Revenga

4 Reunion


O que mais me divertia era a cara de susto com a qual ele estava,e as pupilas que se dilataram,como se os globos azuis fossem saltar do lugar.Era perturbador estar de frente pra ele de novo depois de tanto tempo,depois de tudo o que ele me fez.Não podia ser mais perturbador do que a situação na qual nos reencontramos,tão idêntico á ultima vez,mas com os papéis trocados .

– Não tem nada pra me dizer,amor? — rangi os dentes de ódio ao frisar o termo apreciativo,ele engoliu seco. — Não? Mas que decepcionante,esperei tanto tempo pra te ver de novo. — soltei seu queixo com repugnancia,resistindo áqueles olhos penetrantes que pareciam não surtir efeito algum mais em mim.

– Amber...- ele conseguiu soprar ,se remexendo no lugar,ainda parecendo tentar acreditar. — Bem que eu reconheci a voz.

– Reconheceu? — eu ri novamente,com frieza,fingindo empolgação. — Eu jurava que você não lembrava nem meu nome. Bom saber que ainda se lembra,Poynter,é muito encorajador da sua parte. — sorri com falsa simpatia e me levantei,ficando de pé.

– Seria impossível te esquecer,acredite. — isso teria me amolecido,se fosse á 7 anos atrás.

– Então você também deve se lembrar do que fez comigo não é? — o olhei com mágoa,vendo seu cenho se contorcer mais uma vez. — É,você lembra. E mesmo que não lembrasse,eu o faria lembrar.

– Eu me arrependo de tudo que eu te fiz,Amber. — ele começou falando,me olhando daquele jeito que sempre me convenceu de qualquer coisa que saísse da boca dele. Mas comigo aquilo não funcionava mais.

–Cala a boca. — mandei com fúria,sentindo meu sangue ferver. — Sério,Dougie,cala essa boca. Você não parecia arrependido em cima daquele palco,sabendo que estava no meu lugar. — ele suspirou abaixando a cabeça. — Não seja hipócrita á ponto de olhar na minha cara e dizer que se arrepende. — ofeguei buscando ar para acalmar meus ânimos.- Era pra você estar morto,entende? Era pra você estar queimando no quinto dos infernos que é o que você merece depois de tirar tudo o que eu construi pra mim. — gritei me exaltando mais uma vez. Que se danasse,ele precisava ouvir. Depois de longos minutos em silêncio,que ao invés de me ajudar só me deixaram mais puta, ele resolveu abrir a boca.

– Por quê eu não estou morto então? — o desgraçado teve a audácia de perguntar,com os olhos queimando na minha direção. Não consegui entender o que aquele olhar significava,mas ele só podia estar me afrontando. Nem mesmo eu sabia o por que dele ainda estar ali.

– Você está morto,pro resto do mundo. — respondi deixando clara ali toda a minha irritação pela afronta. — Quanto pra mim,em breve você também vai estar. — ele riu,reação que eu não esperava por sinal. Arqueei a sombrancelha,ficando mais puta a cada segundo. Não lembro do riso dele ser tão irritante assim.

– Você não tem coragem,é por isso que não me matou quando teve oportunidade. — eu não esperava por essa também. — O que me intriga,é o por que disto tudo. — ergueu as mãos presas e indicou o quarto. Minha expressão se fechou,e o sorriso nos lábios dele sumiu. Ótimo,agora sim tudo estava em seu lugar.

– Já te disse pra calar a boca.- rosnei entredentes — Não estou pra brincadeiras,Poynter. Eu vou te matar,quero ver sua vida se esvaindo de seus olhos junto com seu sangue,mas antes. — me agaixei novamente,vendo o medo tomar conta daquele azul intenso. — Quero ver você sofrer,agoniar,morrer de fome e sede,até implorar pra que eu estoure seus miolos. Faz tempo que a Amber estúpida que você conheceu morreu,e por sua exclusiva culpa. Tá na hora de você pagar pelo que fez com ela. — voltei a me levantar e limpei minhas mãos na calça. — Aproveite a estadia,Dougie. — voltei a sorrir fazendo uma reverência. — Já estive aqui,e posso te assegurar que isso vai ser muito divertido.

– Você está doente,Amber.


– Agora não tem mais volta,amor. Aqui se faz,aqui se paga. — eu dizia enquanto me punha para fora do cubículo deixando somente meu rosto á vista. — Tenha uma boa noite.