Revenge: O preço
44 Capítulo 44 - I love you Swan!
Notas iniciais
Praticamente corri restaurante a fora em busca de Emma, as ruas eram estreitas e iluminadas, cheias de restaurantes pequenos e flores, minha visão estava confusa, usei o pouco de francês que sabia para perguntar a algumas pessoas se elas haviam visto a loira até que um jovem rapaz apontou para a viela escura a minha esquerda, sem ao menos agradecer corri rua a dentro buscando-a, avistei Emma caminhando a certa distância, desacelerei buscando ar, não havia ninguém naquele espaço, apenas lojinhas que já estavam fechadas e alguns ciclistas que passavam ali...
Regina: EMMA! — gritei fazendo-a olhar imediatamente para trás e como se eu não existisse a loira voltou a caminhar me fazendo engolir a seco e gritar novamente. — EMMA ESPERE! — Dessa vez Emma parou arqueando a cabeça para o céu como quem se sentisse castigada, caminhei depressa ficando a um metro dela que finalmente virou-se. -
Emma: O que foi aquilo? — a loira me encarou com nada mais que incredulidade nos olhos, sem lágrimas nem dor, somente...incredulidade. E ao perceber que só teria meu silencio resolveu continuar. — Então é isso que você faz com seus sentimentos?! Controla, reprime, esmaga...como faz com um inseto? — me olhou com completo nojo. -
Regina: As coisas não são bem assim Emma. — disse em tom de defesa desviando o olhar para o lado. -
Emma: São sim, foi o que você disse. E sabe o que é engraçado? Sempre que acho impossível ser ainda mais machucada, você me prova que consegue fazer com que eu me sinta muito pior. Você tinha me deixando ir Regina, e olha onde estamos agora. — disse abrindo os braços os levando a cabeça em seguida, Emma sentia desespero. -
Regina: Eu não queria que você estivesse aqui mais do que você não queria estar Emma. — falei baixo, quase em um sussurro encarando-a já com os olhos marejados. -
Emma: Não tem mais que se preocupar com isso...
Regina: Do que você está falando?
Emma: Volte e termine de resolver as coisas com Leroy, quando chegar no hotel já não estarei lá, e assim que amanhecer...vou estar no primeiro voo para Storybrooke. — a loira deu dois passos para trás ameaçando ir embora. -
Regina: Não precisa ir embora... — disse rápida com medo da loira ir. — Sei que não sou boa em lidar com sentimentos Emma, mas não quero que vá embora assim. Acha que não quis ir embora ao ouvir tudo aquilo sobre Neal? Acha que é fácil pra mim?
Emma: Agora você quer falar sobre isso Regina? Porque se quer... poupe-nos. Não tem mais o que ser dito!
Regina: você está com raiva, eu entendo, tem todos os motivos do mundo para estar, mas por favor não vá embora assim. Se você for dessa maneira, seus pais, seu noivo, seu irmão irão nos encher de perguntas. — não me importava com o que nenhum deles pensaria, mas naquele momento aquilo parecia o mais convincente possível, infelizmente eu estava muito errada. -
Emma: E essa é a sua preocupação... — sua voz soou decepcionada fazendo-a balançar a cabeça diversas vezes em sinal negativo. — Meu Deus, onde eu estava com a cabeça quando me apaixonei por você? Quando a toquei? Quando aceitei que a...que a amava. Eu só posso ser muito doente.
Regina: Você não é doente Swan, claro que não. É a mulher mais incrível que conheci na minha vida, a culpa disso tudo não é sua. Você só me apareceu no momento errado... na família errada.
Emma: Você fala como se esses fossem os únicos problemas e como se EU fosse o problema. A amei mesmo sendo a amante, mesmo traindo meu irmão, mesmo quando você claramente me usou, mesmo quando você não escolheu a mim, mesmo quando você quebrou os vasos que eu mais a amava, mesmo quando você me traiu com a mulher que acabou com a minha vida, eu a amei em todos os momentos e tudo que você fez foi me prender a você porque é egoísta, me fez acreditar que era seu jeito de amar quando na verdade você não sente nada por mim. — as lágrimas então desceram do rosto da loira fazendo com que as minhas também começassem a vir, porém mais controladas. -
Regina: Você não sabe do que está falando, pode me odiar por todos os motivos do mundo mas nunca por não sentir nada por você... Não sabe o quanto gosto de você Emma, e o quanto fazê-la sofrer me dói. — disse avançando alguns passos fazendo a loira recuar com pressa, estava perdendo-a, podia ver em seus olhos. -
Emma: Suas atitudes me provaram completamente o contrario. A única coisa que acredito agora é que você é a pior pessoa que poderia ter entrado em minha vida, se Killian tivesse vindo nessa viajem você estaria noiva dele agora. — infelizmente aquela era a verdade, mas eu tinha um motivo, certo? motivo esse que a loira jamais poderia saber, então busquei defender-me de outro modo. -
Regina: Eu só queria machucar o homem que destruiu a minha vida, o homem que acabou com minha família, o assassino que me tornou esse "monstro" que você ver agora. — as lágrimas passaram a descer sem controle, lembrar de tudo era doloroso em excesso, falar em voz alta era ainda pior. -
Emma: Não o culpe por você ter se tornado assim, tenho certeza que seu pai a educou para que acima de tudo você continuasse a ser uma boa menina...uma boa mulher...
Regina: Você não entende.
Emma: Como poderia? Tudo que você diz é pela metade, você fala de vingança, culpa alguém que não faço ideia de quem seja e TUDO de ruim que você faz o culpa, mas não é mulher suficiente para ser sincera, e nunca será. Sabe porque? Porque essa é você, uma mulher CO VAR DE! — a loira alterou a voz usando suas piores palavras, o pior de tudo era que eu não conseguia dizer nada, estava cansada de lutar contra tudo o tempo inteiro. -
Regina: O que você quer de mim? a verdade? Então lá vai a verdade Emma! Quando descobri quem era o mandante do assassinato do meu pai jurei me vingar, larguei Kristin para que nada me impedisse, assumi a OceanTur somente pelo poder, passei a minha vida planejando tudo em seus mínimos detalhes, não voltei a Storybrooke por querer Emma, voltei porque é lá onde o assassino está, voltei porque só serei feliz depois que vê-lo sofrer. — a encarei com todo ódio que sentia por David, com o olhar que a loira nunca tinha visto antes. -
Emma: O conheço? Não minta pra mim. — sua voz soou quase ameaçadora me apavorando. -
Regina: Não, você não faz ideia. — ter que mentir naquele momento era terrível, mas não mais do que dizer que aquele homem sem coração se tratava do seu próprio pai. -
Emma: Você é ainda pior quando diz a verdade, vai se vingar de um assassino se tornando igual a ele?! — o medo em seus olhos era nítido, a mulher que eu realmente era causava em Emma, medo. -
Regina: Claro que não, não sou uma assassina. — balancei a cabeça em negativo inúmeras vezes. — Quero ele vivo e pagando por toda dor que me causou, pagando pelo sangue do meu pai!
Emma: Realmente sinto muito por tudo que aconteceu a você, não posso imaginar o tamanho da sua dor, mas Regina... Você nunca vai ser feliz com essa vingança, isso só te deixará mais vazia e te tornará igual a ele.
Regina: Cale a boca! EU NÃO SOU IGUAL A ELE EMMA! — gritei perdendo totalmente o controle, de tudo que eu poderia ser, igual a David jamais seria -
Emma: Eu sinto muito, sinto muito mesmo... por tudo! Por seu pai, por você, por nós. — sua expressão era de quem pedia ajuda, humilhantemente desesperador. -
Regina: Por favor não vá embora, eu não quero ter que esquecer. — deixei que meu desespero fosse notado, sussurrei implorando entre lágrimas enquanto Emma dava as costas me deixando apavorada. -
Emma: Me dá um motivo pra ficar Regina, você consegue? É capaz? — Emma virou-se com pressa, seus olhos escuros pela raiva me encararam firmes a espera de uma resposta, mais uma vez, tudo que tive a oferecê-la foi meu maldito silêncio. — Como eu pensei... E quer saber? Só queria conhecer a Regina que gosta de animais, que gosta de piano e musica clássica, que gosta de dançar e olhar o céu...e ainda sim, amar a Regina que gosta de intimidar as pessoas, que gosta de ver o medo nos olhos dos outros...
Regina: Você... você ouviu... — sussurrei arregalando os olhos assustada, sim, Emma tinha ouvido tudo que disse aquela noite, ela estava acordada, ela sabia da minha fraqueza e sabia do quanto perdê-la me assustava. -
Emma: Você sabia que tinha me perdido de uma vez por todas e mesmo assim não conseguiu dizer, não conseguiu porque você não sente, não é capaz de sentir e eu tentei, mas não consegui...
Regina: Eu sinto sim, eu consigo Emma. — mais uma vez tentei me aproximar sendo impedida pela mão da loira pedindo que eu parasse onde estava, sem forças apenas a obedeci. -
Emma: Não Regina, você não consegue. Mesmo que você se vingue, não vou odiá-la e não vou esquece-la. — queria que isso permanecesse quando ela soubesse que era seu pai. pensei — Se você sente algo como diz, espero que isso seja suficiente para você seguir em frente, sozinha!
Vê-la dar as costas daquela maneira foi a coisa mais dolorosa que já senti depois do enterro do meu pai, estava enganada quando achei que não poderia doer ainda mais, o que sentia em meu peito era ainda mais cruel, era como se todo meu corpo estivesse em chamas e a dor só aumentava a cada metro mais distante que Emma ficava de mim, foi quando senti que não tinha mais forças, estava cansada de lutar, de lutar contra tudo que vinha sentindo desde que meus olhos cruzaram os da loira, ela me amava mesmo sabendo que o ódio era meu maior aliado, ela estava ali comigo o tempo inteiro, ela prometeu que cuidaria de mim e cuidou, só tinha uma coisa a dizer e a minha única certeza naquele instante era de que...
Regina: EU TE AMO! — gritei assustada, apavorada, aquilo saiu da minha boca sem meu consentimento, era meu coração falando pela primeira vez em muitos anos. — Eu te amo Emma Swan! Como nunca fui capaz de amar antes e como nunca serei capaz de amar outra vez, te amo te amo te amo e que alivio dizer o quanto eu te amo! — disse sorrindo de alivio tentando enxugar as lágrimas, Emma parou permanecendo de costas. -
Emma: Porque você tá fazendo isso? — finalmente virou-se, as lágrimas que desciam de seus olhos eram ainda mais dolorosas que antes. -
Regina: Porque eu te amo! Posso gritar aos quatro cantos dessa cidade o quanto eu amo você Emma! — ameacei gritar abrindo os braços aliviada, havia me tornado ridícula e estava completamente feliz com aquilo. -
Emma: PARA! PARA POR FAVOR! Já chega! — a loira gritou me segurando pelos braços fazendo-me olha-la. — É aquele seu lado egoísta falando mais alto outra vez, não faça isso. — implorou, seu hálito em meu rosto era como uma droga, queria beija-la, mas naquele momento Emma parecia cada vez mais longe. -
Regina: Amo seus lábios, seus braços, seu sorriso, seus olhos claros de amor, escuros de ódio, acesos de desejo, amo a forma idiota como você se importa com os outros, amo sua paixão por justiça, amo sua sensibilidade, amo como você me desafia, amo quando me contradiz... acredita em mim...eu amo você e consigo dizer isso agora. — havia me entregado de vez a vergonhosa tentativa de não perde-la, deixei que somente meu coração falasse e agisse naquele instante, deixei que aquela coisa ridícula chamada esperança tomasse conta de toda a situação. -
Emma: Agora é tarde!
Emma novamente deu as costas para mim e dessa vez havia dado as costas também para tudo que havíamos tido, mais uma vez o amor me mostrou o quão doloroso és, e o pior de tudo é que dessa vez eu me sentia completamente culpada pelo jeito como as coisas haviam acabado. Estava, como dizem as pessoas comuns, sem chão! As lágrimas cegavam o caminho, sentei na calçada como uma digna derrotada, me permiti chorar por longos minutos até usar o que havia me sobrado de dignidade e voltar até o restaurante.
Leroy já havia ido embora, mas deixando os documentos com a recepcionista. Os recolhi e voltei para o hotel, a dor era tamanha, não havia espaço para lágrimas ou seja lá o que fosse, tomei o banho mais demorado da minha vida, queria arrancar meus cabelos se isso diminuísse essa maldita dor, sentia vergonha do que via no espelho, uma vergonha diferente, dessa vez estava envergonhada por ter precisado perder a loira para dizer que a amava e o quanto a amava, vergonha de ter precisado humilha-la tanto até admitir que tudo que fiz de bom, o pouco que fiz de bom, fora por amor, eu Regina Mills sinto amor...
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Vesti uma roupa qualquer, já se passavam das duas da manhã e tudo que tive forças para fazer foi olhar as luzes da linda Paris sem se quer me importar com o frio que congelava a alma, aquela varanda era realmente linda e estava eu a desperdiça-la com meu sofrimento....arg...era esse o fundo do poço.
As malas de Emma ainda estavam no quarto o que me deixara muito preocupada, fui acordada dos meus pensamentos com as batidas na porta, senti todas as sensações mais apavorantes e enlouquecedoras da minha vida, sem pensar duas vezes corri e respirei fundo antes de abri-la.
Emma: Repete, repete o que você disse Regina!
Regina: Eu te amo Emma Swan!
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