Reverso

17 ♦ Capítulo 17


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura.

Reverso

By Amanur

Capítulo 17

...

Eram seis horas e quarenta e cinco minutos, quando o Sasuke desligou o motor de sua moto na porta da casa dela. Na outra cidadezinha, quando saíram da lanchonete, ainda chovia bastante, mas agora as nuvens pareciam menos carregadas no céu. No entanto, o vento forte não só trazia mais nuvens para o céu, como levava as folhas secas e as esperanças de que Agosto poderia ser um mês bom.

Quando ela desceu da moto e lhe entregou o capacete, percebeu que Sasuke tinha um olhar estranho. Era mais carregado, como se tivesse posto alguma preocupação sobre os ombros. Estava totalmente diferente daquele olhar cheio de contentamento e sorrisinhos de quando deixaram a lanchonete.

— O que foi? — ela perguntou.

Ele tirou seu capacete, mordeu o lábio inferior, e olhou para a rua sem movimento amparando seus cabelos que voavam contra seu rosto. Aquele vento não era nada bom para ele, ainda mais após pegar aquela chuva. Talvez devesse mesmo tomar algum remédio e descansar!, pensou.

— Sempre que o dia fica cinzento, assim, me pergunto se levará muito tempo para o mundo acabar. — ele comenta.

— Você acha que o mundo vai acabar?

— E você não?

— Humm. Gosto de pensar que o mundo é forte o suficiente, e que passará por essa má fase também. E que ainda que existe muita gente boa a nossa volta. Ainda somos a maioria... Mas... — hesitou — Sinceramente? Eu tenho medo de que isso não passe de uma ilusão da minha cabeça... — ela tinha medo de muitas ilusões que criava, na verdade.

Sasuke ficou olhando para ela por um tempo, até resolver perguntar o que realmente queria saber.

— Sakura, por quem você está de luto? — havia um bom tempo que ele se mordia querendo perguntar aquilo, mas nunca aparecia a oportunidade certa para aquilo. E ainda não tinha certeza se ainda era.

E Sakura se surpreendeu. Ah, droga!, resmungou internamente. Agora ele havia lhe pegado desarmada, sem respostas prontas na ponta da língua para atirar. E ela ainda se perguntou desde quando ele tinha isso em mente.

Mas quem era Sakura para demonstrar o que não sente? Se ela tinha orgulho de alguma coisa de si mesma, era o fato de sempre tentar ao máximo ser honesta consigo mesma. Mesmo que isso não transpareça para os outros, isto é. Pelo menos com alguém, ela haveria de ser. Então, deu de ombros, olhando para a folha seca que passava pelos seus pés, acompanhando os movimentos dos seus cabelos no ar.

— Por mim mesma... — mas não sentiu orgulho algum de confessar aquilo. Por ela, as coisas teriam sido bem diferentes.

Ela deu a meia volta sem olhar que expressão ele estaria fazendo agora. Mas antes de atravessar a porta de casa, quando a abriu, ainda o ouviu dizer algo.

— Só para que você saiba... Se algo acontecer, você pode contar comigo, ok?

Ela soltou uma risada estranha. Não acreditava ter ouvido aquilo vindo dele. E Sasuke se irritou com isso, achando que ela estivesse debochando de suas intenções ou, pior ainda, com medo de que ela não acreditasse em suas intenções. Então, suspirou.

— Olha... Eu sei que começamos com o pé esquerdo... — ele insistiu — Mas acho que agente pode se dar bem... Se você quiser, é claro.

Sua mão estava trêmula, segurando a maçaneta. Seu pai estava sentado em sua poltrona, de braços cruzados, olhando para ela. De onde o homem estava, não enxergava o Sasuke, e vice versa, mas ele com certeza o ouvia.

Seu pai odiava mentiras. Essa era, na verdade, uma das coisas que ela mais admirava nele. Por que ela viveu cercada por gente que mentia. Seus amigos da escola contavam mentiras para se engrandecer, seus vizinhos inventavam historias para não brincar com ela, e até mesmo a sua própria mãe mentia para a garota, dizendo que era muito feliz com a família que tinha. Então, ver aquela figura que dizia odiar mentiras, e nunca contá-las, era algo louvável para a Sakura. Quase mágico. E ela sempre tentou se espelhar nele. E por isso sabia que ele estava decepcionado com ela. Sakura havia mentido, e não só uma vez. E isso a magoava também, por que ela não podia explicar bem os seus motivos. Ela tinha necessidade de voar, sair de sua gaiola, mesmo sabendo que isso era meio que impossível, por que humanos não podem voar. Ela tinha vontade, ao mesmo tempo, de viver no fundo do mar, mesmo sabendo que aquilo também era impossível, por que não sabia respirar na água. E ela não compreendia de onde vinham essas vontades estranhas, impossíveis. Seus motivos eram meio ocultos até mesmo para ela.

Nada foi dito ao Sasuke. Sakura apenas fechou a porta em suas costas. Em seguida, o ouviram — ela e seu pai — dar a partida e se distanciar com a moto. Por um momento o silêncio e a tensão reinaram naquela sala, até que Sakura resolveu se manifestar.

— A mãe está no quarto? — ela perguntou, vendo que seu pai parecia calmo, apesar de tudo.

— Não. Ela deu uma saída.

— Oh... Presumo que esse seja mais um momento para cumprir o meu dever...

— Aham... Primeiro vá tomar um banho quente e trocar de roupa. — e então, o homem se levantou de sua poltrona, e seguiu em direção ao quarto.

O céu caiu à noite. Os noticiários diziam que caia mais água do que a previsão para o mês inteiro. Pelas janelas, se via um raio de luz atrás do outro. E então, os sons faziam os vidros estremecerem. Seu corpo todo doía, enquanto ela se fechava debaixo das cobertas, se perguntado se o Sasuke estaria com medo de que aquele fosse o fim.

Na segunda de manhã, ainda chovia forte. Por precaução, seu pai a levou até a faculdade em seu carro. Mas por causa do temporal, muitos semáforos da cidade estavam desativados, e o trânsito em caos. E por isso, ela acabou chegando na sala de aula vinte minutos atrasada.

O professor Yamato passava alguma teoria no quadro, quando se sentou ao lado da Karin, em frente ao Sasuke que mantinha a cabeça baixa e dormia. Percebeu que o Itachi a olhava, enquanto retirava seus materiais da mochila. Ele fez um leve gesto, acenando para ela, quando o olhou. Sakura, então, retribuiu o cumprimento sentindo uma leve palpitação no peito. Felizmente, ele não parecia tão irritado quanto achou que ele tinha direito de estar. E quando se virou para frente, reparou que a Karin sorria. Sakura revirou os olhos, entendendo o que a amiga queria insinuar.

E pouco antes de a aula acabar, ela escreveu um bilhete e, discretamente, empurrou o papel para o Sasuke bem no momento em que a Karin se virou para pegar algo em sua bolsa. E quando a aula acabou, ela mal tinha pegado sua carteira, quando a Karin lhe puxou para fora da sala.

— Detalhes! Preciso de detalhes! — a ruiva suplicava.

— Shhhiii! Nós... ahm... Queremos manter segredo.

E apesar de tudo, ela continuava afundando cada vez mais em suas próprias mentiras. No fundo ela sabia por que, mas se negava a aceitar as razões. Então, se deixou levar pelos impulsos impensados e inconsequentes.

E nesse momento, o Itachi apareceu ao lado de um outro cabeludo, o Neji. Os dois conversavam tranquilamente, mas, quando a viu, Itachi o pediu para continuar o seu caminho, pois tinha algo a fazer antes. Foi aí que ele foi em direção das duas. Enquanto seus passos se aproximavam, Karin apertou o braço da amiga como um sinal para se manter em alerta.

— Obrigada pelas cópias! — ele tirou de dentro de sua pasta algumas folhas dobradas, lhe entregando-as. Eram as anotações das aulas que ela havia feito para eles.

— Você poderia ter ficado com elas. Eu tenho tudo anotado. Fiz essa cópia para vocês. — a garota respondeu.

— Ah... Eu já tirei uma cópia.

— Oh... Ok. — então, ela ficou com as folhas nas mãos, sem saber o que fazer com elas. E em seguida, Itachi deu as costas.

Ele ainda estava chateado com a namorada sim, e nem tinha certeza de que ainda poderia chamá-la assim. No fundo o que ele queria é que ela lhe desse alguma desculpa. Dissesse qualquer coisa que justificasse tudo o que estava acontecendo entre os dois para poder perdoá-la sem problema algum. No tempo em que passou em casa, sozinho, ele pôde pensar mais sobre os últimos acontecimentos, e se deu conta de que ele ainda confiava nela. Que Sakura não faria nada de propósito, pelo menos, para magoá-lo. Ou pelo menos, era o que ele precisava acreditar, pois ainda a amava.

Enquanto elas o observavam se afastar, Karin cutucou Sakura com o cotovelo.

— Essa rajada de vento frio vai me deixar gripada. — ela se referia ao modo indiferente do Itachi.

E a rosada revirou os olhos ao mesmo tempo em que o Sasuke passou por elas.

— Então não ande por aí seminua, sua indecente! — ele resmungou.

Ela usava uma calça jeans, com uma blusa bem decotada, e que mostrava parte de sua barriga, enquanto segurava sua jaqueta jeans nas mãos. Sakura, no entanto, se perguntou por que ele a insultaria, querendo conquistá-la. Pois sabia que o Sasuke não era burro. E tinha certeza de que ele sabia muito bem o que estava fazendo. E de que estava errado! Se ele realmente quer conquistá-la, isto é.

E Karin ficou rogando mil e uma pragas à ele, enquanto o viam se afastar delas com a Ino e a Hinata indo atrás como se fossem sombras. Ela resmungava algo sobre seu direito de se vestir como quiser, e se sentir mais à vontade, sem ninguém ter a ver com isso. Quando resolveram se mover também, a rosada percebeu que havia algo no bolso do seu casaco. Um pequeno pedaço de papel. Aquela duas palavrinhas escritas a fez sorrir, meio sem humor.

“Eu também.”

Enquanto isso, Sasuke ia pensando em como achava que não deveriam ter palavras para definir o que é a vida. Por que qualquer coisa que digam sobre isso, sempre lhe parece incompleto. Parece que falta mais alguma definição. A vida é muito mais do que um simples espaço de tempo entre o nascimento e a morte. É muito mais do que um simples princípio de força, vigor, energia e progresso. É muito mais do que uma simples existência. A vida, na verdade, é algo tão grandioso quanto insignificante dentro de um universo inteiro.

E era assim que ele se sentia, às vezes. Ora grandioso demais, ora insignificante demais. Oito ou oitenta. Quando recebeu a notícia de que o velho havia escrito seu nome no testamento, ele se sentiu grandioso, a princípio. Sentiu-se vitorioso por que, no fim, não precisou fazer grandes esforços para permanecer com a sua moto. Veio tudo fácil demais. E era como se tivesse vencido a casca grossa que envolvia o velho.

Mas logo em seguida ele já se sentiu um nada. Tão supérfluo quanto uma única gota d’água num deserto, que não serve para nada. E justamente por que ele não fez absolutamente nada para ficar com a moto.

E é isso!, pensou. Ele desvendou o mistério. Quando chegou em casa, depois de deixar a Sakura em sua casa, Itachi veio lhe dizendo que os advogados do pai ligaram. Aquele velho miserável escreveu seu nome, justamente por que sabia que era assim que ele se sentiria pelo resto da vida. E justamente por que o homem vivia enchendo seus ouvidos sobre eles deverem aprender a administrar uma empresa para poder construir o próprio caminho, pois não há satisfação maior do que colher do próprio fruto. E o velho também dizia, é claro, que não há vergonha maior para um homem do que viver colhendo dos frutos dos outros. Não há satisfação alguma em viver das sombras dos outros.

E foi assim que ele conseguiu aprisionar Sasuke, mesmo depois de morto. Por que aquele miserável sabia que lhe afetaria assim mesmo. Talvez seu pai o conhecesse melhor do que Sasuke conhecesse a si próprio.

Já o Itachi, Sasuke não fazia idéia do que ele pensava sobre aquilo tudo. Seu irmão não parecia feliz, nem infeliz. Parecia neutro, como sempre. Submisso. Achou que o coitado simplesmente aceitou seu destino e já tinha na cabeça que essa seria a vidinha que levaria consigo até a morte. Mas ele só não sabia dizer o que foi pior. A notícia sobre o testamento, ou a conversa que teve com o irmão depois do jantar.

Os dois mal se olhavam, enquanto comiam a comida japonesa que haviam encomendado. Antes de pôr os pés em casa, Sasuke passou numa farmácia e comprou uma cesta cheia de remédios para gripe, dor de garganta, febre e dores musculares. Passou o restante do final de tarde na cama, até as oito da noite, quando Itachi chutou sua porta para informar que a comida chegara. E agora, os dois estavam comendo na sala.

Sasuke se jogou no sofá, enquanto Itachi se esparramou pelo tapete felpudo da sala em frente à televisão. Mas o mais velho não estava se concentrando nas imagens que via na tela. Estar ali com seu irmão irresponsável e inconseqüente fazia seu sangue ferver. Teria ficado numa boa com o Sasuke se ele não tivesse levado sua namorada para sabe-se lá onde para fazer sabe-se lá o que. E aquilo o incomodava tanto, que não conseguiu se conter.

— Aonde vocês foram, Sasuke? — ele teve que perguntar.

E Sasuke, que comia distraidamente enquanto via o filme que passava na televisão, não entendeu a princípio o que seu irmão quis dizer. Precisou de alguns segundos para se dar conta de que o mais velho estava com ciúmes dele.

— A levei para um motel. — apenas disse, fingindo casualidade, para atingir o irmão.

Mas Itachi sabia que Sakura não iria a motel algum com ele, pois sabia melhor do que ninguém da dificuldade que a garota tinha em se entregar a alguém. Ou pelo menos, ele precisava acreditar nisso, e não que o problema fosse apenas ele, em si. Então, o cabeludo apenas revirou os olhos, já que não era de perder a compostura por qualquer birra e intriga que Sasuke fizesse.

— Apenas me garanta que não a levará para as suas corridas idiotas, Sasuke. Não quero que a misture com a corja de amigos criminosos que você tem. Se você quer se envolver com aquela gente, ok!, faça o que quiser! Mas não meta a Sakura neste meio.

Não era segredo nenhum para a família inteira do que Sasuke fazia, ou com quem se envolvia. Até por que ele mesmo fazia questão de deixar bem claro para todo mundo que não tinha a menor pretensão de seguir os passos que sua família queria lhe impor. Fosse como músico, ou administrador. E ele tinha plena consciência também de que se relacionava com pessoas perigosas. Mas achava que Itachi estava exagerando. Seus companheiros de racha eram tranqüilos, normais, como outra pessoa qualquer, desde que não se intrometesse nos seus negócios, é claro. Como fez nesta última corrida em que participou. E de fato não teria levado a Sakura se soubesse que teria alguém investindo alto em Deidara e Hidan. Mas agora era tarde e não tinha por que ficar lamentando nada. Até por que nada demais aconteceu. E por isso, Sasuke apenas ignorou o comentário do irmão.

Por outro lado, Itachi é quem não ficou nada contente, muito menos tranqüilo, com o silêncio do mais novo.

— Sasuke, preste atenção. Eu nunca te pedi nada! Essa é a única coisa que eu quero de você. Não se meta com ela.

Sasuke quis rir na cara dele. Mas aí, sua risada sairia forçada por que sabia que Itachi tinha razão. Sakura não era o tipo de garota para se meter com caras como ele. Ela precisava de alguém mais seguro, responsável e sensato do que ele.

Quando ele acordou da aula do chato do Yamato, encontrou um bilhete embaixo do seu braço dormente.

“Senti medo do fim do mundo, com o temporal de ontem à noite.”

Ele soube imediatamente que aquele bilhete só poderia ter sido escrito por ela, pois ela foi a única para quem confessou suas indagações à respeito daquele assunto. Além disso, reconheceu a bela caligrafia, cujas letras bem desenhadas ainda carregava consigo dentro da carteira.

Mas Sasuke não tinha medo de nada. Ou quase nada!, teve que admitir. E aquela noite, quando foi dormir, ficou pensando nela com seu irmão. E sentiu medo por ela. Pelo o que aconteceu a ela, e pelo que poderia estar para acontecer, imaginando a situação que ela poderia estar enfrentando com sua família por causa dele. Não fora sua intenção prejudicá-la. E demorou a cair no sono pensando no por que de ela estar naquele luto infinito por si mesma. O que ela quis dizer com aquilo?, pensava. Desde quando ela estava morta? E por que morreu?

A Karin já foi sua obsessão, mas agora não passava de um insignificante grão de areia como outro qualquer — como ele mesmo, por exemplo. A ruiva costumava atraí-lo por ser um pouco diferente das outras vadias, como a Ino e a Hinata que são duas filhinhas de papai. Ele sabia que a Karin precisava ralar a bunda para conseguir o que queria, e era por isso que gostava dela. Pois estava farto de pessoas que conseguem tudo de mão beijada — mesmo ele próprio sendo uma dessas pessoas, é claro. E, talvez, fosse por isso mesmo.

Mas agora ele tinha a Sakura refletida nos olhos. Tão diferente de qualquer outra garota que conheceu. Tão aberta quanto um livro qualquer, mas tão cheia de fundos falsos, escondendo mistérios. Ele queria desvendá-la. Mas tinha medo de que, quando obtivesse todas as respostas para as suas dúvidas, acabasse perdendo o interesse nela também... E era isso o que mais temia. Pois bem sabia o quão difícil é encontrar alguém compatível com seu modo de ser e pensar. Não que ele soubesse o que ela pensa sobre tudo, é claro. Mas ele conseguia ver nela essa compatibilidade.

E agora, ele estava no restaurante universitário com suas “amigas”, ouvindo-as falar sobre cores de esmaltes. Assunto chato e inútil para ele.

— Vou mijar. Já volto.

Sasuke percebeu a troca de olhares entre elas, mas não se importou. Correu para fora do prédio. Foi dar uma volta ao ar livre e chuvoso para fumar, quando deu de cara com o Naruto.

— E aí? Ficou sabendo da festa que vai rolar no centro, nesse sábado? — o loiro o indagou.

— Não sei estarei com disposição... — ele resmungou, pegando um cigarro do bolso.

— Hum... Você, sem disposição para uma festa? Você não está de luto pelo seu pai, está?

— Não tem nada a ver com isso... — e ele nem sabia o que tinha a ver, na verdade.

— Uhum... Talvez tenha haver com outra pessoa, então... Eu te vi ontem passando de moto com a Sakura. Você deveria tomar mais cuidado com aquela garota.

— Hum? Do que está falando?

— Estou falando do que você não deixou o Gaara terminar de dizer, naquele dia em que você pirou... Você ainda não soube o que aconteceu com eles na casa do Kiba, não foi mesmo?

Sasuke franziu o cenho. Sabia que eles haviam dançado juntos. Junto até demais. Mas desconfiou de que não fosse disso sobre o que o loiro dizia.

— Desembucha. — o moreno disse, com o isqueiro aceso, perto da boca.

— Você não reparou em como o Gaara estava falando estranho?

— Siiiim. Foi irritante ouvi-lo.

— Pois então... — Naruto deu uma rápida olhada para os lados, para certificar-se de que estavam sozinhos — Foi aquela mina. Ela mordeu a língua dele. E mordeu pra valer. Arrancou a ponta da língua dele, Sasuke! É sério! O troço ficou enorme. Por isso ele estava falando entranho. E ele disse que ela estava sorrindo para ele! A garota é louca! Ele só não deu queixa na polícia por que disse que não quis. Mas na real acho que ele está se borrando de medo dela... Enfim, eu já disse que a garota é louca?

Sasuke tragou a fumaça para o alto, pensativo. Agora sim, ficou ainda mais confuso.

Notas finais
Algum comentário?