Revendo Conceitos
19 Reconciliações
Hermione correu para a cabine dos monitores onde marcara com Draco. Seu loiro já a esperava. Beijaram-se e se acomodaram. A viagem era longa. Hermione olhou para fora para ver Hogwarts uma última vez. Seu coração se apertou. Voltava para casa e nada mais seria como era antes.
~*~
Faltava pouco para chegarem a King’s Cross quando Draco reparou que Hermione parecia triste.
- Ei, Hermione – Draco virou delicadamente o rosto da menina, que estava colado à janela já há algum tempo, para si – O que aconteceu?
- Nada — Hermione respondeu, mas não conseguiu convencer nem a si própria.
- Como nada? – Draco perguntou paciente – Há mais ou menos uma hora você está com o rosto colado na janela, parece que está evitando conversar comigo. – completou sério – Está sentindo falta de seus amigos? – perguntou tentando controlar seu sarcasmo.
- Não, Draco – Hermione se apressou em dizer – Até estou, mas não é sobre isso que estou pensando.
- É sobre o quê então? – Draco perguntou mais aliviado, odiaria ser trocado pelos amigos dela outra vez.
- É que, é que... – Hermione abaixou os olhos, envergonhada. Não queria exigir nada dele. Draco ergueu a cabeça dela com carinho, olhando-a firme para que prosseguisse.
– O que será de nós dois agora? – A castanha perguntou triste.
- Como assim? – Draco perguntou sem entender a fala da namorada.
- O mundo lá fora não é Hogwarts, Draco! Mesmo não havendo mais guerra, sempre haverá um louco que se achará superior a outros bruxos pelo simples fato de ser “sangue- puro”. E eu, uma nascida trouxa, sempre serei objeto de ódio por parte deles. – Hermione bufou.
A castanha olhou para Draco. Este a olhava profundamente, com um leve sorriso no rosto.
- Do que está rindo? – Hermione perguntou estressada.
- Você fica linda revoltada, sabia?
- Estou falando sério, Draco e além do... —
Mas Hermione não conseguiu completar, pois Draco a beijou como nunca a beijara antes. Além de todo carinho, passou segurança. No final, encostou sua testa à de Hermione
- Eu gosto muito de você – disse pausadamente – Eu... – Draco olhou mais uma vez nos olhos da castanha – Eu amo você, Hermione, como nunca achei que fosse possível. Eu nunca permitiria que fizessem algum mal a você. Mesmo que o mundo inteiro resolvesse ficar contra nós!
Hermione sorriu
- Então significa que continuamos namorando lá fora? – ela apontou para janela feliz.
- Eu não acredito que você possa ter pensado diferente, Hermione – Draco respondeu rindo. – Namorando com direito à visita na sua casa, tudo bem para você?
Hermione não respondeu, apenas o beijou.
Finalmente o Expresso de Hogwarts chegou à estação, trazendo consigo não apenas alunos satisfeitos por terem finalizado mais um ano, como também pessoas que tiveram suas vidas completamente transformadas por e em Hogwarts.
Hermione e Draco saíram de sua cabine de mãos dadas, despertando olhares curiosos e um zunzum sobre si.
- Bando de alcoviteiros. — Draco resmungou enquanto ajudava Hermione a descer do vagão. O rapaz sorriu ao ver que sua mãe já estava na estação. – Venha Hermione, quero apresentá-la à minha mãe.
- Não, Draco! — Hermione estancou – Não aqui!
- Você tem vergonha de estar comigo? — Draco perguntou aborrecido.
-Não, não é isso. Não é por mim. – Hermione já estava se estressando de toda hora precisar mostrar para Draco o quanto gostava dele. — É por sua mãe. Não tem porque constrangê-la, afinal de contas, eu sou uma nascida trouxa.
- Eu não tenho problema nenhum quanto a isso, Hermione – Draco olhou sério para a castanha.
- Eu sei – disse Hermione beijando o rapaz – mas vamos deixar as apresentações para um lugar reservado? Eu acho que já fomos atração demais por hoje – Hermione sorriu e olhou para os lados, sendo acompanhada por Draco que sorriu também, afinal todos viravam o rosto para poder olhar um pouco mais do casal mais improvável de Hogwarts.
- Eu te mando uma coruja ainda hoje — a castanha disse enquanto se afastava do loiro com um sorriso indo em direção dos pais que acabavam de chegar.
~*~
Um mês depois...
Hermione estava em seu quarto, organizava pela quinta vez, sem magia, sua estante de livros. Na verdade estava ansiosa porque, conforme programado, hoje sairia o resultado dos tão esperados NIEM’s.
Decidia onde colocaria o “História da Magia” quando ouviu um estampido em seu quarto. Sorriu e balançou a cabeça negativamente ao reconhecer o cheiro. Dele.
- Você é louco em aparatar assim em meu quarto em plena luz do dia, Draco! – Hermione virou e beijou o namorado, o que foi prontamente correspondido pelo loiro.
- Como se eu nunca aparatasse aqui – Draco riu e mordiscou os lábios de Hermione. A castanha gemeu. – E é por um bom motivo – o sorriso de Draco iluminou o ambiente – Os resultados dos NIEM’s saíram. Adivinha?
Hermione sufocou um grito.
- Me chamaram do Saint Mungus!
Hermione não conseguiu conter o grito e pulou no pescoço do namorado.
- Hermione! – Hermione e Draco se olharam – Tudo bem, filha?
- Vai embora, Draco – Hermione sussurrou – Se o meu pai te pega aqui no meu quarto, você vai ter uma morte trouxa bem lenta – a castanha sorriu e foi acompanhada pelo namorado. Draco aparatou no mesmo instante em que o pai de Hermione abria a porta.
- Tudo bem por aqui? – perguntou Sr. Granger olhando o quarto da castanha.
- Tudo! – respondeu Hermione sorrindo.
- Ouvi um grito – disse desconfiado – foi você?
Hermione sorriu sem graça. Ia responder quando sua mãe a chamou.
- Hermione querida, seu namorado acabou de chegar.
- O senhor poderia dizer que já estou indo? – Hermione sorriu inocentemente para o pai – Vou pentear o cabelo e já desço.
- Pode deixar – respondeu o Sr. Granger, ainda desconfiado, saindo de seu quarto.
Hermione suspirou. Ela e Draco precisavam ser mais discretos, até porque seu pai não era nem um pouco simpático a ele e não fazia questão nenhuma de esconder. Ao contrário de sua mãe, que era encantada pelo loiro. Hermione sorriu ao lembrar-se do dia em que apresentou Draco a seus pais como seu namorado, havia sido no mesmo dia em que tivera seu encontro com Narcisa em Hogsmeade.
Flash Back
Hermione e Draco aparataram perto do restaurante que Hermione marcara com os pais. Seus pais já sabiam que não namorava mais com o Rony e estavam curiosos para conhecer o seu novo namorado.
-Veja – Hermione disse para Draco apontando uma mesa com um casal e um bebê – São meus pais.
-Mãe, pai – Hermione disse com um sorriso ao chegar à mesa em que os pais estavam sentados – Esse é Draco Malfoy, meu namorado.
A despeito de toda a hostilidade que tinha para com os trouxas, Draco abriu seu maior sorriso e estendeu a mão para cumprimentar o pai de Hermione e logo em seguida beijar a mão de sua mãe.
Hermione percebeu que seu pai se manteve sério em grande parte do jantar, muitas vezes estreitando os olhos em direção ao loiro como se quisesse lembrar algo.
- Estava tentando me lembrar de onde eu o conhecia, meu rapaz. — Disse o Sr. Granger sério.
- Pois não, senhor – Draco respondeu de forma simpática. Definitivamente não estava em seus planos se indispor com o pai de sua namorada.
- Eu tive pouquíssimas vezes em seu mundo, mas tem uma que eu me lembro muito bem, pois foi uma das vezes que mais me senti humilhado.
Hermione se mexeu incomodamente na cadeira. Ela já sabia o que o pai ia falar. Olhou apreensiva para sua mãe. Draco continuou prestando atenção no senhor.
- E esse dia foi naquela livraria. Qual é mesmo o nome, filha? – Olhou para Hermione que estava corada.
- Floreios e Borrões – Hermione respondeu tímida.
- E eu me lembro de você pirralho, me olhando com nojo, e de seu pai, falando impropérios para mim e para o senhor Weasley!
Draco engoliu em seco, não imaginava que o Sr. Granger pudesse lembrar-se desse episódio. Havia realmente se comportado mal, mas principalmente àquela época, acreditava que bruxos sangue puro eram melhores que mestiços, e que nascidos trouxas deveriam morrer. Precisava se retratar. Olhou envergonhado para Hermione que lhe sorriu sem graça. Abaixou a cabeça e sorriu sarcástico para si mesmo. Se um dia lhe dissessem que em algum momento de sua vida se desculparia com um trouxa, era capaz de estuporar essa pessoa. Que ironia da vida. Levantou a cabeça.
- Como o senhor mesmo disse, eu não passava de um pirralho naquela época. E acreditava no que diziam que eu deveria acreditar. Hoje eu sou um homem – Draco olhou de maneira desafiadora para John Granger – E penso por mim mesmo. E a maior prova que eu mudei é o fato de eu estar aqui hoje, com vocês.
- Mas e seu... – continuou o Sr. Granger, insatisfeito.
- John, deixe o rapaz – a mãe de Hermione interviu — É um prazer que esteja aqui conosco, Sr. Malfoy.
Draco lançou um sorriso sedutor para a sra. Granger, que sorriu ainda mais. Ainda tinha suas reservas quanto aos Malfoy, mas precisava admitir: o rapaz era muito mais educado e gentil do que imaginava.
Fim do Flash Back
Hermione desceu as escadas sorrindo, quando havia se tornado tão boa atriz?
- Draco – a garota fingiu surpresa – O que faz aqui? – Hermione foi até o namorado e deu um beijo leve.
- Vim te dar uma boa notícia. Consegui os NIEM’s necessários para medibruxaria e fui chamado para estagiar no St. Mungus. – Draco disse, exultante, mostrando um pergaminho para Hermione. – E sua coruja?
- Ainda não che... – mal Hermione acabara de falar, uma enorme coruja das torres entrou voando pela sala depositando vários pergaminhos em cima da mesa – Ai, meu Merlin – Hermione gritou atraindo a atenção de todos na sala – fui chamada para estagiar no Departamento dos Mistérios no Ministério.
- Uma Inominável? – Draco perguntou realmente surpreso.
- Sim – Hermione balançou a cabeça feliz. Draco a abraçou.
- Eu não tenho a mínima ideia do que seja, mas deve ser muito bom pela sua cara de felicidade, filha – disse Jane Granger – E esses outros pergaminhos?
- São vagas de estágio, emprego – Hermione sorriu mais uma vez – e o resultado dos NIEM’s.
- Precisamos comemorar. Que tal um sorvete na Florean Fortescue? Ou um chá da tarde na Madame Puddifoot?
- Madame Puddifoot – Hermione respondeu feliz — Vocês se importam? – Hermione perguntou olhando para os pais.
- Claro que não, minha filha – Jane Granger tomou a iniciativa antes que o marido recusasse – podem ir.
Draco e Hermione deram as mãos e aparataram.
- Eu não sei o que você viu nesse rapaz para ser tão simpática a ele – disse John Granger emburrado.
- E eu não sei o que você não viu – respondeu a mulher – Um rapaz tão bonito, educado e fino. — John Granger apenas fechou a cara.
~*~
- Draco – Hermione disse beijando o namorado. Estavam em uma mesa afastada dentro do café da Madame Puddifoot – Precisamos ser mais discretos. Você não pode entrar quando quer no meu quarto.
- Como se eu nunca entrasse lá. — Hermione e Draco riram.
- Sim, mas sempre à noite, quando meus pais estão dormindo e com feitiços anti ruídos. Hoje meu pai quase nos pega e se ele te pega, te mata.
- Seu pai não gosta de mim. — Draco então ficou sério — Ele tratava o pobretão dessa forma?
- Ai Draco, não vamos começar com isso. – Hermione acariciou a mão do rapaz.
- Você não respondeu à minha pergunta – Draco continuou sério – E o que você fazia quando namorava o idiota do Weasley? Também pedia discrição a ele?
Hermione respirou fundo.
- Se você não se lembra, Draco, quando eu namorava o Ronald, estávamos em Hogwarts e discrição em relação aos meus pais não era um problema. – Hermione bufou. — Não viemos aqui para falar dele...
- Desculpa – pediu sincero – Realmente não viemos aqui para isso.
- Além do mais, não tem sentido esse seu ciúme bobo em relação ao Ronald. Eu estou com você e não com ele.
Draco não disse nada. Apenas beijou sua namorada.
~*~
Duas semanas depois
Hermione estava exultante, o estágio estava sendo maravilhoso. O Departamento de Mistérios era cheio de enigmas e mistérios que desafiavam sua inteligência. Seu pai, aos poucos ia se acostumando com Draco, embora resmungasse, às vezes, que preferia o filho do sr. Weasley, “o bruxo mais distinto que conhecera”. Não tinha nenhuma relação de amizade com Narcisa Malfoy, mas das poucas vezes que se encontraram, Narcisa sempre demonstrava educação e simpatia em relação à castanha. Às vezes, parecia que sua vida finalmente tinha entrado nos eixos, mas sentia falta dos amigos, principalmente de Gina. Tinha tanta coisa para lhe contar... Estava imersa em seus pensamentos quando seu pai bateu em sua porta.
- Hermione querida, visita para você!
Hermione sorriu, Draco havia passado no Ministério e haviam tomado chá juntos, só se veriam após o fim de semana, pois ele havia viajado com a mãe para resolver algumas questões. “Será que aconteceu alguma coisa?” pensou Hermione se levantando.
- Tomei a liberdade e pedi que subisse – disse John Granger sorrindo, saindo do quarto e revelando uma figura ruiva.
- Gina! – disse Hermione correndo para abraçar a amiga, no que foi prontamente retribuído. – Merlin! Eu estava pensando em você nesse exato momento.
- Espero que bem – respondeu a ruiva sapeca – Ai Mi! Não me mate! Sei que deveria ter vindo antes, mas a minha vida está uma loucura.
- Sem problemas Gi, eu também deveria ter te procurado, mas fiquei com medo de que estivesse com raiva de mim ou algo nesse sentido.
Hermione sentou em sua cama e puxou Gina para fazer o mesmo. Com um floreio da varinha pôs um feitiço em sua porta, impossibilitando que a conversa das duas passasse para o outro lado.
– E você e o Harry? Voltaram? — Gina sorriu e o sorriso iluminou o ambiente.
- Nem precisa me responder com esse sorrisão aí. Que bom. – Disse abraçando a amiga.
- E você e o Malfoy?
- Estamos ótimos – Hermione sorriu.
- E já... – Gina olhou profundamente para a castanha – E já ... entre vocês?
Hermione revirou os olhos.
- Ahh eu sabia que ia perguntar isso...– sorriu – já rolou sim. Em Hogwarts, aqui, em um hotel trouxa, em Hogsmeade.
- Parabéns, Hermione! Fico feliz por você.
As amigas gargalharam.
- Mas você e o Harry estão bem, né? – Hermione perguntou – Tipo, não voltaram apenas por voltar.
- Estamos tão bem que vamos nos casar em breve – Gina respondeu com um sorriso
- Jura? – perguntou Hermione – Quando?
- Daqui a seis meses!
- Ahhhh – Hermione abriu a boca surpresa – Gina, você está grávida?
- Claro que não, Mi! É que o fato de eu terminar o namoro, deu uma abalada no Harry – Gina riu – quando voltamos, após eu ver suas memórias, ele veio com o papo de que eu era a mulher da vida dele e pediu para casarmos. Ele queria casar antes dos resultados dos NIEM’s. Disse que estava doido para constituir uma família. Você sabe – Gina olhou séria para a amiga – ele nunca teve uma família de verdade. Então aceitei.
- Fico feliz por vocês – Hermione disse sincera.
- E nós queremos que você seja a nossa madrinha. — Hermione abriu e fechou a boca algumas vezes. — O Harry sabe disso?
- Você ouviu o que eu disse? Nós queremos! Aliás, foi sugestão dele.
- E por que ele mesmo não veio me convidar? – Hermione perguntou triste.
- Porque o bobo acha que você está magoada e com raiva dele. Pediu que eu viesse sondar o terreno – disse Gina brincalhona – E que te convidasse para jantar no Largo Grimauld conosco amanhã.
- O Rony estará?- Hermione perguntou cautelosa – É que eu prefiro evitar constrangimentos.
- Não, não estará! Apenas nós três!
- Então eu topo! – Hermione sorriu e abraçou a amiga.
~*~
Harry estava na sala de jantar organizando os últimos detalhes para o reencontro com sua amiga quando a campainha tocou. Uma, duas, três vezes.
- Harry – Gina gritou da cozinha – atenda a porta. Deve ser a Hermione.
Harry foi até a porta apreensivo. Embora Gina houvesse garantido que Hermione não estava magoada, estava ansioso para saber a reação da castanha. Abriu a porta.
- Oi Harry – disse Hermione sem jeito – Boa noite, trouxe um hidromel para vocês.
- Errr... obrigado Hermione – Harry também estava sem jeito – Não precisava se preocupar.
Os amigos pararam de falar e se olharam. Sem mágoas. Harry foi o primeiro a se pronunciar.
- Eu fui um estúpido, Hermione – disse rápido em um fio de voz, abaixando os olhos – Me perdoa!
- Harry!
Hermione correu e abraçou o amigo. Como sentia falta do amigo que aprendeu a amar como irmão.
- Você consegue me perdoar? – Harry perguntou, ainda abraçado, no ouvido da castanha.
- É claro, seu bobo! – a castanha respondeu da mesma forma – Senti sua falta! Eu te amo, sabia?
- Também te amo, Mi! Fiquei com medo de ter estragado nossa amizade.
- Ei vocês dois – Gina apareceu na porta. Sorrindo. Em seus olhos lágrimas brincavam
– Se vocês continuarem agarrados desse jeito, eu vou morrer de ciúmes.
Hermione e Harry riram e se soltaram. A castanha limpou uma lágrima que rolava em seu rosto.
- Chegou bem na hora Mi — Gina foi até a amiga e a abraçou – O jantar acabou de ficar pronto.
~*~
- Então quer dizer que vocês dois se casam em seis meses? – Hermione perguntou a Harry enquanto se serviam – Vocês são loucos!
- Por mim, eu me casaria no próximo fim de semana. Mas acho que a Sra. Weasley me mataria se não pudesse organizar o casamento da única filha.
- Eu tenho certeza disso! Gina disse que não queria nem esperar o resultado dos NIEM’s, aliás, o que estão fazendo? – Hermione perguntou curiosa.
- Auror! Você tinha alguma dúvida? – Harry perguntou rindo – Eu e Rony, mas ele se balançou por uma proposta de um time de quadribol na Irlanda. Aliás, nós três recebemos propostas.
- Mas eu optei pela medibruxaria. – Gina sorriu. Lembrou-se de algo – Eu não sabia que o Malfoy também havia optado em ser medibruxo. Ele vai ser da minha equipe de estágio. Vi a listagem, quando cheguei ontem da sua casa.
- Sério? Ele ainda não sabe! Viajou sexta e só voltará no fim da semana que vem.
- Então o namoro de vocês é sério mesmo? – Harry perguntou, tentando parecer casual.
- Sim, Harry. É sério – Hermione tentou parecer simpática.
- Eu não quero parecer grosseiro nem nada, Mi – Harry olhou nos olhos da amiga – Mas... é o Malfoy. Isso é tão improvável.
- Eu sei, Harry – Hermione respondeu sincera – Mas o Draco mudou tanto e ele tem tantos motivos para mudar, para ser uma pessoa melhor. É um desafio para ele, mas acho que ele tem conseguido – finalizou orgulhosa.
- Mas... como você pode ter tanta certeza disso? Os Malfoy sempre odiaram os trouxas e os nascidos também...
- Harry – Gina tentou intervir, mas o moreno continuou.
- ...como garantir que ele não está te enganando, Mi? – Harry finalizou exaltado.
- Porque ele precisou rever todos os seus conceitos quando descobriu que Lucius Malfoy não era seu pai e que o pai verdadeiro dele lutou tanto quanto nós para que Voldemort não tivesse poder – Hermione respondeu no mesmo tom do amigo – E você, Harry – Hermione baixou o tom de sua voz – por mais que não queira, tem muito mais coisa em comum com o Draco do que imagina.
Harry e Gina estavam boquiabertos. Hermione prosseguiu.
- Eu não podia ter falado essas coisas a vocês. É um assunto pessoal do Draco e eu não tinha o direito de ter revelado. E provavelmente ele ficaria furioso se soubesse que eu contei. Eu descobri isso ainda em Hogwarts e não podia ter contado, mas não tinha como explicar melhor porque eu confio tanto no Draco, na mudança dele. – Hermione parou de falar e olhou para os amigos. Estavam estupefatos – Peço discrição a vocês em relação a esse assunto. Eu gostaria que não contasse nem ao Ronald, Harry!
- Claro, Mi – Gina se pronunciou – não contaremos nada para ninguém. Mas afinal de contas, quem é o pai do Malfoy?
~*~
Hermione estava deitada sobre o peito de Draco. O loiro brincava com os cachos de cabelo da namorada.
- Estava com saudades — Hermione disse sorrindo enquanto acariciava o peito de Draco.
- Eu também! Nunca mais fico tanto tempo longe – Draco sorriu também – Só hoje que eu descobri que as turmas de estágio foram divididas em equipes. Acredita que a Weasley fêmea está na minha equipe de trabalho?
- Não gosto quando fala dessa forma dos meus amigos, Draco – Hermione pôs o queixo no peito de Draco de forma que olhasse em seus olhos – Ainda mais a Gina, que sempre foi simpática com você.
Draco ergueu uma sobrancelha.
- É... vivia me questionando porque eu ainda não estava com você quando terminei com o Rony. E você se lembra bem que ela descobriu o nosso namoro ainda no início e não contou nada para ninguém. E o pior. Ela incentivava que eu... que eu... – Hermione corou. Draco ergueu a cabeça para olhar melhor para a namorada – que eu transasse com você. Me enchia a paciência, falando de sua “fama pelos corredores de Hogwarts” – Hermione imitou a voz da amiga e revirou os olhos.
Draco emitiu uma gargalhada sonora
– Acho que estou começando a gostar dessa ruiva.
- Seu bobo – Hermione continuou a olhar para o namorado, agora vinha a parte mais difícil – Eu sabia que você e a Gina eram da mesma equipe.
- Sabia? – Draco perguntou desconfiado – como?
- Gina me contou. Eu jantei com ela e com o Harry no Largo Grimauld no sábado.
Draco empurrou delicadamente a namorada e se sentou, Hermione fez o mesmo e ficou sentada de frente para o loiro.
- Então quer dizer que é só eu me afastar por uns dias, que você vai correndo que nem um cachorrinho atrás daqueles idiotas? — Draco perguntou com raiva. Hermione olhou-o.
- Eu poderia explicar o que aconteceu, mas já que quer colocar a conversa nesses termos, eu acho melhor que vá embora. – Hermione disse séria.
- Desculpa – o rapaz disse sincero, embora também estivesse bastante sério. Cruzou os braços – E eu estou, realmente, esperando sua explicação.
Hermione suspirou.
- Gina esteve aqui em casa na sexta-feira.
- Depois de todo esse tempo?
- Sim, Draco. Depois de todo esse tempo – Hermione disse pausadamente. Estava começando a ficar irritada. – E me convidou, a pedido do Harry, para ir ao Largo Grimauld jantar com eles.
- E você aceitou, é óbvio. Mesmo depois de tudo o que ele te fez. – Draco continuava sério. Hermione revirou os olhos.
- Aceitei e ele me pediu desculpas e...
- O filho da puta do Weasley também estava lá? – Draco perguntou com raiva.
- Não, Draco. Não estava, me assegurei que ele não estaria antes de ir até lá. Você vai me deixar falar ou não? – Hermione respondeu irritada.
- Fale! – Draco ordenou sério. Hermione se espantou.
-Fui à casa do Harry – Hermione prosseguiu – ele me pediu desculpas, eu aceitei e ele me convidou para ser madrinha do seu casamento. – Hermione ergueu a mão para que Draco não a interrompesse – Ele e Gina se casam em seis meses. E sim, eu aceitei ser madrinha dos dois. E sim, Draco – Hermione fechou os olhos. Sabia a confusão que viria em seguida – serei madrinha junto com Ronald.
Draco levantou da cama, foi até a janela tentar se controlar, respirou fundo, voltou à castanha e segurou em seu braço, com força.
- Eu não acredito que... — mas parou ao olhar para Hermione.
A castanha tinha uma cara de dor e olhava assustada para sua mão que apertava com força demasiada o braço dela. Soltou-a imediatamente. Draco foi até a janela mais uma vez, suspirou com força e passou as mãos nos cabelos jogando-os todo para trás. Seguiu mais uma vez em direção à Hermione, que recuou, assustada. Foi então até suas roupas que estavam jogadas no chão e começou a se vestir sem olhar uma única vez para castanha.
- Você tem razão. – disse envergonhado quando terminou de se vestir, olhando, finalmente, para Hermione – É melhor que eu vá embora. Desculpe-me por isso – apontou com a cabeça a marca de sua mão na pele alva de Hermione – Quer que eu faça um feitiço para...
- Não, não precisa – Hermione respondeu triste sentando em sua cama e abraçando suas pernas – eu mesma faço.
- A gente se vê por aí então – foi até Hermione e lhe deu um beijo no topo de sua cabeça – Desculpas mais uma vez.
E aparatou sem ver que Hermione chorava baixinho.
~*~
- Então Harry – Rony e Harry almoçavam em seu intervalo de treinamento – Acabou que o dia de ontem foi corrido e não te perguntei. E Hermione? Fizeram as pazes?
- Fizemos sim – disse Harry tomando seu suco de abóbora.
- E ela aceitou ser sua madrinha de casamento?
- Sim – Harry sorriu sendo acompanhado por Rony. – Aceitou!
- Ela sabe que eu estarei junto com ela no altar?- Rony perguntou esperançoso.
- Sabe sim – disse Harry olhando para o amigo já imaginando onde ele queria chegar.
-Você acha que...
- Rony...
- ...pode rolar um clima...
- Rony...
- ...você sabe, não é? Clima de casamento...
- Rony – Harry pôs a mão no ombro do amigo – Esqueça – disse triste – Ela está com Malfoy. E é sério. Conversei com ela no sábado.
- Eu nunca vou me conformar com isso, Harry – disse Rony com raiva.
- Mas eu acho que vai ter que se conformar. Ela está apaixonada por ele.
~*~
- Ei, Malfoy! -Draco olhou para trás. Estava no corredor do quarto andar do St Mungus. Continuou a andar quando viu a figura ruiva que o chamava.
-Era só o que me faltava – disse baixinho para si.
-Ei, Malfoy, me espera – Gina correu até Draco e parou em sua frente, obrigando o rapaz loiro parar.
-O que quer comigo, Weasley?– perguntou ríspido.
-Nada demais, Malfoy. Não precisa ficar desconfiado – Gina sorriu. Draco continuou olhando-a sério. – Só queria te agradecer por cuidar tão bem da Mi! Estive com ela na semana passada e ela estava tão feliz...
Draco olhou para Gina. Ela parecia sincera. Lembrou-se de Hermione falando que a pequena ruiva sempre havia torcido por ele. Quase entendeu porque Hermione gostava tanto dela, a ruivinha era uma figura carismática, fácil de simpatizar. Tentou esboçar um sorriso, mas logo lembrou que na verdade não “havia cuidado tão bem assim de Hermione”. Em um momento de raiva, se descontrolou e a machucou. Olhou para Gina mais uma vez.
- Preciso ir, Weasley!
- Claro, Malfoy – disse Gina dando passagem para o loiro.
~*~
Hermione suspirou. Finalmente estava em casa. O treinamento no Departamento de Mistérios estava exaustivo. A quantidade de informação passada e cobrada era de enlouquecer qualquer um. Só nessa semana, duas pessoas haviam desistido da vaga. A castanha achava que isso iria acontecer mais ainda, quando passariam uma semana em treinamento com aurores.
Agradeceu por seus pais não estarem em casa. Evitaria dar explicações sobre o “paradeiro de Draco”, pois não via o loiro desde a briga no fim de semana anterior.
A campainha tocou e o seu coração falhou uma batida ao abrir a porta e vê-lo ali. Parecia tão abatido quanto ela.
- Oi, vim te ver – Draco disse baixinho – mas você parece cansada, se quiser eu volto outra hora.
Hermione olhou em seus olhos. Ele não conseguiu encará-la.
- Você consegue me perdoar pelo o que eu te fiz? – perguntou apoiando o braço no beiral da porta e levantando os olhos para encará-la – Eu nunca a machucaria propositadamente, Hermione.
- Entre – Hermione disse séria– vamos conversar aqui dentro.
- Me perdoa, Hermione – Draco pediu sincero, abaixou a cabeça e balançou-a negativamente – É que basta eu pensar você próxima àquele idiota do Weasley, que já perco a cabeça.
Hermione se aproximou do loiro e o abraçou. Draco retribuiu o abraço. Hermione se soltou do abraço e olhou Draco nos olhos.
- Poxa Draco, você ainda vai acabar com nosso relacionamento por conta desse seu ciúme absurdo pelo Ronald. Eu estou com você. A minha história é com você.
- É, mas ele já teve uma história com você, já abraçou, já o beijou, já..- os olhos de Draco estavam cinzas como um dia nublado.
- Sim, Draco. – Hermione disse serena — Como você já teve esses momentos com outras garotas. Com várias, inclusive – Hermione fez uma cara de brava, e Draco, pela primeira vez naquela semana, sorriu abertamente, puxando a namorada para um abraço. — Eu estou com você. Não se esqueça disso.
~*~
Dois meses depois
- Ei, Malfoy – Gina chamou. O rapaz reduziu a velocidade do passo, sem, no entanto, parar completamente.
- O que quer, Weasley? — Draco perguntou ainda andando.
- Você viu que o professor de Doenças por Acidentes Mágicos quer que criemos duplas de trabalho para o estágio monitorado?
- E? — Draco parou e cruzou os braços. – Ainda não entendi o que você quer comigo, Weasley.
- Ora, Malfoy, não é óbvio? Quero te propor uma dupla de trabalho – Gina sorriu simpática. Draco fechou a cara.
- E por qual motivo eu formaria uma dupla com você, Weasley? -Draco perguntou irônico
- Porque eu sou a melhor amiga da sua namorada!- Gina disse sorridente – Não é um bom motivo?
- Disse bem, – Draco voltou a andar – é amiga da minha namorada, não minha. Passar bem, Weasley!
- Nossa, você é chato hein? Como a Hermione te aguenta? – Gina perguntou enquanto andava ao lado do Draco – E vai fazer com quem? Com a Simpson? Eu vejo como ela te olha... — Gina riu, era engraçado a forma como Draco fugia da colega de estágio. Draco parou abruptamente.
- Você está me chantageando, Weasley? – a raiva contida na voz.
- É óbvio que não, Malfoy, até porque pelo o que eu saiba, não há nada com que chantagear você. — Gina disse séria — Quis apenas quebrar o gelo, mas eu desisto. Uma boa tarde, Malfoy! – Gina ia começar a andar quando ouviu a voz de Draco.
- Ok, Weasley, você me convenceu. Vamos fazer essa maldita dupla juntos. Mas não esqueça, você é amiga da Hermione, não minha.
Gina sorriu e apertou a mão de Draco.
~*~
Mais dois meses depois
- Nossa, faltam apenas dois meses para o casamento da Gina. Como passou rápido! – Hermione disse enquanto acariciava o peito do namorado.
- E eu não sei? A Weasley não para de falar desse casamento. Maldita hora que eu aceitei ser seu par naquela disciplina. – Draco falou mal humorado. Hermione riu.
- Obrigada – Hermione disse sincera.
- Pelo quê? – Draco perguntou curioso
- Por pelo menos tentar se aproximar dos meus amigos.
- Não confunda, Hermione, – Draco disse irônico – não estou tentando me aproximar de seus amigos. Apenas estou fazendo um trabalho do estágio com a Weasley e somente porque ela parece simpática, o que a difere muito daquela família estranha que ela tem. Eu nunca faria uma dupla com o Potter e nem permaneceria no mesmo ambiente que o idiota do Weasley.
Hermione revirou os olhos. Ele nunca mudaria.
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