Reverso
28 ♦ Capítulo 28
Notas iniciais
Reverso
By Amanur
Capítulo 28
...
“Em qualquer lugar estarás,
Em qualquer lugar estarei,
Entre as coisas que vives
Para sempre viverei.
Em qualquer lugar estarás,
Nós nos encontraremos juntos,
Abraçados um com o outro,
Além do destino...
Em qualquer estrada,
Em qualquer céu,
E de qualquer jeito que seja,
Nós não nos perderemos.
Abra teus braços,
Manda-me um sinal,
Não tenha medo, que te encontrarei
Nunca estarás sozinho, eu lá estarei
Continuando o vôo que,
me conduz para dentro de ti
Para sempre ao além.”
Sakura ia repetindo o refrão da primeira música que ouviu ao lado do seu primeiro namorado. Ela achava que ele seria o primeiro e único em sua vida, mas agora achava engraçado como a teia de aranha é tecida. Uma ponta une a outra. Algo tão óbvio, mas que poucos se dão conta. E se fosse seu destino ficar com o Itachi para encontrar o Sasuke?, se perguntava, enquanto as rodas da moto giravam lentamente sobre o asfalto.
Sasuke ia de vagar, para poder passar mais tempo com ela ali, em suas costas. A lua minguante brilhava no alto, fina e delicada, com algumas nuvens passeando pelo céu estrelado.
Quando entraram na casa, Itachi estava na mesa da sala, com alguns livros, estudando para as últimas provas do ano. Estava sem camisa, de cabelos soltos, e pés descalços. Ao vê-lo assim, ela se perguntou se deveria mesmo se “despedir” dele. Mas ele estava tão concentrado que não os notou entrar, e se assustou quando a viu sentar em sua frente. Mas com o canto do olho, ele viu o vulto do irmão passar.
Sasuke não queria estar presente para ouvir a conversa deles e, por isso, subiu as escadas indo direto para o quarto. Ele ainda vestia as roupas sociais, que detestava. Aproveitou o momento para vestir seu jeans favorito, e camiseta branca. Mas a curiosidade acabou lhe vencendo, e ele voltou para se esconder no topo dos degraus, onde eles não o vissem, para poder ouvir.
Depois de tanto tempo, Itachi não mais esperava que ela fosse lhe dar alguma explicação. Portanto, estranhou vê-la ali. Mas não pode negar que se sentiu um tanto desapontado ao vê-los juntos outra vez, e desviou o olhar dela.
Sakura esboçou um sorriso torto, tentando encontrar as palavras certas que deveria usar para começar a falar o que deveria dizer. Ela achava que seria fácil, mas estar ali, diante dele, se viu completamente nervosa, como nos primeiros meses de namoro com ele. Sentiu aquele frio na barriga, e sua perna inquieta balançava um pouco a mesa.
— Lembra que eu te perguntei se você sabia que eu te amo, na saída da festa de aniversário que você organizou com a Karin para mim?— ela afastou o livro da frente dele, lentamente, vendo que ele parecia não ter interesse em ouvir o que ela teria para dizer. Mas ele se viu obrigado a olhá-la, perante sua indagação.
— E eu perguntei por que você estava me perguntando isso... — ele respondeu.
— Uhum... Por que eu te amo. Eu não estava mentindo...
— Hum... — ele desviou o olhar, novamente, puxando de volta seu livro — Mas você prefere o Sasuke. — havia amargura em seu tom.
— Não! Eu prefiro você. Por que eu arriscaria escolher outro, que mal conheço, e deixar de lado um relacionamento que estava indo bem em seu próprio ritmo?
Ele a olhou novamente, sem entender.
— O que quer dizer?
— Quero dizer que não é uma questão de preferência. Eu não sei dizer o que é... Mas com certeza não é preferência. Se eu pudesse, eu o escolheria. Se pudesse transformar um desejo em realidade, eu estaria do seu lado daqui em diante...
— Mas você pode escolher, Sakura! Ou você acha que eu não a faria feliz?
— Não é isso, Chi. Eu não posso escolher. Simplesmente não posso! Está na gravado na minha mente como se fosse uma tatuagem para que eu nunca mais esqueça... Onde quer que eu olhe, eu vejo o Sasuke.
O mais velho revirou os olhos, apoiou a cabeça com as mãos sobre a mesa, como se estivesse cansado, e bufou.
— Tsc! Você veio até aqui para me dizer isso?
— Sim... Para que você saiba que eu escolho você. Sempre escolherei você... Mas é outro quem está na minha cabeça, e não há nada que eu possa fazer para mudar isso. Talvez não seja justo com você eu vir aqui lhe dizer isso, mas essas foram as únicas palavras que encontrei para dizer o quanto você significa para mim...
Ele ainda ficou encarando-a, tentando enteder a situação. Mas mesmo se dando por vencido, no fundo, ele ainda tinha alguma esperança de que pudesse reverter a situação, se soubesse onde havia errado.
— Foi algo que eu fiz, ou deixei de fazer? — perguntou.
Mas Sakura apenas mordeu o lábio inferior, pensativa, e suspirou.
— No início eu achei que fosse, e te culpava por muitas coisas. Mas depois eu me dei conta de que você só estava sendo você mesmo. E eu não tinha o direito de te pedir para mudar. Ninguém tem. Você é quem você é, e isso não tem nada a ver com ninguém. Não deixe que ninguém te diga o que fazer, ou como ser... É verdade que, quando eu te conheci, achei que você fosse uma pessoa, mas depois vi que você era outra. Mas a culpa foi minha, por que você não mudou... Fui eu quem não te via direito.
— E se o mesmo acontecer com o Sasuke? Você vai ver que ele também não é quem você pensa que ele é.
— Há a possibilidade. — ela deu de ombros — Assim como ele verá que eu não sou quem ele pensa que sou... Mas até lá, veremos se somos capazes de tolerar nossas diferenças ou não.
Ele a olhou por alguns longos segundo, olhando no fundo dos olhos verdes dela. Se soubesse que tudo terminaria assim, não teria dado o primeiro passo. Preferiria não ter gravado na mente as memórias que fizeram juntos, para se torturar.
— Não há a menor possibilidade de você mudar de idéia?
— Isso não é uma idéia.
— Que seja! — ele resmungou, sentindo-se levemente irritado pela calma dela — De ficarmos juntos, eu quero dizer!
— Nós estamos juntos. Sempre estaremos. Você fez parte da minha vida, e eu da sua. Estaremos sempre juntos...
Agora ele suspirou, sorrindo de canto para si mesmo, e levantou-se da cadeira pondo as mãos nos bolsos.
— Hehehe... Você me cansa assim, distorcendo tudo o que eu digo. Mas que seja... Não gosto desse tipo de conversa.
— Ninguém gosta de falar sobre coisas tristes... Mas não haveria felicidade, se não houvesse tristeza.
— Claro...
Quando Itachi virou-se de costas para ela, se deparou com o Sasuke, encostado na parede, de braços cruzados, os observando. O cabeludo sentiu algo arder nas veias, e caminhou em direção as escadas, mas parou ao lado do mais novo.
— Se você fizer merda mais uma vez, eu juro que corto as suas bolas!
Sasuke sorriu de canto, sem humor, e olhou nos olhos do irmão dando de ombros.
— Eu também não imaginava que iria dar nisso...
— Nem invente de querer pedir desculpas, Sasuke! Eu arrebento a tua cara! — e com isso, o mais velho subiu as escadas, pisando forte nos degraus.
No fim das contas, achou que teria sido melhor se ela continuasse com o seu silêncio. Falar com sobre esse tipo de coisa sempre lhe trazia aborrecimentos.
Quando viu o irmão desaparecer de vista, Sasuke a olhou, sorrindo, estendendo a mão para que ela o alcançasse. Lentamente, ela se levantou da cadeira e foi caminhando até ele.
— Não quero que pense também que eu não posso viver sem você.
— Outch.
— Eu posso. — ela deu de ombros — Só não quero.
— Não seria isso uma escolha? — ele perguntou, hesitante, cerrando os olhos. Mas Sakura apenas franziu o cenho, pondo as mãos na cintura, fingindo ter ficado chateada.
— Você ouviu toda a nossa conversa?
— Duh! Óbvio que não! Eu leio pensamentos, você não sabia?
Ela revirou os olhos.
— Você não escolhe o que você quer. Você quer algo e pronto. Assim como você não escolhe do que você mais gosta... — ela responde.
— Hum... É um ponto de vista, eu acho... E agora? O que faremos?
Ela deu de ombros.
Sasuke pegou na mão dela e foi a conduzindo para fora da casa, até sua moto. O ar fresco da noite os pegou desprevenidos, dando calafrios em ambos, mas nada disseram um para o outro — pois não queria atrapalhar o momento. Depois que ela pôs o novo capacete na cabeça, o rapaz foi explicando que havia algo que ele queria ler para ela, mas não ali. Então, ele a levou até o ponto onde havia a levando algumas horas antes da corrida em que a levara, no alto de um morro, cheio de antenas de transmissão. O lugar era deserto, cheio de capim alto. O frio se fazia ainda mais presente, mas eles não se importaram. De lá, a vista para a cidade era ótima, e o silêncio era perfeito para o que pretendia.
Assim que parou a moto, e desceram dela, eles deitaram no chão. Ele ainda apoiou a cabeça com o cotovelo na grama, para olhá-la enquanto lia o pedaço de papel que tirou de dentro do bolso da calça.
— Eu fiz o dever de casa, e pesquisei o que é... Euirerknjlgkhn. — ele disse.
— O que é o que? — ela perguntou. Não parecia com uma palavra de alguma língua que conhecesse, mesmo que razoavelmente.
— Euirerknjlgkhn. — ele repetiu.
— Sasuke... Isso não é uma palavra.
— É que eu não gosto de dizer ela! — confessou. Então, para não dizê-la, ele apenas entregou o papel a ela, apontando onde a palavra que deveria ter dito estava escrita.
Ela riu, ao ver qual era a palavra, e o olhou na dúvida.
— Por que você não gosta dessa palavra?
— Eu não sou supersticioso, nem nada... Mas ao procurar o significado dela, e discordando delas!, eu vi que é uma palavra que merece respeito.
— Huuummm. E o que você quer ler?
— O que descobri sobre ela. — então, ele olhou para a folha, afim ler o que havia escrito durante o seu horário de intervalo na empresa. Não era sua pretensão ler aquilo para ninguém, mas depois de ouvir o que ela disse ao seu irmão, achou que fosse uma boa idéia — Sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso.Grande afeição de uma a outra pessoa de sexo contrário... Dicionário homofóbico, esse! — comentou em sarcasmo —... Afeição, grande amizade, ligação espiritual.Objeto dessa afeição.Benevolência, carinho, simpatia.Ambição, cobiça... Culto, veneração. Caridade.Coisa ou pessoa preciosa.Tendência da alma para se apegar aos objetos...
— Você concorda com essas definições? — ela quis saber.
Olhando para os olhos dela, ele balançou a cabeça negativamente.
— Gostei da parte que diz ser uma ligação espiritual.Acho que foi mais ou menos isso o que você quis dizer ao Itachi... Embora eu não acredite em espíritos, nem nada... Mas expressa bem que é algo que vai além das nossas possibilidades.É algo muito maior do que essas definições dizem.Já ouvi falar quea paixão é ardente, é urgente, é inquieta... É fácil identificar quando nos apaixonamos, por que sentimos aquela necessidade e urgência em ficar agarrado o tempo todo com a pessoa almejada. E sabemos que... Amamos alguém, quando sentimos que basta apenas ficar ao lado dela, e olhar para ela. A calma é o que domina entre ambos. E o silêncio deixa de ser constrangedor, se torna parte da comunicação. Uma troca de olhar é o suficiente para nos entendermos.
— Hum. — ela sorriu, com os lábios colados, balançando a cabeça em concordância. Mas logo desfez do sorriso, ao entender o que ele quis dizer com aquilo, e que não conseguia dizê-lo — Por que você está com medo de dizer isso?
— Já cometi erros. Não quero me enganar, nem te enganar com isso.
— Você ainda vai cometer mais erros, Sasuke. Afinal, nos desenvolvemos a partir dos erros que cometemos...
— Mas não quero cometer ESSE erro!
— A única coisa que eu exijo de você é que me avise quando se cansar de mim, para que eu caia fora.
— Eu sei... — ele murmurou, tirando dos cabelos dela uma folha que havia sido levada pelo vento.
— Então, tudo bem se eu cometer esse “erro” que você não quer cometer?
— Hum... Não gostei de como você pronunciou a palavra erro... Se eu somente quisesse distrair minha solidão, qualquer uma teria sido o suficiente... E falando nisso... — ele se lembrou da última vez em que viu a Ino, e se perguntou se deveria mesmo contar a ela — Eu cometi um erro. Um dos mais estúpidos!, e ele tem alguma relação contigo. Mas o que eu fiz, muda em absolutamente nada o que sinto por você. Mas saber dele pode mudar algo entre nós... — ele engoliu a seco, pensando naquela possibilidade — Assim mesmo, você quer saber, ou não?
Ela o olhou mais seriamente. Não gostou da mudança de assunto, e desconfiou do que pudesse ser. Mas acabou negando com a cabeça. Preferia ficar na dúvida, do que na certeza, se ele garantia que nada havia mudado no que sente. Para ela, há certas coisas que são preferíveis não saber. Mas com certeza ela ainda haveria de querer saber que erro estúpido foi esse. Entretanto, talvez, só perguntará quando tiver passado muito tempo, e não fizer mais sentido em brigar por aquilo.
Sasuke assentiu e se acomodou ao lado dela, pondo as mãos atrás da cabeça, olhando para o céu. Se arrependimento matasse, com certeza teria morrido desta vez. Pelo menos, agora, ele tinha certeza do que sentia, embora não quisesse ainda dizer por medo da desilusão que poderá criar em sua mente, caso descubra estar errado novamente.
Então, os dois ficaram por longos minutos curtindo o som do vento balançar as folhas da grama, enquanto observavam os poucos satélites que passavam na escuridão da noite, até que, de repente, Sakura se ajoelha ao lado dele. Ao ver que ela parecia ter algo a dizer, mas não conseguia por algum motivo, sentou-se no chão olhando para ela com o cenho franzido, perguntando silenciosamente o que havia de errado.
Ela tinha uma expressão séria no rosto, e suspirou diversas vezes para tomar coragem. Ainda olhou para os lados, para certificar-se de que estavam sozinhos e que poderia fazer o que estava prestes a fazer. Ao constar, então, que a lua minguante era a única observadora por perto, Sakura tirou a parte de cima do collant que vestia, rapidamente — como se quisesse logo acabar com aquela pressão que, de repente, sentiu. Em seguida, se livrou do sutiã, jogando-o ao lado.
— Agente nunca sabe do que é capaz, até que o momento chegue, não é mesmo? — ela ainda o perguntou, forçando para que sua voz saísse firme. Pois até seus ossos tremiam.
Notas finais
É, eu sei, eu sei... o hentai não saiu, mas deixei aí o início dele como garantia de que sairá no próximo. :D
Ah! devo dizer que aquela parte em que ela diz que pode viver sem ele, mas apenas não quer, eu tirei de algum filme que eu vi..mas agora não lembro qual.. lembro que era com a Jennifer Aninston (nao sei como se escreve o nome dela!) e a musica do inicio é da Laura Pausini.. na pressa esqueci de pegar o nome da musica ¬¬ se alguém souber, me avise.
Fale com o autor