Reverso
31 Capítulo 31
Notas iniciais
Reverso
By Amanur
Capítulo 31
...
Desperdício era uma palavra que sempre passava longe do Sasuke. Sempre que algo favorável, e que fosse de seu interesse, lhe aparecia, ele agarrava com todas as forças. Na noite de Sábado para Domingo, no entanto, ele não conseguiu pegar no sono. Seu relógio marcava três da madrugada quando resolveu acender um cigarro, enquanto Sakura dormia calmamente ao seu lado. Faltavam 13 horas para a maior oportunidade de sua vida acontecer, mas que estava decidido a desperdiçar. Ele não queria admitir para si, de modo algum, que, na verdade, estava se remoendo de vontade para ir. Então, a fim de esquecer aquele assunto, ficou pensando na garota, em tudo o que aconteceu até então, e nas coisas que foram ditas ou deixadas para trás.
Quem poderia ser essa pessoa, que, talvez, nem existisse?, se perguntava. Essa “não existente” pessoa ainda lhe atormentava? Como a insônia parecia querer persistir, ele resolveu acender um segundo cigarro para acalmar os nervos. Mas assim, que o fogo queimou o fumo, Sakura começou a resmungar em seu sono. Entretanto, ela não chegou a acordar e em seguida se acalmou.
Por causa da ansiedade, Sasuke acordou cedo e, imaginando como ela poderia ficar se voltasse para casa, antes que ela despertasse, o rapaz pegou sua moto e saiu de casa. Foi a toda velocidade até a capital, e bateu na porta da casa da garota.
Quem o atendeu foi a mãe da moça. A mulher tinha suas olheiras marcadas no rosto cansado, e o olhou de cima abaixo. Sasuke vestia suas botas de cano curto sobre a calça jeans desbotada, e uma camiseta preta, sem estampas; estava com a barba por fazer. Ele reconhecia que não estava, exatamente, em seu melhor estado para se apresentar, mas não deu bola para formalidades. O rapaz apenas suspirou, percebendo que havia algum reconhecimento na forma como ela o olhava; como se já soubesse quem ele era.
— Por já ser adulta, e estarmos em pleno século XXI, acredito não ser necessário minha vinda para fazer o que decidi que seria correto fazer. Pois devido as circunstâncias, acho que tenho o dever de, pelo menos, dar a cara uma vez e dizer que não vou deixar que o que acontecia com ela, continue se repetindo por culpa de vocês.
A mulher cruzou os braços sobre o peito, o encarando com mais atenção. Mas não disse nada. Então, ele suspirou mais uma vez, para terminar logo com aquilo.
— Não vim pedir permissão para levar as coisas dela. Vim apenas para dizer que sou o responsável por ela não estar mais aqui. — e isso era tudo o que ele tinha a dizer.
Mas continuou ali, plantado, esperando que a mulher dissesse ou fizesse algo. Tudo o que ela fez, no entanto, foi abrir espaço para que ele entrasse.
Hesitante, ele deu alguns passos pela sala até encontrar um homem de quarenta e tantos anos no corredor, o encarando com o cenho franzido, prestes a afrontá-lo. Sasuke cerrou o punho, mas manteve o olhar erguido, seguindo atrás da mulher que o guiava até o quarto da moça. Enquanto dirigia sua moto até lá, ele ia imaginando o que faria se o encontrasse. Mas para a própria surpresa, Sasuke conseguiu se controlar — contanto que aquele homem não abrisse a boca para dizer o que fosse.
O rapaz não soube explicar o que sentiu ao pisar no quarto da rosada. Ele conseguiu visualizar com perfeição a garota ali, passando os dias deitada naquela cama. O cômodo era amplo, com paredes pintadas de branco e móveis grandes. Havia apenas um porta-retratos, e estava sobre o criado mudo; só que Sakura estava sozinha na fotografia. A mãe dela, então, foi direto ao guarda-roupa para pegar uma mochila que Sakura guardava — a mesma que havia usado quando quisera fugir. Depois de lhe entregar em mãos, ela deu as costas, deixando-o sozinho naquele quarto.
Sem perder tempo, ele foi mexendo de gaveta em gaveta, para levar o que julgasse mais importante. Ele ainda pretendia voltar mais tarde para levar o restante das coisas dela e, assim, quem sabe, tendo o que fazer, seria capaz de esquecer de vez aquela corrida.
Quando não coube mais nada na mochila, ele foi caminhando, tranquilamente até a sala. A mãe da moça o aguardava sentada no sofá. O padrasto, no entanto, não parecia estar em lugar algum.
— Voltarei até o final do dia para levar o restante das coisas dela. — ele apenas disse, enquanto a mulher se levantava de seu lugar.
Ela abriu a porta, e o observou prender a mochila na moto. Depois que ele pôs o capacete, e ligou o motor, ela se aproximou dele. Matinha os braços cruzados e o nariz empinado, mas não conseguia sustentar o olhar no rosto dele.
— Posso te pedir uma coisa? — ela perguntou.
Ele respondeu direcionando olhar a ela.
— Não a deixe voltar... — em seguida, ela deu as costas a ele.
Quando Sakura acordou, e se deparou com a cama vazia, saiu em busca do moreno. Ele deixara uma xícara de café preparada sobre a mesa, com um bilhete dizendo apenas que voltaria logo. O relógio de seu celular marcava onze horas da manhã. Ela pensou que ele tivesse ido comprar algo para comerem, então, com pressa, ligou para Karin, depois para o Itachi, e mais alguns de seus colegas da faculdade. E sem perder tempo, logo em seguida, tratou de tomar um rápido banho e se arrumar para esperá-lo.
Quando Sasuke, de fato, chegou com a mochila, ambos se surpreenderam. Ela, por ele estar com sua mochila cheia nas mãos, e ele por Sakura estar vestida. Como ela não tinha roupa alguma naquele apartamento, ela passou o fim de semana usando camisetas dele. Mas ao vê-la em suas roupas, ele estranhou.
— Vai a algum lugar? — ele indagou.
— Como é que você pegou isso? — ela simplesmente ignorou a pergunta dele, se preocupando com o que o rapaz poderia ter feito.
Ele revirou os olhos, e jogou a mochila sobre o sofá.
— Você não vai mais voltar para casa! Quero dizer... Acostume-se a chamar isso aqui de casa! — ele se aproximou dela, e lhe deu um beijo na testa. Em seguida, foi caminhando até a cozinha, e fez careta ao constar que ela sequer tocou no café que havia lhe preparado.
Mas de repente, então, Sakura o aborda, para verificar se ele estava mesmo inteiro; se não havia nenhum sinal de agressão no rapaz. Ao perceber que tudo parecia em ordem, relaxou num suspiro.
— Conversaremos sobre o que o senhor fez mais tarde. Já são meio dia e meio, e a corrida começa às quatro da tarde. Que tal se pegarmos algo para comermos no caminho? Imagino que a preparação deva ser um pouco demorada... Você precisa abastecer a moto, calibrar os pneus... O que mais?
— Eu não vou. — calmamente, ele puxou uma cadeira, e sentou-se. Começou a girar a maçã de plástico que tinha no cesto, no centro da mesa, com a mão. Sentia-se tão aborrecido, quanto entediado.
Sakura bufou. Deu algumas voltas pela mesa, pensando no que dizer. Até que, cansou, e resolveu sentar de frente para o rapaz emburrado.
— Lembra daquela explicação boba que você me deu sobre o significado da cor rosa, quando me deu seu capacete, e eu acabei dizendo que não gosto dessa cor?
— Hum.
— Comecei a pintar meu cabelo quando fiz dezoito; logo que entrei para a faculdade. Como eu já te disse, eu me sentia morta. Quando me olhava no espelho, eu brigava comigo mesma por sempre me sentir imunda pelo o que fiz. Eu cheguei a achar que ninguém fosse se interessar por mim, por que, de alguma forma, eu transmitia para os outros essa imundície. Foi então que parei para pensar, e me dei conta de que estava cansada de ficar me remoendo com aquilo. O que passou, passou. Não há mais volta! Eu não era mais a mesma, de qualquer forma. Eu fui morta pelas pessoas que achava que estavam do meu lado, por que eu estava do lado delas. Só que elas não estavam do meu. Então, resolvi fazer uma nova Sakura nascer. Pintei meu cabelo de rosa por que é uma cor que exprime sensualidade e beleza feminina, bem como você havia dito, naquele dia. E isso era exatamente como eu não me sentia. Mas como a idéia era assumir uma nova identidade, resolvi adotar uma que não era a minha. Isso me ajudou bastante a conseguir me olhar de outra forma no espelho. Mas não solucionou todo o problema, é claro. Até por que, um pouco da antiga Sakura não pôde ser coberta pela tintura. E toda vez que me olho no espelho, por mais que tente não visualizá-la, sempre vejo a menina de quinze anos ali. É como se ela quisesse me lembrar o que um dia eu fui... — ela segurou sua mão, e beijou a palma dele — Você entende o que eu quero dizer? Eu já havia superado boa parte do que havia acontecido comigo, exceto pelos pesadelos que, às vezes, ainda me atormentam, mas não importa o quanto eu fuja, o passado continua em minhas costas.
Ele desviou o olhar, sem saber o que dizer. Mas sabia que, de certa forma, ela estava certa. Quem era ele para argumentar aquilo, quando ele mesmo já havia provado do sabor azedo do passado? Afinal, ele mesmo sempre tentou esquecer o seu, se disfarçando naquela aparência de bad boy que não está interessado em nada, nem ninguém, se arriscando em corridas perigosas sem pensar em consequências.
Num suspiro pesado, ele renovou as energias e saiu correndo ao banheiro. Empolgada, ela foi atrás. Sasuke foi tirando as roupas pelo caminho, até entrar embaixo do chuveiro, já que não queria perder tempo enchendo a banheira. Ensaboou-se às pressas, e saiu correndo para se vestir.
Pararam no primeiro restaurante que viram pelo caminho. Pediram um prato rápido e leve, para que ele não sofresse alguma indigestão. Depois que terminaram suas refeições em silêncio ansioso, Sakura pediu licença para ir ao banheiro, enquanto ele ia pagar a conta. Ao passar pelo caixa, ele viu uma daquelas máquinas com bichos de pelúcia para serem “fisgados” pela garra metálica. E então, ele se deu conta de que nunca havia dado nada a ela.
Quando ela saiu do banheiro, não encontrou Sasuke em lugar algum dentro do restaurante. Então, foi direto ao estacionamento, presumindo que ele já aguardava ali. Mas Sasuke estava sentado num banco de madeira, à sombra, com um cachorro de pelúcia nas mãos. Ela sorriu, cruzando os braços, enquanto se aproximava dele.
— Espero que isso seja pra mim, por que você fica muito gay segurando isso! — ela comentou, em sarcasmo. Ele revirou os olhos, e atirou o bicho em cima dela. Sakura o pegou no ar, e o abraçou, sentando ao lado do rapaz, que tirava seu celular novo do bolso da calça para uma foto. Passou o braço por trás dela, e posicionou a lente.
— Diga “xis”! — ele pediu.
— Batata! — ela disse.
Sasuke a olhou de canto.
— Batata? Err. Ok, não diga nada! — e então, bateu a foto.
Ele mostrou-lhe como ficou, e ela pediu para que lhe enviasse por email. Em seguida, voltaram para a estrada às pressas. Enquanto ela se abraçava às costas de Sasuke, reparava que o sol estava desaparecendo entre as nuvens que se aglomeravam no céu.
O Circuito era localizado na capital, perto do aeroporto. Eram duas e quinze da tarde, quando chegaram ao local. Já havia alguns participantes zanzando de um lado para o outro, quando Sasuke deixou sua moto para a revisão do motor, abastecimento, e tudo o que precisava ser visto para que pudesse correr com o mínimo de segurança. Enquanto isso, ele ligou para o cara que o havia inscrito para a corrida para avisar que havia chegado. Mas ao invés de encontrá-lo no local, eles deram de cara com Deidara e Hidan.
— Ora, ora... Se não é o pau no cu do Sasa. — o loiro resmungou, vindo em direção a eles — Trapacear é feio, sabia, colega? Pena que, aqui, você não terá chance para isso. Vai ter um monte de gente filmando. — Sasuke sentiu o hálito de álcool, vindo dele, e recuou.
— Hum. Que coisa... Será que eu deveria dizer o mesmo? Já que me lembro que foi alguém não mencionável quem havia trapaceado antes... Você sabe! Me derrubando.
— Ohh... É mesmo? Coitadinho! — e então, os dois idiotas começaram a rir, enquanto Sasuke lhe dava as costas, para continuar a procurar pelo homem responsável por ele estar ali.
Mas antes, ele ia instruindo à Sakura a ficar na área VIP, onde havia conseguido direito a um lugar vago. Além de mais seguro, ela teria uma visão mais privilegiada da pista.
Ela fez que sim, lhe deu um beijo demorado desejando sorte, mas, na verdade, foi correndo para a arquibancada, onde havia combinado com o Itachi e a Karin de encontrá-la. Naruto, Sai, Ino e Hinata também estavam lá, quando ela chegou. Todos estavam ansiosos pela corrida, menos Itachi que julgava aquilo como uma grande perda de tempo. Mas o fato de estar ali, no entanto, já demonstrava a Sakura que ele se importava com o irmão, apesar de tudo. Assim sendo, enquanto aguardavam a corrida começar, eles comiam sacos pipoca compradas dos vendedores ambulantes, e falavam sobre assuntos triviais para passar o tempo.
Nos bastidores, o homem passava à Sasuke uma sacola com a roupa patrocinada, que levava a marca esquisita da empresa de combustível, ao qual o homem era sócio revendedor, nas costas. Depois, reviram as regras da corrida, que não exigia nada além do que ele já soubesse, e, então, foi pegar sua moto.
Faltando quinze minutos para a largada, todos os participantes já estavam a postos em seus lugares. De onde estavam, eles enxergavam Sasuke. Mas não muito bem, já que havia uma distância bastante considerável entre a pista e a arquibancada, por questões de segurança. Assim mesmo, Karin, Ino, Naruto e Sai, berravam o nome dele. Felizmente, o lugar estava cheio, mas não lotado. Apesar de estarem próximos ao ponto de largada, Sasuke estava tão concentrado, revisando seus equipamentos, que não ouviu nada. Até por que, para ele só teria Sakura como torcedor. Mas ele esqueceu que havia avisado mais alguém sobre a corrida. Ao ouvir o nome do rapaz sendo berrado ao vento, Juugo foi mancando em direção à Sakura. Com um cumprimento de mão, pediu licença para sentar ao lado dela.
— Estou surpreso por saber que ele trouxe mais gente! — o ruivo comenta, se referindo aos outros.
Ela deu de ombros, atenta a todos os movimentos do Sasuke na pista. Para ela, o rapaz era o único ali, e abraçava com mais firmeza seu presente, para manter viva sua presença. Mas de repente, Juugo lhe entrega um binóculo.
— É sempre útil carregar um desses para assistir a uma corrida na arquibancada. — ele diz.
Ela agradeceu, e grudou os olhos no objeto para vê-lo melhor. E então, o binóculo ia passando de mão em mão. Naruto ainda havia sabiamente levado um mini rádio para ouvir o que os comentaristas diziam sobre a corrida. De vez em quando, se via um repórter com seu câmera-man passando com um microfone das mãos, para transmitir a corrida para algum canal que ninguém assiste, e mais alguns fotógrafos também.
O interlocutor da rádio fazia propaganda de alguns produtos, quando se interrompeu para anunciar a contagem regressiva para a largada. Foi então que se ouviu as motos rosnarem, e todos das arquibancadas se levantaram.
Quando as bandeiras quadriculadas, xadrezes, foram erguidas, as motos voaram pela pista a toda velocidade. Ao total, o interlocutor da rádio dizia que havia em torno de cinqüenta participantes correndo com suas motos. A pista tinha em torno de vinte metros de largura, mas assim mesmo, parecia pouco. Com cinco minutos de corrida, um participante já ia ao chão, consequentemente, sendo desclassificado da corrida. Todos teriam de dar cinco voltas para completar a corrida, e o vencedor levaria uma quantia em dinheiro, além de ser convocado para correr em outra partida, tendo a possibilidade de correr com profissionais da área.
Na pista, Sasuke saiu em décimo quinto lugar, enquanto Deidara havia ficado em nono e Hidan com o vigésimo lugar. Mas na medida em que se distanciavam do ponto de largada, eles iam ganhando mais e mais velocidade, alcançando a frente.
O rapaz estava tranqüilo. Olhava sempre pelo espelho retrovisor quem o seguia atrás. Com o velocímetro no máximo, ele seguia pelos cantos da pista, pois julgava mais seguro cair naquela parte, caso se desequilibrasse. Além disso, ele procurava sempre manter distância dos outros participantes, para evitar alguma colisão. E enquanto seguia o caminho, reparou que Deidara seguia sempre ao seu lado, mas pelo outro canto da pista.
Tudo se seguia tranquilamente, e Sasuke conseguiu dar as quatro primeiras voltas sem problemas, quando a chuva começou a cair. Todo o resto do mundo, no entanto, não passava de um simples borrão multi colorido passando por ele. Mas tudo o que tinha em mente, era a vitória.
Das arquibancadas, todos roíam unhas com os olhos vidrados ao que acontecia na pista. Sakura não desgrudava do binóculo, nem de seu bicho de pelúcia, quando Sasuke passava por eles, sem que os visse. Mas toda vez que ele se aproximava, ela focava o zoom da lente no rosto dele, dentro do visor transparente de seu capacete, para ver que expressão ele fazia — embora sério, e compenetrado no asfalto, havia um leve esboço de sorriso na expressão. O que lhe provava que estava feliz por estar correndo, e que ela não havia falhado em insistir fazê-lo correr.
Enquanto isso, pelo mini rádio do Naruto, Sakura ouvia atentamente o comentarista falando sobre a previsão do tempo. A chuva atrapalharia a corrida, e os pilotos seriam obrigados desacelerar na pista.
Mas não foi o que Sasuke fez, e ela começou a se preocupar. A adrenalina já o dominava, e tudo o que tinha em mente era ganhar aquela corrida. A possibilidade de poder correr como um profissional era tudo o que tinha em mente e, para isso, não mediria esforços; não agora que estava sobre sua moto, com as mãos no acelerador, naquela pista.
No entanto, com o asfalto molhado, não demorou para que mais alguns participantes caíssem. Afinal, não era o único com aquela meta em mente; assim como não era o único disposto a arriscar tudo para conseguir o que queria.
Mas seu plano falhou, e algo que não esperava que fosse acontecer, aconteceu. Deidara raspou o joelho no asfalto, na curva que seguia a frente deles. Ele estava a poucos metros a frente de Sasuke, que o viu sair rolando pela pista enquanto a moto era estraçalhada, rolando pelo chão. O rapaz ficou tão aflito, olhando a cena, que se descuidou, e não viu quando o colega de corrida que estava a sua frente, naquele mesmo lado da pista, escorregou, ficando em seu caminho.
Pela rádio, Sakura, Itachi, Karin, Juugo, Naruto, Ino, Hinata e Sai ouviam o interlocutor relatar a cena.
—... e, então, é a vez do participante número 38, Sasuke Uchiha, cair da moto. A cena foi violenta. A moto do piloto 38 passou por cima do participante número 23, e uma de suas rodas saiu rolando pelo meio da pista. O número 23 ainda teve o capacete partido ao meio, enquanto os outros participantes tiveram que desviá-los para não perderem a competição! De dentro dos estúdios, na visão que temos, parece que o 23 ficou gravemente ferido, e perdeu a consciência. Já o 38, se contorce no chão com dores, mas parece não conseguir se mover muito, enquanto algumas motos passam por ele. Os paramédicos já estão se mobilizando para resgatar os feridos, mas a corrida continua para aqueles que permanecem na pista.
Sakura não conseguiu ouvir mais nada, e segurou firme na mão do Itachi, que sentava do outro lado dela. O local da queda não era muito bem visível para eles, mas só com aquele relato, suas pernas ficaram bambas. Se não fosse pelo apoio do cabeludo, ela teria caído. Mas a rosada, apesar disso, manteve a calma e puxou Itachi para fora das arquibancadas.
Já Karin precisou sentar com a ajuda de Ino. As duas ficaram lado a lado, de mãos dadas, enquanto observavam dois carros de ambulância correr pela parte verde da pista para não atrapalhar os que ainda competiam. Juugo se levantou, e foi mancando até Naruto, para poder ouvir o resto do comentário, interessado em mais notícias sobre o Sasuke.
Enquanto isso, Sakura foi guiando Itachi para os bastidores. Toda a equipe de produção e organização do evento parecia concentrada ao que acontecia com os participantes, e, por isso, não perceberam quando eles passaram pelos seguranças.
Eles viram uma unidade médica móvel com equipamentos mais sofisticados e, ficaram aguardando as ambulâncias por perto. Havia um médico com um walk talk em mãos, recebendo informações das ambulâncias que foram resgatar. Pelo que puderam entender, havia alguém sem pulso, e dois gravemente feridos. Mais ao longe, então, puderam ver uma das ambulâncias voltar. Quando a unidade parou, Sakura e Itachi correram para ver quem eles traziam. A garota ficou ainda mais aflita quando reconheceu o loiro na maca, com uma das pernas imobilizadas e o rosto ferido. Mas Deidara a olhou de canto, sem dizer nada. Depois da queda, o loiro não viu mais nada a sua volta, e sequer soube que Sasuke também havia perdido a competição. Os médicos a postos, então, o levaram em um terceiro carro para algum hospital.
Sakura começou a andar de um lado para o outro, esperando ver a outra ambulância. Itachi estava igualmente impaciente, de braços cruzados, balançando a perna. Até, em seguida, a segunda ambulância surgiu no campo de visão deles, para, em instantes, para em frente a eles.
O primeiro a sair na maca foi o competidor numero 23. Era o que estava sem pulso, desacordado. Às pressas, os médicos o levaram para a unidade com melhores equipamentos, e tentaram reanimar o homem.
Da arquibancada, Sakura havia presenciado o momento da queda de Sasuke, e viu que não foi um simples tombo pelo número de voltas que ele deu rolando na pista. Mas esperava encontrá-lo apenas com um braço ou perna quebrados, como Deidara havia ficado. No entanto, ela perdeu a parte em que o interlocutor da radio informou que a moto do participante 23 havia passado por cima dele, como a de Sasuke passou pelo homem. E, por isso, se chocou ao vê-lo todo ferido, imobilizado, de olhos fechados. Havia sangue pelo pescoço dele, e parte do peito, embora não havia ferimento aparente. Ela e Itachi se aproximaram da maca, imediatamente, ignorando os pedidos de afastamento dos médicos que o atendia.
Ao perceber que havia mais alguém ali, Sasuke abriu os olhos, e sorriu para ela. Com um leve gesto de mão, pediu para que ela se aproximasse dele. Obedecendo ao comando, Sakura se agachou ao lado dele, segurando sua mão inchada, por que havia quebrado o pulso, tentando se proteger da moto pesada que voou para cima dele.
— Eu não poderia morrer de maneira melhor do que essa, sabia? — ele sussurrou, tentando sorrir para ela. A voz mal saia da garganta.
Mas Sakura o olhou indignada, com a raiva logo assombrando-lhe no rosto. Ela não conseguiu compreender por que ele estava falando sobre aquilo, se estava perfeitamente consciente.
— Fique quieto! Você não vai morrer, seu idiota.
— Há algo de errado dentro de mim, Sakura. Eu acho que uma das minhas costelas perfurou o pulmão. Eu tossi sangue; muito sangue. Meu corpo todo dói, e me sinto sonolento... — ao ouvir aquelas palavras, Itachi saiu correndo atrás dos médicos que atendiam o outro participante. Sasuke o viu, e logo pressentiu que sua presença só poderia ter sido obra dela. Mas não disse nada; manteve os olhos nos olhos dela, enquanto Sakura também o encarava. Se realmente fosse morrer, era somente a imagem dela que ele queria levar consigo.
E a garota se sentia tão incapacitada, quem nem lágrimas pareciam ser capazes de sair de seus olhos. Ficou apenas ali, olhando para o rosto pálido dele, também a observá-la.
Quando os outros médicos vieram para atendê-lo, no entanto, ele não a deixou que soltasse sua mão, e dispensou os médicos dizendo que se sentia bem e precisava falar com ela antes. Como havia um paciente em coma, com perda de sangue mais aparente, os médicos não contestaram muito, embora Itachi saiu atrás deles os chamando de incompetentes.
Sakura não conseguia dizer nada, sentia os ossos estremecerem da cabeça aos pés. Sasuke se sentia cada vez mais fraco, e fazia um esforço quase que brutal para manter-se de olhos abertos, pois precisava lhe dizer algo. Mas por mais que tentasse, apenas uma palavra ele conseguiu sibilar entre os lábios ressecados.
— Obrigado. — ele achava que essa era a melhor maneira de fazê-la perdoar a si mesma, caso viesse a se culpar por fazê-lo correr. Afinal, a decisão final foi dele, e não de Sakura. E, independentemente do que ela teria dito, ele achava que, no final, no último instante, ele mudaria de idéia, e teria ido correr da mesma forma.
E então, ele não estava mais presente.
Sakura caiu no chão, após vê-lo fechar os olhos, e soltar a mão dela. Por alguma razão, o primeiro poema que deu a ele, junto com o mapa, lhe veio em mente.
“E agora como você está?
Traído por uma história acabada?
E na tua frente mais uma subida?
Se sente um pouco só?
Não há ninguém que possa te ouvir?
Que possa dividir com você os problemas?
Nunca! Nunca desista!”
Apertou contra o peito seu cachorrinho de pelúcia, e olhou para o céu cinzento, que deixava algumas gotículas de chuva cair do céu. “Traída” era a melhor palavra para definir como se sentia naquele momento.
E então, lembrou-se do que sua avó lhe disse sobre a chuva, alguma vez.
— “A chuva são as lágrimas de Deus. Ele chora, por que está triste.” — lembrou-se.
— Mas tudo o que você faz é chorar, não é mesmo? — ela murmurou, contemplando as nuvens — Eu estava do seu lado, mas você nunca esteve do meu. E, agora, essa é a terceira vez que tira uma parte de mim!
Fim
Notas finais
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Sinceramente, nao consegui pensar num final feliz. Até queria que tivesse sido feliz, mas realmente não consegui pensar numa maneira em acabar a história com que ele ficassem bem. "Uma história, só acaba quando alguém morre" alguém, alguma vez, me disse... ou eu li isso em algum lugar! (mas nao pensem que, por essa frase, todas as minhas fics terao finais trágicos, ok? iuahauihau já escrevi algumas com finais felizes sim! ;) Enfim, mas se parar para pensar, pelo menos, o final foi feliz para o Sasuke, por que conseguiu tudo (ou quase tudo) o queria.
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Eu havia pensado em fazer com que ele ganhasse (ou mesmo perdesse) a corrida, e, ao final, a levasse para longe. A história terminaria com ele chamando-a para subir na moto, dizendo a ela que a levaria para qualquer lugar do mundo. Mas achei meio tosco... não consigo ver emoção nisso. Sem falar que, no final, ele acabaria deixando o Itachi na mão também...
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Mas esse final também nao era bem o que eu queria (apesar que eu não sabia bem o que eu queria, na verdade!), porque a historia em si já mostrou o passado deles bastante dramático..mas, então, me dei conta de que isso não é algo totalmente fora da casinha, digamos assim. Não sei se todos aqui lêem notícias,mas há gente que sofre muito mais. O Sasuke e a Sakura tiveram educação, viviam bem em suas casas, não passavam fome, nem nada. O problema deles era mais emocional, do que "real", por assim dizer (não é bem essa a palavra). Há pessoas que nasce com fome, e morre com fome. Há pessoas que passa a vida inteira embaixo de uma ponte, ignoradas pela sociedade. E eu considero isso MUITO mais trágico, MUITO mais dramático. Já tentaram se colocar nos pés dessas pessoas? Esses dias o mundo ficou chocado com a foto de uma bebe africano, completamente desnutrido. Nem os pais tinham mais esperanças de que ele fosse sobreviver. Por sorte, a midia divulgou as fotos, e grupos humanitários se moveram para ajudá-lo. Mas ele é UMA criança, entre as milhares de crianças que morrem por isso. Ele era UMA criança, entre as milhares que vivem em uma família miserável, sem o mínimo de nada. E nós, com todo o conforto de nossas casas, reclamamos do que temos, quando eles nao têm nem a metade da metade do que temos...tem gente que nasce infeliz, e morre infeliz...
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Bom, estou dizendo isso tudo, para não dizerem que exagerei nas tragédias! Eu poderia sim, ter maneirado e confesso que, inicialmente, não era a minha intenção fazer com que a historia tomasse o rumo que tomou. Mas agora já era! iuahaui T_T
Ah, e repararam que ela "disse" quem é a terceira "pessoa" que havia "matado" ela? ;)
Mais uma coisa... essa foto aí, nao foi manipulada por mim.. eu achei por acaso no google. Na verdade, a moça está ao lado do Robert Pattinson, pois eles fizeram um filme juntos. E aí, alguém meteu a cabeça do Ben, e eu só pintei o cabelo dela, e apliquei mais alguns efeitos...
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Daqui a pouco, responderei a todos os reviews!
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