Revenga
13 Time to talk whit Harry
Notas iniciais
Alguém ainda lê isso aqui? :/ Se sim,eu peço mil perdões pela demora e tals,mas é que o computador deu pau e foi aquela historia toda de ficar sem internet até resolver tudo. Mas está aí,e prometo que vou recompensar vocês pela demora.
Jackass. Acredite se quiser mas eu consegui convencer Tom Fletcher à assistir Jackass. Nunca foi segredo pra ninguém que eu era fã alucinada de Jackass. Sempre quando não tínhamos nada para fazer no final de semana,eu,Danny e Harry assistíamos Jackass,enquanto Tom ia para seu quarto,reclamando pra Deus e o mundo. Sim,Tom era fresco desde sempre. Até eu,que era uma garota,assistia Jackass sem problema nenhum. Nunca vi nada demais. Eu e Danny explodimos em gargalhadas assim que um jacará caiu de dentes nas coxas de Johnny Knoxwille. Ryan sempre foi meu favorito,mas Johnny me tirava do sério. Tom apenas soltou um riso abafado,contra sua vontade. Eu abri um sorriso e lhe dei um cutuque,que o fez rir mais.
– Eu te disse que não era tão ruim assim.
– Ainda acho a coisa mais estúpida do mundo. — ele resmungou,dando de ombros,na defensiva.
– Ah,cala a boca,Fletcher. — Danny mandou um tapa na nuca de Tom. O loiro fez careta,mas foi ignorado,já que nós dois soltamos mais risos escandalosos,agora por conta de Ryan Dunn.
– Sabe,assistir isso me lembra o Dougie. — merda. Eu gosto muito de você,Thomas,mas precisa tocar no nome dele? — É bem a cara dele.
– Verdade. — Danny riu. — É muito do feitio do Doug fazer essas brincadeiras imbecis. — Tom apoiou fervorosamente com a cabeça. Eu suspirei,tentando ignorar novamente o frio esquisito que me bateu. Eu agradeci aos céus por eles não terem lembrado de que eu,supostamente,não sabia da morte dele.
– Ahn,e o Harry? — resolvi mudar de assunto,por pura precaução. Um dia eu ia ter de contar,eu sei,mas não precisava ser agora.
– Em casa. — Tom rolou os olhos. — Já me desencanei dele.
– Falando nele. — Danny se ajeitou e ficou virado pra mim. Tom estava sentado entre nós dois no sofá. — Já apareceu pra nós dois. Quando pretende aparecer pra ele? — ótima pergunta. Aparecer para Harry seria muito mais difícil,e eu ainda não tinha pensado em como fazer isto sem ter que chocá-lo demais. O que era meio complicado. Tom também me olhou,interessado.
– Vou precisar da ajuda de vocês.
– Não precisava nem pedir. — Tom respondeu prontamente. Nesses dias que sucederam o nosso reencontro,Tom começou a relaxar mais com a minha presença,o que era bom. Eu ainda não me sentia confortável para lhe abraçar como fazia com Danny,mas ao menos ele já começava a me tratar com o mesmo carinho de antes.
– Tem um plano? — Danny questionou e eu neguei,para cairmos em silêncio profundo,só quebrado pelo barulho da TV. Achar uma maneira de aparecer para Harry era algo realmente desafiador. Tom soltou algo como um ''poc'' com o auxilio de seus lábios ao meu lado e quase como se ensaiado,Danny e eu o encaramos. Aquele gesto era significativo até demais. Sempre que Tom tinha uma ideia fosse para compor ou para outras coisas,ele fazia isso. Mesmo depois de anos,certos hábitos permanecem.
– Acho que eu sei o que fazer. — disse baixo,esquivando um pouco o rosto para ter visão do meu.
– Não faz mais de 5 segundos que a questão foi aberta,dude. Como você consegue? — Danny parecia até meio ofendido.
– Anos de prática tendo que pensar por quatro pessoas. — Tom respondeu sem dar muita importância. Não consegui segurar o riso pela cara que Daniel fez.
– E o que você tem em mente? — perguntei,me mostrando interessada.
– Talvez se a gente conseguisse levar ele para fora de casa,podíamos atraí-lo até aqui,sei lá. — Danny se pronunciou,coçando a ponta do queixo.
– Não,não,eu estava pensando na Super Records. — sugeriu Tom ainda pensativo. — Inventamos algo como o Fletch querer discutir o nosso futuro e o levamos pra lá.
– É uma boa,mas na Super Records? Não acha que ainda deve ter gente acampando na porta?
– A gente entra pelo estacionamento,nos fundos. — o loiro explicou e eu comecei a gostar da ideia. — Acho que lá é um lugar melhor pra gente conversar.
– Na gravadora de vocês,então. — confirmei,os outros dois acentiram.
– Você acha que pode fazer isto,Amby? — a voz de Tom se mostrou cautelosa. — Se ainda quiser tempo,não tem problema,a gente pode esperar. — a cabeça de Danny fez um sinal de concordância,deixando evidente a sua opinião. Sorri com segurança para os meninos que entenderam.
– Não se preocupe,a gente vai estar por perto. Não que o Harry fosse fazer qualquer coisa contra você,é só pra,dar apoio moral.
– Faço dos Danny,as minhas palavras.- Tom esclareceu,encerrando aquela questão. Eu tinha plena consciência de que Harry nunca levantaria um dedo pra me machucar,mas eu sabia também que com ele seria mais desafiador,por isso eu precisava de uma abordagem direta e clara
Harry's P.O.V
Acho que não fui muito claro quando eu disse que não queria ver a luz do sol enquanto a poeira não abaixasse ou que eu estivesse menos mal-humorado. A poeira até podia ter baixado gradativamente,mas eu com toda certeza não estava bem-humorado hoje. Mas quem disse que Fletch ou até mesmo o Tom ligavam para os sentimentos do infeliz do baterista? Ok,não é pra tanto,mas e daí? Me deixa dramatizar. Não fui com meu carro de sempre pra gravadora,tive de pedir o carro do meu irmão emprestado. Arrastei meu corpo até o elevador subterrâneo e depois pelo saguão moderno da Super Records até a sala de reuniões. Eu não estava vestido adequadamente para uma reunião,mas também não estava ligando,era até bom pra eles se tocarem e andarem logo com aquilo. Abri a porta da sala e para minha supresa a encontrei vazia,sem contar com a presença do casal feliz : Tom e Danny.
– Chegaram cedo pra namorar,foi? — até minha zombaria saiu mórbida,sonolenta e desanimada. — Assim vocês só vão me deixar com mais saudades da minha mulher. — me joguei em uma das poltronas que giravam dispostas ao redor da grande mesa negra.
– Eu bem que tentei,mas o Tom tá fazendo greve. — Danny encolheu os ombros.
– Qual o problema de vocês? Tô começando a acreditar nessa encenação toda. Sem gracinhas,falou? O assunto é sério. — ele e sua pose profissional. Eu ri pelo nariz,gingando a cadeira prum lado e pro outro.
– É bom ser sério mesmo pra ter me tirado do meu sofá. A propósito,não tô vendo o Fletch.
– Na verdade,o Fletch foi uma desculpa pra te tirar de casa.
– Ah não,Danny....- choraminguei passando a mão pelo rosto.
– A gente quer te mostrar algo,dude. — ele me interrompeu antes que eu pudesse lamuriar mais.
– E pra isso,você precisa prometer que você não vai pirar. — Tom completou,me deixando confuso.
– Por quê eu piraria?
– Acredite,a coisa é séria,eu quase achei que estivesse pirando de verdade mesmo. — era mesmo sério então,Danny não pirava com qualquer coisa. Isso foi sarcasmo ok? O Jones já nasceu pirado. Mas eu não disse isso,ele pode ser imbecil,mas tem bom coração. O Tom,é lógico,percebeu meu ceticismo. ( É essa mesmo a palavra? Ceticismo? Isso existe? E é com C mesmo?)
– Harry,a gente recebeu a visita meio que,supresa,de uma pessoa. — ele explicou calmamente,pontuando até demais as palavras. — E ela que ver você,mas eu,honestamente,estou morrendo de medo da sua reação.
– Ok. — franzi o cenho,desencostando da cadeira,me sentando eretamente. — Quem foi que vocês encontraram? O Fred Krueger? O Blade?
– Blade?
– Longa história. — falei e assobiei longamente,abanando o ar para que eles esquecessem. Minha história com o Blade era antiga.
– Tá. — Tom me olhava espantado,fechou os olhos para retomar o foco (aquele lance de sempre),depois abriu-os. — Só não seja desagradável. — e após dito isto,Tom fez um aceno positivo com a cabeça para Danny e saiu porta afora. Aquilo me deu um frio desconfortável na coluna. Finquei meus olhos em Danny que ficou mudo,tentando me dizer algo com os olhos. Tava começando a ficar tudo muito estranho. A porta bateu atrás de mim e eu hesitei olhar para lá. Ao contrário de Jones que deu um sorriso pequeno para quem quer que Tom tenha ido buscar. Parando pra pensar,acho que eu não tinha olhado até agora,porque eu mesmo passei a ficar com medo da minha reação. Devo dizer que com razão. Danny voltou a me olhar,sua cobrança para que eu virasse era subentendida. Respirei fundo,apertei os olhos e com eles ainda fechados eu me virei junto com a cadeira. Dude,eu nunca devia ter aberto os olhos. Admito que fiquei confuso,afinal,eu não devia estar feliz? Era Amber ali na minha frente,a minha baixista miúda. Já não tão miúda assim por sinal. O que se apossou de mim de primeira foi descrença. Sabe o que é achar que uma pessoa se foi e depois descobrir que ela sempre esteve por ali? Era isso somado à muitas outras coisas o que eu sentia agora. E não eram coisas boas.
– Você está fazendo o quê aqui? — perguntei todo trêmulo,não reconhecendo a minha própria voz. Amber parecia já esperar por esta reação,por isso somente suspirou.
– Eles me trouxeram aqui. Precisava falar com você. — engoli toda a minha saliva e tomei todo ar que consegui para meus pulmões.
– Harry.... — ergui a palma da mão para Tom,pedindo silêncio,ele obedeceu.
– Falar o quê comigo? Que eu fui feito de otário?
– Você sabe que não é culpa minha. — a voz dela ainda era a mesma,adicionando só a firmeza que ela agora soava.
– Eu chorei a sua morte,sabia? — ignorei-a,me sentindo tremelicar cada vez mais. — E você? Aproveitou bem a sua vida de morta? Se é que você não está mesmo? — juro que vi Tom recuar um passo pra trás. Confesso que o tom da minha voz foi bastante agressivo. Eu nem sabia porquê eu estava agindo assim. Não era pra eu pular da cadeira,correr até Amber e abraçá-la feliz?
– O problema é que você é tão previsível,Harry. — ela também tremia,eu sabia que ela iria chorar,eu sempre sabia. — Com você é tudo tão mais difícil não é?
– Você queria o quê,McGee? Hein? — gritei já não controlando em mim. Ouvi os passos de Danny se sobressaltarem em minha direção e vi Tom puxar Amber pra perto dele. — Caramba! — praquejei enterrando os dedos em meus cabelos. Fluxo de sangue acelerado,péssimo sinal. — Como é que você me aparece desse jeito?
– Não fiz diferente com nenhum deles,Harry. Não avisei à nenhum dos dois,mas eles não gritaram comigo,ao contrário,me acolheram.
– Sou o problemático,você sempre soube. — eu ri com ironia carregada,cruzando os braços para não fazer besteiras com as mãos. — Sou péssimo em lidar com pessoas mortas que voltaram à vida misteriosamente.
– Já deu,Harry. — uma mão de Danny segurou firme meu ombro ao que ele disse isso. Soltei forte o ar e encarei-a firmamente,vendo nitidamente que Amber segurava o choro com um êxito extremo. Algo como ternura fincou meu coração de forma fraca,quase inperceptível em meio à tanto nervosismo e adrenalina. Meu jeito de lidar com notícias e momentos realmente fortes,intensos e perturbadores como este era totalmente explosivo. Eu nunca consegui me conter quando ficava tão perturbado assim. E mega perturbado era como eu estava agora. Os olhos avelã de Amber,super marejados,me olharam de volta,e eu pude ver que ela me entendia,mesmo estando ferida e magoada. Travei minha mandíbula,descruzei os braços,balancei o ombro conseguindo tirar a mão de Danny dali,e atravessei a sala parando diante de Tom e Amber,ele ainda estava agarrado ao braço dela,me olhando com censura e compreensão,eles já sabiam como eu era. Não era à toa que Tom tinha medo da minha reação. Os dois se afastaram um pouco e eu pude girar a maçaneta abrindo a porta. Olhei para Amber,e suspirei.
– Eu preciso....preciso de tempo. — murmurei ainda em tom ameaçador. Amber somente olhou para baixo. Pedi desculpas silenciosamente para os guys e saí,sentindo um peso na consciência assim que encarei o saguão vazio. Mas já era tarde pra voltar atrás. Eu precisava de tempo até que meu miserável orgulho permitisse que eu me desculpasse com ela.
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