Revenga
1 Prólogo
Notas iniciais
A brisa batia em meu rosto a medida que as horas iam passando. De onde eu estava dava para ter um ótima visualização da entrada de Wembley,que recebia milhares de pessoas.Jovens de 14 a 19 anos,alguns acompanhados dos pais,conversavam animados do lado de fora do estádio,e jaziam elétricos somente esperando a hora do tão esperado espetáculo,que se dependesse de mim,seria mais que inesquecível. Seria épico.
Eu não fui sempre assim. Mas digamos que a minha vida não tomou o rumo que eu esperava,o rumo que desde os 10 anos eu sonhei pra mim. Ver aquelas pessoas ali,tão animadas para finalmente verem a tão esperada volta da banda mais querida da Inglaterra,me dava ânsia. Ri sozinha,cheia de amargura,ao lembrar o motivo da parada da banda em questão.Aquele desgraçado. Mereceu o que teve,mas isso era pouco pra mim. Eu queria que ele sofresse mais,que ele queimasse no fogo do inferno junto com toda a corja que o ajudou.
A movimentação ficou mais evidente e eu pude perceber que os portões foram abertos. Finalmente. Me concentrei durante 20 minutos,repassando tudo o que planejei mentalmente,o que foi tempo o suficiente para que os adolescentes entrassem sorridentes para dentro do estádio. Casa cheia,isso era ótimo. Me abracei sob o casaco que eu vestia e caminhei para o outro lado da rua,pronta para entrar no estádio.Retirei o bilhete do bolso frontal e entreguei ao brutamontes de terno,que depois de me analisar,rasgou parte do papel e me entregou de volta,dando espaço para que eu entrasse,o que fiz de prontidão. A cada passo que eu dava por aquele corredor que aos poucos ficava deserto,meu coração se revirava na minha caixa torácica me dando cada vez mais adrenalina. Parei de frente para a entrada que dava acesso para a pista,olhando de longe a estrutura montada bem lá na frente,já equipada com luzes,a bateria e todo o cenário. Lá estava,o piso de LED,o qual eu sempre sonhei pisar. O emblema era bem grande,deixando bem visivel o nome que eu ajudei a escolher. McFly . O nome que á anos atrás me dava orgulho e felicidade,mas que agora não passava de um sonho arrancado de mim,tirado sem dó do meu alcance. Apertei minhas mãos em punho tentando me controlar,ainda não era hora. Uma mão tocou meu ombro e eu olhei para trás sem nenhum pingo de simpatia,fazendo o rapaz se afastar um passo para trás.
– Ahn...a arquibancada é pra lá,senhorita.- disse sem jeito apontando a entrada da esquerda. Apenas levantei a sombrancelha e dei as costas caminhando para a pista,já cheia de gente. Ali seria melhor. Fui o mais pra frente possível e descruzei os braços quando as luzes se apagaram e os gritos me ensurdeceram. Era agora. Eu iria revê-los depois de tanto tempo.
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