Reverso

5 ♦ Capítulo 5


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura

Reverso

By Amanur

Capítulo 5

...

Na forma mais clichê, infantil e patética, ela dizia a si mesma: o amor conquista tudo! Sakura queria enfiar na própria cabeça que seus sentimentos por ele, de alguma forma, iriam acabar alcançando-o. Talvez com apenas gestos, quem sabe. Gestos sutis, delicados, simples... Uma troca de olhares, uma passada de mão no cabelo, um leve sorriso... Ela sabia que esses jogos de sedução já não mais funcionam tão bem quanto antigamente, mas se recusava a usar os artifícios mais atuais para isso, como a Karin tentava lhe convencer...

— Você precisa usar mais decotes! E uma calça mais colada na bunda também não faz mal, sabia? Ah, e usar mais algumas cores também ajudaria... — era o que a amiga lhe dizia.

Mas Sakura sabia que isso não funcionaria com o Itachi. Afinal, a Ino, Hinata a Tenten, e até mesmo a própria Karin estavam ali para comprovar essa teoria. Todas elas se vestiam insinuantemente e coloridas, e, nem por isso, despertaram o interesse dele. Não!, o Itachi é mais sutil!, pensou. Além disso, ela não acreditava que se vestisse tão mal quanto a Karin fazia parecer. Ela sempre olhava as revistas de fofocas para ver o que os famosos vestiam, e comprava as roupas e sapatos da moda. Tudo preto, ou cinza, isto é... Mas isso era mero detalhe. E era verdade que não abusava do decote, mas também não o escondia como uma freira.

E então, resolveu deixar para que as coisas fluíssem ao seu tempo. Claro, sem deixar de dar aquelas olhadinhas básicas, de canto, para ele. E vejam só! Foi assim que o conquistou. Ela estava esperando seu pai buscá-la, quando Itachi apareceu em seu carro, lhe oferecendo carona. Mesmo sabendo que deixaria aquele homem irritado, ela aceitou a oferta do colega. E quando estava próximo de sua casa, ele lhe fez a oferta.

— Amanhã é Sábado... — ele comentou, meio sem jeito — Tem um filme que eu estava a fim de ver no cinema... — ela viu que ele apertava com mais força o volante, enquanto olhava para frente.

— Hum...

— Você tem algum compromisso para amanhã? — ele arriscou.

—Eu? Não! — e Sakura ia ficando cada vez mais nervosa, na medida em que aquela conversa se desenrolava.

— Hum... Posso te buscar às seis?

Ela sorriu, percebendo que ele sequer perguntara se ela queria ir. Obviamente, ela aceitou o convite. E foi logo ao término do filme que ele a beijara pela primeira vez.

E agora, Sakura olhava para o meio do nada, na sala de aula, quando Karin atirou um livro sobre sua mesa, para chamar sua atenção. Não sabia quanto tempo havia se passado desde que começou a lembrar daquelas coisas, pois havia estranhado o modo como seu namorado havia lhe cumprimentado na hora do intervalo. E ainda por cima nem puderam ficar juntos, pois ele tinha “outra coisa para resolver”. Seu irmão!, suspeitou. E como o Itachi era extremamente calmo, ela sequer desconfiara de que ele fosse fazer algo a respeito do Sasuke ter lhe importunado durante toda a primeira aula. Nervosa pelo cunhado inconveniente, ela sequer tinha olhado para o namorado, para não despertar sua atenção durante as explicações do professor.

— Vamos, Sakura. Tenho certeza de que seus pais vão lhe dar um desconto por ser uma filha tão comportada. Afinal você já tem vinte e dois anos, garota! Está na hora de clamar por sua independência. Me desculpe, mas é ridículo que você ainda tenha que pedir permissão para sair até para ir ao supermercado!

Ela sabia. Sakura sabia que sua amiga tinha razão. Ela tinha toda e absoluta razão! Quem dera poder fazer tudo o que lhe dava na telha, como a Karin fazia. Só que Sakura tinha obrigações em casa, das quais não podia simplesmente virar as costas... Além disso, ela era grata à educação rígida que recebera — ou, pelo menos, boa parte dela —, pois, graças a isso, ela era essa pessoa ajuizada, capaz de fazer bons julgamentos a respeito das coisas. E por isso, não podia sair por aí quebrando as regras “à torto e a direita.”

Mas que a verdade seja dita! Toda vez que olhava para aquele panfleto colorido suas mãos, sentia o peito apertar. A quem estava querendo enganar? Ela estava louca para ir naquela festa que o grêmio estudantil estava organizando para comemorar a volta às aulas, sim. Claro que ela não era estúpida a ponto de achar que seria uma simples comemoração, no entanto. Aqueles jovens tinham fama pelas festas regrada de bebida alcoólica, com mais algumas drogas ilícitas rolando meio às escuras. Mas Sakura sabia que o Itachi não estaria lá, por que ouviu a patricinha da Ino comentar com sua amiga que levaria o Sasuke, enquanto a Hinata entregava o panfleto para o Itachi também. Itachi havia acabado de mandar uma mensagem para o seu celular, avisando que não iria a tal festa, por que queria estudar para um concurso — apenas para testar seus conhecimentos. Sakura sabia que ele exagerava nos estudos, mas não podia deixar de admirá-lo pela determinação e senso de responsabilidade que tinha. Mas como ele não dança com ela, não se desanimou por não tê-lo consigo. Além disso, Karin poderia lhe fazer companhia e, quem sabe, ela conseguiria se divertir mais. Sua festa de aniversário tinha sido ótima, e nem sabe ainda como conseguiu convencer a mãe e o pai a passar a noite fora, mas ela não havia causado a impressão que esperava.

Ah, sim!, lembrou-se. Teve que mentir para os pais, dizendo que iria estudar na casa da Karin. Afinal, mesmo nas férias, ela também não largava os estudos para conseguir superar as expectativas do pai em se tornar uma ótima empresária. O plano era assumir a empresa farmacêutica que ele tinha, onde ela já trabalhava esporadicamente para adquirir alguma experiência.

Elas já estavam no final da aula de ética e legislação, com a professora Shizune. Infelizmente o Itachi não estava na sala, pois não fazia todas as disciplinas com ela, como essa, por exemplo. Só faziam algumas disciplinas juntos por que ele estava a um semestre à frente no curso. Mas foi justamente pensando nele que decidiu o que fazer. Pois quando estava na presença do namorado, ela se obrigava a se comportar. Mas estando com a amiga “maluca”, talvez, ela pudesse se soltar mais e experimentar um pouco da liberdade que Karin tanto mencionava desfrutar.

Esticou-se até a cadeira da Karin e a cutucou com o lápis, vendo-a concentrada nos exercícios.

— Ok, eu vou! — sussurrou.

Karin sorriu, piscando o olho para Sakura e fazendo sinal positivo com o polegar. Parecia contente com a decisão da amiga. Pois ela tinha certeza de que aquela festa iria “bombar”. E como ela já sabia da vontade de “ver o mundo”, que Sakura nutria, julgava aquela festa um bom começo para Sakura desprender suas asas. Ela acreditava que se misturar com outras pessoas é sempre um bom começo para tudo.

O entusiasmo das duas foi o suficiente para fazer o restante da aula se passar mais rapidamente. E no final, a professora passou a folha de chamada para todos assinarem. No entanto, enquanto procurava pelo seu nome na lista, viu o nome do Sasuke. E isso já bastou para deixá-la menos estimulada. Pois isso significa que terá, pelo menos, duas disciplinas para aturá-lo. Só esperava que não fosse mais do que isso. Embora, no fundo, ela sabia que era recém segunda-feira. Ela desconhecia os limites da própria impaciência, e não fazia questão de testá-la. Pelo menos, o idiota havia deixado-a em paz para matar aquela aula — seja para fazer o que for!, pensou.

Seu pai ligou dizendo que se atrasou para ir ao trabalho, e não poderia ir buscá-la. Mesmo sendo o dono da companhia, ele gostava de pontualidade e comprometimento com seus funcionários. Além disso, quem melhor que o próprio patrão para dar o bom exemplo aos empregados? Então, Karin lhe deu carona em seu velho fusca branco.

Mas se Sakura soubesse que a ruiva ainda estava chateada com a aparição do cretino na faculdade, teria considerado pegar, até mesmo, um ônibus lotado — coisa que detestava fazer.

— Você entrou um ano depois, Sakura! Não viu o que eu vi do que aquele estrupício é capaz de fazer. Ele ficava de mãos dadas com uma menina enquanto beijava outra. Aliás, ele não beijava! Ele engolia a criatura! Era simplesmente repugnante.

— Eca... Mas me explique por que você ainda perde seu tempo pensando nele.

— Ei! Eu não estou pensando nele!

— Ah é? Então, você fala sem pensar?

— Há-há. Muito engraçadinha, Sakura. Só estou dizendo que ele me dá nos nervos. Sua existência me irrita. Alguém tinha que erradicá-lo do planeta, sabe? — Sakura viu os nódulos se formarem nas juntas, quando Karin pressionou o volante com mais força, para enfatizar a raiva que sentia pelo irmão do Itachi.

— Uhum... — deu de ombros, se esforçando em não deixá-lo atingi-la mais do que já fez. Ela tentava dizer a si mesma que aquelas provocações não lhe causaram mais do que aborrecimento. Apesar das risadinhas de alguns dos seus colegas estúpidos que acharam graça no que ele fazia, é claro.

— Ok, ok. Vamos mudar de assunto. Vamos falar da nossa festa! — Karin a olhou com os olhos brilhantes, e Sakura lhe devolveu com um sorriso que ia de ponta a ponta. Estava feliz por ter uma cúmplice em seus crimes — Você já tem idéia do que vai vestir?

— Tenho uns vestidos e umas botas... — Sakura deu de ombros.

— Ok. Eu passo na sua casa para te buscar às nove, pode ser?

— Pode.

Desceu do carro, vendo que a água não demoraria para desabar do céu. Com certeza choveria a noite, mas ela não iria permitir que isso estragasse a noite. Ela estava terminantemente decidida a transformar o mês do desgosto no mês do gosto, mesmo que fosse tarde para mostrar que Agosto poderia ser um bom mês como outro qualquer para a sua avó. Além disso, poder participar de duas festas, uma quase seguida da outra, era um grande marco em sua vida.

Tirou seus sapatos, deixando-os ao lado da porta, quando viu seu pai passar pela sala de estar, tentando arrumar sua gravada de seda nova às pressas. Ele sempre foi péssimo naquilo.

— Aconteceu alguma coisa? — ele perguntou, enquanto Sakura se aproximou para atar sua gravata ao redor da gola da camisa branca.

— Não, por quê?

— Você parece mais animada.

— Ah!... Bem, é que... O pessoal da faculdade está organizando uma festa, hoje à noite. — o vi estreitar os olhos — Eu gostaria de apenas dar um olá para o pessoal. Coisa rápida. Alguns colegas do semestre passado, que não irão fazer nenhuma das disciplinas que estou matriculada este semestre irão. Prometo voltar logo. — ela odeia mentir e, por isso, tentou contornar a situação omitindo alguns fatos também. Toda vez que fazia isso, sentia seu rosto queimar. Afinal, não tinha pretensão alguma de volta antes da meia noite.

O homem suspirou, aliviando a tensão que começava a aparecer em sua expressão. Passou a mão no rosto da filha e deslizou os dedos em seus cabelos macios, carinhosamente, como sempre faz.

— Está bem, está bem. Apenas tome cuidado, ok? E não volte tarde, nem sozinha. As ruas estão cada vez mais violentas, hoje em dia.

— Uhum. — respondeu, aceitando o beijo que ele lhe dava na testa, mas sem muito grado.

— Sua mãe está na cozinha. Vá cumprimentá-la.

Antes de dar as costas, Sakura o viu vestir o paletó e pegar sua mala sobre o sofá da sala. Em seguida, ele desapareceu porta a fora para ir trabalhar. Só então ela correu para cumprimentar a mãe, como sempre fazia já que saia de casa antes dos pais acordarem. E a mulher, como sempre, lhe respondeu com um meio sorriso, sem muita emoção expressa nos olhos, apesar do amplo sorriso que lhe mostrou. Sakura se ofereceu para ajudá-la a cozinhar, pois sabia que sua mãe não era boa cozinheira, e a empregada ainda estava de licença. Mas com a oferta recusada, Sakura foi para o seu quarto. Jogou-se sobre sua cama, e tirou o caderno de poemas da mochila para escrever algo, pois se sentia revigorada e cheia de energia. Quem sabe, conseguiria escrever algo bom?!, pensou.

Enquanto isso, para Sasuke, o melhor de se correr numa moto está na sensação de liberdade que acompanha o vento gelado batendo contra o corpo todo. E na sensação de quase conseguir voar. Bastava um pulo. Um pequeno pulo em alta velocidade para que tudo terminasse. Pena que ele era muito bom naquilo, e sempre conseguia sair ileso das manobras mais radicais no asfalto!, pensou.

Depois que saiu da faculdade, ele foi bater na porta do sobrado em que Juugo, um dos caras que o acompanhava nos rachas de moto, morava.

— Ora, ora... Quem é vivo sempre aparece, não é mesmo, campeão? — o ruivo alto lhe diz, assim que o vê.

— Sempre. Quando é a próxima?

— Nesse final de semana, no centro da capital. Na rua daquele bar. — o bar em que se meteu em uma briga, sem querer.

— Maravilha. — Sasuke revirou os olhos, pois queria distância daquele lugar.

— Cara, talvez nem tanto. — seu amigo lhe diz. Pela expressão que fazia, Sasuke soube que não era coisa boa — Sabe o Hidan? — ao ouvir aquele nome, estreitou os olhos.

— Bosta. Ele vai?

— Vai. E vai levar o Deidara.

— Argh! Mil vezes bosta. Mas tudo bem. Eu vou fazer eles comerem poeira. — o moreno rangeu os dentes.

— Nunca duvidei. Faça-os comer poeira com pedras, cara. Aqueles bostas merecem.

Sasuke sorriu de canto e pôs de volta o capacete, decidido a participar daquela corrida só por que aqueles dois sujeitos estariam lá. Pouco antes de anoitecer, Sasuke chegara em casa, encontrando Itachi com a cara grudada em livros, quando passou pela sala. Seu irmão revirou os olhos quando o viu, mas apenas o ignorou. Assim que se atirou na cama, seu celular tocou mais uma vez. A loira havia passado o restante do dia ligando para o seu número, mas como não estava a fim de ficar ouvindo aquela voz cacarejar no ouvido, ignorou as chamadas. Afinal, o som do vento cortando o rosto era muito mais agradável.

Até que enfim! Estou há horas te ligando! — Ino sequer esperou para que ele lhe dissesse algo.

— Foi mal, meu aparelho estava no silencioso — mentiu — e você já sabe que não sinto nada quando estou na estrada. — mentiu outra vez.

— Tudo bem... Escuta, só: o Kiba vai dar uma festa na casa dele. Não está a fim de me acompanhar? Seu irmão irá levar a Hinata também, pensei que você pudesse me levar.

— A Hinata? Ele ainda está com ela? Achei que estivesse com aquela garota dos cabelos cor de rosa...

— Sim, sim... O Itachi está com a sem sal da Sakura. E ele terminou com a Hinata por causa dela sim... Mas ele disse que a levaria. Acho que seu irmão vai meter um belo par de chifres na Sakura hoje! Hehe. Acho que ele quer se redimir com as faltas que cometeu no passado...

— Hum... Quando? — ele viu o panfleto que o Itachi havia jogado sobre o seu criado-mudo, divulgando a festa.

— Agora, Susu. Vá tomar um banho pensando em mim. Use aquele seu perfume maravilhoso, para disfarçar esse seu cheiro horrível de graxa, e venha me buscar. Comprei um vestido incrível. Tenho certeza de que você não vai se arrepender.

— Ok, ok... Só não posso prometer que não irei me demorar no banho, se eu pensar em você...

— Hummm... Você pode vir dormir aqui em casa, esta noite, se quiser.

— Você sabe que não resisto às propostas indecentes.

— Estou te aguardando.

Desligou o aparelho, e foi se arrastando até o banheiro. Resolveu que iria à festa só por que teria bebida de graça, e ainda conseguiria uma foda também gratuita. A Ino era o tipo de garota fácil, com quem ele já se deitou algumas vezes. Ele sabia que a moça queria algo mais com ele, mas Sasuke não queria se prender a ninguém. Principalmente por que sabia que ela não era bem o tipo de garota que se prendia a alguém por muito tempo também. Aliás, nem mesmo a Karin, a quem ele prendia o olho. E além de não acreditar em conjugações, ele prezava por sua autonomia.

Sasuke pegou seu capacete, e mais o capacete extra que guardava no guarda roupas. Quando passou pela sala para pegar as chaves, depois de ter se arrumado, encontrou o Itachi ainda com a cara grudada nos livros, vestindo seu jeans velho e chinelo de dedo nos pés.

— Vai deixar a mina na mão de novo, Itachi? — perguntou, lembrando-se da Ino mencionar sobre ele levar a Hinata.

— Hum? Que mina? — ele nem o olhou para responder.

Revirou os olhos, e saiu de casa. O problema é dele!, pensou. Para Sasuke, Itachi era mais um babaca que só se importava com o próprio rabo. Seu irmão só queria fazer as coisas certas para conseguir se dar bem, sem se importar com o resto. Não era de se espantar que ele fosse esquecer mais um encontro com a Hinata, como já havia feito outras vezes.

Desceu até a garagem, pegou seu “bebê”, e saiu correndo para a casa da Ino. A garota estava divina, como prometera que estaria o esperando. Usava um vestido cinza, meio prateado, que caia solto na cintura batendo no meio de suas coxas, enquanto a leve transparência mostrava sutilmente seus mamilos. Ela o observava atentamente, analisando a reação do rapaz a cada movimento que ele fazia com os olhos. Ele percebeu também que ela mantinha aquele seu sorrisinho metido em seu nariz fino e empinado com as mãos na cintura. Ela deu a meia volta para se exibir ainda mais para ele, mostrando suas costas nuas e a calcinha cavada na bunda.

E esse era mais um motivo pelo qual não queria se prender a ela. Ino era o tipo de garota óbvia demais. Ele julgava esse tipo de sedução uma afronta à sua intelectualidade. Detesta como algumas mulheres se jogam aos braços dos homens, se exibindo daquele jeito. Para ele, era como se elas estivessem o chamando de estúpido, como se ele fosse um desses babacas que passam o dia inteiro olhando revistas pornográficas e não estudam. Ele não pensa somente com a cabeça de baixo, e muito menos era um escravo do sexo. Ele tinha pleno domínio sobre suas emoções. Sasuke até pode não gostar do curso que faz, mas ele tinha cultura e inteligência suficiente para fazer seus julgamentos também. Afinal, ele já lidou com quase todo o tipo de gente nas ruas. Umas das coisas boas que as corridas lhe proporcionavam era a possibilidade de contato com diversas pessoas de todas as áreas. Pois são muitos os amantes de corridas de carros e motos.

Mas já que ela estava ali, gratuitamente, e não tinha a menor pretensão de se prender à garota...

— Ual. É tudo o que tenho para dizer. — ele disse. Era homem e se sentia no dever de admirar qualquer beleza feminina.

— Obrigado. — ela pulou para a garupa da moto, grudando suas coxas expostas nas pernas dele. E claro que ele não perderia a oportunidade de passar a mão em sua pele macia. Ele ainda se inclinou para enfiar a língua na garganta da moça, que se oferecia abertamente.

— Hummm. Senti falta de seus beijos. Vamos! Estou louca para dar uma volta na sua moto. Faz tempo que você não me leva a lugar algum com ela. — ela comenta.

Ele sorriu de canto, lhe passando o capacete reserva.

Quando chegaram na casa do tal de Kiba, tiveram a sensação de que metade de faculdade estivesse ali. Estava realmente atulhado de gente, andando para lá e para cá com bebidas nas mãos. O som alto não permitia uma conversa em tom de voz natural, os obrigando a falar com as pessoas grudando nos ouvidos delas.

A primeira coisa que a Ino fez, ao descer da moto, foi correr para um lugar menos barulhento para atender a ligação da Hinata. Sasuke apenas lhe disse que estaria lá dentro, para pegar alguma bebida, já sabendo que elas levariam um tempão conversando sobre o descaso do Itachi. Se bem tinha na memória, a morena caia de quatro por seu irmão.

Enquanto enchia uma taça de ponche, viu a Karin do outro lado dançando com sua amiga estranha. A ruiva estava linda, notou. Com uma calça de couro apertada nas coxas, e uma bota de cano e salto alto. Usava uma blusa rendada branca e transparente, mostrando todo o sutiã, ou top também branco, que vestia por baixo e que lhe caia sensualmente do ombro. Seu cabelo estava solto, e ele podia senti-los macios em meus dedos. Ela parecia iluminar todo o ambiente, se não fosse pela sua amiga sem graça, com um vestido longo — batia acima dos joelhos, mas Sasuke considerava aquilo longo demais —, que cobria até o pescoço para estragar a visão.

Não precisou pensar duas vezes para se aproximar delas. Mas precisou, sim, tomar uma boa dose de álcool antes, em um só gole.

— Meninas, eu já disse que não tenho preconceito algum contra lésbicas?

Karin lançou aquele seu olhar fulminante que Sasuke tanto gostava de ver naquele seu rostinho, enquanto a sem graça da sua amiga cruzou os braços, revirando os olhos.

— Pensei que você tinha dito que não me foderia nem que te pagassem. — ela lhe disse, em um tom sarcástico não convincente.

Ele a olhou dos pés a cabeça, em desdém.

— E quem foi que disse que eu havia mudado de idéia?

O rosto da garota ficou vermelho, o fazendo rir. Só não soube dizer por que ela enrubesceu; se por raiva ou vergonha.

— É realmente incompreensível que o Itachi seja o seu irmão, Sasuke. Por que você não aprende alguma coisa que preste sobre comunicação humana com ele, e tente evoluir do mero animal estúpido que você é para algo mais decente? — a Karin arrastou sua amiga para longe dele, bem na hora que a Ino apareceu, lhe dando um soco no ombro.

— Seu irmão é um porco mesmo, hein?!

— Somos farinha do mesmo saco. — comentou, tomando mais um gole da bebida — Pena que algumas pessoas só enxergam o que quer ver.

Notas finais
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