Reverso
24 ♦ Capítulo 24
Notas iniciais
Boa leitura!
Reverso
By Amanur
Capítulo 24
...
O dicionário diz que a fraqueza é a falta de força, de ânimo; uma debilidade. Pode ser a tendência para ceder algo. É a falta de firmeza, de resistência. É, até mesmo, um defeito, uma imperfeição. É o lado fraco de um caráter. E era bem assim que Sakura se sentia: a mais fracassada dos seres humanos. Não conseguiu se manter erguida para levar adiante sua decisão; a única que realmente havia feito sem consentimento de ninguém. Pois ela não estava preparada para aquilo. Falar, ou pensar, é fácil. Mas executar a idéia, ela viu que não era a mesma coisa. Além da dependência financeira, há a dependência emocional. E esta é uma das coisas mais difíceis de conseguir se livrar. Ela não conseguiu pensar em deixar sua mãe por muito tempo.
Itachi passou a manhã inteira tentando falar com Sakura, ligando para seu celular. Mas ela não atendeu. Depois foi a Karin quem ficou ligando, mas a rosada também não quis falar com a amiga. Ignorou até mesmo as menssagens de texto recebidas. Ela queria apenas ficar sozinha, em seu mundo de quatro paredes ao qual já estava habituada a viver. Deveria confessar que se sentia mais segura e à vontade ali. Talvez, justamente, por ter passado tanto tempo sozinha com as paredes e seu caderno. Eles eram seus amigos íntimos.
Enquanto isso, Sasuke foi em sua moto até a casa da Sakura, após não obter resultado algum com as ligações da ruiva. Ficou ali durante um tempo, decidindo se deveria ou não apertar a campainha. Mas por medo de complicar algo para o lado dela desistiu da idéia e foi embora.
Ele voltou para casa, e passou o dia jogado na cama tentando não pensar em nada. Mas quanto mais esforço fazia, pior ficava. As lembraças de todas as ofenças trocadas, as mágoas feridas, as acusações distribuídas, as lamentações despejadas — e tudo gratuitamente—, lhe atingiam em cheio. Aos poucos, ele ia vendo que não houve culpados; foram todos vítimas do acaso das fatalidades.
Sasuke nunca quis tanto poder falar com alguém. Mas a única pessoa quem poderia ouvi-lo, naquele momento, o ignorava. E a pergunta que o martelava, agora, era: poderia algum dia esquecer tudo o que aconteceu? Ele era capaz de fingir o que sente, mas não de deixar de sentir o que realmente sente.
Algumas horas antes da corrida que tinha marcado, Sasuke saiu com sua moto até o cemitério. Ao lado do jazido do seu pai estava o de sua mãe, como suspeitou. No dia do velório estava tão atordoado com tudo o que havia acontecido, que nem parou para reparar nos outros túmulos.
Sasuke sentou na grama, entre os dois. E ficou por longos minutos ali, refletindo sobre tudo. Itachi teria enterrado o pai ali propositalmente, para que Sasuke visse o nome da mãe deles, e começasse a se questionar sobre tudo. Mas Sasuke era tão denso em seu mundinho, que preferiu não se questionar muito.
Quando viu que o tempo passou, ele foi até o ponto de encontro dos motoqueiros, para a corrida. Lamentou-se por não poder levar Sakura consigo, como havia prometido que faria. E o cara que havia apostado no Deidara e Hidan estava lá, aguardando-o. No fim, os dois tinham tanto a conversar que Sasuke nem correu. Surpreendentemente, o cara tinha muito mais a lhe oferecer que poderia algum dia ter imaginado. Chegou em casa tão empolgado, que quase esqueceu toda a comoção pela qual havia recém passado. Quase!
E então, chegou Domingo. Na residência dos Uchihas, os irmãos não se falavam. Ainda pairava no ar aquela estranheza meio constrangedora entre os dois. Quando um passava pelo outro, baixavam os olhos. A única vez que abriram a boca foi quando Sasuke perguntou ao Itachi se ele havia conseguido falar com Sakura. Depois da resposta negativa, não disseram mais nada, e o dia prosseguiu lentamente para ambos.
O que Sasuke fez para matar o tempo foi reler o poema que Sakura havia lhe entregado. Pegou suas anotações com análises que havia feito anteriormente, a fim de descobrir mais alguma coisa. Até então, ele havia notado que a parte em que cita “formosa pepita”, no poema, se difere da representação geral que os românticos pintavam da mulher: sempre pudica, inatingível, intocável, a virgem sonhadora. Ao contrário, no texto dela, há uma mulher que tanto atiça como sente desejo: “Por que é que tremeste? Não eram meus lábios.../Beijava-te apenas.../ Teu laço de fita”. Sasuke achava que o tom sensual que permeia o poema era inegável. A imagem dos cabelos, por exemplo, que se encontra na segunda estrofe:
“Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita
Fingindo a serpente q’ue enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita”
E também na sétima estrofe:
“Talvez das cadeias libertes as tranças
Mas eu... Fico preso
No laço de fita”
Sasuke viu que o texto sugeria esse tom, pois, em suas pesquisas, encontrou algo que dizia que antigamente o poder da sensualidade das mulheres era atribuído aos cabelos, os quais eram soltos somente na intimidade. A própria escolha léxica também propõe um matiz sensual: louco de amores, formosa, serpente, enroscava-se, palpita, tremeste, despindo, crepita. Os termos que fazem parte do campo lexical “prisão”: o verbo prender e os adjetivos cativo, submisso e prisioneiro também propõe uma leitura erótica, tendo em vista que o ato de aprisionar faz parte do jogo da sedução, no qual tem-se sempre um sedutor (aquele que prende) e o seduzido (aquele que torna-se presa). Nesse jogo da sedução, Sakura inovava ao atribuir o papel do sedutor à mulher, enquanto que o papel do seduzido é encenado pelo homem (o sujeito lírico). Desse modo, há uma inversão dos papéis convencionais no que diz respeito ao envolvimento amoroso.
Nesse poema, também os cabelos vêm carregados de sensualidade, como se pode ver na quarta estrofe: "É noite ainda em teu cabelo prêto... " e na última estrofe: "Sôbre mim desenrola teu cabelo...".
Na sétima estrofe, surge mais uma cena sensual em que ocorrem imagens eróticas como a personificação da luz a lamber os contornos da mulher e a menção a um fetiche, sugerindo o ato sexual pela aproximação dos lábios do eu-lírico nos pés da amada: "A frouxa luz da alabastrina lâmpada/Lambe voluptuosa os teus contornos.../Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos/Ao doudo afago de meus lábios mornos”.
Sasuke se revirou inúmeras vezes com aquele poema nas mãos, tentando adivinhar que mensagem ela queria passar com aquele poema, já que ela não parecia o tipo de garota lascívia, que gostasse de algum tipo de jogo de sedução. Havia alguma outra mensagem que ele estava deixando escapar.
Na segunda feira, quando Sakura chegou, os irmãos já estavam sentados em seus lugares. Karin também, se remexia na cadeira organizando seus materiais quando a rosada entrou na sala sem levantar os olhos. Pois não sabia como olhar para os colegas. Então, calmamente, puxou sua cadeira e sentou-se, sem olhar para ninguém.
Karin percebeu o clima tenso entre eles, e se inclinou até Sakura.
— Custava muito ter retornado minhas ligações, ou enviado uma mensagem de texto? Ficamos preocupados, sabia?!
— Não se preocupe com isso, Karin! — Sasuke, de repente, interrompe — Vai ver ela não tem forças nem para discar uns números... — resmungou.
Karin não entendeu o que ele quis dizer com aquilo, mas viu que Sakura sim. Aquelas palavras, na verdade, atingiram de cheio nas costas da garota. Pois ela não esperava ouvir algo desse tipo dele. Não agora, depois de tudo o que passaram juntos. Mas ela achou justo; até mesmo merecido. Afinal, ele não estava dizendo nada além da verdade. E então, a aula se passou lenta demais para ela. E Sasuke foi o primeiro a sair da sala, assim que o horário para o intervalo foi marcado no relógio de parede da sala. O rapaz foi direto para o estacionamento puxar um cigarro, enquanto o restante da turma ia em direção ao restaurante.
Karin resmungou algo sobre querer saber o que estava acontecendo, quando Itachi apareceu ao lado da garota com a expressão mais séria que já conseguiu pôr no rosto, perguntando se podiam conversar.
Os dois foram caminhando em silêncio até a biblioteca, enquanto Karin foi ter algumas palavras com o Uchiha mais novo, que tragava seu cigarro quase que furiosamente.
— O que foi que você fez, Sasuke? — a ruiva questionou. Mas Sasuke a ignorou completamente, lhe fazendo outra pergunta.
— Sakura tem algum irmão, ou irmã?
— Hãn? Não! Por que você está perguntando isso agora?
— Você sabe algo sobre alguém que a tenha magoado?
— Você! — ela diz, em tom acusatório, cruzando os braços, enquanto ele revirava os olhos.
— Mais alguém em mente?
— Não... Ela não costuma se abrir para mim. A única coisa que sei que é ela andava meio decepcionada com o Itachi, por ser um bundão mais interessado nos estudos do que na relação que tinham.
— Você o julga por assumir responsabilidades?
— Não! Mas a vida não é feita apenas de problemas e deveres. Do que vale a vida se passarmos todas as páginas apenas solucionando problemas?
Ele sorriu de canto, cuspindo a fumaça para o alto.
— É o que eu sempre digo.
Enquanto isso, Sakura sentou ao lado de Itachi nos fundos da biblioteca, onde teriam privacidade suficiente para falarem sobre qualquer coisa.
Ele estava nervoso, sem saber como começar aquela conversa — fazia um bom tempo que eles não se falavam, e aquilo o afligia. Sakura percebeu a perna inquieta dele, e resolveu tomar a iniciativa.
— Desculpa por desaparecer sem dizer nada. — ela disse, meio constrangida.
— Você está bem? — ele respondeu.
— Uhum. E você?
— Vou ficar bem...
— Tem certeza?
Itachi a olhou cautelosamente, entendendo ao que ela se referia. Tomou um forte suspiro, encorajando-se a dizer o que pretendia desde o início. Mas ele não conseguiu olhar nos olhos dela.
— Eu não sou dependente. Aquela foi, na verdade, a primeira vez que iria experimentar aquilo...
Sakura encarou por alguns segundo o perfil dele, enquanto Itachi olhava para a janela. De repente, a imagem de homem inabalável se desmanchou diante dela, como cacos de vidro se estilhaçando, revelando um ser humano digno de fraquezas, como outro qualquer. Ela se perguntou por que havia feito aquela imagem dele em sua mente.
— Que bom saber! — ela murmurou — Espero que tenha desistido.
Ele sorriu de canto, sem muita vontade. E o assunto morreu por aí, enquanto o silêncio constrangedor se fazia presente entre eles. Estar perto dela, novamente, era sufocante para ele. Por que ela estava tão perto e, ao mesmo tempo, tão distante de seu alcance. E por isso, tudo o que lhe restou foi levantar-se para se distanciar também. Afinal, não havia nada a mais a ser dito, que o silêncio não desse conta de transmitir a mensagem.
Mas Sakura pensava diferente. Ela não queria se desfazer do laço fino que os unia. Ela se importava e pensava constantemente em todos aqueles que, de alguma forma, já passaram por sua vida como algo importante, parte de si. E se desfazer deles, é como perder um pedaço de sua existência. Eles entraram em sua vida para acrescentar algo, mas a despedida é sempre algo que a entristece.
— Não caiu neve, este ano. Você lembra que me disse, no ano passado, que a neve cai a uma velocidade de oito metros por segundo? — ela perguntou, olhando para a janela da biblioteca. O tempo lá fora estava meio nublado.
Itachi apenas consistiu com um gesto de cabeça, vendo o olhar distante da garota, sem entender o que poderia estar se passando na cabeça dela.
— Me pergunto com qual velocidade de um corpo cai... — ela murmurou mais para si, mas Itachi não gostou do que ouviu. Sentiu, de repente, todos os músculos do corpo se contrair.
— Não ouse pensar nisso, Sakura!
— Eu estava pensando em pára-quedismo. — ela responde, com meio sorriso.
Ele deixou o ar sair do pulmão, revirando os olhos. Não era a primeira vez que ela mencionava aquela idéia maluca de se aventurar em coisas perigosas e desnecessárias. Mas em seguida lamentou-se ao perceber que Sasuke a apoiaria. Pensar que seu irmão, talvez, realmente, fosse mais apropriado para estar com ela, o deixou ainda mais desarmado. E se perguntou como isso tudo foi acontecer? Foi culpa minha, me deixar carregar todos os problemas nas costas, por que sabia que ninguém mais assumiria as responsabilidades da família deixadas para trás?, se perguntou. Quanto mais ainda teria que perder pelas escolhas erradas que fez?
Sakura percebeu que ele hesitava algo. Se levantou, pensando em algo, quando, de repente, Sasuke aparece às pressas a puxando pela mão.
— Você precisa ver isso! — ele dizia. Parecia completamente extasiado, empolgado com algo, a fazendo se esquecer de qualquer coisa que pudesse ter lhe ocorrido em mente. Ela apenas agarrou sua mochila e saiu da biblioteca correndo atrás dele, deixando Itachi para trás, com forte gosto amargo na boca. Ele viu o sorriso aberto que ela exibiu, como se estivesse completamente encantada pelo irmão. E, de fato, Sakura adorou ver aquela inconstância do moreno. Uma hora chateado, e de repente, empolgando com algo, e queria incluí-la nisso.
Karin, em seguida, apareceu ao lado do cabeludo, pondo a mão em seu ombro ao vê-lo desconsolado. Ao ver a ruiva ali, ele suspirou tentando se recompor. Detestava se sentir desta nova forma, incapacitado, que Sakura o deixava.
— Por que você escolheu a amizade da Sakura ao Sasuke, Karin? Um dia você se arrependerá, e acabará odiando a Sakura. — ele diz, lhe dando as costas. Mas ela foi atrás, com a resposta na ponta da língua.
— Talvez. Mas aí eu posso culpar o Sasuke por isso, e odiá-lo também!
Ele a olhou de canto, sem saber se gostava ou não da teoria da moça, apesar de lhe fazer algum sentido. Mas ele não queria ter que odiar seu irmão, e muito menos a Sakura.
Enquanto isso, Sasuke a guiava até o estacionamento. O capacete rosa estava preso no bagageiro, por costume. Sakura nem se importou em perguntar se eles matariam a aula. Ela estava muito mais interessada no que ele tinha a lhe oferecer. Por tanto, vestiu o capacete sem pensar duas vezes, e saltou para as costas dele, quando Sasuke ligou o motor.
Sasuke partiu a toda velocidade pelo estacionamento, até chegar à avenida principal. Depois de alguns desvios, Sakura foi reconhecendo o caminho pelo qual eles iam. Sasuke a levaria para a cidade vizinha, para tentar mostrar algo que há muito tentava encontrar. Estava começando a chover ali. Gotas finas caiam do céu, mesmo com o sol brilhando, esquentando a pele.
Ele virou o rosto para trás, em direção a ela, levantando o visor de seu capacete, quando entraram em uma estrada deserta, de terra.
— JUUGO ACABOU DE ME LIGAR, DIZENDO QUE IRIA CHOVER, COM O SOL ABERTO! — ele berrou para que ela pudesse ouvi-lo no meio do som do vento cortando o rosto deles.
Sakura não entendeu o que aquilo significava, dando de ombros para ele.
— EU QUERO ACHAR A PONTA DE UM ARCO-ÍRIS! — ele respondeu a dúvida não mencionada por ela.
Sakura riu alto. Aquilo soava como um sonho de criança, meio impossível. Mas para calá-la, ele lhe deu um tapa na perna, e apontou para o lado. Sasuke mostrava a aparição de um arco-íris adiante. Não pareciam estar longe. Ele acelerou ainda mais, se metendo no meio de um mato alto. Sakura sentiu a adrenalina ferver no sangue, e se agarrou com mais força a ele, deixando-se dominar pelo êxtase. Mas em seguida, ela viu que a chuva estava parando, e logo o arco-íris desapareceria.
Sasuke também percebeu, e desacelerou, até parar a moto. Eles estavam bem diante de uma das pontas, mas algumas árvores no caminho atrapalhavam a vista. E tão logo, pouco a pouco, ele foi desaparecendo.
Ele tirou o capacete, resmungando xigamentos. Sakura desceu da moto, olhando a paisagem à volta; não conhecia aquele lugar. Havia mato e terra para todos os lados.
— Quem sabe da próxima vez você encontre o balde de ouro! — ela comentou, meio sarcástica.
— Não é impossível achar a ponta. Só tenho que estar por aqui na hora certa. Já consegui chegar mais perto do que chegamos.
— É seu sonho de infância, chegar à ponta de um arco-íris? — ela perguntou.
Ele deu de ombros.
— É um desafio. Dizem que só crescemos quando superamos obstáculos.
— Mas o que você pode aprender chegando na ponta de um arco-íris? — ela perguntou meio sarcástica, meio duvidosa, sem entender o que ele queria dizer com aquilo. Mas, mais uma vez, ele deu de ombros.
— Quem sabe eu saiba te responder quando chegar lá?! Talvez eu veja algo que ninguém nunca viu!
Ela encostou-se na moto, atrás de Sasuke, espantando as gotículas de água que haviam caído sobre sua jaqueta. Olhou para as costas largas dele, meio curvadas, lembrando da conversa que ouviu na casa dele. Diferentemente dos instantes atrás, quando estava com o Itachi, ela não mais se sentia segura para dizer algo.
Ao sentir que estava sendo observado, Sasuke se virou na moto, sentando de lado.
— Por que voltou para casa? — ele perguntou.
Ela suspirou, olhando para a grama alta que se enroscava em suas pernas. Por sorte, talvez, estava de calça jeans.
— Acho que o cordão umbilical não foi muito bem cortado. — respondeu, passando a mão sobre o abdômen, como se pudesse sentir algo ali.
Diante de tal resposta, ele não soube o que responder. Apenas olhou adiante, sentindo um vento frio soprar os cabelos levemente úmidos. E então, a olhou novamente. Ela parecia distraída com os próprios pensamentos, mexendo no mato aos seus pés. O vento soprava os fios cor de rosa, e a jaqueta que ela vestia lhe caía do ombro direito, revelando a pele alva. Ele se lembrou do poema dela, e a puxou para si. A envolveu em seus braços, lhe dando um beijo profundo, enquanto afundava os dedos nos cabelos dela. Ele não fechou os olhos para ver mais de perto sua pele, seus olhos. Sakura também não conseguiu manter as pálpebras cerradas enquanto o beijo a dominava.
Quanto mais a beijava, mais a queria para si. Quanto mais a beijava, mais queria se perder em seu cheiro, em seu sabor, em sua textura. Quanto mais a beijava, mais fracas suas pernas iam ficando. E, aos poucos, ele foi a conduzindo ao chão, até deixá-la embaixo de seu corpo. A respiração de ambos ia ficando acelerada, e o corpo reagia à tensão.
Mas quando Sasuke pôs a mão em sua barriga, por baixo da blusa que vestia, Sakura sentiu os músculos se contrair, como se tivesse levado um choque. E então, ela tentou, educadamente, afastá-lo. Mas Sasuke não a permitiu se desvencilhar dele — estava seguro do que queria. Então, segurou os braços dela acima da cabeça da moça com uma mão, impondo sua força sobre ela, enquanto sua outra mão ia deslizando sobre a pele fria da rosada. Mas quanto mais ele avançava, mais desesperada ela ia se sentindo. Sakura tentou descolar seus lábios dos dele, mas ele a forçava a mais um beijo.
Seu corpo começou a reagir mais violentamente, na medida em que o tempo se passava. De repente, ela foi sentindo repulsa pelo peso do corpo dele sobre o seu. Até mesmo o cheiro dele, que antes lhe agradava, lhe fazia retrair.
— Pare! — ela conseguiu murmurar sobre os lábios dele. Seu corpo inteiro tremia de frio e medo.
— Não, eu não vou parar! Eu te quero agora, Sakura. Agora! — ele gemeu, expondo toda sua testosterona e masculinidade sobre ela, a fazendo se sentir pequena, indefesa e, até mesmo, estúpida.
A cada arfada que ele dava, Sakura tinha a sensação de que ele crescia. A necessidade de avançar nela não diminuia. Cada gemido esquivado dela, lhe impulsionava a seguir adiante, esfregando seu corpo contra o dela, para atingir seu objetivo. E ela não podia acreditar que ele fosse realmente força-lá a fazer o que não queria. Mas ao perceber que ele não estava mais respondendo aos seus impulsos, a moça mordeu o lábio dele, o fazendo se afastar. Foi um ato impulsivo, impensado. Como um instinto de defesa, como daquela vez com seu colega de classe.
Rapidamente, ao ver a oportunidade diante de si, ela o empurrou para o lado e se levantou. Sasuke gemeu, sentindo o gosto do sangue na boca, mas conseguiu segurar o pulso dela.
— Merda, Sakura, espere!
Sua resposta foi um chute nas costelas, o fazendo se contrair no chão. Ela aproveitou o momento para sair em disparada pelo mato alto, se metendo entre as árvores, sem fazer a menor idéia de para onde estava indo. Tudo o que sabia é que deveria se afastar dele o quanto antes.
Notas finais
Ah, me pediram pra fazer um tutorial sobre como faço minhas capas, então eu fiz um. Já está no meu blog, com o titulo super criativo! ¬¬
http://amanur.blogspot.com/2011/11/tutorial-sobre-minhas-capas.html
Ah! a interpretação do Sasuke, sobre o poema, eu retirei algumas partes deste site, fiz algumas adaptaçõezinhas para a fic, apenas. http://www.cintiabarreto.com.br/artigos/castroalves-liricaamorosa.shtml
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