Revenge

2 Capítulo 1- Beneath the danger


Notas iniciais
Olá a todos!!!! Aqui vai mais um capítulo! Espero que gostem!

Um vulto preto estrangulava o Tyler, e se preparava para lhe morder o pescoço, pelo cheiro sabia que era vampiro.

Sem pensar duas vezes, salto para cima dele atirando o vampiro ao chão! Imobilizo-o com a mãos no seu pescoço, pronta para o partir a qualquer momento. O que é que estaria ele ali a fazer? Porque o tentava matar? Eram tudo perguntas que eu lhe queria fazer. Mas não fiz. Alguma coisa me impediu. Talvez o facto de o ter olhado nos olhos. Aqueles olhos... Eu conhecia-os... Eram iguais aos... Aos daquela noite...Da noite em que eu quase morri e onde morreram todos os que eu amava. Eram os mesmos olhos vermelhos...

Fico imobilizada e sinto-me como se não tivesse controlo de mim mesma. As lágrimas escorrem-me pela cara e lentamente levanto-me e começo a afastar-me dele. Sem pronunciar uma única palavra fico a olhar para ele enquanto ele se arrasta pelo chão, a fugir de mim com medo?

Pisquei os olhos para afastar as lágrimas e ele desapareceu. Levantei-me ainda atordoada mas mais preocupada com ele, que estava estendido no chão com um braço num sentido estranho.

– Ty!

Corri para ele e pus-lhe o braço direito.

– Acorda! — Baixei-me para ver se respirava. — Não podes morrer, acorda!

Aproximei-me dele para ver se respirava.

Estava cada vez mais perto. Tão perto que os nossos lábios quase que se tocavam e ia jurar que eram tão frios como provavelmente todo o seu corpo se ele estivesse mesmo morto.

Cada vez chorava mais. Não o podia perder. Não a ele também.

As minhas lágrimas molhavam-lhe o rosto. Só conseguia ouvir o barulho de um coração a bater. O meu... E nada mais.

Os meus lábios estavam prestes a tocar nos dele.

–Não! Por favor! Eu...

–Tu o quê, boneca?

Eu pus-me em pé imediatamente.

– Não me chames isso idiota! — Resmunguei. — Pensei que estavas morto!

–Mas não estou!- disse ele levantando-se. — Mas se quiseres podes continuar com o que estava-mos a fazer. — Disse aproximando-se de mim.

Estendi a mão e dei-lhe um estalo, talvez com mais força do que deveria, fazendo ecoar o som do choque pela floresta.

– Cala-te!

– Porquê? Não partilhamos sangue, lembras-te?- Disse ele, piscando-me o olho.

É preciso ter lata!

– Podes ter a certeza que se não fosses filho do homem que me criou, eu arrancava-te a língua, seu rafeiro! — Rosnei e comecei a andar devolta para casa.

Andava rápido, não queria pensar naquilo que acabou de se passar. Não queria pensar no pânico que senti ao pensar que não voltaria a ver aqueles olhos pretos, nem no vampiro de olhos vermelhos, que eu podia-o ter morto!

–Espera, boneca! Ficaste chateada?

– Ficaria chateada pelo quê, idiota? — Perguntei parando de andar e virando-me para ele.

–Por eu ter interrompido o momento que estavamos a ter? Aquele em que tu me ias beijar?!-disse ele com uma gargalhada

– Não te beijava nem que fosse o último ser vivo da terra! Estava a ver se respiravas!

–Tens uma maneira fantástica de fazer isso. Vou ver se me lembro de deixar de respirar mais vezes.

Eu bufei irritada e avancei sobre ele espetando o dedo no seu peito.

– Seu idiota! Eu salvei-te a vida e é assim que me agradeces?!

–Se quiseres agradeço com um beijinho!-disse ele aproximando-se de mim como se me fosse beijar.

Eu bati-lhe com o punho fechado no rosto.

– Se te quisesse beijar já o teria feito!

Ele devia estar naqueles dias em que fica um parvo insuportavel. Parece uma crianca e ninguém consegue falar com ele a sério... Mas o que e que posso fazer com ele?! Matá-lo não, que é crime. Interná-lo, seria muito cruel para os médicos... a unica coisa que posso fazer e dar lhe dois pares de estalos e esperar que ele atine....

– Ias fazê-lo não é boneca?

–Não!!! Deixa-me em paz!

–Ok,ok! Tem calma, boneca. Sempre que me quiseres beijar e só dizer!

– Ai que raiva puto! Nem homem és, cresce!

–Pronto. Só estava a tentar que não te sentisses tão triste... Só estou feliz por aquele tipo não me ter matado e eu poder estar aqui junto de ti!

A raiva voltou a mim com mais força, deixara a oportunidade perfeita para a minha vingaça, simplesmente escapar.

–Por falar disso. Que e feito o tipo? E que só acordei quando tinha alguém em cima de mim e a chorar... e porque estavas a chorar?

– Talvez porque achei que tinhas morrido! E eu sei lá o que lhe aconteceu! Só sei que perdi o controlo, e acho que lhe fiz algo à mente porque ele tinha cara de dor.

–Mas ele fugiu? Deixaste-o escapar?! Porquê?

– Desculpa se estava mais preocupada contigo. — Omiti o pequeno detalhe do ataque que tive.

– Eu conheco-te e sei que não foi isso...Tu nunca o deixavas escapar... não assim... mas se não queres falar a escolha e tua... e ele não te atacou?

Realmente ele tinha razão... ele não me atacou... mas porquê?

– Eu ataquei-o mentalmente. — Disse por fim. — Ele fugiu sem tentar mais nada.

– Estranho...

– Um pouco, mas os meus ataques mentais não são fáceis de lidar. — Falei à procura de arranjar uma justificação.

–Mesmo assim. O tipo não tinha razão para me atacar e atacou na mesma. Eu também o ataquei a ele e ele não fugiu.

– É um vampiro, és um lobo precisas de mais justificações?

Este tipo tinha razão... alguma coisa estranha se passava... e aqueles olhos... eram os olhos do sonho.... mas num rapaz... sempre julguei que a pessoa dos sonhos fosse uma rapariga... E foi ai que senti... o inconfundivel cheiro... a sangue.. mas desta vez mil vezes intensificado...

–Não te cheira a...

–Sangue- disse eu.

Mesmo antes de completar a frase, já corria em direção ao cheiro com toda a minha velocidade.

À medida que me aproximava do cheiro mais tinha a certeza do que era e de onde vinha. Por uma fração de segundos olhei para trás e reparei que tinha o Tyler a correr mesmo atrás de mim.

O meu coração parou ao chegar às casas dos Quileutes, era dali, eu sentia-o no meu sangue. "Voei" para a casa do Sam encontrando o cenário mais pavoroso que poderia pensar.

Uma vez lá dentro parei. Precisava de tempo para assimilar o que estava mesmo ali a minha frente.

Sangue espalhado pelo local, criava um cenário arrepiante, estava tudo desarrumado como se tivesse havido uma luta.

Algo começa a gotejar-me na testa. Como se fossem pequenas gotas de chuva. Mas estavamos no interior.... inconscientemente levo a mão a cara para limpar essas pequenas gotas.

–Sophie...

Era o tyler.

–Isso é... sangue-gaguejou ele.

Virei-me para ele sem coragem de olhar para o teto e ver de quem era o sangue. O grande rapaz à minha frente tremia com um desespero contido.

– Ty... — Sussurrei.

Conseguia imaginar o que ele estava a sentir naquele momento. Qualquer um daqueles corpos podia ser dos seus pais... qualquer um daqueles corpos desfigurados.... Mas havia mais alguma coisa. Ou alguém. O sangue que caía de cima diretamente na minha testa tinha de pertencer a alguém...

Eu abracei-o enquanto ele começava a soluçar baixo.

–Olha para mim, Tyler. Olha-me os olhos! Vai tudo ficar bem!

– Eles... — Gaguejou.

–Tu não sabes se são eles que aqui estão... podem ter fugido.

– A mãe...é humana.

–Mas pode ter conseguido fugir... vamos procurá-la.- Eis uma frase que nunca deveria ter dito... nem que nao fosse apenas pela incerteza de não saber o que iria encontrar ou o quanto o iria magoar se encontrassemos, de facto, alguma coisa...

Subimos as escadas . Eu ia a frente, a passo lento, não fosse lá estar alguém a espera de nos matar a nós também, com o Tyler mesmo atrás de mim.

A casa estava silenciosa e a única coisa que se ouvia para além do eco dos nossos passos nas escadas eram as gotas de sangue a cair no chão.

O coração dele batia alto nos meus ouvidos quando chegamos ao andar de cima. O cheiro era mais forte de um dos quartos, caminhei para lá com medo.

Assim que entrei parei. Não me conseguia mexer. O cenário do quarto era ainda mais aterrador do que o do andar de baixo. Um corpo, ou cadáver, pendia num ângulo estranho com os membros completamente deformados. O seu rosto estava completamente queimado, o que impedia identificar a pessoa. quem quer que fosse, fora submetido a tortura.

Empurrei o Tyler para fora.

– Não entres! Eu vou ver o que se passa.

–Não! Eu tenho tanto o direito de ver como tu! Aliás, tu já tiveste de passar por ver os teus pais morrer uma vez, não posso deixar que tenhas de enfrentar sozinha o que quer que esteja lá dentro.

Eu respirei fundo e procurei a essência da mente.

– Vai lá para fora e espera por mim em segurança. — Mandei fazendo-o ceder a minha vontade.

– Sim, Soph.

Voltei a entrar no quarto e olhei à volta. As paredes, em tempos brancas, estavam completamente cobertas de sangue, como se a pessoa que tivesse morrido ali tivesse sangrado por todos os poros do seu corpo.

Avancei rapidamente para o corpo, deixando para trás a menina com sentimentos. Aproximei-me rapidamente do corpo e procurei qualquer tipo de sinais de vida. Mas não havia, estava tudo morto. Reconheci que era um Quileute por causa da tatuagem no braço direito. E estando no quarto do Sam e da Emily, provavelmente era o Sam. O que é que eu haveria de dizer ao Tyler?

Respirei fundo e agarrei num esqueiro que estava na minhas calças, que segundo o falecido, deviamos andar sempre preparados, acendi-o e queimei o corpo.

– Desculpa Sam. Obrigada por me teres salvo da morte certa e por teres cuidado de mim como se fosse tua filha. Prometo que cuidarei do Tyler. Vou sentir a tua falta. Nunca te esquecerei.

Virei costas e corri para baixo, abandonando, novamente, tudo o que já me foi familiar. Não podia chorar. Tinha de pensar no Ty.

Ele estava nas sombras das árvores ocultado, como eu lhe mandara. Agarrei-lhe no braço.

– Acorda. — Mandei friamente.

–Porque é que eu estou aqui? O que aconteceu? A última coisa de que me lembro é de estar lá em cima, à entrada do quarto dos meus pais, contigo a tentares que eu não visse o que estava lá dentro. Quem era?-Enquanto ele falava, eu conseguia sentir o pânico na sua voz, apesar de conseguir perceber que ele ainda estava em negação.

– Ninguém. — Respondi. — Vamos embora.

–Para onde? E de onde vinha o sangue?

Respirei fundo e olhei para ele o mais inexpressivamente possivel e disse devagar.

– Eu disse vamos embora. Não para me fazeres questões.

–Eu não vou a lado nenhum até me dizeres onde vamos.

Rosnei baixo.

– Não me obrigues a obrigar-te a mexer.

–Ok, pronto. Mas podes pelo menos dizer para onde vamos?

– Minha casa.

–Aquela em que...

– Essa mesmo.

–E o que vamos lá fazer?

– Vais ficar lá a descansar.

–Olha, sophie. Eu não sei o que tu queres fazer, mas eu não vou conseguir descançar enquanto quem ou o quê que tenha feito isto aos meus amigos e famílas não esteja morto e eu não tenha recuperado os meus pais.

O coração doeu-me e eu respirei fundo.

– Faz o que te digo, Tyler.

Estava triste mas preparada para enfrentar o que se metesse a nossa frente, nada o magoaria, pelo menos fisicamente, comigo aqui.

– Tyler, olha..

Ele ergueu os grandes olhos pretos de menino assustado para mim.

–Vai tudo ficar bem, tu só precisas de um tempo para te acalmares e pensares no que se passou hoje. Amanhã quando estivermos mais calmos e de cabeça fria, podemos discutir o que fazer em relação ao que se passou.-Disse, carinhosamente, aproximando-me dele.

– Mas...

– Shh... – Disse.

Admito que lhe forcei um pouco a vontade, mas ele cedeu.

– Transforma-te para sermos mais rápidos.

Por alguma razão desconhecida, ele parecia desapontado. Parecia que estava a espera que eu fizesse alguma coisa. Mesmo assim, ele transformou-se e seguimos a correr em direção à casa dos cullen, a minha casa.

Só lá fora uma vez, e as sensações que a casa me proporcionara não me agradaram, era muita dor... Mas neste momento, era a minha única opção.

Conseguia ouvir o som dos pássaros e sentir o vento a bater-me na cara enquanto corria. Apesar de tudo o que acontecera naquela casa, aquela zona transmitia-me uma sensação de estar em casa mesmo com toda aquela dor. Dor que só voltei a sentir quando avistei a casa. E só aí tudo o que sentia de bom desaparecera.

Respirei fundo para me preparar para tudo o que estava lá dentro.

Entrei devagar, não olhando para trás, onde o Ty tinha voltado à sua forma humana, sem roupa.

Um cheiro familiar, misturado com pó, chegou a mim sem aviso prévio.

– Estás bem Soph? — Perguntou o Ty entrando.

–Diz-me que já estás vestido!- Disse eu de olhos fechados.

–Já...-Respondeu ele, rindo-se.

–Ok...-Suspirei. -Sim, claro que estou...

– Não pareces.

–Porque dizes isso?

– Acabaste de deformar a porta.

–Ah, isso... Foi sem querer, acho eu...

Comecei a andar rapidamente em direção à cozinha antes que deformasse mais alguma coisa.

–Como deves imaginar, não há comida... Por isso tu ficas aqui a tomar banho, que juro-te que precisas, e enquanto isso eu vou caçar, ok?-Disse muito rapidamente.

– Ah...está bem?

–Ok, xau. Tu já és crescido por isso vou acreditar que consegues ficar aqui sozinho, por isso fica à vontade que eu já volto.- Falei, saindo a correr. Já estava a chegar à porta. -Ah, já me ia esquecendo, tenta não morrer entretanto.

–Ok Soph... mas onde é a casa de banho?

– Procura-a. — Saí de casa a correr e só parei já na floresta.

Despi-me rapidamente e transformei-me. Um fogo familiar passou pelos meus músculos, enquanto os meus ossos alargavam e a minha pele era coberta por uma grossa camada de pelo castanho. Esta era a forma em que eu me sentia melhor, como lobo, tal como o meu pai.

Procurei a mente de algum dos membros da matilha. Não senti ninguem, então dirigi-me para casa dos Quileutes.

Voltei a destransformar-me e vesti-me rapidamente.

Entrei, pela ultima vez naquela casa que me acolheu durante tantos anos. Passei a mão pelo que restava da mesa de entrada. Costumavam estar naquele sítio fotos minhas e do Ty, quando eramos mais pequenos, e algumas fotos de "família". Agora estava vazia. Olho para o chão e lá estava uma fotografia. A moldura era castanha, de um castanho avelã, e o seu vidro encontrava-se partido. Mesmo assim podia ver-se a fotografia. Era relativamente velha e tinha sido tirada no dia em que eu nasci. . Eu estava nos braços da minha mãe e o meu pai agarrava-lhe na cintura. Ao lado da minha mãe estavam os Cullen, a Alice e o Jasper agarrados, a Rosalie ao colo do Emmett, os meus avós Bella e Edward que naquele momento se estavam a beijar e ao lado deles os meus bisavós, Carlisle e Esme. Do lado do meu pai estavam os Quileutes onde se destacam o Sam e a Emily, que carrega nos braços um bebé, o Ty. Como todos aqui parecem felizes. Que pena que isto tenha acabado tão depressa... E tudo por minha causa.

Abaixei-me para a pegar.

– Eu vou vingar-vos, prometo.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Deixem nos comentários a vossa opinião e o que acham que vai acontecer. Como será que ela se vai vingar? Haverá alguma pista dos assassinos na casa? Porque é que aparece a casa a arder na imagem inicial? Fico à espera de saber a vossa opinião! Bjs :*