinal, você viaja muito também. – Ergui uma sobrancelha em desafio e ele riu.

— Pobre Maka, acaba de descobrir que é herdeira de uma família de mafiosos, não conte para sua mãe. – Me entregou o convite e passou a mão no topo da minha cabeça. – Diga a Nadeshiko que mandei lembranças.

— Digo sim.

— Já estão se alfinetando? – Gritou Mama da cozinha.

— É claro que sim. – Gritei de volta.

— Velhos hábitos nunca morrem. – Papa piscou pra mim encaminhando-se para dentro da cozinha. – Conto com você.

Minha avó sabe melhor do que um jovem adulto aproveitar a vida, quase nunca ela se encontrava em casa e sempre que aparecia ela trazia lembrancinha de onde ela havia estado algum tempo e logo depois, puff, sumia de novo e assim sucessivamente. Sempre soube que ela morava num lugar bom e bem longe de nos, quase do outro lado da cidade.

Como eu queria aproveita a estadia do meu pai em casa, deixei pra segunda a entrega do convite, a festa seria na próxima semana então não atrapalharia em nada.

Eu estava apressada, o tempo estava se fechando e apesar de serem duas da tarde parecia ser seis da noite. Acho que minha mãe faltou nas aulas de ser paranormal, ela não me mandou trazer nenhum guarda-chuva, suspirei, como ela podia não ter tais poderes? Tinha que me lembrar disso e dizer que ela estava reprovada nesse quesito!

Como era de se esperar minha avó não estava em casa, deixei então o convite no correio e iria me certificar depois de ligar para confirmar se esta havia recebido.

Agora estava o grande X da questão; a onde eu estava?Ironicamente meu celular estava com um por cento de bateria por ter esquecido de carrega-lo na noite anterior e por ter mexido nele para achar o caminho só piorou a situação. Eu havia dado muitas voltas, não havia ninguém na rua para que eu pudesse pedir informação e por ser feriado a maioria dos estabelecimentos aqui estavam fechados. Tratei então de andar rápido já que os trovões só se intensificavam as nuvens estavam negras e a qualquer momento descarregariam o peso nelas contido.

Quatro passos e a chuva começou a cair, praguejei e comecei então a correr afim de encontrar algum lugar pra ficar até que a chuva parasse ou diminuísse, a roupa já pesava no meu corpo, estava enxercada. Ai que ódio, murmurei mentalmente. Vi um toldo em uma das casas que estavam ali, vinha primeiramente da casinha onde se alojava o porteiro, e, retiro o que eu disse isso não é uma casa, e sim uma mansão. Fiquei em frente ao portão preto onde sobrava o resto do toldo ate ouvir a porta se abrir.

— Entre, entre. – Ouvi um senhor falar, vestia um terno preto, seu uniforme provavelmente.

— Ah, — Sorri um pouco constrangida. – não precisa. Eu espero a chuva passar...

— A chuva não tem cara de que vai parar agora. – Disse ele olhando para o céu assim como eu, suspirei vencida ouvindo o senhor rir abafado e me mandar entrar de novo, obedeci fechando a porta e me encaminhei ate o cubículo onde ele executava seu trabalho. – A única coisa que vou ter aqui vai ser essa toalha de rosto, acho que não vai lhe ajudar em muita coisa. – Queixou-se. – Pegue, — O senhor ofereceu uma xícara . – café preto, deve ajudar a se esquentar. – Sorriu ternamente pra mim que retribui pegando a caneca de porcelana.

— Obrigada Sr...

— Tanaka, — O rosto dele se enrugou pelo sorriso que estampava no rosto. – pode me chamar de Tanaka.

— Ok, muito obrigada Sr. Tanaka.

Levei a xícara a boca e beberiquei o liquido negro e quente. Passaram-se meia hora depois que ele me agregou, era um senhor divertido, conversamos bastante, até o interfone tocar;

— Oh, não senhor Evans, nenhum deles chegou ainda. – Arregalei os olhos e por instinto murmurei o sobrenome conhecido o Sr. Tanaka me olhou assim que colocou o aparelho no gancho. – Conhece os Evans Srt. Albarn? – Assenti minimamente estava atordoada de como o destino brinca com a gente juntamente com a vida, elas fazem uma bela parceria juntas. Revirei os olhos ironicamente. – Oh, porque não disse logo? – Falou como se fosse a coisa mais comum do mundo e como se eu soubesse que essa casa era dos Evans, como eu iria saber???

A porta por onde eu havia entrado minutos atrás abriu-se bruscamente e dela passou o rosto familiar que tanto queria encontrar, os cabelos estavam molhados assim como suas roupas. Seu rosto estava com aquela mesma expressão de sempre, suave e desleixada.

— Oh, jovem Evans, desprevenido como sempre. – O garoto sorriu com a ironia do porteiro balançando o cabelo ele me encarou. Os olhos antes calmos arregalaram-se. Percebi que o Sr. Tanaka iria falar algo mas Soul foi mais rápido.

— Esta perdida? – Brincou ele, seu olhar parecia meio perdido.

— É, na verdade sim... – Passei uma das mãos na franja tentando não olhar aquele par de rubis que me analisavam milimetricamente.

— Ela estava parada aqui na frente e então a deixei entrar.

— Muito maneiro da sua parte Tanaka, fez muito bem. – Ele sorriu pra mim e por algum motivo não sabia mais como respirar. – Vem.

— Ah, é, — Gaguejei tentando acertar as palavras. – n-não precisa eu espero a chuva passar....

— Não ta com cara de que a chuva vá passar, pelo menos não agora. – Ele e o Sr. Tanaka – que concordava com Soul — encaravam o céu e eu só conseguia pensar que aquilo era um complô. Antes que eu pudesse argumentar Soul estava perto de mais passando o blazer que usava pelos meus ombros. – Vamos.

— Aviso que o Senhor chegou?

— Por favor não.

— Cuide bem dela jovem Evans. – Sorriu ele e eu só pude sentir meu rosto esquentar.

— Pode deixar. – Afirmou colocando uma mão no meio das minhas costas guiando-me pra fora dali. – Você caiu aqui em um dia nada bom. – Sua voz estava alegre, mesmo que seu rosto não demostrasse isso.

— Eu posso ficar na cabine até a chu...

— Eu não vou deixar deixar você lá e é só entrarmos pelos fundos. – Comentou, subimos os degraus que levavam a porta da frente.

A construção lembrava a da Grécia antiga, a estrutura grossa das vigas em frente a casa era toda detalhada. As portas eram enormes levemente arredondadas em cima num tom de madeira forte.

— Parece até que eu estou indo visitar Zeus. – O Albino riu da comparação, minha atenção foi quebrada quando senti sua mão tocar na minha e me puxou para a lateral da grande casa.

— Não me entenda mal, — Comentava ele enquanto nos esgueirávamos ao redor da casa. – só acho melhor se nos mantivermos escondidos. – Neguei dizendo que não havia problemas.

Caminhamos pela lateral até ver uma porta de madeira com detalhes de vidros, levava a um corredor extenso de chão amadeirado escuro duas portas de cada lado, uma de frente para a outra se encontravam no meio levavam para algum lugar que eu não conseguia ver, ao lado da porta por onde entramos havia uma escadaria por onde subimos e entramos em outro corredor com varias portas, o chão todo era escuro contrastando com as paredes claras. Soul abriu uma das portas e entramos num quarto enorme, tudo nessa casa era grande. A primeira coisa que Soul fez ao entrarmos foi fechar as grandes janelas que davam pra varanda abrindo as cortinas para que o local ficasse iluminado.

— Sente-se. – Apontou ele para a chaise na frente da grande cama.

— Tudo bem... Eu estou toda molhada e...

— Senta logo. – Obedeci automaticamente. Ele passou por mim – retirei o blazer dele que ainda estava por sobre meus ombros – entrou no banheiro e voltou com uma toalha, a qual jogou no meu rosto praticamente. – Vai pegar um resfriado se continuar molhada. – Massageou minha cabeça. De repente a realidade me pegou por completo e me lembrei que não havia conversado com ele ainda. Segurei a toalha pra que não caísse da minha cabeça fechando as mãos em punhos. Como abordaria o assunto. Soul ainda encontrava-se à minha frente.

– Soul... — Chamei. Mas por uns três minutos fiquei calada, fagada em pensamentos que no momento não estavam nada alinhados. — Eu.. É... — Me calei quando senti suas mãos tomarem as minhas, não retirando-as da posição que estavam, era como se fosse um pedido mudo para que eu me acalmasse. Ele se mexeu e vi que estava se agachando, sendo assim ficou mais ou menos do meu tamanho sentada.

– Eu quero muito saber o que aconteceu. — Ele me encarava, por outro lado eu não conseguia fazer o mesmo. — Não precisa ficar nervosa. — Como eu poderia não ficar? — Se Acalme. — Mesmo que peça é difícil, meus batimentos descontrolados pareciam querer sair do meu próprio peito um misto de sentimentos desconhecidos me abordavam. — Tome um banho e depois conversamos, tudo bem?

– Tudo bem... — Foi o que eu consegui dizer, senti minhas mãos ficarem frias sem o contato das suas me causando certo desconforto e então senti seus lábios pousarem sobre minha testa e ele se afastou. Puxei a toalha deixando-a cair sobre meus joelhos, estava um pouco estática, olhei para onde o albino se dirigia e ele estava tirando a blusa, fiquei completamente constrangida, eu estava intrigada comigo mesma, eu queria vê-lo e não conseguia virar o rosto para o outro lado.

– Assim eu vou ficar desidratado Srt. Albarn. — Debochou enquanto remexia uma gaveta virando-se pra mim. — Pervertida!

– QUE? – Gritei levantando em um solavanco. – EU NÃO SOU! – Me remexi inquieta. – Q-q-quem tirou a roupa foi você.

– É apenas uma blusa. – Deu de ombros. – Retire as suas. – Prendi a respiração e ele reparou meu desequilíbrio pessoal.

— No banheiro Maka, no banheiro.

— Ah, sim, claro. – Voei pro banheiro e fechei a porta trancando-a em seguida.

— Fique a vontade. Vou pegar um muda de roupa pra você, quando terminar me espere, estarei no banheiro do corredor.

— O-ok.

Tomei um banho rápido me enrolei na toalha e abri vagarosamente a porta, ele não estava lá, em cima da chaise as roupas me aguardavam. Peguei a blusa de botões, era masculina, senti meu rosto esquentar. Ora! Pare já com isso são a penas roupas Maka!! Passei o braço pra dentro da blusa e então aspirei um cheiro ótimo. Encostei uma parte da blusa no nariz sentindo a fragrância forte e masculina.

— Que cheiro gostoso. – Pensei e falei ao mesmo tempo, logo olhando a volta, tendo certeza de que estava sozinha. Em seguida vesti a legging. Me encarei no espelho, n estava tao ruim assim. Ri de mim mesma, a blusa ia até meus joelhos.

– Maka? – Chamou do lado de fora.

— Pode entrar.

Ele me encarou por alguns segundos e desviou o olhar, seu semblante diferente meio indecifrável um tanto fofo. Me repreendi, o que era isso?!

— Não ficou tão ruim como achei.

— É, devo concordar. – Ele passou por mim indo ao banheiro e pegou minhas roupas.

— Você usa Legging? — Zombei.

– É de vez em quando é bom. — Respondeu ele dando de ombros e eu pisquei indignada. — Ei, eu tô brincando.

– Sei...

– É serio! Tá duvidando da minha masculinidade?!

— Acho que sim. — Não me aguentei e cai na risada sendo observada por Soul com uma cara nada amigável.

– Vem, vamos na lavanderia, depois podemos fazer chocolate quente, ta afim? — Desconversou enquanto eu me recompunha.

— Seria uma boa. – Ele sorriu pra mim e eu o segui para fora dali.

A casa parecia que não acabava em nenhum momento parecia ter sido projetada em cima de um labirinto, olhei pra trás, se me perguntassem como voltar eu definitivamente não saberia dizer. Chegando ao nosso destino ele pôs as roupas na centrífuga e nos encaminhamos para a cozinha que parecia ser do outro lado do mundo.

– Uau. — Exclamei.

Era a maior cozinha que já havia visto em toda a minha vida, tirando as do programa Irmãos a obra que eu adorava assistir com a minha mãe. A minha casa cabia nessa cozinha, sem brincadeiras. Era estilo americana, havia uma ilha no meio em granito preto combinando com o chão piso frio escuro, os armários eram brancos e tinham varias e varias portas. O dono da casa começou a pegar as coisas necessárias para o chocolate quente e então me pus a ajuda-lo.

– Ai, — Soul colocou a língua pra fora. — ta quente, cuidado. — Riu ele.

– Bem que já diz né; chocolate quente. — Ri da careta dele. Havia pão de queijo em um dos fornos Soul pegou alguns que esfriavam e colocou numa cumbuca também fez mais chocolate para nós, eu ficava atenta a movimentação na casa, parecia ter muitas pessoas indo e vindo, as portas sembre abriam e fechavam-se, pareciam não ter nos notado, ate porque ninguém, até aquele momento havia entrado na cozinha. — Você não morava perto da minha casa? — Perguntei um pouco confusa.

– Ah, sim... Moro. — Ficou pensativo por um momento. — Aqui é a "casa dos meus pais" — Fez aspas com as mãos. — Não que eles realmente morem aqui, mas nós reunimos vez ou outra. — Falou um pouco descontente.

– Você... Não se dá bem com sua família? — Sondei, eu queria saber o que acontecia.

– Sim e não, com uma parte sim... Com outra não. — Fez uma pausa.

– Mas porque...?

– Porque eu não sou uma pessoa que nasceu pra agradar os outros. — Seu tom ficou frio e eu me calei. — Eu sou a ovelha negra da família ou é o que eles querem que eu pense, mas não importa se é isso ou não meus familiares — Falou com certo desprezo. — me olham torto, acho que eles devem pensar "é um adolescente que pouco se importa com os preceitos do renome Evans", eu gosto de tocar, não vou negar pra você. Mas, não é isso que eu quero fazer pro resto da vida. Fora que eu não quero tocar e ser o ídolo de alguém, não quero e não preciso de fama. — Torceu os lábios e seus olhos encontraram os meus. — Desculpa, — Bagunçou os cabelos. — não quero me queixar...

– As vezes é bom desabafar, tudo bem...

– Você tem algo que eu adoro Maka... — Confessou ele seus olhos mostravam calmaria a boca antes mantida em linha reta agora em uma pequena curva. Novamente eu me vi estática e sem saber o que fazer. — Eu...

— Então você ta aqui seu pivete. — A voz gritou no local e eu me sobressaltei, um homem de cabelo loiro estava na cozinha, visual esporte fino cabelos pouco abaixo dos ombros, olhos afiados de um laranja desbotado lembrava até o albino ao meu lado.

– Mifune... — Suspirou ao reconhecer o homem.

– Cade o amor para com seu tio favorito? — Brincou o mais velho abrindo os braços e Soul cruzou os dele. — Sem coração. — Aproximou-se e bagunçou os cabelos do sobrinho. — Meu irmão não lhe deu educação? — Perguntou ele para Soul referindo-se a mim.

– Ele é minha amiga da escola...

– Amiga? — Perguntou cortando-o.

– Sim...

– Certeza? — Uma veia de irritação já pulsava na testa do albino.

– O nome dela é Maka. Maka este é meu tio. — Apresentou ele e eu o cumprimentei. — Já estamos de saída.

– Mas já? Tem gente querendo te ver...

– Eu não quero ver essa gente!

– Primo, primo, primo, primoooooo!!!! — Uma voz aguda e feminina correu o local. Uma garotinha de uns seis anos grande olhos cor de cereja e cabelos castanhos entrou na cozinha, Soul se virou em sua direção e ela pulou agarrando sua cintura ele a segurou.

– Ângela!! — Abriu um sorriso lindo quando agarrou ela mostrando todos os dentes, segurou-a no colo mais perto de si. — Como vai pequena?

– Você não queria me ver? — Choramingou ela ignorando sua pergunta.

– Você é uma exceção Angel eu ia arranjar um tempo de ir encontra-la antes que fosse embora, eu sempre faço isso não é? — A menininha assentiu.

– Ela é sua namorada? — Estava pronta pra negar mas Soul foi mais rápido.

– E se for? — Sorriu de canto olhando a menina agarrar-lhe o rosto fazendo com que o encarasse olho no olho. — O que foi?

– Não pode ser! Ela é muito bonita pra você!

– Eu posso ter bom gosto né?

– Me diga você, é namorada dele? — Ela me encarava com uma expressão engraçada de indignação.

– Não, apenas amigos. — Sorri pra ela que suspirou aliviada.

– Bom, agora estamos indo. — Anunciou Soul colocando-a no chão, nos despedimos e saímos da cozinha.

Fomos conversando sobre os pessoal que havia conhecido, comentei que Ângela era uma gracinha de menina e Soul concordou comigo, disse que se não fosse por ela já tinha desistido dessa família e que Mifune, pai da Ângela, era de lá o mais parecido consigo. Dizia que o jeito desleixado dele era espelhado em seu tia quando mais novo, mas suas atitudes não, Mifune muitas vezes não concordava com suas atitudes. A rixa com seu próprio sangue vinha por sempre o compararem com seu irmão de uma forma Soul viva a sombra de Wes, com toda a certeza isso deveria ser chato e cansativo.

Soul não queria que os outros sentissem pena de si, ele queria apenas ser livre das correntes que o prendiam, apenas queria fazer o que se sentisse bem pra fazer, não ser obrigado. Até porque; a partir do momento em que você obrigado a fazer algo, aquilo se torna chato, vamos concordar. Nesse um mês que o conheço não podia negar dizer que ele era um menino aplicado e dedicado. Soul era um bom garoto, divertido... Bonito... MAKA!

Como que meu raciocínio divagou rápido assim?

Olhei pra ele que caminhava ao meu lado, falando algo que agora eu não prestava muita atenção. Suas feições eram fortes, lembrei de seu peitoral nu senti meu rosto ferver. Pervertida. Seus braços eram definidos as veias aparentes, a blusa preta favorecia muito olha-lo... Balancei a cabeça rapidamente, que pensamentos eram esses. Controle-se!

– Algum problema? — Perguntou sem entender.

— Não, tudo, tudo bem... — Olhei pro lado oposto. — Ali é o que? — Olhei as portas escuras grandes entre abertas que mostravam um chão preto e branco, a iluminação vinha de fora, provavelmente pelas janelas abertas, me encaminhei em direção ao local que me chamava a atenção. Abri mais uma das grandes portas e a pude ver bem a sala, um pouco sombria, as cortinas eram negras e iam até o cão, um piano de calda encontrava-se à nossa direita.

– É meu canto particular. — Comentou ele colocando a bandeja de comidas em cima de uma mesinha redonda preta com detalhes em vidro. — Minha mãe deve ter vindo aqui...

– Pra arejar o lugar né, já que você não deve frequentar muito esse lugar. — Deduzi vendo-o concordar. — Porque tão escuro?!

– Eu gosto assim...

Uma vontade imensa de pedir para que ele tocasse me atordoava, mas fiquei naquele impasse, talvez ele não gostasse do pedido. Soul caminhava meio nostálgico pelo local, chegou perto do piano e passou o dedo por ele, o objeto estava limpo, assim como o local impecável, olhei para o chão, podia ver quase que perfeitamente o meu reflexo.

– Seus pais cuidam do lugar...

– Não, — Ele me cortou. — minha mãe. — Um leve sorriso passou por seus lábios. Apenas assenti.

– Soul, — Ele me encarou. — será que você poderia... Poderia tocar? — Pedi constrangida, nós estávamos a lados opostos do piano eu olhava-o firmemente esperando sua reposta. Ele respirou profundamente e soltou.

– Claro. — Sentou-se na banqueta. — Pra você eu toco. — Sorriu pra mim, bateu a mão na parte livre do estofado, me sentei ao seu lado.

O dedilhar começou suave, as notas rápidas soavam pelo local, era uma melodia melancólica, triste. Sua expressão era dura, diferente do que seus dedos trilhavam, os olhos fechados, era algo lindo de se ver. Suas mãos moviam-se com destreza por sobre as teclas. Era palpável que ele tocava aquela canção com o coração, um coração em contrito, cansado. Soul expressava o que sentia através do piano, teclando furiosamente mesmo que tendo a melodia calma e tão linda. uma vontade de chorar passou por mim mas me segurei. Era como se algo dentro dele gritasse para ser reconhecido pelo que realmente era. E ele me dava a oportunidade ali, de reconhece-lo, mesmo que só um pouco. Fechei meus olhos e apreciei aquela sincronia tão distinta e ao mesmo tempo tão harmoniosa. O dedilhar foi sessando e nos encaramos com um pequeno sorriso.

– Soul... — Uma voz chorosa nos chamou a atenção e nos viramos para ver quem era. Uma mulher estava contendo as lagrimas perto da porta, era elegante, os cabelos longos e loiros caiam por sua silhueta formosa. O mesmo a quem ela chamou o nome se levantou. — Meu filho... — Ela sorriu enxugando as finas lagrimas que caiam de seus olhos verde água aproximou-se dele e abraçou-o, um abraço demorado terno, cheio de saudade. — Como você está bonito. — Ela sorria passando as finas mãos em seu rosto, ele as segurou e sorriu.

– Também senti sua falta. — Abraçaram-se de novo.

– Você é quem o fez tocar? — Perguntou olhando pra mim e eu assenti. — Como se chama. — Ser olhada por ela me deixou constrangida, era esbanjava elegância e charme, mas não algo excêntrico e sim amável e lindo. Pegou minhas mãos e me encarava ternamente.

– Maka... — Respondi quase que hipnotizada por ela.

– Muito prazer Maka, chamo-me, Nadeshiko. — Ela sorriu e eu também.

– Você tem o mesmo nome da mina avó.

– Oh, verdade? — Fiz que sim com a cabeça. — Temos que nos conhecer então. — Disse sinceramente. — Ah, — Olhou para o filho. — Dá onde você há conhece?

– Ela é a minha amiga da escola... Tô casando de repetir isso, da próxima você responde. — Assenti rindo.

– Pelo visto você não vai descer e se juntar ao resto né. — Dizia a mulher se levantando.

– Não... Depois que a chuva passar vou levar Maka pra casa.

– Ah, sim. Mas se ela iria vir porque não me avisou?

– Ah, não... Eu cheguei aqui por pura coincidência, por causa da chuva...

– Entendi. — Sorriu para mim, ela era tão linda. — Venha nós visitar mais vezes. Acho que você faz bem ao meu filho. — Dirigiu-se a porta e se despediu fechando-a depois.

Meu rosto deveria estar um pimentão. O silencio invadiu o lugar, aquelas palavras eram mais sinceras do que o semblante da mulher que proferiu quelas palavras. Meu Deus. Que vergonha, agarrei a barra da blusa contendo o nervosismo. Ouvi os passos de Soul no chão frio, o olhei ele caminhou até as janelas.

– Ela está certa... — Começou ele, apreciando a vista chuvosa da janela. — Você me faz me sentir bem. — As palavras diretas, sinceras e verdadeiras me desconcertaram, ninguém nunca fora tão direto assim.

– O-obrigada... — Não sabia se era realmente a palavra certa a dizer, mas foi o que saiu.

– Desculpa ser tão direto... Mas é que você me faz fugir da minha realidade, sabe...

– Tudo bem. Que bom que você se sente bem né — Baixei o olhar. Meu coração palpitava e eu estava feliz de mais. — Temos que conversar né. — Chamei sua atenção ele concordou e veio se sentar ao meu lado, dobrei um perna em cima da banqueta e fiquei frente a frente com ele.

– Pode começar.

Não fiz resumo, devo ter falado por pelo menos meia hora ou mais, expliquei toda a situação e como eu fiquei atordoada e tentei resolver... Disse que fiquei com medo de que tudo fosse verdade.

– Eu realmente não imaginei que isso pudesse vir de vocês, mas, eu não nego que tive medo e achei que era verdade.

– Eu não te culpo... Aquelas duas são umas viborazinhas e como nossas famílias tem nome conhecido e blá blá blá a Patricia quis se aproximar, pra se relacionar comigo ou qualquer coisa do gênero. E mesmo que ficasse com ela, nunca trocaria sua amizade. — Meu coração falhou eles poderiam ficar juntos... — Mas ela não faz meu tipo, fora que não ficaria com alguém como ela... — Um alivio me acalmou. Socorro eu não estou gostando disso. — Sobre falar com o Black Star, vai ser de boa, ele parece nem ter notado diferença. — Ele riu. — Bom, está tudo certo agora. — Sorriu pra mim.

– Me desculpa... — Pedi sinceramente apertando as mãos em mina perna.

– Está perdoada, Maka. — Repousou suas mãos nas minhas. — Faria você falar por bem ou por mal, confesso que fiquei bem irritado sem saber o que acontecia, mas agora, tá tudo bem. Vem. — Ele se levantou e me levou junto.

– Onde vamos?

– Tá chovendo ainda e eu posso te levar pra casa é só pedir pro motorista. — Comentava ele enquanto pegava a bandeja esquecida da mesinha e se virou pra mim. — Porém, todavia, entretanto, eu não tó afim. — Eu sorri envergonhada mas não disse nada. — Poderíamos ficar comendo, jogando e conversando no meu quarto, o que acha?

– Acho ótimo. — Sorri, estávamos saindo da sala quando fomos abordados pela Ângela e algumas outras pessoas.

Nossos planos foram por água a baixo, fui abordada com perguntas, algumas bem constrangedoras. Nedeshiko, dizia sem parar que estava suspeitando de algo e dizia que eu era primeira garota que ele trazia para casa. Ângela me adotou como sua boneca real, não parava de pentear meu cabelos e dizer que eu realmente parecia ser parecida com uma. Aquela parte da família que conheci era bem legal, diferente do que Soul se referia. Diferente de seu pai e seus conhecidos que eram egocêntricos e pouco conversaram com a gente, em todo aquele momento o irmão mais velho de Soul não apareceu.

Fora uma tarde agradável, divertida e interessante, comemos muitas guloseimas e acabei me enturmando, estranhamente e principalmente com Nadeshiko que me recebeu como uma filha e eu adorei isso. Mais tarde naquele dia fui levada para casa em um confortável e elegante Audi S5 acompanhada somente de Soul e o motorista.

– Muito obrigada Soul. — Ele me acompanhava até a porta.

– Eu que agradeço, — Sorriu ele e se aproximou. — Até mais. — Deu um beijo estalado em minha bochecha e devia ter virado uma pimenta.

– A-a-até mais... Adorei sua família... Manda um b-beijo pra Ângela.

Corri pra dentro de casa, conseguia sentir aqueles olhos vermelhos me seguirem e um leve riso ser abafado entre sua boca pela minha reação desordenada. Ele me deixava desconcertada, não podia negar, isso é trabalho para melhor amiga. Tinha que ligar pra ela!

E naquela noite fui mais uma vez abordada por meu pai, quando disse que havia ficado na casa de um amigo por conta da chuva, o que causou uma euforia desnecessária no ruivo. Depois fui dormir, e tive ótimos... Ótimos sonhos.

Notas finais
Comentem, interajam comigo!!! Gosto muito do nome Nadeshiko, e pra quem sabe é o nome da mãe de Sakura (Sakura Card Captors) fora que ela é linda e eu acho que combina pra ser a mãe do Soul!! Chaise é quele sofazinho que fica na frente da cama, quase que um divã. Obss: eu tô escrevendo pelo e-mail nem sei quantas palavras tem nesse cap E MDS CINCO MIL, acgo que me empolguei, me desculpem!!!!