Revenge: O preço
14 Capítulo 14 - Um brinde
Notas iniciais
– Emma narrando –
Sei que havia deixado claro que queria Regina longe de mim, mas saber que ela era a filha de Henry e não havia nos contado me fez tomar a impulsiva decisão de contar a todos imediatamente, a morena era fria, nunca descia do seu salto e nem saia de sua postura dominante, então algum motivo tinha para que ela nos escondesse essa verdade, mas ao ver o furacão Mills entrar na sala me fez tremer e querer voltar atrás, de repente todos me olhavam como se aquilo fosse um julgamento, infelizmente tudo saiu do controle quando vi uma lágrima descer do olho da morena, aquela mulher pareceu indefesa, mal havia lembranças de Regina pequena, mas o pouco que eu lembrava era do quanto Regina era doce e apegada a Henry que era um homem incrível, sempre tratou a mim e Killian como se fossemos filhos, Cora era completamente fria, só queria saber de compras e de esbanjar o dinheiro do marido, ela deve ter sofrido tanto, por isso ficara assim. Devia ser uma história terrível tudo que ela passou, mas eu sabia que jamais iria saber, já que a “vossa majestade” jamais seria capaz de se abrir para alguém. Ao ouvir da boca da morena que ela havia confiado em mim me senti a pior das pessoas, mas Regina era tão boa em brincar com as palavras que eu não sabia se realmente deveria acreditar, quando a vi sair pela porta sozinha e provavelmente péssima com o que eu havia feito, senti a necessidade de me desculpar, mas não de uma maneira convencional, e sim, um pedido de desculpas digno de Regina Mills. Pensei em mil coisas para escrever no cartão, pensei no que a morena provavelmente gostaria de ler, e fiz aquele bilhete parecer de um galanteador. Não tive nenhuma resposta, nem se quer uma mensagem Regina me mandou, me deixando completamente frustrada, repeti varias vezes para mim mesma que não tive culpa e que isso era um sinal para que eu a deixasse em paz. Só não contava que seria tão difícil ser ignorada pela morena, nem mesmo os jantares com meu noivo me fizera esquecer, na quinta Neal havia ido visitar a mãe e Killian teria um jantar de negócios, era a chance que eu tinha, sem pensar duas vezes me arrumei e decidi ir atrás da morena pedi-la desculpas de uma maneira que certamente ela entenderia. Mas na hora de entrar no carro a covardia me dominou me travando por tanto tempo que achei que nunca mais sairia dali, até que finalmente eu estava completamente nervosa na porta de Regina Mills.
Queria ter passado a noite com aquela mulher, confesso. Queria repetir tudo que aconteceu na outra noite, queria que durasse mais e que de manhã pudéssemos fazer tudo que deu errado na anterior, mas não podia, e dessa vez a culpa parecia adormecida, eu sentia algo que por aquele momento pareceu pior, muito pior do que trair meu noivo e meu irmão com a namorada dele, era estar me apaixonando por ela. Eu sabia que ir atrás da morena seria confessar a mim mesma o que eu já sabia, e dessa vez Regina foi compreensiva o que tornou um momento frustrante mais torturante ainda, pois a vontade de possui-la fora maior. Despedimo-nos de um jeito tão diferente que pude jurar que houve uma reciprocidade por parte de Regina, mesmo que ela jamais confessasse, senti que a morena me queria e sentira minha falta tanto quanto eu a dela. Saí de seu apartamento com um enorme sorriso, embora devesse ser uma despedida, na verdade, me pareceu mais um começo de algo impossível. Cheguei em casa já era madrugada, cantarolei baixinho e quando me virei dei de cara com Ruby que me olhava desconfiada.
Ruby: Deixa eu ver... Neal está com a mãe... então qual o motivo dessa animação toda maninha? – Ruby tirou os fones e sentou-se no sofá me chamando para o seu lado, obedeci. –
Emma: Não tem um motivo Ruby. Só estou um pouco animada. Pare de sempre achar que há algo mais. – A fitei com um ar esnobe cutucando sua barriga lhe fazendo cocegas. –
Ruby: A conheço melhor que nossa mãe Emma, sei qual a única coisa que consegue te deixar assim, e não, não é o idiota do Neal. – Ruby disse insinuosa cintando o nome de Neal com total deboche me arrancando uma risada. Minha irmã me conhecia como ninguém e naquele momento isso era um problema. –
Emma: Ei mocinha, sei que não gosta do meu noivo, mas eu gosto, e vou me casar com ele, não encha sua cabeça com bobagens de um passado que morreu. – falei ficando séria fitando o chão escuro da sala. –
Ruby: Você só noivou com ele porque foi a forma mais fácil de esquecê-la Emma, sabemos disso. Agora que você superou a maldita, devia largar o tonto e se dar uma nova chance. – minha irmã falava com convicção, segurando meu rosto para que eu a olhasse. –
Emma: Ruby, prometemos NUNCA mais tocar nesse assunto. Tenho a minha nova chance com Neal e vai ser com Neal você goste ou não. Ele é um bom homem e... existem outras necessidades a frente de amor, um dia vou ama-lo você vai ver. – desviei meus olhos dos dela me irritando ao ouvi-la se referir a Ariel. –
Ruby: hmmmm Okay. Mas então porque está com esse perfume diferente que eu conheço de algum lugar... deixa eu sentir, vem cá, tenho certeza que... – minha irmã me puxou pelo braço tentando alcançar meu pescoço me fazendo levantar quase em um pulo e afastar-me bruscamente. –
Emma: Calada Ruby! – a interrompi – Você não existe viu, fica criando coisas em sua cabeça, aceite a realidade que dói menos. Vai dormir que isso deve ser sono. – falei debochada como se estivesse achando-a louca, subi as escadas correndo e parei ao ouvir minha irmã completar. –
Ruby: Quero te ver feliz Emma! Sabemos que não é com o tonto. – revirei os olhos como se não houvesse nexo em suas palavras, mas infelizmente, minha irmã estava certa. Embora não houvesse o que ser feito, eu iria me casar com Neal e um dia ama-lo. Assim espero. –
Aquela noite tive um sono tranquilo como não havia tido há muito tempo, mesmo quando estava nos braços do meu noivo.
– Regina volta a narrar –
O resto da semana se passava tranquila, Emma de vez em sempre vinha em minha mente me arrancando sorrisos que chegavam a ser perceptíveis. No final de semana Killian insistiu que eu mais uma vez comparecesse ao almoço de domingo com sua família, não era a melhor coisa a se fazer, porém, considerando que eu não era uma mulher de muitos amigos, ou melhor, de praticamente nenhum, pois a única pessoa na qual eu confiava e tinha realmente uma amizade, estava viajando e eu não fazia ideia de quando voltaria, a única opção era me entreter com meu homem, e eu deveria considerar que seria bom ver as ações de David para comigo, confesso, também precisava ver Emma.
Chegamos à mansão já se passava do meio dia, me perguntava se seria sempre assim, esse enjoo e ardor no peito cada vez que eu soubesse que iria ficar frente a frente com David Swan. Mary foi a primeira a nos receber, caminhávamos até a sala de jantar quando Ruby desceu pelas escadas quase correndo me dando um beijo demorado na bochecha, ela conseguia ser irritantemente fofa. A jovem estranhamente aproximou-se novamente do meu rosto como se buscasse lembrar-se de algo me fazendo fita-la com uma enorme cara de dúvida.
Ruby: Ah desculpe! É que... que... – A garota arregalou os olhos e mordeu os lábios como se acabasse de fazer uma descoberta.
Regina: É que o quê Ruby? – franzi o cenho esperando uma resposta sensata para tal atitude. –
Ruby: Sabia que conhecia esse perfume de algum lugar. – A garota disse mais para si mesma. – É o mesmo que senti em uma...amiga. – Ruby olhava para os lados inquieta. –
Regina: Improvável querida. Esse é um perfume raríssimo e importado. A menos que sua amiga tenha estado comigo, o que é impossível, tenho certeza que se trata de um perfume parecido. – Eu disse totalmente esnobe a encarando e em seguida dirigindo-me a cadeira ao lado de Killian. –
Ruby: AI...meu....Deus... você está certa. Devo ter confundido. – Ruby era ótima com cheiros, fosse de comida ou perfume, nunca se confundira, a garota tinha certeza que aquele era o mesmo cheiro forte que ela havia sentido no pescoço de Emma, mas nada tinha um sentido, a menos que... Não, impossível. Ruby balançou a cabeça e sentou-se a mesa completamente confusa com todas as dúvidas que surgiram em sua cabeça. –
David apareceu quando já nos servíamos, me cumprimentou a distância, o almoço seguia em certo silêncio, quis perguntar por Emma, me contive, por sorte também não foi preciso, Mary começou a falar que sentia falta da filha que havia ido passar o dia com o noivo, gerando um revirar de olhos por parte de Ruby e por minha parte. Ao terminamos David pediu para conversar comigo, congelando-me a alma. Seguimos para o mesmo local em que Emma e eu havíamos discutido...
David: Olha Regina, sei que você não quer falar sobre o assunto e eu entendo, entendo de verdade, quero que saiba que você é tão desta família quanto Henry era e tudo que precisar, pode contar comigo. – O homem disse encostando-se ao balcão e me olhando em seguida. Sua voz controlada me arrepiava a espinha. –
Regina: Obrigada. – Limitei-me a dizer. –
David: Ele era um bom homem, não merecia a morte que teve. Mas o destino nunca erra, talvez tenha sido necessário, para que outras coisas boas pudessem acontecer. – David olhou-me nos olhos fazendo-me engolir a seco. –
Regina: É... mas nada justifica a forma como tiraram meu pai de mim. Talvez o destino tenha reservado algo além de... coisas boas David. – Fitei o chão por um instante o encarando com certo ódio em meu olhar ao pronunciar minhas ultimas palavras. –
David: Eu a entendo Regina. Seu pai me disse que você era como ele, mas vejo mais de Cora em você, é forte como a sua mãe. – o homem falava calmo enquanto preparava duas doses de whisky em seu mini bar. –
Regina: Porém determinada como o meu pai. – ao ouvir o nome da minha mãe e pior ainda, ao ouvi-lo me comparando a ela eu quis mata-lo, serrei meus dentes evitando qualquer atitude precipitada. –
David: Na verdade Regina, determinação também era algo que pertencia a Cora. Pelo que vejo, de Henry você herdou a inteligência, e a prova disso é mesmo sua mãe tendo vendido sua parte da Dreams, você ainda sim tem seu império, e que é só seu. Bom, por enquanto, pois em breve, voltaremos a como era antes, união dos Swan com os Mills, porém tenho certeza que o final não será trágico como fora o de seu pai. – ele disse frio entregando-me um dos copos. –
Regina: Disso eu tenho certeza. O final será completamente diferente meu caro. – Falei com certo sarcasmo na voz, tenho certeza que ele havia entendido meu recado, e nenhuma ameaça me faria retroceder, pelo contrario, agora eu tinha mais certeza do que nunca. –
David: Um brinde a união da família Swan com a família Mills. – ele levantou o copo em minha direção com seu sorriso nojento nos lábios. –
Regina: Pequena correção. Um brinde a união da família Swan com Regina Mills. – encostei meu copo ao dele descendo a bebida quase que de uma única vez garganta abaixo. Dirigindo-me sem olha-lo para o jardim onde estavam todos. –
Sentei-me no braço da cadeira que Killian estava, David apareceu alguns minutos depois abraçando sua esposa e entrando na conversa que ia de o sonho de Ruby de estudar na Alemanha ao casamento de Emma que cada dia se aproximava mais. Tentei recusar o pedido do meu namorado de dormir comigo, mas não obtive sucesso, Killian dormiu em meu apartamento, durante a madrugada fui para o sofá e fiquei a pensar sobre as coisas que David havia dito, seria uma ameaça? Um aviso?
“Vou tirar cada centavo seu meu caro, e vamos ver de que valeu tamanha crueldade.” – eu disse em um tom sussurrado para mim mesma encarando o teto de minha sala. – “Sinto muito por isso incluir você Emma.” – sorri ao lembrar-me da loira até que fui derrubada pelo sono, ali mesmo em meu sofá, longe do homem que dormia em minha cama. –
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