Revenge: O preço
9 Capítulo 9 - I hate you Swan
Notas iniciais
Fiquei em silêncio esperando que Emma dissesse algo, explicasse o porque de está chorando, imaginei que podia ser uma reação normal da culpa pelo irmão, me mantive firme, sem expressão alguma, a fitando chorar.
Emma: A que ponto chegamos Regina? – Emma levantou-se me olhando com uma seriedade fora do comum, sua voz era amarga, senti que algo havia saído de meu controle, havia uma decisão para ser tomada ali, seja lá qual seria. –
Regina: Espere, não tem como falarmos comigo assim. – Apontei para meu corpo que estava desnudo e apenas coberto pelo lençol, me pronunciei séria, aparentemente ignorando a forma devastada em que a loira se encontrava, caminhei ate o quarto sob o silêncio perturbador que se instaurara sobre nós, coloquei qualquer roupa que achei primeiro, lavei meu rosto e respirei o mais fundo que pude, voltei a minha expressão séria de antes e voltei para a sala encarando Swan que estava andando de um lado para o outro na sala – Pronto! Aconteceu alguma coisa Querida?
Emma: Desde pequeno Killian sempre foi um idiota, não sabia se defender sozinho, não sabia resolver os próprios problemas, apesar de mais velho sempre fui sua defesa. Meu irmão confia em mim, sempre confiou. Consegue imaginar o que é pra mim acordar nos braços da mulher que ele está completamente apaixonado? E pior, saber que essa não é a primeira vez? – Os olhos de Emma queimavam junto aos meus, as lágrimas desciam do seu rosto pálido involuntariamente, mesmo sua expressão sendo completamente séria e dura. –
Regina: Não escolhemos isso. Não tinha como evitar algo que aconteceu antes mesmo de sabermos quem éramos, Não se culpe Swan. E também não culpe a mim. – eu disse séria com as mãos nos bolsos a fitando como se nada daquilo tivesse importância. –
Emma: Como consegue agir assim? Não sei nada sobre você, mas pelo que vejo, não tem sentimentos Regina, não como as outras pessoas. – Tentei falar, mas Emma me interrompeu completamente seca – Vamos deixar algumas coisas claras agora, serei apenas a irmã do seu namorado e você nada mais do que a namorada do meu irmão, não me olhe nos olhos e muito menos me dirija a palavra a menos que seja por trabalho ou por Killian, se não sente nada por ele o deixe em paz, ou ele vai saber que a namoradinha adora fazer insinuações para outras mulheres. Essa noite nunca aconteceu, eu e...você...nunca aconteceu. – a loira secava as lágrimas constantemente mostrando o quanto estava se forçando a ser forte, suas palavras perfuraram meu peito como tiros, estava completamente confusa com a forma na qual ela estava agindo. –
Regina: Você não seria capaz de contar nada a seu irmão Emma, não conseguiria. E porque isso agora querida? Não lhe agradou a noite que tivemos? – eu disse em um tom calmo, mas por dentro eu sentia algo tão forte que me causava enjoo, tentei segurar suas mãos, mas Emma retirou minhas mãos com força alterando seu tom de voz –
Emma: você não cansa? Meu Deus Regina. Entenda o que eu disse. ENTENDA. Eu amo meu noivo e ele é suficiente pra mim. Eu amo meu irmão e a felicidade dele é o que importa, mesmo que seja ao lado de uma mulher feito você. – pronunciou as últimas palavras com certo nojo em sua voz –
Suas palavras cortaram-me por completo, não havia nada que eu pudesse dizer, senti raiva pela forma como ela me desafiara com o que disse, e mais raiva ainda por eu está completamente vulnerável aquela situação. Meu coração queimava, minhas mãos tremiam escondidas em meus bolsos novamente, concentrei todo o meu ódio, toda minha dor, tudo que havia de mais obscuro dentro de mim para tomar a atitude certa, Emma acabava de se tornar o maior perigo para meus planos, e aquela era a hora certa de pôr um fim nisso. Mesmo que me custasse uma nova dor, que eu não lembrava a última vez que havia sentido.
Regina: O farei feliz Emma, mas da minha maneira. Se o seu noivo é tão suficiente assim, então não temos com o que nos preocupar. Não aconteceu nada. – disse cada palavra pausadamente, para Emma eu queria tortura-la, mas eu sabia que cada pausa era pra evitar que lágrimas saíssem de meus olhos. –
Emma: Adeus Regina Gray. – a loira disse entre lágrimas insistentes, caminhando até a porta com sua pasta na mão, Emma dava passos largos, mas ao abrir a porta, o fez devagar, como se em algum pensamento seu, ela esperasse que eu a impedisse de ir embora. –
Regina: Dormiu comigo por causa do vinho Emma Swan? – a perguntei antes que a mesma fechasse a porta, tive um medo aparente da sua resposta, e mais medo ainda do motivo que me levou a fazer tal pergunta. –
Emma: Não Regina. Eu estava sóbria. Completamente sóbria. – Sua voz saiu falha, seus olhos vermelhos de chorar encontraram os meus alguns segundos, pude ver o quão Emma foi sincera. –
Regina: Aliás, Regina Mills. Me chamo Regina Mills. – pude ver a loira arregalar seus olhos verdes, balançou a cabeça como se buscasse espantar algo, não sei se Emma lembraria daquele sobrenome, mas a sorte estava lançada. A loira virou e bateu a porta com força, levando minha força consigo, pois junto à batida da porta, me veio as lágrimas. –
Me permiti chorar por algum tempo enquanto olhava storybrooke ensolarada através da sacada, pensei em todos os breves romances que havia tido com homens e mulheres ao longo da minha vida, lembrei-me da loira maravilhosa da faculdade que foi o mais perto que cheguei de uma felicidade ao lado de alguém, mas como eu sempre fazia, a afastei de mim com medo de que aquele sentimento bom viesse atrapalhar meus planos que na época começavam a ganhar forma, e segui assim, até o dia em que olhei os olhos verdes de Emma Swan e senti o sabor dos lábios da loira. Não estou apaixonada, isso é impossível, eu seria incapaz de me apaixonar por alguém que carrega nas veias o sangue de um assassino ambicioso, e agora que estou a caminho de honrar o nome de meu pai, não vai ser essa felicidade momentânea que irá atrapalhar-me. Mas em tão pouco tempo me trouxeste tantos momentos bons Emma, te arrancarei do meu peito com a mesma rapidez que entraste nele.
Tomei um banho demorado com a intenção de tirar o perfume de Swan do meu corpo, já passava das nove da manhã e pela primeira vez eu estava atrasada para um dia de trabalho, senti o perfume de Emma pairar sobre a sala e fui tomada pela indisposição, o café que a loira havia preparado estava numa xícara em cima do balcão, segurei a xícara com a mão direita e a encarei alguns segundos lembrando da noite anterior, uma lágrima solitária desceu do canto de meu olho esquerdo, apertei a haste da xícara com força e arremessei-a na parede com toda a força que eu tinha, respirei fundo, liguei para que a empregada do hotel limpasse o apartamento e tirasse qualquer vestígio da presença da loira. – EU TE ODEIO EMMA SWAN! – Foi o que eu disse alto e em bom som antes de sair da minha cobertura em direção à empresa.
– Emma narrando –
Acordei tendo uma das visões mais lindas que pudera existir, Regina estava deitada ao meu lado dormindo como um anjo, ou seria um demônio?! Ri dos meus pensamentos, levantei-me e a cabeça latejou devido ao vinho da noite anterior, eram quase sete da manhã, preparei um café delicioso para tomarmos e comecei a pensar no que havíamos feito, não era certo, depois do que sofri há um tempo, me entregar a essa sensação outra vez chegava a ser desesperador, principalmente por aquela mulher se tratar do amor da pessoa mais importante pra mim, meu irmão. “Não vai passar disso, uma recaída, eu sei que é.” Eu repetia para mim mesma querendo amenizar a culpa até que me vesti e decidi ler as mensagens que haviam chegado durante a madrugada em que eu estava bem ocupada...
Neal Cassidy:
“Estou sem sono e decidi pesquisar alguns lugares para nossa lua de mel, amanhã lhe mostrarei as fotos, aposto que irá querer se casar na semana que vem, minha vida!”
“Eu disse que você é a mulher mais linda dessa cidade? Porque você é. Queria que estivesse em meus braços agora.”
“Eu amo você Emma!”
Killian Swan:*
“Espero que Regina não tenha te matado por interromper o descanso dela por negócios. Sei que você consegue qualquer coisa. Te amo!”
“Acabei de chegar em casa, não vou te acordar, assim que ler isso sua preguiçosa leve os papéis pra empresa, confio em você maninha ♥”
Pareciam simples mensagens, mas foram mais que suficientes para me encher de culpa e jogar-me na maldita realidade, meu noivo passou a noite pensando em mim enquanto eu dormia com a namorada do meu irmão, as lágrimas começaram a sair dos meus olhos sem permissão, fitei Regina que continuava a dormir como uma majestade. Será que ela também sentia culpa?! Não era a primeira vez que ficávamos, mas dessa vez transamos e isso tornou as coisas bem mais complicadas, eu deveria sair e deixar um bilhete pedindo que aquela mulher esquecesse tudo, mas não, a maior parte de mim queria que ela me protegesse daquela culpa, que ela fizesse valer a pena todo sentimento ruim que eu estava sentindo naquele momento, lembrei-me do que me acontecera alguns anos atrás e de todas as vezes que Regina fora tão fria, como no banheiro de minha casa e no banheiro daquela festa, exatamente na noite que Killian a conheceu, ele me contou da morena que o encantou tão rápido, tudo isso já não era mais uma recaída, muito menos uma diversão, eu estava desejando aquela mulher com todo meu coração e isso me apavorou. NÃO!
Ainda consumida pelas lágrimas peguei meu café e fiquei a fitar a cidade pelas vidraças do apartamento da morena, ora pedindo perdão a Killian, ora pedindo perdão a Neal que tanto me ajudara em um tempo difícil, implorei que a morena acordasse antes que eu desistisse de toda a raiva e pulasse em seus braços.
Depois de toda a briga sai daquele apartamento cegada pelas lágrimas que voltaram a cair e massacrada por sentimentos que iam de raiva a desespero. Estacionei na frente das instalações da Dreams, e pedi que o porteiro entregasse a pasta para Killian, ele não deixou de notar meu rosto cansado e vermelho, mas não disse nada, Neal me ligou e eu disse que estava indisposta e iria descansar um pouco, sua compreensão foi como sempre a melhor possível, fui para casa tomar um banho, precisava me livrar do perfume de Regina e dormir o máximo de tempo que eu pudesse, mas o sono não chegava, na verdade, descansar foi a pior ideia que eu poderia ter tido, as lembranças da noite ao lado de Regina invadiam minha memória sem permissão, ela se entregou pra mim de verdade e aquilo era...confuso, e maravilhoso. Tê-la em meus braços me causou sensações que achei que houvessem morrido para sempre junto da maldita Ariel, chega a ser desesperador a necessidade de senti-la outra vez, mesmo sabendo que isso nunca mais acontecerá. A tatuagem me deixou curiosa, e o sobrenome Mills, o mesmo de um antigo sócio de meu pai que morreu em um acidente a mais de 10 anos, coincidência demais. Porque ela disse que se chamava Regina Gray para todos que a conhecem? Em meio a tantas dúvidas e lágrimas, acabei dormindo. Desejando que aquela noite nunca tivesse acontecido. Não, na verdade eu desejava apenas que Regina fosse uma mulher comum e eu pudesse lembrar daquela noite especial sem sentir tanta dor.
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