Revendo Conceitos
9 O segredo de Narcisa
Notas iniciais
Do lado de fora, Andrômeda conversava com Minerva. Minerva sempre soubera que o vínculo entre as irmãs Black nunca fora totalmente rompido. Ambas se assustaram com o grito que veio do quarto de Narcisa.
-Merlin que ideia de Narcisa contar isso agora, ela está muito fraca. Não pode se emocionar dessa forma.
-Mas você sabe que Narcisa é uma cabeça dura, Minerva. Também tentei convencê-la de que esse não era o melhor momento.
Ao ouvirem o segundo grito, Minerva falou:
-Vou intervir. Não vou deixar que ele trate a mãe dessa forma.
Minerva entrou no quarto, Draco andava de um lado para o outro. Teve tempo apenas de ouvir:
-Pergunte ao elfo. Chame-o, ele o reconhecerá como um herdeiro. – Narcisa disse em um fio de voz antes de desmaiar.
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Minerva e Draco voltaram para a escola via rede de Flu. Minerva ainda quis conversar com o rapaz, mas ele se despediu alegando cansaço. Na verdade, o loiro precisava ficar um pouco sozinho para processar as diversas informações que tivera em tão poucas horas.
Ele seguiu para o quarto, pegou uma garrafa de whisky de fogo contrabandeada e foi para o canto mais escuro do salão comunal. Havia chegado tarde e dava graças a Merlin pelo salão vazio. Não queria falar com ninguém, não tinha cabeça para falar com ninguém. E assim ficou por algumas horas. Um filme se passou em sua cabeça... Tentava se lembrar de algum momento em que se sentiu amado por Lucius, como se, ao agarrar-se a esta lembrança, sua triste realidade deixasse de existir.
Após analisar detalhadamente sua relação com Lucius, o loiro começou a pensar na possibilidade de sua mãe estar certa. Raiva, dor, frustração e vergonha se misturavam na mente do rapaz que já estava embriagado, visto que havia bebido uma garrafa inteira de whisky de fogo sozinho. Não aguentando mais de curiosidade resolveu falar com o elfo que sua mãe havia mencionado antes de desmaiar.
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Hermione acordou no meio da noite. Estava morrendo de fome. Após alguns minutos se deu conta que não havia jantado. Havia ficado tão horrorizada com os detalhes da morte de Lucius que seu estômago embrulhara. Ponderou durante alguns minutos se era correto ir até a cozinha, mas a fome falou mais alto. Tinha certeza de que os elfos não a entregariam. Vestiu um robe e saiu de seu quarto.
Chegando próximo à cozinha parou ao ouvir vozes. Apurou bem o ouvido na tentativa de distinguir quem conversava e o que conversavam. Como não conseguiu ouvir nada mais do que sussurros, resolveu chegar mais perto da origem das vozes. Com a varinha em riste estancou quando viu a figura de Malfoy conversando com um pequeno elfo. O pequeno ser parecia lhe explicar alguma coisa. Hermione se aproximou mais, de modo que pudesse ouvir sem ser vista.
Um bolo no estômago se formou quando a castanha ouviu o que o pequeno elfo contava ao loiro. Ele contava que não era Lucius o pai de Draco e sim, seu amado mestre. Hermione olhava para a cena com cuidado, receosa em interromper. O pequeno elfo reverenciava Draco, que o ignorava completamente.
- Mas se isso tudo que você está me contando for verdade, porque você não me procurou antes? — Perguntou Draco ríspido.
- Ahhh, o mestre pediu para o servo não contar nada. A não ser quando o pequeno Malfoy viesse falar com ele sobre esse assunto.
Hermione ouvia em silêncio o relato do pequeno elfo no qual ele contava os feitos do “novo pai” de Draco. A castanha se assustou um pouco quando o loiro elevou a voz e agarrando os bracinhos do elfo, começou a sacudi-lo violentamente.
- Eu não sei por que todos vocês resolveram fazer isso comigo – Disse Draco com sua voz mais arrastada do que nunca por conta do efeito da bebida. Mas, eu não vou cair nessa! Não vou, me ouviu bem?
- Não, meu mestre! – disse o elfo assustado – Tudo o que eu disse é verdade! O senhor é um legítimo...
- Cala boca, para de mentir! – gritou Draco enquanto chacoalhava o elfo.
Hermione assistia à cena petrificada. Tinha sérias dúvidas se deveria se intrometer, por mais que estivesse penalizada com a atitude de Draco em relação ao elfo. Sabia que era um momento dele. E não fazia ideia de como Draco reagiria ao descobrir que ela ouvira tudo. Mas ao vê-lo chacoalhar com mais força o pequeno elfo, resolveu intervir.
- Solte-o Malfoy! – disse Hermione se mostrando pela primeira vez – Maltratá-lo não vai mudar nada do que ouviu.
- Granger! – Draco olhou na direção dela. Seu olhar misturava surpresa, dor e ódio. – O que faz aqui?
- Solte o elfo, Malfoy! – Hermione insistiu, ao ver que o rapaz soltava o pequeno ser, completou – Não tive intenção de ouvi-lo. Vim buscar algo para comer quando escutei vozes, pensei que fosse algum aluno.
Draco já ia lhe responder quando ouviram uma voz rouca no final do corredor.
- Quem está aí?
- Venha Malfoy, é o Filch. E ele não vai ficar nem um pouco feliz em nos encontrar por aqui, principalmente você e essa garrafa de whisky de fogo.
- Eu não vou a lugar algum com você sua san...
- Complete essa frase e eu não apenas te deixo aqui como também o entrego ao Filch! — disse Hermione aborrecida.
Draco calou e tratou de seguir a menina em passos largos. Como algumas vezes usava o mapa do maroto, conhecia alguns atalhos. Quando chegou em frente à casa de Sonserina, apenas resmungou:
- Pronto, já está entregue.
E saiu sem esperar que Draco lhe dissesse alguma coisa. Voltou quando ouviu o rapaz dizer algumas palavras de baixo calão.
- O que aconteceu agora, Malfoy?
- Perdi a merda da mudança de senha! – respondeu Draco mal humorado.
Hermione bufou e voltou até onde ele estava.
- Como assim perdeu a mudança da senha?
- Você é burra ou o quê? Perdi a merda da mudança de senha. – respondeu o rapaz zangado.
- Malfoy, eu juro que mais uma grosseria sua, eu deixo você se ferrar! – disse Hermione entre os dentes – Venha, vamos para o salão comunal dos monitores. Você não pode dormir aqui do lado de fora.
Ao chegar ao salão comunal que era reservado aos monitores, Draco se arrastou até o primeiro sofá que viu em sua frente e deitou. Hermione apenas revirou os olhos:
- Venha Malfoy, você não vai dormir aí. Vamos até a sala comum aos monitores-chefes.
Draco permaneceu calado e acompanhou Hermione. Seguiram em silêncio até o salão comunal. Chegando lá, a castanha foi até seu quarto, pegou roupa de cama e colocou em cima do sofá. Já saía sem se despedir, quando ouviu a voz baixa e sonolenta de Draco lhe perguntar. Parou de costas ao rapaz.
- Porque fez tudo isso por mim hoje, Granger?
- Porque você querendo ou não, sou responsável por você aqui na escola.
Hermione virou para ver a cara do rapaz diante sua resposta, mas Draco já dormia. Hermione foi até ele e o cobriu.
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Quando chegou ao salão principal na hora do café da manhã, Hermione o encontrou em polvorosa. A maioria dos alunos tinha uma edição do Profeta Diário em suas mãos.
Na capa, aparecia o Ministro da Magia falando sobre a morte de Lucius Malfoy e acalmando a população sobre os boatos do surgimento de neo comensais. Hermione sentou entre Harry e Ron que conversavam animadamente sobre as notícias da manhã.
- Já está sabendo, Mi? Há menos um comensal no planeta Terra! – Disse Rony enfiando uma torrada na boca – Por pouco não eram dois.
- É, eu já estava sabendo. – respondeu Hermione desanimada – Eu estava com a Minerva quando a Héstia Jones chegou para levar o Malfoy até a mãe dele.
- Ahh então é por isso que você estava o procurando? – Perguntou Harry – Porque não nos contou?
- Era por isso sim. E eu não podia contar. A diretora me pediu segredo.
- Entendo. Queria ver a cara do Malfoy. – continuou Harry – Quero perguntá-lo onde vai agora quando quiser conversar com o pai.
- Harry! Que horror! – exclamou Hermione horrorizada – Não acredito no que eu ouvi!
- Ah, qual é Mione? – Começou Rony – O Malfoy fez a mesma coisa com ele. Qual o problema?
- O problema, Rony – Hermione disse apontando o dedo ora para a cara de Harry, ora para a cara do Rony – é que o Harry não é o Malfoy. Por isso mesmo, não devia se comportar da mesma maneira do que ele. E me dá licença porque eu perdi a fome. – Hermione pôs o guardanapo na mesa e saiu pisando duro.
- O que aconteceu com ela? — Perguntou Rony assustado
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Draco acordou com uma dor de cabeça terrível, sua cabeça girava e doía, impedindo movimentos simples. Levou algum tempo para registrar tudo o que acontecera e para dar conta de que não estava em seu quarto em Sonserina.
- Merda, não foi um pesadelo. Há essa hora a sangue ruim da Granger já deve ter contado para a escola inteira que Lucius não é meu pai! — Draco resmungou em voz alta enquanto se levantava. Assustou-se ao ouvir a voz da castanha que estava em uma poltrona próxima com um livro na mão.
- Pode ficar despreocupado, Malfoy. Eu não contei nada para ninguém. Até porque eu acredito que sua vida só diz respeito a você! Como eu lhe disse ontem, eu não tinha a intenção de ouvir sua conversa com o elfo.
A voz de Hermione parecia triste. Ao encarar a garota, Draco viu decepção. E pela primeira vez em toda sua vida se arrependeu de tê-la insultado.
Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas a castanha foi mais rápida e continuou:
- O seu café da manhã está em cima da mesa. – levantou e apontou para uma mesa próxima onde Draco havia dormido – Como você não levantou para o café, eu pedi ao Monstro que preparasse isso para você. – Draco abriu a boca para agradecer, entretanto, mais uma vez a castanha foi mais rápida. – Se não quiser comer não coma. Agora me dê licença que tenho outras coisas para fazer.
Draco ainda tentou falar com a garota, mas ela foi mais rápida e entrou em seu quarto, batendo a porta. O loiro seguiu desanimado até as Masmorras. Chegando lá, foi direto ao seu quarto e voltou a dormir só acordando para o jantar. Já estava saindo da Sonserina quando encontrou Zabini.
- E aí cara! Fiquei sabendo o que aconteceu. Você sumiu o dia inteiro. Onde esteve?
- Dormindo, não queria falar com ninguém. E ainda não quero. Estou pensando se devo descer para jantar.
- Vamos lá cara!!! Qualquer coisa eu azaro o primeiro que vier de gracinha para o seu lado.
Draco foi junto a Blás para o salão principal. Logo se arrependeu, uma vez que muitos olhares e comentários do salão recaiam sobre ele, o que o incomodava bastante. Não conseguiu comer e resolveu voltar para o seu quarto.
Draco permaneceu em seu quarto por mais três dias, se alimentava apenas à noite, em seu salão comunal, quando Monstro levava sua refeição, até que no quarto dia, Minerva o chamou em sua sala:
- Senhor Malfoy, fiquei sabendo que o senhor não tem ido às aulas, à sala dos monitores e eu não o tenho visto durante as refeições.
Draco apenas a olhou. Pouco lhe importava o que ela sabia ou deixava de saber. Ao perceber que o rapaz não manifestava nenhuma reação. A diretora continuou:
- Gostaria de informá-lo que caso o senhor não volte às suas atividades normais eu serei obrigada a lhe aplicar uma detenção.
Novamente o loiro apenas olhou para a diretora sem esboçar nenhuma reação. Minerva já estava começando a se irritar com o estado letárgico de seu aluno.
- Senhor Draco Lucius Malfoy, se o senhor continuar nesse estado eu serei obrigada a lhe enviar de volta à sua casa! – Disse Minerva já irritada.
- É tudo o que eu quero, senhora... – Disse Draco em voz baixa – Voltar à minha casa.
- Então o providenciarei, mas devo lhe avisar que como sua mãe ainda está internada, eu o mandarei para a casa de sua tia Andrômeda. – Disse Minerva séria.
- Mas por que, se já sou maior de idade? – perguntou Draco parecendo despertar.
- Porque sua mãe e sua tia fizeram um contrato mágico e sua tia é responsável por você enquanto sua mãe estiver em St. Mungus.
- Mas eu não quero ir para a casa dessa mulher que diz ser minha tia. – Exclamou Draco furioso – Não pode me obrigar a ir para lá.
- É claro que posso, só não o farei, pois tenho certeza que voltará às suas atividades normais. E pode começar hoje à noite, pois segundo me consta – disse Minerva olhando em um pergaminho – é seu dia de monitoria.
Draco saiu pisando duro da sala da direção. Odiava Minerva, odiava aqueles professores dedo-duro, odiava aquela escola e tudo o que fazia parte dela. Resignado, seguiu até o salão dos monitores para ver com quem faria a monitora.
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Ron e Hermione se preparavam para a ronda noturna habitual. Como Draco não havia aparecido durante toda a semana, Hermione resolveu chamar seu namorado para irem juntos. Já estavam na porta da sala comunal dos monitores quando Draco chegou. Todos os olhares recaíram sobre ele. O loiro fingiu não perceber, entretanto quando seus olhos se encontraram com os de Hermione, sentiu um grande nó no estômago e desviou o olhar. Por incrível que pareça, ele ainda se sentia péssimo por tê-la tratado tão mal quando ela queria apenas ajudá-lo. Em passos largos foi até o quadro de avisos onde ficava o horário dos monitores e com pesar observou que era seu dia junto com a mesma.
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