Reverso

12 ♦ Capítulo 12


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura!

Reverso

By Amanur

Capítulo 12

...

Se ao menos houvesse uma fórmula para se desvendar como funciona a mente das pessoas quando estão em uma sociedade!, Sakura pensou. E não pensava na grande sociedade, como em um determinado povo. Mas a menor parcela constituinte deste povo: a família. A família é uma pequena sociedade, onde cada membro dela desenvolve uma tarefa dentro do grupo. Os conceitos primórdios diz que o homem tem o dever de proteger sua família, enquanto que a mulher exerce a tarefa de se manter como o alicerce. Sakura sabia que a mulher é a âncora que mantém o pequeno grupo unido, para continuar com o sonho da sociedade maior em constituir e desenvolver o futuro dos filhos que, por sua vez, um dia, tomarão os seus lugares.

Mas por que será que alguns dos membros dessas pequenas sociedades ficam tão obcecados com a idéia de exercer o seu papel?, se perguntou. Sua mãe sempre lhe dava a desculpa de que ela não sabia só por que ainda não era mãe.

E vivendo num meio como aquele, Sakura não fazia a menor questão de ser mesmo.

Ela acordou no dia seguinte com dor no corpo inteiro. Além disso, sua cabeça doía com as lembranças da discussão que teve com os pais, quando chegou em casa toda molhada. Mas ela precisava levantar a todo custo para ir para a aula. Afinal, seu pai não estava pagando a faculdade para ela matar aula.

Pelo menos, a chuva deu uma trégua, percebeu. O sol apareceu, e havia algumas manchas azuis no céu. Karin estava lhe esperando na porta de casa, quando saiu só com o dinheiro das passagens nos bolsos. Pois seu pai saiu de casa mais cedo, dando a desculpa de que havia uma reunião importante que precisava dar conta. Mas Sakura sabia que o homem apenas não queria vê-la. Mas como não havia sequer mencionado nada para ninguém, ela se surpreendeu por ver a amiga ali, como se tivesse sentindo que ela precisava de um ombro que a amparasse.

— Eu sei que você não me deve nada. — Karin disse, assim que a viu caminha pelo jardim da casa — Aliás, sou eu quem devo, e muito, à você, Sah... Mas gostaria de uma explicação. Na verdade, duas! Por que você fugiu, e por que está com essa cara horrível?

— Valeu... — a rosada lhe disse em sarcasmo. Ela não acreditava que estivesse tão mau quanto a ruiva fez parecer — Você anda lendo meu horóscopo, ou algo assim?

— O que quer dizer?

— Preciso de carona. Meu pai saiu de casa mais cedo.

— Intuito feminino. — Karin deu de ombros, mas contente por poder ajudá-la.

Assim que sentou a bunda no banco de passageiro do fusca, Sakura puxou seu espelho retrovisor para se ver. Na pressa, nem se lembrou de passar em frente a algum espelho, mas, assim mesmo, não acreditava que estivesse tão mal. Ela tinha consciência de que não era feia, e tinha um leve orgulho da beleza natural que tinha.

Droga!, praguejou, Não é que ela tinha razão? Ela estava parecendo um panda, com aquelas manchas negras nos olhos e com o rosto inchado. Como pude deixar isso acontecer?, se perguntou. Ainda bem que Karin era vaidosa e guardava uma pequena nécessaire no porta luvas. Enquanto a ruiva dirigia, Sakura ia passando um corretivo no rosto para disfarçar as olheiras, e uma sombra para o inchaço dos olhos.

— Posso ficar te devendo essas explicações? Pelo menos até eu conseguir encontrar as palavras certas para começar a explicar o que aconteceu... Nem eu consigo dizer a mim mesma o que aconteceu! — Sakura disse, enquanto guardava de volta o estojo de maquiagem da amiga.

— Ihhh... Eu hein! Tem alguma coisa a ver com o que eu contei ontem? Se tiver algum problema, me avise, Sakura! — a ruiva pôs mais pressão no volante, se odiando por aquilo — Sei que não sou o tipo de amiga exemplar, da qual alguém teria orgulho em ter, mas também não quero ficar empatando ninguém.

— Não! Não tem nada a ver com você!

— Hum... — Karin a olhou de canto, desconfiada — Então, tem a ver com o que aquelas duas cobrinhas disseram?

— Nada disso! Mas mudando de assunto... Você acha mesmo o Sasuke repugnante?

— Hein? Por que está falando nele agora? Eu acabei de tomar um belo café da manhã e gostaria de mantê-lo no estômago! — as duas reviraram os olhos, mas por motivos diferentes.

— Só estou curiosa. — Sakura comentou — Achei que sabendo um pouco mais sobre ele, eu descobriria algo sobre o Itachi também... Já que eles são irmãos, e tal... Eles devem ter algo em comum, certo?

— Talvez... Mas olha bem para o Itachi, e depois para o Sasuke. A diferença é gritante! Sasuke cheia à graxa. O Itachi cheira à camomila.

— Mas e se o Sasuke não for esse monstro todo que dizem ser? E se o Itachi não for o príncipe que parece ser?

— Concentre-se no Itachi apenas! — a ruiva lhe diz, olhando de canto para a amiga.

Mas se o Sasuke manteria sua promessa, Sakura também teria que manter a sua. E por isso não poderia desistir agora.

— Sabia que o Sasuke é bom em corridas de moto?

— Sei. Ele corre em rachas!

— Rachas?

— É. Com apostas e tudo. O ouvi comentando com alguém. E por falar nisso, que história é essa de você sair da festa do Kiba com o Sasuke? — Karin se lembrou do que ouviu da Ino — É verdade? Ah!, já sei! É por isso que você chegou ontem com ele, não é mesmo? Desembucha tudo, Sakura!

A rosada deu ombros.

— Foi por isso que eu disse... Talvez o Sasuke não seja o monstro que aparenta ser.

— Tem certeza de que ele não tentou nada com você?

— Certeza absoluta de que não! Tem algumas coisas que não consigo me lembrar, mas tenho certeza de que não...

Ele fez o contrário!, pensou. A salvou de si mesma. Se ela tivesse continuado naquela festa, só Deus sabe o que poderia ter acontecido.

Ao que tudo indicava, nenhum dos Uchiha havia comparecido às aulas. E tanto a Ino quanto a Hinata voltaram ao seu normal, com os cochichos e caprichos. E mais dois dias se passaram sem que eles fossem vistos nos corredores ou nas saladas de aula da faculdade. Na sexta é que começou a rolar o boato de que haviam faltado às aulas por que um parente deles morreu, e eles é quem tiveram que tomar todas as providências. E foi assim que a primeira semana de aula se passou...

No sábado o sol voltou com força total. Mas ele não foi o suficiente para lhe deter. Pelo contrário! Sakura saiu de casa de manhã cedo com sua mochila nas costas, bastante empolgada com a sua idéia. E assim, pegou o primeiro taxi que passou na rua.

Eram dez e meia quando chegou em frente a casa deles, apertando a campainha. Esperou uns quinze minutos, até que alguém apareceu quando estava prestes a desistir.

— Sakura? — Itachi estava com uma aparência horrível, notou. Os cabelos dele estavam desgrenhados, os olhos profundos e mais escuros do que nunca. E ainda por cima, ele cheirava a quilômetros de distância à álcool. Ela se sentiu totalmente constrangida por estar ali.

— Me desculpe, por vir sem avisar... Mas se eu estiver atrapalhando algo, eu posso voltar... — resmungou, pouco a vontade. De repente, sua idéia pareceu não fazer o menor sentido.

— Não se preocupe, entre!

Seu coração batia tão forte que parecia prestes a explodir, com tantas emoções correndo pela corrente sanguínea. Ela estava ficando sem fôlego outra vez, diante dele, que tentava pôr de volta ao devido lugar seus fios de cabelo.

Mas era tão estranho para ela estar ali. A sala estava exatamente igual ao que se lembrava. Sem identidade alguma pelas paredes; não havia pinturas ou quadros. Muito menos porta-retratos. Apenas a tinta cor de creme pelos quatro cantos. Lá estavam os móveis caros, mas frios e sem vida. Além da lareira sem calor e o tapete meio sem cor. Ela apenas enxergava a solidão por todos os lados. E ela era quase palpável.

— Eu... Eu pensei em agradecê-lo, e me desculpar ao mesmo tempo, pelo inconveniente daquela vez... Você sabe, quando o Sasuke me trouxe. Então, eu vim entregar uma cópia das minhas anotações das aulas que vocês faltaram, para que não perdessem nada...

— Ahh, isso é ótimo! Eu pensei em pedir as anotações do Neji, mas aquele cara não costuma anotar muita coisa.

Sakura sorriu, sentindo aquela sensação reconfortante do alívio. Até então ela estava cheia de receios, com medo de que ele não fosse dar muita importância, e ainda fosse brigar com ela. Mas ela percebeu que ele não parecia, de qualquer forma, muito contente por vê-la.

Itachi estava ainda meio zonzo pela bebedeira em que havia se submetido. Ele e Sasuke passaram o resto da semana sem trocar palavras. Apenas se cruzavam pela cozinha para pegarem mais bebida, e voltavam para seus respectivos quartos. E agora, vendo Sakura ali, tudo piorava. Havia se esquecido de que estava com conflito com a namorada, durante aquele período, e tudo lhe vinha à tona agora.

Vendo o desconforto dele, ela puxou sua mochila das costas para pegar seu caderno. Ela havia destacado as folhas das cópias que fizera para eles; deveriam estar ali, entre alguma página. Mas ela se perguntava por que ainda se sentia nervosa, como se aquilo não fosse o suficiente? Era óbvio que não era suficiente. E a respostava estava, mais uma vez, na posta do seu nariz. Ela deveria dizer algo mais inteligente do que aquilo. Deveria pedir desculpas, e explicar por que fora à festa sem ele.

Mas no fundo, bem lá no fundo de sua consciência, ela não sentia tanta necessidade em dizer aquilo tudo. Estava ali apenas pela obrigação que sentia em fazer algo, mesmo que fosse tão insignificante. E percebeu que, apesar da vergonha, ela não se arrependia. Afinal, não havia cometido nenhum crime. Ela apenas era uma garota, que estava tentando viver. Talvez não tenha feito a escolha certa, mas tudo mundo tem direito de errar. E ela já estava farta de andar sempre na linha.

Foi então que Sasuke apareceu, com uma aparência ainda pior do que a do irmão.

— Tô saindo. Não espere por mim, querida! — ele só a notou ali quando estava prestes a passar pela porta. Aí, se virou para ter certeza de que tinha visto mesmo a garota — Sakura?


Mas antes disso, ele se perguntava: por que será que, justo no dia do enterro dele, tinha que fazer um dia bonito?

O cemitério parecia mesmo um local de paz. O silêncio, a grama verde bem cortada, os pássaros cantando, as flores coloridas... E agora aquele céu azul, com os raios de sol banhando o pequeno grupo de pessoas vestidas de negro, em volta daquele caixão. Isso é algum tipo de deboche com a minha cara?, se perguntou.

A cara que o Itachi fez quando o viu foi inexplicável. Ele não fazia a mínima idéia do que era aquilo. Raiva por vê-lo ali, ou algum novo tipo de gratidão?

Itachi estava surpreso por que não tinha mesmo posto fé de que seu irmão fosse ter a decência de comparecer ao velório do próprio pai.

Naquela rodinha, entorno da cova, enquanto um padre fazia uma oração solene, Sasuke percebeu que só estava a metade da família do velho. O desgraçado era tão ruim que só meia dúzia da família compareceu, entre alguns de seus subordinados da empresa. Os quatro advogados e as duas secretárias. Já por parte da família estava a sua avó, que tinha Alzheimer e não fazia a menor idéia do estava fazendo ali; além de seu tio Madara e seus três filhos aborrecentes e, claro!, as três ex-mulheres e a atual — que deve ter vindo direto de Paris!, pensou. E para completar o grupinho ridículo, ele, o Itachi, e mais uma moça que não fazia idéia de quem poderia.

Aquelazinha ali, deve ser a amante dele! — sua atual lhe diz, entre sussurros, ao ver que Sasuke olhava para a moça desconhecida com o cenho franzido.

Ninguém derramou uma gota de lágrima sequer. Bom, os choramingos da atual não contavam, por que ela usou colírio. E ninguém quis dizer palavra alguma quando o padre perguntou se alguém tinha alguma homenagem a fazer. Afinal, não havia nada de bom a ser dito sobre o maldito. Na verdade, Sasuke percebeu que o Itachi bem que tentou pensar em algo, mas o infeliz estava mesmo sozinho com aquela idéia idiota.

Depois que o último grão de areia foi jogado no buraco, depois que o último sinal da cruz foi feito, todos foram comemorar a liberdade na casa dos Uchihas que, agora, pertencia aos dois irmãos. Todos foram para lá encher a cara, falar mal do velho e comer. Só que a parte mais bizarra mesmo foi quando todo mundo olhou para o Sasuke, esperando que ele dissesse algo também, e ele travou. Travou completamente. As palavras não saíram. Elas estavam ali, bem na pontinha da língua, loucas para serem pronunciadas, mas nada. Nada aconteceu. Nem o Itachi acreditou.

E por isso, Sasuke teve que tomar um porre, como uma forma de punição. Não conseguia entender como isso pôde acontecer. E justo ele, que tinha milhares de reclamações a fazer na ponta da sua língua. Mas ele não sabia dizer o que era pior! Sasuke ainda teve que redobrar a dose depois que ouviu a viúva perguntando aos advogados sobre o testamento.

Cadela desgraçada!, esbravejou. Havia três anos que o velho lutava contra o câncer no pulmão, e o máximo que ela fez foi visitá-lo no hospital duas vezes, e ligar para saber como ele estava por cinco vezes. Bem feito para ele!, pensou. Falta de aviso não foi.

E agora, aquela vaca ia ficar com o quê? Um terço? Talvez a metade, já que o velho pensava mais com a cabeça de baixo do que com a de cima!, praguejou. Ele só tinha certeza de que seu pai não daria mais da metade, por que ele prezava pelo filho primogênito querido que tinha.

— Na verdade, o senhor Fugaku mudou seu testamento algumas semanas atrás. E nessa mudança, ele resolveu não deixar nada para a senhora. — ele ouviu um dos advogados dizer à mulher.

Primeiro, a viúva ficou olhando para os advogados com cara de bunda, como se não acreditasse no que acabara de ouvir. Na verdade, até Sasuke achou que aquilo fosse algum tipo de piadinha de advogado para cima da mulher. Afinal, aquele homem venerava aquela mulherzinha cegamente. Para seu pai, ela era uma deusa. Mas ao ver que eles, na verdade, não estavam de brincadeira, a mulher entrou em desespero. Pânico. Não sabia o que fazer e acabou fazendo papel de ridícula, insultado os advogados e o diabo a quatro, por que aquilo não podia ser possível. Até que, então, um deles tirou uma cópia do próprio testamento da pasta que carregavam, para que ela mesma tirasse suas conclusões com os próprios olhos.

Para dizer a verdade, até mesmo Sasuke meio que sentiu medo daquele papel. Por que se o velho não foi capaz de deixar um tostão para ela, para ele muito menos deixaria. Ele, o filho ingrato e inútil. A ovelha negra da família que o envergonhava. Mas ele estava andando e cagando para a herança. Tudo o que realmente queria era poder ficar com sua moto em paz.

— VELHO INFELIZ! — a mulher esbravejou — NEM PARA SEXO ELE NÃO SERVIA MAIS. NUNCA SERVIU! MAS EU TIVE QUE ATURAR SUAS MALDITAS FANTASIAS PARA SATISFAZÊ-LO. SERÁ QUE ELE NÃO PODIA TER TIDO O MÍNIMO DE CONSIDERAÇÃO PELO SACRIFÍCIO QUE FIZ? O QUE ELE PENSA QUE SOU? UMA VADIA QUALQUER QUE ELE CATOU NA RUA? — ela estava visivelmente bêbada, mas isso não amenizava em nada as barbaridades que dizia. Todos a olhavam com desprezo.

Somente as ex- mulheres davam altas risadas da cara de idiota da viúva, enquanto ela se descontrolava. Com toda aquela agitação, a avó dos irmãos começou a berrar, assustada, achando que estava perdida, enquanto os aborrecentes, filhos do seu tio, não paravam de reclamar por não poderem beber álcool e por que queriam ir embora. Já seu tio, coitado, andava de um lado para o outro sem saber o que fazer. Até que o Itachi resolveu encontrar os seus colhões, farto com aquilo tudo, e acabou despachando todos para o meio da rua, por que não tinha mais como agüentar aquela zona infernal mesmo.

— Família dos infernos! — o cabeludo ainda praguejou — Não servem para nada! — no fim, talvez, ele fosse o único que realmente lamentasse a perda do pai.

Seu tio ainda tentou dar algumas palavras de consolo aos dois, antes de ir embora com as crianças e a avó deles. Só que, para Sasuke, não havia nada a ser consolado!

E então, restaram apenas os dois e a bebida naquele casarão. Por três dias. Pelos três dias conseguintes, eles ficaram bebendo e coçando o saco. Cada um em seu próprio silêncio, lamentando a perda do que poderiam ter sido suas vidas. Lamentando a perda do que nunca tiveram. Pois, apesar de tudo, Itachi também tinha lá sua cota de reclamações a fazer sobre seu pai, pois bem sabia que o velho não era santo.

Além disso, a gripe que Sasuke pegou com a chuva não melhorou, e nem piorou. Continuou na mesma merda. Febre alta, dores no corpo, incluindo a cabeça... Corrimentos nasais, e toda essa merda que vem junto de brinde com o vírus. E ele tentou resistir a todo custo em não tomar remédio algum. Se é para morrer junto, então que morresse junto!, pensava.

Mas sábado chegou, e ele ainda tinha condições de ficar de pé. A febre parecia mais amena, e ele não sentia tantas dores nas costas. Quando olhou a hora no celular, foi que se lembrou da corrida que havia combinado com o seu amigo Juugo.

E só por isso, num piscar de olhos, ele já se sentia melhor. Pelo menos, ele ainda tinha a sua moto para dar uma última corrida antes da morte por gripe ou suicídio — quando estivesse no olho da rua, em cima de alguma ponte.

Mas ele achou engraçado como um ser humano é capaz de funcionar. Num instante, tudo estava escuro, passando para o cinza do céu nublado. Ele havia se esquecido completamente do restante do mundo, de tão imerso nos seus problemas durante aqueles últimos dias, que bastou vê-la ali, numa piscada de pálpebras para que toda a sua perspectiva mudasse.

E, não! Sasuke não acreditava no amor, por que nunca recebeu nada dele. Para o rapaz, o amor não passava de uma fantasia criada pelas mulheres sonhadoras, pelos poetas e escritores, criadores de mentiras. O amor não existe, ponto final. Não passava de uma forte emoção criada pelos nervos sensoriais cerebrais.

Mas gostou de vê-la ali por que, talvez, ele se sentisse mais a vontade ao lado dela. Era tão fácil conversar com ela!, pensou. Por algum motivo, as palavras fluíam naturalmente entre eles. Além disso, ela o entretia. Ela tinha mais conteúdo em mente, para que pudessem pular a parte de perguntas triviais, como: qual sua banda favorita, qual seu filme predileto. Era engraçado perceber que mesmo não se conhecendo, o nível de conversa entre eles era outro.

— Ótimo! — apenas disse — Que bom que você veio. Venha! Começaremos hoje mesmo com as nossas aulas. — então, ele pegou sua mão, arrastando-a para a garagem.

Desconfiado, ou talvez enciumado, Itachi foi atrás, enquanto Sakura alternava o olhar entre um e outro, sem saber o que dizer. De repente, ela se viu numa encruzilhada.

— Aulas? — Itachi questionou sem entender. E ficou parado ali, de braços cruzados, enquanto via Sasuke tirar o baú da moto. Para as corridas, não era bom andar com aquilo nas costas.

— Sim, gênio. Aulas de sedução! — os dois capacetes estavam presos por uma corda ao baú. Sasuke os separou, jogando aquela caixa para cima do irmão, que parecia entender menos ainda o que ele dizia.

Sakura percebeu que Sasuke estava com uma sacola plástica na mão, levando alguma coisa, que lhe pareceu com roupas. Ao ver que a moça estava de mochila nas costas, ele pediu para que ela guardasse sua sacola em suas costas, pois precisaria daquilo mais tarde. Ela também não entendeu nada, mas assim o fez.

— Não espere por mim, querida! — Sasuke repetiu ao irmão. E então, os dois montaram na moto e partiram à toda velocidade, deixando um Itachi muito emburrado para trás.

Notas finais
Algum comentário?