Revenge: O preço
10 Capítulo 10 - A filha de Henry
Notas iniciais
– Regina narrando –
O dia parecia completamente amargo, não havia nada que prendesse minha atenção por mais que 5 minutos, tudo que havia acontecido mais cedo estava me deixando enlouquecida, Belle não deixou de notar o quanto eu estava diferente e mesmo com a pouca intimidade que tínhamos, a moça ousou perguntar o que havia acontecido, o que para seu azar recebeu minha resposta completamente seca e grosseira “não é da sua conta, apenas faça seu trabalho.” Killian me ligou diversas vezes durante o dia, rejeitei todas as suas ligações, passei a noite em minha varanda fitando a cidade e bebendo doses e mais doses de whisky, apenas tendo as minhas próprias lagrimas como companhia até adormecer ali mesmo.
Acordei com o frio intenso e a luz do sol queimando meu rosto, a que ponto me deixei chegar?! Estava agindo como uma adolescente mimada somente pelo fato de Emma ter decidido acabar de vez com o que estava acontecendo entre nós, meu Deus, a Swan, minha cabeça latejou forte ao lembrar da loira. Entrei em meu apartamento cambaleando até chegar ao meu quarto e ver no espelho algo desesperador. Uma Regina cansada, com olheiras, fraca, chorosa, desarrumada, alguém que eu não era desde os meus 18 anos quando li a carta de minha mãe, alguém que eu não era desde que abri mão do amor em troca da minha vingança. Avistei em minha penteadeira um cordão, seu pingente era o chaveiro que veio com a chave da caixa onde estava a carta de Cora, o segurei em minha mão e o apertei forte, senti toda a raiva circular novamente em cada veia do meu corpo, abri meus olhos e o meu sorriso sarcástico já estava presente outra vez.
Regina: Está na hora de parar de brincar. – disse para mim mesma encarando-me pelo espelho. –
Me arrumei o mais linda que pude, o que não precisava nada de esforço, liguei para Killian e disse que havia passado o dia com uma amiga que havia se separado do marido, por isso rejeitei suas ligações, foi a mentira mais rápida que pensei, ele estava tão preocupado que soava engraçado, marcamos um almoço com Ruby na sexta, eu viajaria no sábado com Killian para avaliar um Hotel em Miami que estava prestes a entrar no catálogo de viagens da “OceanTur”, decidi que ocuparia minha mente com o que fosse preciso em troca de esquecer Emma Swan, se ela fazia tanta questão da felicidade do irmão dela, então ela o veria, por pouco tempo.
Chegamos ao restaurante que ficava entre as duas empresas, chamava-se “Mistrall”, Ruby já nos aguardava escolhendo seu prato, não me sentia nada confortável ao lado daquela garota, ela sempre me olhava com um certo ar de dúvida que me fazia engolir a seco, embora não passasse de uma menininha.
Ruby: Até que fim chegaram, já não aguentava mais de tanta fome, o que vocês vão pedir? – A garota dizia rapidamente sorrindo –
Regina: Apenas uma salada com arroz e um suco por gentileza. E você querido? – Eu disse olhando Killian que sentou ao meu lado e não disfarçava sua animação em ver como eu era amigável com suas irmãs, embora o que eu pensava de Ruby passasse completamente longe dos meus pensamentos sobre Emma –
Nossos pedidos chegaram e não pude disfarçar a surpresa ao ver a quantidade de comida que Ruby havia pedido.
Regina: Meu Deus Ruby, Emma tinha razão, você come como um lobo. – sorri ao lembrar de Emma falando o mesmo sobre a irmã, os dois gargalharam animados, mas logo que percebi o que havia dito senti tristeza, fechei o rosto me desfazendo de qualquer alegria ao lembrar do dia em que estive no quarto de Swan –
Killian: Vou ao banheiro meus anjos, já volto. – Assim que Killian se afastou um pouco, Ruby voltou seus olhares para mim e passou a me encarar como se buscasse uma forma de começar um assunto delicado, e infelizmente eu estava certa. –
Ruby: Está tudo bem entre você e Emma? – a garota me olhava curiosa, comendo tranquilamente, enquanto me observava. –
Regina: Porque essa pergunta Ruby? Porque não estaria? – senti minhas mãos gelarem de imediato, tentei manter minha postura, mas meu rosto já estava pálido de nervoso. –
Ruby: Emma disse que ia deixar uns papéis em sua casa na quarta, ontem de manhã quando fui dar bom dia ela não estava no quarto...- Ruby foi interrompida pelo meu engasgo repentino, fiquei totalmente sem ar fazendo com que todo o restaurante parasse para me observar, Ruby ria da cena ao mesmo tempo que me fazia beber água assustada com o que via, achei que a situação pararia o assunto, mas assim que voltei ao normal, ela prosseguiu inquieta. – e desde então ela está pensativa e meio chorosa, não a vejo assim desde que...bom, a muito tempo. –
Regina: Emma foi até minha casa sim Ruby, assinei os papéis e ela foi embora em seguida, deve ter discutido com o noivo e por isso está assim, não entendo porque está me perguntando isso. – Falei rápido encarando meu prato, não tinha como olhar nos olhos de Ruby, ela veria a mentira saltar de dentro deles. Ao ouvir que Emma estava triste, parte de mim ficou feliz, por senti que a loira pensava em mim, mas a outra parte só queria esquecer. –
Ruby: Ela e Neal estão ótimos, sempre estão, aquele homem é um tosco. E se não foi você, talvez devesse procura-la, talvez você seja a única que possa fazê-la sorrir. Como aquele dia, no quarto.
Antes que eu pudesse dar qualquer resposta, Killian voltou para a mesa fazendo com que mudássemos drasticamente de assunto, fiquei paralisada com as coisas que Ruby havia dito, a garota era muito esperta, e também não ia com a cara de Neal, isso quase me fez gostar um pouco dela. Naquele momento eu só conseguia pensar nas suas últimas palavras: “talvez você seja a única que possa fazê-la sorrir.” Me despedi de Ruby, e dei um pequeno beijo em Killian, voltei para a empresa pra organizar tudo antes de viajar pra Miami, mas nada me tirava da cabeça tudo que Ruby havia dito. Fiz Emma transar com a namorada do próprio irmão, e quando a vi chorando consegui ser mais seca que ela mesma, e por mais que eu tenha tomado a atitude certa meu coração dizia o contrário, me senti ridícula por não tê-la protegido, por não ter se quer pedido desculpa, deixei que a loira visse o pior de mim, por mais que eu fingisse estar preocupada apenas com a minha vingança, naquele momento, eu estava preocupada com Emma, somente com ela.
Não conseguia pensar em nada que diminuísse minha culpa, mas ir atrás da loira não era uma opção, amor é uma fraqueza e Emma tinha que ser somente minha distração, tinha que ser, chamei Killian para viajar comigo apenas para não pensar na loira, antes de embarcar para aquele final de semana torturante ao lado do homem que não amo, decidi escrever pra ela. Um pedido de desculpas? Jamais. Mas aquele foi o meu jeito de demonstrar algum...sentimento?!
De: Regina
Para: Emma Swan:
“Make Your destination.”, significa “Faça seu destino”, foram as últimas palavras na carta que minha mãe deixou, antes de sumir. Antes de me abandonar. Não queria esquecer, nunca. Por isso a tatuei.
– Emma narrando –
Os dias se passavam tão lentamente que parecia de propósito somente pra me torturar, minha tristeza chegava a ser aparente, há muito tempo eu não precisava disfarçar uma dor dessas, havia me esquecido como era, um dia ter tudo nas mãos e no outro apenas o vazio. Sentia-me incompleta, mas nada me fazia ceder a dizer que era a falta de Regina, eu tinha que me preparar para estar ao lado daquela mulher na empresa e em casa e ainda sim fingir que nada disso me afeta, verdadeira tortura. Precisava me lembrar do porque escolhi Neal, precisava da sua companhia, foi suficiente pra mim uma vez, e teria que ser de novo.
Ruby me perguntou várias vezes qual era o nome do meu problema, minha irmã apesar de nova sempre foi muito esperta, e me conhecia muito bem pra saber o que eu estava sentindo, é a única da família que realmente sabe o motivo de toda a dor que já passei. Killian havia me convidado para um almoço com Ruby e Regina, não conseguia imaginar a hipótese de olhar minha morena...não, minha nada. Não conseguia imaginar ver Regina tão cedo, ainda mais ao lado de meu irmão, inventei a mentira que pude e vi nitidamente os olhos de Ruby duvidarem de mim, mas eu sabia que enquanto eu negasse pra mim mesma cada sentimento, uma hora eles realmente deixariam de existir... talvez.
Ao saber que Killian havia ido com Regina para Miami senti uma dor que só podia ser diminuída de uma forma, passei o sábado treinando pesado, batia no saco de pancadas como se fosse o rosto da maldita morena. Regina entrou em minha vida e em tão pouco tempo bagunçou tudo que havia de mais organizado em mim, a ponto de fazer-me trair a pessoa que mais amo, meu irmão. Quanto mais eu suava mais me concentrava, e em flashes lembrei da pequena menina filha do sócio de meu pai, haviam poucas lembranças, mas o suficiente para...
MEU DEUS, NÃO PODE SER... REGINA...REGINA MILLS!!! – eu disse quase eu um grito enquanto recuperava o ar dentro da academia.
Sai quase correndo, acelerei meu carro e em minutos já estava em casa. Sentada em minha cama com um notebook em mãos comecei a pesquisar todas as publicações sobre a família Mills, e o que eu via me deixa no mínimo, assustada. Os olhos de Regina eram únicos, isso não mudou nunca, mas a mulher era outra. Suas fotos aos 24 anos quando assumiu a presidência da “OceanTur”, cada foto que passava com Regina ficando mais velha haviam menos sorrisos, menos bondade no olhar, só alguém que sentisse por ela o que eu sinto notaria suas mudanças.
No banho pude refletir sobre o que eu faria com essa descoberta. Por qual motivo Regina mentiria sobre seu sobrenome, porque ela não contaria quem era se viveu anos tão próxima a nós, seu pai era um homem incrível, era como um irmão para meu pai, disso lembro bem. Que diabos aconteceu com aquela mulher para ela se esconder tanto, esconder seus sentimentos, seu passado, havia dito que o pai morreu de câncer... Eram muitas dúvidas, lembrei-me de sua mensagem que me deixou confusa a ponto de não me permitir responde-la, sua mãe a abandonou?! Mas como?! Só havia uma forma de descobrir tudo. Decidi que contaria tudo a meus pais, e principalmente a Killian o mais rápido possível, eles voltariam na segunda de manhã, mas eu não podia esperar.
Imprimi tudo que encontrei sobre Regina no escritório de meu pai, peguei meu celular e respirei o mais fundo que pude, já havia os convocado para uma reunião, o que os deixou preocupados já que o domingo era basicamente um dia da família.
De: Emma Swan
Para: Regina
“Senhorita Mills, quase não a reconheci, se não fossem esses olhos... No seu lugar, voltaria imediatamente e já pensando em um bom motivo para ter escondido de todos que é filha de Henry Mills. Boa sorte!”
Fui o mais sarcástica que podia, minhas mãos ficavam mais geladas a cada minuto que passava, eu não sabia ao certo o que estava fazendo, mas a única coisa que me importava naquele momento, era que todos soubessem a verdade. E principalmente saber por que Regina escondeu isso de nós.
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