Revenge

4 Infantis e idiotas


Notas iniciais
Desculpe pelo aviso do capítulo anterior, é que eu postei em todas as minhas histórias. Enfim, de volta a história ^-^
Boa leitura

Fim da aula. Fim do último horário. Finalmente vou poder ir pra casa e me livrar dos suspiros apaixonados de Hideko. Ou não. Misumi tinha pedido pra nós duas irmos no final da aula na casa dela.

Oh droga, vou ter que aturar mais duas horas de falação sobre esse tal Yagami. Qualquer hora eu escrevo o nome dele nesse maldito caderno, pelo menos assim a Hideko para de me encher -.-'

–Ah, mal posso esperar a próxima aula pra ver o Light de novo – a garota suspirava apaixonada enquanto íamos até a casa de Misumi.

–Chega, né Hideko? Já deu. Não aguento nem ouvir o nome desse cara de novo. Tô com ódio mortal dele agora e se eu ver ele mais uma vez eu juro que dou um tiro no meio da testa dele.

–Bom, pelo menos já sei que não devo te convidar pra ser nossa madrinha de casamento – disse a garota de cabelos castanhos, entrelaçando os dedos neles – Temos tanto em comum... até a cor dos cabelos...

Droga, eu definitivamente não fui feita pra aturar sentimentalismo. Estava prestes à colocar meus fones de ouvido pra ignorar completamente a voz de Hideko e seus suspiros apaixonados, quando se aproxima de nós uma figura de cabelos negros e olhos vermelhos.

–Beyond! Como vai?

–Oi Kaori. Olá, Hideko.

–Hm? Ah, oi Beyond.

–Não liga pra ela, tá completamente apaixonadinha por um garoto da faculdade.

–Ah, tá. Espera, mas está faltando uma garota...

–Uma ruivinha, pra ser mais exata. Ela teve um probleminha de família.

–Probleminha? A irmã dela morreu – Hideko completou.

–A irmã da Misumi morreu?

–É. E estamos indo até a casa dela agora. Quer vir com a gente? – Beyond estava perto de aceitar, mas quando a Hideko tocou no nome do Yagami de novo...

–B-bem... eu prefiro não...

–Eu entendo – disse lançando um olhar de canto pra Hideko que Beyond pareceu entender bem. O garoto sorriu e bagunçou meus cabelos um pouco antes de se virar.

–Até logo, garotas. Digam à Misumi que mandei lembranças.

–Até logo Beyond! – Suspirei. Era incrível que o Beyond não tenha falado nada da morte dos meus pais. Mas não que ele tivesse se esquecido disso, de forma alguma! Acho que Bey me entendia naquela situação, já que ele também era órfão e não gostava de que falassem sobre a morte dos pais dele. Oh droga. Eu era órfã agora.

Continuamos nosso caminho, quase chegando na casa de Misumi. Àquela altura eu já tinha colocado os fones de ouvido, no volume máximo. Mas os tive que desligar quando chegamos à casa da ruivinha.

–Kao-chan! Hide-chan! Que bom ver vocês! – fomos recebidas pela garota pálida de cabelos ruivos que no rosto levava um sorriso triste. Droga, eu era a culpada por ele.

–Misu-chan, é ótimo ver você também – Hideko disse enquanto a abraçava.

–Oi Misumi. Encontramos Beyond no meio do caminho, ele mandou lembranças – disse abraçando a pequena.

–Oh, Beyond. Faz tempo que não o vejo. A propósito, meus pêsames pelos seus pais, Kaori.

–Meus pêsames pela sua irmã, Misu-chan – disse a abraçando novamente. Nossas vidas não eras as melhores naquele momento.

–Onde você vai morar até fazer 18, Kao-chan?

–Na minha casa mesmo. Acho que não vou sair de lá por um bom tempo.

–Na sua casa? Tem certeza? Eu não ia entrar no lugar onde vi minha mãe morta nunca mais... quer dizer... aii me desculpa, Kaori! – Hideko, a fofura e compreensão em pessoa.

–Já tô acostumada a lhe dar com você, Hideko. Eu sei que nada do que você diz deve ser levado a sério.

A garota engoliu em seco.

–B-bom... vocês não querem entrar?

–Ah não, obrigada. Eu só vim ver como você está e te dar um pouco de apoio.

–Ah por favor, Kaori – seus olhinhos acinzentados me pediram docemente.

–Tudo bem, Misu-chan – suspirei derrotada. Entramos e subimos para o quarto de Misu. Não tinha problema se eu ficasse lá. Ninguém ia me cobrar hora de voltar pra casa mesmo.

Kaori! Seja um pouco mais humana! São seus pais! Minha consciência me implorava.

–O que houve no colégio hoje?

–Uma Kaori calada e pensativa.

–E uma Hideko suspirando apaixonada, ou seja, nenhuma novidade.

–Apaixonada? Quem é dessa vez?

–Light Yagami.

–Light? O garoto da nossa sala?

–Esse mesmo. De cabelos castanhos.

–Eu não acredito, Hideko! Geralmente você se apaixona por garotos do tipo bad boy, eu até entendo. Mas o Yagami? Que graça você achou nele? – Misumi disse, ganhando um ponto à mais comigo

–Ele é simplesmente o garoto mais lindo e mais popular do colégio – defendeu-se Hideko – O que há de mal em se apaixonar pelo garoto mais popular do colégio?

Eu e Misumi não conseguimos controlar uma gargalhada.

–O que não há de errado em se apaixonar pelo garoto mais popular do colégio né? Ah Hideko, por favor. – eu disse, rindo e fazendo a Misu-chan rir comigo.

–Ai gente, para! Ele é lindo! – disse a garota nervosinha de cabelos castanhos e olhos verdes.

–Pra quem? – Misumi disse ainda rindo

–Pra maioria das garotas do colégio! Quase todas pra falar a verdade. Só vocês duas que não acham.

–Ainda bem, isso significa que tem pelo menos duas pessoas com perfeita sanidade naquele colégio.

Ficamos ali, rindo da Hideko que se defendia e defendia o "amor da vida dela". Até a porta se abrir e a mãe da Misumi entrar no quarto.

–Domo, garotas.

–Domo, Tia Layra – dissemos eu e Hideko em uníssono.

–Eu fiz um lanchinho pra vocês.

–Afe mãe, lanchinho? – Misumi disse fazendo bico

–Não enche, Misu-chan, sempre viemos aqui e sempre sua mãe nos faz um lanchinho.

–E a propósito, eu adoro os lanchinhos da Tia Layra – Hideko disse, pintando um sorriso no rosto da mulher ruiva de pele alva. Ela era bem parecida com Misumi, fora os olhos azuis.

–Bom, então desçam logo. Espero vocês da cozinha – disse a ruiva saindo do quarto.

–Bora apostar uma corrida até a cozinha? – a de cabelos castanhos propõe

–Aff Hideko que coisa de criança – disse eu me levantando da cama e me aproximando da porta – Valendo! – gritei lá de fora, já descendo as escadas correndo.

–Ei! Isso é trapaça! – disse Hide-chan descendo as escadas apressadamente e sendo seguida pela garota ruiva.

Chegamos na cozinha rindo.

–Essa não valeu! – protestou Hideko

–Mais uma corrida? – disse Tia Layra como se lesse nossos pensamentos.

–É. E eu ganhei, como sempre – me gabei. Tudo bem, isso é extremamente infantil e idiota de minha parte. Tanto brincar de corrida quanto trapacear na brincadeira. Mas é aquele tipo de infantilidade gostosa, aquela parte da infância que sempre vai fazer parte da sua vida, independente de quantos anos você tem.

Bom, o resto da tarde resumiu-se em risadas, zoar a Hideko e comer bolo. Foi uma tarde divertida, e foi bom ver que o estrago na vida da Misumi pela morte da irmã não foi motivo para tirar os sorrisos do seu rostinho pálido.

–Eu tenho que ir senão a minha mãe vai me matar – disse Hideko.

–Eu também vou. Tenho que fazer umas coisas ainda.

–Ok meninas. Talvez amanhã eu vá na aula.

–É bom saber. Você faz muita falta, Misumi.

A garota sorriu.

–Até amanhã então.

–Até.

Saímos da casa da garota. Oh droga, mais meia hora de falação sobre o garoto de cabelos castanhos. Ouvi um suspiro de Hideko, mas antes que ela dissesse alguma coisa já me preveni:

–Escuta aqui, Hideko, se você disser o nome desse garoto mais uma vez que seja, amanhã na escola ele leva uma facada, entendeu?

–Ei calma! Eu não disse nada.

–Se ia não vai mais.

–Estressadinha.

–Muito.

E então como pedido, Hideko não pronunciou o nome dele. Na verdade, ela não pronunciou palavra alguma. Só quando cheguei em casa – minha casa é duas ruas à frente da dela – teve o "xau" básico.

Assim que cheguei, fui até a gaveta do quarto onde tinha deixado o tal caderno. É, ele ainda não tinha saído da minha cabeça. Peguei o caderno e o fiquei observando. Folheei mais um pouco, li mais algumas letras brancas que pintavam suas páginas negras, até que, quando acabaram cheguei na página branca que tinha escrito nela "Emiko Chikada". Eu tinha escrito ontem. Ontem à tarde, quando cheguei do velório dos meus pais. Ontem à tarde a garota morreu. Não podia ser coincidência, podia? Mas sendo assim, eu era uma assassina? Eu tinha matado Emiko? Não, não. Impossível. Mas aqui diz que se a causa da morte não for especificada, a pessoa morre de ataque cardíaco... exatamente a causa da morte de Emiko. Não pode ser coincidência. Pode?

Kaori, pare de se torturar e vá arrumar o que fazer! Minha consciência me implorava de novo. E o pior é que ela tem razão. Mas que se dane a razão! Amanhã mesmo eu vou testar esse caderno de novo. Mas agora eu vou tomar um banho e esquecer esse caderno, por meia horinha que seja.

Notas finais
Reviews?