Reverse Mirrors

4 Tão Doce Quanto Pimenta


Notas iniciais
Esse capítulo talvez seja um pouco non-sense, e não tenha muitos diálogos ou mesmo humor(e também pode não ter sido escrito com disposição de muito tempo).

Mas...
Eu tenho esperanças que não tenha ficado tão ruim assim.

De qualquer forma, espero que gostem.

Boa leitura.

Quando levantara da cama aquela manhã, o exibicionista idealizou um dia normal, algo incomum para alguém como ele, mas ainda assim um sonho possível.

Algumas vezes era bom tomar intervalos de toda a confusão que constantemente permeava sua vida; em dias como esse suas expectativas eram simples e a previsão do desenrolar daquela tarde já estava esquematizada.

Ao atravessar a soleira da porta, um par de orbes tão azuis quanto as profundezas seria o primeiro a enxergá-lo. Ele faria seu caminho ao balcão e pediria uma bebida, para logo depois se sentar em algum dos bancos e conversar com seus companheiros. Talvez antes mesmo da bebida chegar, a barafunda estaria formada.

Se tentasse fazer um breve resumo mental, a primeira imagem a preencher sua mente seria a visualização do mais puro caos, enquanto uma garota de trajes azuis observava todo o motim com um ar sonhador.

Mas quando se viu empurrando a porta da construção familiar, assim como fizera em sua imaginação, sons inesperados se encarregaram de varrer qualquer pensamento que tivera anteriormente.

— A Juvia vai chutar seu traseiro! — declarava a voz autoritária.

Intrigado, ele deixou o mármore se arrastar lentamente pelo assoalho, tentando ter uma melhor visão da pessoa que proferira a frase de tal impacto.

E quando a viu, desejou não ter acordado.

Desejou permanecer dormindo, em sua cama, onde era seguro e distante dessa nova versão diante dele.

Tentou entrar sorrateiramente, deslizando os pés na menção de não fazer barulho, enquanto caminhava pelas laterais da construção e lançava ocasionais olhares ocultados pela franja. Pensou em permanecer daquela forma, distante o suficiente para avaliar sua situação.

Mas antes que tivesse a chance, já havia sido puxado para o centro do confronto. Natsu o arrastou sem qualquer cautela e o lançou numa direção aleatória, gritando encorajamentos de ataque.

Para a concretização de seu fatídico e doloroso destino, ele aterrissou no pior lugar possível, numa posição tão errônea quanto os atos daquele que o arremessara.

Um imediato rubor se alastrou pela pele morena, e apesar daquele não ser o lugar ou hora apropriada, secretamente lhe agradava a situação em que ambos estavam agora. Juvia,por baixo de seu corpo com a expressão de puro choque, moveu o olhar para a perna do mago, que encontrara uma posição ainda mais inusitada para estar.

—Ei, Juvia. O idiota do Natsu me... — retesou os músculos e forçou-se para longe dela, arqueando seu corpo na tentativa de se levantar e cometendo terrível erro de tocá-la durante seu progresso.

E isso o rendeu algo belo.

Num lugar tão nobre e de forma tão gentil que o fez imediatamente voltar ao chão, dessa vez sendo chutado para um local próximo ao de antes, enquanto sua agressora se erguia quase em desdém.

Suprimiu gemidos de dor e lentamente apoiou os joelhos no piso de madeira. Ergueu a cabeça para iniciar sua cobrança de explicações, mas quando olhou ao redor Juvia já havia se ocupado com outra vítima.

—Chutar homens é coisa de homem!

Ele voltou seu olhar irritado para ele, sua pálpebra esquerda piscando freneticamente.

—Você acabou de chamar a Juvia de homem? — Ela com irritação evidente, mas o mago não pareceu perceber.

— Sim! Homem! — Ele rugiu no meio do conflito entre vários membros da guilda.

Sem dar uma segunda chance ao gigante homem que se erguia a sua frente, ela fez aquilo que o elogio a incentivara a fazer. Ela foi homem. Seu chute acertou em cheio o torso do gigante e o enviou voando da direção de uma mesa com um estranho trio, dentre eles uma mulher morena de óculos que observara toda a confusão de longe.

O mero instante da exposição de violência o cedeu tempo suficiente para se recuperar do golpe baixo, quando ele finalmente foi capaz de levantar e tentar atravessar o tumultuado salão em sua procura.

Quando seu olhar voltou a encontrá-la, ficou claro que a verdadeira insanidade estava prestes a começar.

A seu lado estava Lyon, abraçando-a e proferindo palavras doces como se recitasse poesias, de poetas tão cegos e decadentes que Gray acreditou ser melhor manter no anonimato, para o bem de sua própria lucidez.

Enquanto tratava de empurrar a multidão que o cercava, observou algo que o surpreendeu ainda mais.

Dentre as várias opções, que iam de recusar educadamente seus avanços, clamar seu amor inalterável por Gray ou então simplesmente ignorá-lo, ela preferiu a boa e velha violência.

Um German Suplex quase perfeito foi prova mais que concreta para ele que aquela Juvia, provavelmente embriagada, não estava em seus dias de maior normalidade — isso é, para seus próprios padrões de ser normal.

— Juvia! — ele gritou, voltando sua atenção para ele.

A menina sorriu docemente, sem quaisquer indícios da violência anterior.

— Por que você me chutou? — perguntou com breves grunhidos.

A mulher da chuva alargou ainda mais o sorriso, mesmo que por trás de tal ato forçado planejasse mil maneiras de torturá-lo.

— A Juvia se assustou com o Gray-sama por cima dela e... —seu olhar migrou impacientemente para todas as direções possíveis, em falsa timidez —A Juvia não pensou direito...

Gray olhou para seu meio irmão caído a seu lado, que tentava encontrar uma forma de se por de pé sem danificar o que restara intacto de sua coluna.

Quando o mago caído estava prestes a conseguir, um chute o fez voltar ao chão.

— Ow! Juvia-chan... vou te amar mesmo em uma cadeira de rodas... não vou desistir...

A menina revirou os olhos e voltou o olhar para Gray. Sua expressão rapidamente mudou de simpatia para algo perigoso.

— Gray-sama...

— S-sim? — ele gaguejou, recuando conforme ela dava passos a frente.

— A Juvia quer te torturar — assumiu com um sorriso perverso, e pelos olhares ora culpados, ora divertidos que ele recebeu de Cana, teve certeza que era culpa do álcool.

Então, uma cena um tanto quanto incomum chamou a atenção de alguns dos membros presentes. A maga de água, popularmente conhecida por perseguir Gray, resolveu agir com um pouco mais de ousadia, assim como o mago que geralmente se esquivava agora literalmente corria horrorizado.

— Ei! Pare de me seguir! Juvia! Ei!

— Vamos brincar de pique-pega, Gray-sama!

Ele continuou a correr, tropeçando em seus próprios pés desajeitadamente , lançando vagos olhares para trás, onde sua perseguidora agora segurava um objeto que não reconheceu de relance.

Mas que concluiu ser uma cadeira quando o mesmo acertou suas costas.

— O que Gray-sama está sentindo? — perguntou de forma dócil, representando perfeitamente o estado mental que julgou pertenceu a uma pessoa embriagada.

Um gato azul alado voou com um peixe mordido em mãos. Ele sorriu com a usual inocência maliciosa e soltou, enquanto enrolando a língua:

— Ele goxxxxxxtaaa dela

Ainda no ar, rodopiou a cabeça de Juvia e sorriu ainda mais, segurando o riso.

— Ela quer pegar ele... — ele mordiscou o peixe e voltou a dizer — Boa sorte, Juvia! Quando pegá-lo amarre ele bem apertado pra não fugir.

O moreno grunhiu, fuzilando-o com um olhar gelado, que logo derreteu ao perceber a insistência cega que a mulher tinha em persegui-lo.

— E-ei! O que eu faço pra você parar?!

Abruptamente ela parou de andar.

Um sorriso tão perverso e audacioso se espalhou pelas feições já obscurecidas com sadismo, formando a expressão de um ditador. Gray engoliu em seco, odiando a sensação que o preenchia, mas apenas observou enquanto ela coçava o queixo e mirava-o fervorosamente.

— Na verdade, tem uma coisa que Juvia gostaria de ver.

Notas finais
Hum...

Alguma crítica, sugestão, opnião... qualquer coisa?

Espero que tenham gostado.

Vejo vocês no próximo capítulo. o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.