— Eles foram felizes para sempre, mamãe? – A pequena Haley de seis anos perguntou sentada sobre Antonella. – Quero dizer, eles precisam ser felizes até o fim.

— Sim meu bem. – Ela beijou sua filha na testa. – A princesa E o príncipe foram felizes para sempre.

— Assim como vovó e vovô são? – A menina olhou para sua mãe. – Vovô diz que vovó Penelope é seu amor da vida.

— Seu avô E sua avó passaram muita coisa até aqui. – Ela apertou a menina nos braços. – Quando tio Dave faleceu, sua vó ficou muito triste. Tio Reid foi viver com Abby, Andrew, Christopher e Annelle na Inglaterra. Sua tia Prentiss se casou com Hotch e teve mais quatro filhos.

— Todos foram felizes então? – Haley abraçou sua mãe. – Tia Ziva e tio Stephen também?

— Exatamente. – Antonella pos Haley no chão. – Hora de ir para a escola, garotinha.

Luke acordou com Penelope ao seu lado. Depois que eles se aposentaram do FBI, era a melhor coisa que ele fazia.

Penelope não havia envelhecido tanto. Seu cabelo era branco, mas ela manteve a expressão doce em seu olhar. Ele também havia envelhecido, mas suas feições se tornaram mais acentuadas.

Roxy havia morrido há quase vinte anos, mas ele manteve sua foto ao lado da cama, assim como a do pequeno Sérgio. Eles os enterraram no jardim de casa e construíram um pequeno altar para seus dois. Ele pegou outra cadelinha e outra gatinha.

— Hum, Luke. – Penelope abriu seus olhos míopes para o amado. – Bom dia.

— Bom dia. – Ele sorriu desdentado. – Mais um dia juntos, menos um também.

— Não vamos pensar nisso agora. – Ela o beijou. – Eu não vou deixar você se livrar de mim fácil.

— Eu espero que sim. – Luke tirou uma embalagem de uma gaveta. – Feliz aniversário.

Ela sorriu e o beijou antes de abrir. Dentro havia um lindo colar com um anjo nele. Ele juntou um pouco e cabelo e começou a colocar o colar nela.

Eles estavam curtindo os dois netos que seus filhos lhes deram. Eles não conseguiram uma quarta filha, mas isso não os impediu de adotar Giovanna. Ela era a quarta filha que eles não tiveram.

— É lindo, Luke. – Pen girou e o beijou. – Quase cinquenta anos de casados e eu te amo cada dia mais.

— Eu posso dizer o mesmo. – Ele a beijou. – E pensar que enfrentamos tudo aquilo com Lisa, Meadows, Cat e Lindsey.

— E elas estão todas mortas. – Pen lembrou a ele. – Apesar de eu não gostar de Lindsey morrer. Foi toda a culpa de Cat a arrastar para a sujeira.

— Você tem um coração lindo. – Ele passou as mãos pelas curvas dela. – E suas curvas ainda são deliciosas.

A porta se abriu e Haley entrou correndo pelo quarto. A garotinha trazia em suas mãos flores colhidas do jardim.

— Vovó! – A garotinha pulou sobre Penelope. – Eu peguei para você.

— Obrigado meu anjo. – Ela pegou as flores. – São lindas.

— Oi vovó. – Ela o beijou no colo de Penelope. – Eu amo você.

— Eu também te amo, meu anjo. – Ele a puxou para seus braços. – Como está sua irmã hoje?

— Chorando. – Ela disse. – Bebês choram toda hora.

Os dois começaram a rir. Haley ficou irritada no começo, mas começou a rir também.

— Aí estão vocês. – Antonella apareceu. – Mãe, eu preciso saber sobre o tamanho do vestido e da festa. Afinal não são todos os dias que se comemoram 50 anos.

— Eu passo por email. – Pen abraçou a filha. – Você se tornou uma garota linda. Assim como Stephen e Ziva.

— Ziva mandou uma mensagem. – Antonella falou. – Ela chega amanhã. A gravidez dela está quase no final e ela quer ter a filha aqui.

Quando todos se reuniram para a festa de aniversário de casamento dos dois, eles estavam felizes. Era de frente a praia. Penelope desceu até lá. Seu coração começou a apertar, lembrando de tudo o que eles passaram.

— Foi uma boa vida, não foi? – Ela falou quando Luke chegou atrás dela. – Vivemos, crescemos, tivemos nossos filhos, nossos problemas e ainda estamos aqui.

— Pois é. – Luke a girou com cuidado. – No final, todos os esforços de nos separamos foram em vão.

— Acha que existe uma vida depois da morte? – Ela perguntou, ansiosa. – Uma em que nós ficamos juntos até voltarmos de novo?

— Eu quero acreditar que sim. – Ele a abraçou. – Mas agora, tudo que eu quero, é te levar para minha casa, minha cama e curtir o tempo que nós temos.

— Feliz aniversário de casamento, Luke. – Ela o beijou. – Que venha todo o sempre.

— Feliz aniversário Penelope. – Ele a girou para seus braços. – Que a eternidade seja só o começo.

Quando fim os alcançou, os dois faleceram de mãos dadas, deitados na cama que dividiram.

Antonella começou a chorar, assim como todos os presentes. Eles tiveram uma boa vida.

Seus túmulos eram de vista para o oceano que banhava o cemitério. Era um bom lugar para encontrar o fim. O tempo passou, a cicatriz da partida ficou menor.

O FBI reconheceu o serviço prestado pelos dois e pela equipe que fez a passagem.

Antonella ficou com a missão de limpar a garagem para a venda. Nada iria fora ou doado. Ela queria a memória de seus pais.

Um punhado de dvd's estava sob as coisas e ela foi até o antigo player de DVD e começou a assistir.

Um Luke jovem mirava uma câmera de vídeo para uma Penelope grávida de gêmeas. Ela começou a chorar. De amor, de saudade e de tristeza. A aliança de seus pais em seu colar diariamente.

Ela daria a Haley quando se casasse. A menina estava retraída e sentia a falta de seus avós.

— Acha que vai dar certo? – A voz alegre de Penelope encheu o vídeo. – Afinal são duas meninas.

— Eu sempre serei um pai melhor do que eu tive. – Ele mirou a câmera nos dois. – E quando elas virem esses vídeos, elas vão saber que nós as amamos.

— Eu sempre vou amara elas. – Penelope concordou. – Elas chutam forte.

— São minhas filhas. – Luke disse orgulhoso. – Ei Spencer. Acha que seu filho vai namorar com a nossa?

Reid parecia envergonhado, mas abriu um sorriso.

— Por que não. – O gênio respondeu. – Afinal não somos irmãos de verdade.

— Oh Spencer. – Penelope fingiu ficar chateada. – Essa doeu.

Todos riram. Antonella chorou. Era assim que seus pais seriam lembrados. Sorrindo, vivendo a vida ao máximo como nas férias na Disney ou no passeio ao acampamento radical.

Ela fez cópias para a filha, como um jeito de diminuir a saudade.

Seus olhos cheios de lágrimas sempre guardariam os olhos de seus pais. Ela fechou o quarto deles, tão intocado quando ela poderia. As fotos deles em sua mesa de cabeceira. Ela desligou a luz e fechou os olhos.

Ela sonhou com seus pais. Eles estavam felizes e juntos. Era tudo o que ela poderia ter. E tudo foi perfeito. Ela sabia que um dia se encontraria com eles.

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