Revenge
1 Caderno da Morte
Notas iniciais
Setembro. Um mês depois do meu aniversário e eu aqui, num cemitério, velando o corpo de meus pais. Meu pai? Morto por um serial killer maluco. Minha mãe? Um doida sentimental que se matou por ele. O detalhe é que ninguém pensa no que vai deixar pra trás, afinal, agora eu não sou mais problema dela.
Pego no bolso as únicas coisas que me foram fiéis até agora: um isqueiro e uma carteira de cigarros. Acendo um cigarro e o levo aos lábios, sem me importar se alguém da família vai ver ou o que vão pensar de uma garota de 17 anos fumando. Afinal, o que eles pensam não é problema meu.
–Kaori! – ouço me chamar uma voz extremamente feminina, mas um pouco mais triste do que de costume. Essa não. Akemi.
–Oi Akemi – ouço os passos da garota se aproximarem atrás de mim, mas não me dou o trabalho de me virar para encará-la.
–Meus sentimentos – diz em cortesia.
–Não preciso deles – respondo rude. Akemi era minha dor de cabeça. Uma prima implicante e mimada que sempre tem tudo o que quer. Ela me irrita.
–A mamãe disse que vai te convidar pra morar lá em casa. Não a diga que eu te contei.
–Ótimo. Eu recuso o convite. Eu tenho uma casa.
Ouço a garota de cabelos loiros suspirar atrás de mim.
–Você não pode viver sozinha, Kaori! Você só tem dezessete anos.
–Do mesmo jeito que não posso fumar? – pergunto desafiadora levando o cigarro aos lábios novamente.
–Não tem jeito, você é irredutível! Eu pensei que pelo menos no velório dos seus pais você ia me tratar com um pouco mais de respeito, ou alguém da família.
–Meus pais eram da família, Akemi. Eu não. Você sabe que nunca me considerei parte desse lixo. Estou aqui por eles, não por vocês.
Ouço os passos da garota se afastarem cada vez mais. Que ótimo, pelo menos assim me livro dela.
O dia estava branco, nublado. E estava fazendo muito frio. Me afastei um pouco daquela confusão de gente da família – se é que se pode chamar isso de família – e me sentei num gramado próximo. De repente sinto o cheiro de rosas. As inconfundíveis rosas negras. Olho para o lado. Um ramo de rosas brancas entrelaçadas em rosas negras. Era a coisa mais bonita que tinha visto desde que abri os olhos naquele dia. Me ajoelho na frente delas, para pegá-las, então noto algo estranho entrelaçado naquelas rosas. Um caderno. Eu não ia cortar a minha mão naqueles espinhos pra pegar um simples caderno, ia? É. Eu ia sim.
Estralei os dedos. Droga, aquilo não ia ser fácil. Dei uma última tragada no cigarro e o apaguei, o jogando longe. Aproximei a ponta dos dedos de uma das rosas negras e tentei separá-la de uma rosa branca. Não deu certo, isso só serviu pra furar a ponta dos meus dedos. Tentei novamente separar as rosas, mas cortei novamente a minha mão, fazendo algumas gotas de sangue pingarem sobre as rosas. Suspirei. Pegar aquele caderno ia ser mais difícil do que eu pensava e separar as rosas não estava dando muito certo. Então coloquei a mão entre elas, rasgando assim meus dedos e depois a palma da minha mão, espirrando bastante sangue nas rosas. Estava na metade do caminho pra chegar àquele caderno. Eu não podia desistir agora, apesar de haver um forte ardor em minhas mãos. Então avancei de uma vez no caderno, colocando um pouco do meu braço no meio das rosas e consequentemente o cortando também. Fechei os olhos bem apertados, mas senti um grande alívio quando toquei o caderno e o peguei. Então o puxei de volta de uma vez, rasgando meu braço mais um pouco.
Ufa! Aquilo já tinha acabado! Droga, meu braço estava completamente sujo de sangue e completamente rasgado. Olhei novamente pras rosas, agora cheias de sangue e em seguida olhei pro meu "troféu". Um caderno completamente negro, apenas com letras brancas na capa. "Death Note". Caderno da morte.
Naquele momento eu não conseguia acreditar que tinha o braço completamente ensanguentado e com fortes dores simplesmente por uma palhaçada como aquela. Bem feito, Kaori, quem mandou ser curiosa.
Bom, o velório já tinha acabado, então eu não tinha mais o que fazer ali, não é? Fui pra casa e levei o tal "caderno da morte" comigo. Eu não conseguia acreditar que eu tava levando aquela palhaçada a sério.
Notas finais
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