Reverso

6 ♦ Capítulo 6


Notas iniciais
Bom, vou deixar uma nota aqui explicando mais sobre a fic, pois percebi que algumas pessoas (não foi só uma!) estão com dificuldade para compreender a história... bem, a ideia central da fic é mostrar que nem todo mundo é o que parece ser... então, cuidado, prestem mais atenção aos detalhes...não se antenem somente no romance, ok? As minhas histórias costumam ter mensagens, além de romance. Pois uma história sem mensagem, não é literatura. :)
Bom, está aí mais um. Boa leitura. :D

Reverso

By Amanur

Capítulo 6

...

Sakura estava prestes a entrar em crise existencial diante do seu guarda-roupa. De repente, nada lhe parecia bom o suficiente para a festa. Será que esse vestido não é inadequado? E esse? Não é casual demais? Este a deixa gorda! E aquele é justo demais! E se for com uma saia? Será que poderia ir de calça jeans? Como os outros estarão vestidos? — eram dúvidas demais atormentando a cabeça da moça.

A solução que encontrou foi ligar para a Karin, pedindo socorro.

— Ok, não se preocupe, para tudo há uma solução. Vou levar algumas roupas minhas para você experimentar, ok?

— O que seria de mim sem você?

— Uma mão lava a outra!

Francamente, ela não sabia o que mantinha a Karin ligada a ela. Karin era muito mais radiante, e tinha muito mais estilo do que ela própria. Sakura tentava manter-se atualizada das tendências da moda, mas a Karin superava as expectativas de qualquer mortal. Mesmo não tendo como sustentar sua vaidade, ela sempre parecia dar um jeitinho de conseguir boas roupas. Além disso, a ruiva poderia se enturmar com qualquer pessoa, simplesmente se quisesse. Sakura se dava bem com todos também, mas ela era um pouco mais reservada, mais tímida. E por isso não compreendia muito por que Karin preferia ficar quieta, ao lado da Sakura. De qualquer forma, a garota, secretamente, a agradecia por isso.

Em menos de quinze minutos sua amiga apareceu na porta de casa com uma mala nas mãos. Correram para o seu quarto, para não chamar a atenção dos pais que já estavam deitados no quarto. Assim que se viu diante da cama, Karin despejou suas roupas sobre o colchão.

— Divirta-se! — ela disse — Escolha o que quiser.

Diante de tantas opções, a moça sentiu meio barata tonta. Mas no fim, Karin a ajudou a vestir um vestido preto de gola alta, mas sem mangas, que lhe caia solto na cintura e batia nos joelhos. Vestiu uma sandália preta que tinha no armário, de salto fino, e ambas decidiram que seria melhor deixar seus cabelos soltos, como os de Karin.

Assim que terminaram de se maquiar, foram para o fusca branco. A cada girada que as rodas do carro davam, Sakura me sentia mais e mais nervosa. Começou até a roer as unhas recém lixadas, enquanto balançava a perna.

— Quer fazer o favor de se acalmar? — a ruiva resmunga — Assim, você está me deixando nervosa também.

— Desculpa.

Como se isso fosse o suficiente!, Karin pensou. Ela sabia que a amiga era presa pelos pais meio rigosoros que tinha, mas ainda julgava exagerado aquele nervosismo.

Pois a Sakura não havia realmente lhe contado toda sua história.

Ao chegarem em frente ao casarão, ouviram o som da música alta na rua. Havia carros estacionados na calçada, e em quase todo o acostamento. E por causa da superlotação, Karin teve que estacionar seu fusca na outra quadra.

— Achei que você tivesse dito que era uma festa apenas para a nossa turma. — Sakura resmungou, enquanto fechava a porta do carro.

— Hummm... Tem certeza de que eu disse isso? — Sakura revirou os olhos — Não se preocupe! Eu não vou deixá-la sozinha! E você está linda de morrer!

Sakura achava que Karin estivesse muito mais bonita, mas não quis comentar sobre isso. Havia algo mais importante para ser tratado ali.

— O que tem a ver eu estar linda de morrer? Eu já tenho um namorado, Karin!

— Você não disse que queria experimentar coisas novas? O Itachi é seu primeiro namorado... Você ainda é jovem... E existem milhares de homens tão, ou ainda mais incríveis do que ele por aí!

Sakura ficou boquiaberta ao ouvir aquilo. O que diabos Karin tinha na cabeça por cogitar aquela possibilidade?

— Você está realmente sugerindo que eu traia o meu namorado?

— Estou sugerindo que você viva a sua vida! Aproveite enquanto é jovem! Arisque-se a fazer loucuras, por que depois poderá ser tarde demais para se arrepender. É como eu sempre digo: arrependa-se das coisas que você fez, e não deixe para arrepender-se das coisas que não fez!

Na verdade, Karin estava preocupada com a Sakura. Aquela expressão que viu na festa de seu aniversário a intrigou. Itachi poderia ser lindo, inteligente, maravilhoso e gostoso, mas também era um bundão que não se prestou a dançar com a namorada uma música sequer! E ela sabia bem o quanto Sakura queria poder fazer tudo, experimentar todas as possibilidades que a vida lhe dava, junto com o homem da sua vida. Mas com um homem que vivia sempre na linha, Karin sabia que isso seria impossível para a amiga. Ela não tinha más intenções. Apenas queria ajudar Sakura a viver, pois se sentia em dívida com ela.

Sakura suspirou. No fundo, ela sabia que sua amiga tinha razão. Além disso, ela não podia negar que havia algo em Itachi que a incomodava. Não que não o amasse. Ele era seu porto seguro. Mas, talvez... Esse fosse exatamente o problema. Ela não queria mais se sentir segura. Queria sentir adrenalina. Queria sentir mais emoções. Queria se sentir viva.

Mas aquilo era errado!

Como havia decidido provar a si mesma que coisas boas poderiam acontecer em Agosto, ela tentava com todas as forças ignorar aquela sensação de negativismo que geralmente a cerca.

Mas as estatísticas não falham!, pensou. Foram mínimas as possibilidades que teve, desde o princípio. E sabia que seu relacionamento com o Itachi, no modo em que se seguia, não duraria muito. E provas estavam ali, para serem esfregadas em sua cara de tacho verde.

Resolveu, por fim, que não pensaria mais no assunto. Simplesmente deixaria as coisas acontecerem. E seja o que Deus quiser! Foi então, teve a visão desagradável do Sasuke na festa. Nem ali o cara deixaria de insultá-la. E, de repente, já não se sentia muito bem ali no meio daquela multidão. E então, desejou ter o namorado por perto para apoiá-la. Mas o que poderia ter feito se o cara simplesmente não foi? Sakura se lembrava da promessa de voltar cedo para casa que fez ao pai, mas ela também não estava a fim de enfrentar mais uma noite os ouvindo brigar por quem ficaria com a cama, outra vez. Toda noite era o mesmo tormento.

Tudo o que lhe restou fazer foi beber. Bebeu uma taça de um líquido doce, com forte sabor de pêssego. Nem sentiu o gosto do álcool. Quando se deu conta, já havia bebido mais de cinco taças, e ainda havia se perdido da Karin.

Deveria se orgulhar por nunca ter bebido tanto assim? As pequenas doses de Martine e uísque que bebera na noite do aniversário foi o máximo que conseguiu. Por tanto, aquela era a primeira vez que realmente sentia os sintomas do alcoolismo. Sua cabeça ficou pesada, ao mesmo tempo em que meu corpo parecia flutuar. De repente, nenhum dos seus problemas parecia mais ter importância. Se sentia alegre, pronta para qualquer coisa. Percebeu que a música que tocava era uma batida forte, contagiante. Vendo tantas pessoas bebendo e dançando à sua volta, se sentiu à vontade para se misturar à multidão.

Uma balançada aqui, uma gingada ali, mais uma rebolada lá e, então, reconheceu o ruivo que se aproximava. Gaara a olhava dos pés a cabeça, com um meio sorriso. O rapaz era o segundo melhor aluno da turma. E, fisicamente, também não era de se jogar fora.

— Ual... Eu juro que não imaginava encontrá-la aqui. — ele diz, ao pé de seu ouvido — Nunca a vi em festa alguma... — comentou. Mas Sakura não conseguiu responder nada. Ela se sentia meio anestesiada da cabeça aos pés. Tudo o que sua mente permitiu foi esboçar um sorriso, abanando a mão para ele como uma boba, que retribuiu o sorriso.

Ele olhou para os lados, como se procurasse por alguém. Ao constar que ela estava sozinha, lhe entregou mais uma taça daquela mesma bebida, que a garota engoliu vorazmente. E então, o ruivo se aproximou, rompendo seu espaço privado para dançar.

Ela dançou mais umas duas músicas com ele, antes de perceber que havia alguma coisa de errado acontecendo com seu corpo. De repente, parecia que estava perdendo o controle de suas ações motoras.

Enquanto isso, do outro lado da casa, Sasuke pensava em como a Ino não bate bem da cabeça. E achava que, talvez, fosse justamente isso o que ainda o mantinha ligado à garota. Ela bebeu uma mistura de um líquido ao qual ele não se atreveu a experimentar. Apesar de ser um bom consumidor de álcool, ele preferia se manter na margem segura dos limites. Bebia somente o que tinha certeza do que estava ingerindo.

E então, a loira começou a esfregar o rabo nele, enquanto dançava. Sasuke odiava dançar, mas resolveu se aventurar em alguns passos meio sem graça, só para poder ficar olhando aquele corpo rebolar à sua frente mais de perto. Foi quando, então, encontrou o Naruto um pouco mais adiante, passando um saquinho, discretamente, para um cabeludo. Assobiou bem alto, para chamar sua atenção. Quando o loiro o viu, abanou para mostrar que o havia visto.

— E AÍ? — berrou ao pé do ouvido do loiro — O QUE TROUXE PARA MIM, FADA MADRINHA?

— HEHEHE. FADA MADRINHA O CACETE! BOM, TENHO AQUI NADA DEMAIS. E ALGO DEMAIS! — sutilmente, Naruto abriu a jaqueta mostrando um saco cheio de fumo, e outro com comprimidos — O QUE VAI QUERER?

— O FUMO, APENAS. — o moreno tirou a carteira do bolso de trás da calça jeans, enquanto Ino continuava rebolando aquele rabo. Teve que socar as notas no peito do Naruto, por que o idiota ficou babando, olhando para ela sem perceber que o moreno já lhe estendia as notas. Naruto deu de ombros, meio sem graça, enfiando um saquinho com alguns fumos no bolso da jaqueta do Sasuke. Foi então que Ino começou a vomitar no chão tudo o que bebeu.

Sasuke não conseguiu se segurar, e começou a rir da cara dela. Afinal, ele também estava alcoolizado. Ela saiu correndo, cambaleando, procurando pelo banheiro enquanto algumas pessoas riam dela, entre outras que olhavam com nojo para o vomito no chão. Mas o moreno apenas deu de ombros, e se foi para o jardim da casa para fumar.

Já estava chovendo forte e, por isso, se manteve colado à porta assistindo à alguns respingos de água molhar suas botas. Praguejou por não ter trazido a capa de chuva, enquanto tirava o saco da jaqueta. Mas assim que puxou um canudo, percebeu uma folha de papel dobrada aos seus pés, quase completamente molhada pela chuva. Era o poema-mapa da garota estranha.

Calmamente, acendeu seu baseado, e acendeu o isqueiro embaixo do papel, cuidando para que a proximidade fosse suficiente apenas para secar a folha. Quando julgou suficiente, desdobrou a folha para reler alguns trechos.

Ei...

E agora como você está?

Traído por uma história acabada?

E na tua frente mais uma subida?

Se sente um pouco só?

Não há ninguém que possa te ouvir?

Que possa dividir com você os problemas?

Nunca! Nunca desista!

Releu aquele trecho até que as chamas do fumo se apagassem. O guardou de volta, desta vez dentro da carteira de couro, e voltou para dentro da casa. Sua cabeça rodopiava, mas se irritou por ver que o cenário parecia exatamente o mesmo em que havia deixando quando foi para o jardim. As garotas se esfregavam nos caras, que as embebedavam mais e mais. A música alta parecia sempre a mesma, e os cheiros que pairavam no ar o enjoava.

Saiu caminhando pela sala, esbarrando em um e outro, procurando pela Ino, quando encontrou a menina dos cabelos cor de rosa em cima de uma mesa, rebolando e rodopiando seu sutiã na mão, ao som de “viva lá vida loca”. Havia uma rodinha de machos em volta dela que a aplaudia, querendo ver mais. Ela já estava erguendo a saia de seu vestido, toda desajeitada como se não tivesse certeza de que estava fazendo aquilo direito.

Sasuke deveria mesmo estar muito bêbado quando resolveu se meter no meio, empurrando aquele monte de orangotangos para os lados. Assim que ficou de frente para ela, a puxou pelo braço, fazendo-a cair em cima dele. A meteu em seu ombro e a afastou daquele circo, deixando os marmanjos babacas reclamando e resmungando.

Sasuke vivia praticamente nas ruas, convivendo com todo o tipo de gente. Ele sabia que ela não era aquele tipo de garota que estava representando em cima daquela mesa. Ele tinha certeza absoluta de que não. A Ino e a Hinata eram, mas ela não. Porra, isso estava estampado na cara dela! No modo como ela se vestia, no modo como falava, no modo como caminhava. E... Sei lá!, pensou. Sentiu como se fosse seu dever tirá-la dali.

Sasuke podia ser muitas coisas, mas havia três adjetivos que não se enquadrava para ele de modo algum. Covarde, burro e gay.

Ele ainda tentou procurar pela Karin, mas também não a encontrou. Foi então que se deu conta de que a menina estava tão bêbada, que nem o reconheceu para reclamar. Deveria ter caído no sono, talvez.

Na verdade, nem ele se reconhecia. Afinal por que ele se importou? Ela não tinha nada a ver com ele! A não ser que ela era a desculpa que tinha para atingir o protegido do papai! E por falar nele, onde estava o maldito irmão para tirá-la dali? Por que ele a deixou vir sozinha para um lugar desses?, se perguntou.

Mas por mais que tentasse se convencer de que estava ajudando-a somente para irritar o irmão, seus pés continuaram se movendo afoitamente. Subiu as escadas até o segundo andar, com ela nos braços. Mas então percebeu que, a cada degrau que subia, os gemidos e urradas de uma foda gratuita ficavam cada vez mais sonoros. E aí, se deparou com a Karin dando o rabo para um cara qualquer, num banheiro.

Ao vê-lo carregando sua amiga no ombro, Karin arregalou os olhos. Ela não imaginou que deixar a amiga sozinha por alguns minutos poderia ter sido tão perigoso.

— Você é uma ótima amiga mesmo, Karin. — Sasuke pensou que a ruiva deveria estar drogada também, pois logo a garota começou a rir feito uma debilóide.

Deu de ombro e virou as costas. Ele não iria se dar ao trabalho de se preocupar com ela também, por que já sabia que ela era meio vadia mesmo. Não era a primeira vez que Sasuke a pegava em flagrante dando o rabo para alguém. A primeira vez tinha sido numa boate, no centro da cidade, no meio do primeiro semestre de aula. Além disso, como ele mesmo vivia repetindo para si mesmo, ele já tinha problemas demais para estar se preocupando com os outros.

Desceu as escadas, percebendo que a garota não era tão leve quanto parecia ser. A levou para fora da casa, e a pôs sentada em sua moto. A chuva ainda caia forte, tornando tudo mais complicado para ele. Sakura não conseguia se manter sentada por mais de cinco segundos e, por isso, teve que vestir o capacete auxiliar na cabeça dela também. Depois, montou na moto, e foi dirigindo-a lentamente com uma só mão, enquanto a outra ele mantinha para trás, segurando a garota... Que se abraçava em seu ombro.

Teve que tomar cuidado redobrado com a rua, pois além de estar com apenas uma mão no controle, o asfalto molhado fazia com que a moto desse pequenas derrapadas. Mas teve que fazer algumas paradas por que também não se sentia muito bem. Volta e meia sentia-se zonzo e enjoado. Numas das paradas, ela puxou sua jaqueta, pondo a mão na boca — seu capacete extra não tinha visor. Em seguida, ela vomitou no chão sujando a roda traseira da moto.

— Ah, merda! Sorte a sua que está chovendo... — ele resmungou — Acho que Naruto deve ter posto alguma coisa no ponche. — comentou, enquanto segurava o cabelo molhado da garota, para que não sujasse... E olhando para aqueles ombros finos e delicados, expostos pelo corte do vestido, e molhados pela chuva que não parava da cair.

Ele passou a mão em sua pele gelada pelo frio, tentando acalmá-la. Ela soluçava, tentando expelir tudo o que a incomodava no estomago. Mas quando já não tinha mais nada para cuspir, ela começou a chorar. E ele a praguejar.

— Ah que ótimo! Odeio mulher chorona! Eu deveria ter adivinhando que você é sentimental! — disse para si mesmo — Tsc! Por que está chorando?

— Eu não costumo fazer o que fiz... — ela diz, fungando o nariz.

Só então, Sakura recobrou a consciência. Mas se arrependia por isso. Preferia ter permanecido naquele estranho estado zen, a ter que se deparar salva justamente pelo cunhado inconveniente. Além disso, ela não tinha onde enfiar a vergonha. Se soubesse que se sentiria tão mal assim, não teria bebido um gole sequer naquela festa. E agora, ela estava ali, quebrando sua promessa de não chorar em Agosto. Odiou-se por isso, mas esperava não ter que quebrá-la outra vez.

— Ah! Eu imaginei... — ele responde em um sussurro.

Ela ficou o olhando, por um tempo, sem piscar os olhos. Não conseguia decifrar o que estava vendo nos olhos dele. Parecia haver uma disputa entre o remorso e a frustração — o que lhe era totalmente incompreensível. Afinal, por que ele se sentia assim?

Ela não sabia nada sobre nada.

E Sasuke se perguntou sobre o que ela estaria pensando sobre ele, quando se deu conta de que seus olhos eram verdes claros. E puta merda!, pensou. Não sabia se era por estar chapado e bêbado, mas a achou linda. Estupidamente linda sobre a fraca iluminação da rua, embaixo da chuva, com vestido e cabelos molhados e olhos marejados. Até quando ela o odiaria, se ele a beijasse? Pelo resto da vida, talvez?

Inclinou a cabeça um pouco para o lado, se aproximando, quando ela perguntou:

— O Itachi, alguma vez, falou de mim?

Notas finais
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