Revenge
1 Last chance to lose control - Único
Notas iniciais
Um porão escuro. Um homem com o cabelo exageradamente platinado, trajando uma blusa preta e uma calça jeans de tom escuro, sentado no chão e encostado no canto do cômodo, esperando por sua vítima. Seus instrumentos de tortura estavam devidamente organizados e esterilizados, esperando para entrarem em ação.
Era hora de se vingar de todo aquele sofrimento proporcionado por anos.
Foi tanto tempo sendo agredido por aquele rapaz. Tanto tempo sendo atingido por aquele maldito objeto por nada. O que ele tinha feito, afinal? Seria a punição por escolher ficar ao lado de um cara daquele tipo? Disso, o loiro não sabia. Mas estava mais do que na hora de contra-atacar.
Ele achava mesmo que sairia impune?
Longos minutos se passaram. O relógio afixado naquela parede de tijolos brancos, desgastados com o tempo, fazia com que seu tic-tic-tic fosse o único som daquele porão, além da respiração do homem ali. Até que uma silhueta, esta de cabelos espetados, foi se aproximando. Andava calmamente e trazia algo nas mãos. Justamente o objeto tão odiado, usado contra aquele pobre homem em tantas situações. A troco de nada.
A silhueta julgava estar sozinha ali. Seus olhos azuis vasculharam o porão e não viram nada além de um monte do que gostava de chamar de “tralha”. Mas, logo, viu seu principal alvo. Ah, o sofrimento dele era delicioso. Matt Bellamy não sabia por qual motivo exatamente agia assim, mas aquilo era prazeroso para ele. Ver a dor de alguém que conhece há anos. Isso lhe deixava até feliz por dentro.
Ele já foi mirando a guitarra diretamente no rosto do alvo assim que o viu.
— Oi — saudou Matt, em um tom profundo e com um sorriso sádico estampado em seu rosto. — Pronto?
— Hoje não, Bellamy — foi a resposta que recebeu do homem loiro sentado em seu canto. Ele carregava um tambor — parte de sua bateria — enorme nas mãos, e também apontava-o para o rosto de Matt. Atirou antes do adversário, que caiu com tudo no chão. A força daquele tambor foi demais.
— Dom?! — Matt estava incrédulo. Durante anos e anos, Dominic nunca reagiu. Continuava no seu canto, tocando bateria, apesar das inúmeras guitarras atiradas contra seu rosto. Mas agora o jogo tinha virado. O porquê, Matt não fazia ideia. Talvez ele tivesse levado o pobre baterista ao seu limite.
— E isso é por todas aquelas malditas guitarras que você atirou em mim naquela turnê! — Mais um tambor foi atirado. O sangue de Dom fervia. Ele não aguentava mais mesmo. Assim como Matt deduzira, Dominic Howard havia sido levado ao seu limite.
Não dava mais.
O resto do dia foi uma sucessão de peças de bateria sendo atiradas contra Matt. Que não sabia mais o que fazer. A sua diversão tinha acabado.
Olhando para o guitarrista no chão, que tinha um corte bem profundo e que vertia sangue na testa, algumas feridas espalhadas pelo rosto e os olhos esboçando lágrimas, Dom riu. A mesma risada que sempre ouvira do adversário quando este se referia às vezes em que fazia o pobre baterista sofrer com a dor de uma guitarra sendo atirada contra ele.
Era o império de Matthew Bellamy se dissolvendo.
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