Hermione caminhava nervosa pelos corredores que davam acesso à sala da Diretora. Durante o caminho, ensaiava respostas que nem ela mesma tinha certeza que faziam sentido. Quando chegou à sala de Minerva, estava completamente vermelha. A Diretora levantou os olhos, séria como sempre.

- Onde está o Sr. Malfoy? – perguntou interessada.

- Não sei, não o vejo desde... – parou de falar, tensa – mas eu posso explicar, Diretora! — Hermione falou rápido demais e Minerva olhou-a interrogativa, sem conseguir entender sobre o que a sua melhor aluna estava falando. Já ia lhe perguntar...

- Bom dia, Diretora! – falou Draco com sua costumeira voz arrastada – Gostaria de falar comigo?

Ele olhou para Hermione com o mesmo olhar frio de horas antes e a castanha abaixou a cabeça.

- Ahhh, claro – disse Minerva – Com vocês dois. Mas não se preocupem, serei breve.

Os alunos a olharam.

- Eu acredito que cometi um grande erro – continuou Minerva. Hermione prendeu a respiração nesse momento – nomeando apenas alunos do sétimo e oitavo anos como monitores. Esse ano vocês tem N.I.E.M.s! – exclamou a Diretora.

Hermione soltou a respiração. Minerva estava tão absorta enquanto falava que nem notou. Mas não passou despercebido para Draco.

- E eu fiquei muito preocupada em sobrecarregá-los. É preciso pensar em uma estratégia. Por isso, os chamei.

- Ahh Diretora — disse Hermione aliviada — eu conversei sobre isso com os monitores ontem no trem. Aliás, não discutimos sobre isso, mas manifestei a minha preocupação. Tenho algumas idéias que...

- Um momento, Srta. Granger — disse Minerva, interrompendo Hermione e levantando a mão — Em sua frase eu só ouvi: eu conversei, eu pensei, eu manifestei. Eu acho que ficou claro para a senhorita que o Sr. Malfoy tambémé monitor-chefe. Mas, pelo o que eu pude ver, a senhorita ainda não assimilou isso.

Hermione ficou vermelha. Ia balbuciar algo, quando Draco se pronunciou.

- Eu posso explicar, Diretora. — Ambas o olharam. Hermione apavorada com o que Draco pudesse falar — A culpa não é somente da Granger. Uma série de problemas pessoais, meus e dela, impediram que nos reuníssemos. Mas acredito que iremos contornar essa situação, não é Granger? — disse Draco olhando nos olhos da jovem.

Hermione apenas assentiu com a cabeça e Minerva continuou a falar...

- Então aproveitem a oportunidade e contornem esta situação. Eu quero a solução de vocês para essa questão até a hora do jantar.

- Certo, Diretora — disseram os dois juntos.

- Então já podem ir — disse os olhando séria.

Os dois alunos saíram calados da sala da Diretora. Uma tensão silenciosa no ar, mas assim que percebeu que Minerva não podia mais ouvi-los, Hermione quebrou o silêncio.

- Obrigada — disse olhando para Draco.

- Não precisa me agradecer por nada – disse, olhando nos olhos da garota. Estavam descendo pela gárgula da sala da Diretora — Eu não menti. Realmente deixamos que os nossos problemas pessoais prejudicassem o nosso trabalho de monitores-chefe.

- Não era sobre isso que eu me referia. E sim de não ter contado sobre o Rony.

Draco deu um sorriso debochado e balançou a cabeça negativamente. A gárgula havia parado. Antes de caminhar olhou profundamente para Hermione que corou com aquele olhar tão profundo.

- É uma pena que você não consiga enxergar algumas mudanças, Granger...- a voz dele era cansada.

Ele não esperou que ela respondesse e seguiu pelos corredores que davam acesso ao salão comunal dos monitores. Hermione também voltou a caminhar, ia dizer alguma coisa quando Draco parou, olhou para trás e voltou a falar no mesmo tom cansado. Cansado e triste.

- Engraçado como você acredita naquele merda sem esforço... Mas não se preocupe, eu não vou te importunar mais, como eu te disse anteriormente, eu tenho total consciência que não tenho nada a ver com a sua vida.

E apertou o passo sendo seguido por uma Hermione completamente constrangida. Mal chegou ao salão comunal dos monitores foi recebido por um murro que não soube de onde partiu. Colocou a mão no nariz e viu que sangrava.

- Eu te falei para deixar a Hermione em paz, não falei? — disse Rony aparecendo. O ruivo sacou a varinha e lançou um feitiço não verbal.

- Enlouqueceu, seu idiota? — Draco lançou um Protego e jogou outro feitiço.

Hermione assistia à cena completamente chocada e sem reação. Ficou imóvel por alguns segundos.

— CHEGAAAAAAAAAA!! — gritou lançando uma barreira de proteção entre os dois — Vocês enlouqueceram? O que deu na cabeça de vocês para duelarem como se estivessem na batalha final em plena sala dos monitores?

- É que eu acho que a batalha ainda não terminou — disse Rony com a varinha empunhada.- Há, ainda, muitos comensais espalhados por aí. Aqui na escola, por exemplo... estou olhando para um projeto muito mal sucedido de comensal.

Hermione viu que Draco se preparava para lançar mais um feitiço e que Rony se preparou para rebater.

- Chega — disse perigosamente se colocando entre os dois — Malfoy, por Merlin, você é um Monitor-Chefe, olhe como está agindo. Comporte-se como tal! E Ron, você sabe muito bem o cargo que o Malfoy ocupa e que poderia lhe aplicar uma detenção pelo seu infeliz comentário. Acho que a Diretora foi bem clara quando disse que não permitiria nenhum tipo de preconceito dentro da escola. E o fato de ser meu namorado não o isenta de cumprir as regras.

- Você está defendendo esse filho da puta? — disse Ron em um misto de irritado e ofendido — Ele te delatou para a Diretora!

- Não, Rony! — rebateu Hermione. Draco observava a briga do casal — A Diretora me chamou, ou melhor, nos chamou — disse apontando para si própria e para Draco — por conta dos N.I.E.M.s. Você deveria ter perguntado, antes de agir estupidamente como um irracional. —

As palavras saíram antes que Hermione se desse conta que não estavam apenas os dois na sala. Draco arqueou uma de suas sobrancelhas e olhou para Ron com um sorriso irônico no rosto. Ron percebeu.

- Desculpa por ter agido como um irracional — disse completamente vermelho saindo da sala — Só quis te defender.

Hermione ainda fez o movimento de que ia segui-lo quando a voz arrastada do loiro chegou aos seus ouvidos.

- Vamos nos reunir para traçar a estratégia ou vai correr atrás do seu namoradinho, Granger?

Hermione ainda ficou durante alguns segundos olhando para a porta por onde Ron havia saído, e quando se virou para Draco, tinha lágrimas nos olhos.

- Olha Granger, eu não quis te ofender, mas... — o rapaz foi interrompido por Hermione, que levantou a mão.

Ela havia tomado uma decisão e seu coração doía por isso. Precisava ficar sozinha antes de fazer o que precisava fazer.

- Você não me ofendeu, Malfoy. Mas eu não estou legal. Preciso ficar sozinha. Você se importa de nos reunirmos após o almoço?

- Claro — respondeu solícito — Voltamos a conversar após o almoço.

Hermione fez um gesto com a cabeça e correu para o seu quarto. Sentia um bolo se formar em sua garganta. Em sua cabeça, esperava que esse dia nunca precisasse acontecer. Mas havia chegado e precisa tomar coragem para que não desistisse na hora certa. Deitada em sua cama, pensando nessas coisas, adormeceu.

~*~

Rony passou o restante da manhã em seu quarto deitado. Estava chateado e com raiva e não queria ficar dando satisfação de sua vida para sua irmã e seu amigo. Na hora do almoço, sentou de costas para a mesa da Sonserina, pois se Malfoy apenas o olhasse, seria capaz de estuporá-lo ali mesmo. Nem viu quando o loiro entrou no grande salão para almoçar.

Draco entrou no salão à procura de Hermione e estranhou quando não a viu na mesa do almoço. Viu quando ela entrou e sentou-se em frente ao Rony. Fechou o punho com força quando ele se levantou assim que a menina sentou e travou sua mandíbula quando percebeu que ela suspirava e ia atrás do rapaz.



~*~

Hermione encontrou o namorado sentado em frente ao lago. Sentou em silêncio ao seu lado e permaneceu olhando para a paisagem assim como ele estava. Não sabia, mas Draco os havia seguido e os observava desde que havia saído do salão.

- Precisamos conversar, Ronald! — Hermione quebrou o silêncio e olhou para o ruivo que continuava de cabeça baixa.

- Se é sobre o que aconteceu mais cedo, prefiro não conversar. Você não precisava falar comigo daquele jeito na frente daquele filho da puta. — ele jogou uma pedrinha no lago e ficou observando o efeito na água.

- Não é apenas sobre isso. É sobre tudo. — ela suspirou sofregamente.- E olhe para mim enquanto conversamos, por favor — completou.

Ron sentou de frente para a Hermione que também virou para ficar de frente para seu namorado. Ficou observando por um tempo seus olhos azuis e tentando lembrar o que fizera ela se apaixonar tanto por ele.

- Eu não consigo mais respirar dentro do nosso relacionamento, Ron. — disse finalmente ainda olhando nos olhos do ruivo.

- O que você quer dizer com isso? — perguntou assustado

- Estou querendo dizer que não dá mais, Ron — Hermione tinha lágrimas nos olhos. Rony secou uma que se atreveu a descer. — Eu juro que preferia que esse dia nunca acontecesse. Mas a verdade é que não dá mais para sustentar o nosso namoro.

- Você está terminando comigo por que bati no Malfoy? — perguntou ofendido.

- Não, Ron. Claro que não! — Hermione se apressou em dizer — Eu que não aguento mais sustentar a nossa relação. Tem sido bastante pesado para mim.

~*~

Draco observava a cena, não podia ouvir o que conversavam, apenas observar seus gestos. Não conseguia entender o que Hermione ainda via naquela cenoura ambulante. Suspirou alto.

- Acho que se você tivesse esse poder, lançaria um avada kedavra no ruivo com os olhos, só pela forma como o olha — disse Blás sentando-se ao lado de Draco. — É sério que está apaixonado por ela, não é? — perguntou preocupado.

Draco apenas abaixou a cabeça por um tempo. Depois voltou a olhar para a cena que tanto o incomodava.

- Cara, sabe qual é o problema? Você está disponível demais. Isso nunca funciona.

Draco olhou para o amigo com estranheza. O rapaz negro continuou.

- Eu acho que você deveria sair com outras garotas, fazer a Granger te olhar com outros olhos, entende? Você precisa fazê-la te desejar, cara!

- Você acha que isso funcionaria? — perguntou Draco olhando para o amigo.

Blás soltou uma gargalhada. Draco fechou a cara.

- Sempre funciona. Você perdeu o controle total da coisa. Sempre funciona, meu amigo.

- Não funcionou com você e a... — Blás não esperou que ele completasse.

- Eu sei, mas ali o problema é outro. Ela é perdidamente apaixonada por outro cara. — disse o negro amargurado.

- A Granger também me parece completamente apaixonada pelo pobretão idiota.

- Não cara, você não está entendendo... — disse Blás com raiva.

Draco se arrependeu de ter tocado no assunto. Seu amigo lhe dissera tantas vezes que nunca se apaixonaria, mas o que era apenas uma desconfiança pelos olhares que ele, ultimamente, dispensava a ela, acabara de se tornar uma constatação pela forma que ele estava lhe respondendo.

— Ela ama um mito. Uma representação de pessoa. – continuou o rapaz – Independente se esse cara a xinga, a maltrata, a escorraça. Nada disso adianta, ela sempre vai idolatrá-lo, você não acha? — Blás olhou com raiva para Draco. Este apenas abaixou a cabeça e balbuciou um pedido de desculpas.

- Mas pensa nisso que eu te falei. Se não funcionar, pelo menos vai ter saído com algumas garotas. — Blás piscou para o amigo e saiu deixando-o pensativo para trás.

~*~

- Não consigo entender, Hermione — disse Ron cabisbaixo — O que eu fiz de errado?

Hermione olhou-o espantada e o ruivo percebeu que tinha falado besteira. Tentou consertar.

- Eu sei o que fiz de errado, — disse olhando para o chão — mas achava que havia me perdoado. Você nunca conseguiu me perdoar, não é?

- Pensei que fosse fácil te perdoar... — disse Hermione triste — Por tudo o que já vivemos juntos, mas...

- Mas não foi — Rony completou.

- E a forma como tem se comportado ultimamente. Vigiando-me, como se eu tivesse te traído e não você a mim. — Rony olhou para o chão. Hermione tinha razão.

- Eu posso mudar. — ele falou rapidamente.

- Ron, nós vivemos tantas coisas juntos. — Ela não respondeu seu último comentário. Continuou falando com lágrimas nos olhos. — Eu não queria que terminasse assim com mágoas, rancores. Você sempre será especial pra mim. Será que poderíamos continuar sendo amigos?

-Amigos? — Perguntou Rony ofendido — Eu não quero ser seu amigo, Mione. Quero continuar sendo seu namorado.

E puxou a castanha antes que ela reagisse.

~*~

Ao assistir a cena de Rony e Hermione se beijando, Draco resolveu sair do pátio. Sua decisão havia sido tomada. Até tentaria fazer ciúmes à castanha, mas prometera a si mesmo que se ela continuasse sem notá-lo, talvez fosse melhor parar de insistir e até de rever seus conceitos.

~*~

Hermione empurrou, lentamente, o rapaz ruivo.

- Esse beijo foi estranho... – afirmou o rapaz.

- Não tem porque nos machucarmos mais, Rony. Não precisamos disso.

- Então acabou? Assim, desse jeito? — ele perguntou triste.

- Nós ainda pod...- Hermione tentou falar

- Não podemos nada, Hermione – disse Rony bravo se levantando – Não vem com essa historinha de amigo pra mim. Já que você não quer ser mais minha namorada, eu não tenho mais nada para conversar com você.

E saiu deixando Hermione chorando no gramado. Ela ainda ficou parada por alguns segundos, como se esperasse que ele voltasse. Mas quando percebeu que ele não voltaria, levou a mão ao rosto e respirou fundo, tentando se recompor, sem sucesso.

~*~



Quando Hermione chegou à sala dos monitores, seu rosto ainda estava vermelho de tanto que chorara. Draco estava sentado de cabeça baixa lendo um livro. Ao ouvir o barulho de movimentação na sala, levantou o rosto.

- Pensei que ia passar a tarde com seu namoradinho e esqueceria do nosso compromisso, Granger – disse ainda mordido pela cena que vira minutos antes.

- Desculpa a demora, Malfoy – Hermione ainda enxugava as últimas lágrimas que teimavam em descer.

- O que houve? – perguntou Draco se levantando ao ver o rosto dela — O quê que aquele imbecil fez? — Draco fechou suas mãos com raiva.

- Não é nada, Malfoy – Hermione respondeu séria – Podemos começar? Acho que temos muito a discutir pela frente.

- Eu estive pensando em algumas estratégias. Você gostaria de ouvi-las? – perguntou ainda preocupado.

— Claro que gostaria – Hermione sorriu como forma de encorajar o rapaz. E para Draco, embora fosse um sorriso triste, foi o suficiente para fazê-lo esquecer o resto.

- Ótimo! – ele respondeu alegremente – Ficará um pouco puxado para gente, mas acho que poderemos contornar essa situação.

E então passou a narrar sua ideia que consistia em fazer com que os dois formassem duplas com os outros monitores para que dessa forma, o tempo entre as monitorias dos outros diminuísse dando-os mais tempo para estudar.

- É, realmente vai ficar um pouco puxado para a gente, – concordou Hermione – mas não está muito diferente do que eu havia pensado.

- Mas acho que não nos afetará tanto quanto os afetaria. Eu acho que não foi à toa que escolheram os dois melhores alunos de Hogwarts para serem Monitores-Chefe. Acho que já esperavam isso da gente.

- Melhores alunos de Hogwarts – Hermione ergueu uma sobrancelha, traço tão característico de Draco e que se tornaria seu toda vez que a ela desafiasse ele. – Isso significa que Draco Malfoy está elogiando Hermione Granger?

- Não vejo problema nenhum em elogiá-la – ele respondeu olhando nos olhos dela. Ela ficou completamente vermelha. – Aliás, também não é segredo para ninguém o quanto você é brilhante, Granger!

Hermione desconversou.

- Acho que já está na hora de encontrarmos com a Diretora, não acha?

~*~



Na sala da Diretora, descreveram a estratégia que iriam seguir.

- Não foi à toa que os dois melhores alunos foram escolhidos como Monitores-Chefe – Draco olhou de soslaio para Hermione. A garota sufocou um sorriso – Bem, o que eu posso fazer para ajudar é diminuir a quantidade de relatórios que eu solicito a vocês. Peço que usem o bom senso e só me relatem por escrito o que for grave ou que precise, de alguma forma, ficar registrado.

Os alunos concordaram com a cabeça.

- E tem mais uma novidade — McGonagall disse demonstrando um breve sorriso – No próximo sábado, deixarei os alunos do 6º ano em diante irem à Hogsmeade. Agora podem ir.

Após o jantar os monitores se reuniram para mais uma reunião. Hermione solicitou a Draco que conduzisse a reunião e o loiro estava tão ansioso em relação ao seu desempenho que nem notou o quanto Hermione e Rony estavam afastados.

Ao fim da reunião, os monitores saíram lentamente e Rony lançou um último olhar magoado à Hermione antes de sair. Draco observava os dois quando sentiu ser abraçado por trás.

- Draquinhoooooo, você foi ótimo, meu amor!

- Pansy – Draco fechou os olhos para poder controlar a raiva. Quando falou sua voz era baixa e perigosa – Quantas vezes eu já falei com você que não precisa me agarrar para falar comigo?

Hermione não soube explicar, mas a cena de Pansy agarrando o Draco a incomodou demais. Mesmo que visse Draco fechando a cara, ficou irritada demais para ver o desenrolar da cena, então saiu, deixando-os a sós.

Estava deitada em sua cama quando ouviu batidas em sua porta que dava para Grifinória. Suspirou aliviada ao descobrir que era Gina do outro lado da porta.

- Acabei de saber – Gina falou de forma simples.

- É amiga... terminou! Não foi da forma como eu queria, mas enfim não tinha muito que fazer.

- O Rony está achando que tem dedo do Malfoy no fim do namoro de vocês. — a ruiva falou com cuidado, olhando para a castanha com o objetivo de ver se ela tinha alguma reação.

- Para o seu irmão é mais fácil atribuir a culpa aos outros do que assumir os seus próprios erros.

- É verdade – concordou Gina ao ver que Hermione estava sendo sincera – mas e o Malfoy? Ele já sabe que vocês terminaram?

- O que é que tem o Malfoy, Gina? Vou deixar uma coisa bem clara para você... – Hermione estava impaciente, colocou o dedo em riste. — Terminei com seu irmão porque o nosso namoro estava insustentável e ponto final. E o Malfoy não sabe que eu terminei e se depender de mim, não vai saber. Não quero que ele confunda as coisas mais uma vez.

- Desculpa – respondeu Gina sincera – Vou voltar para o meu quarto.

- Espera – gritou Hermione ao ver que a ruiva se dirigia para a saída. Estava arrependida pelo tom que falara com a amiga – Dorme aqui. Vamos conversar.

Gina abriu um sorriso e correu para a cama da amiga...

~*~

Para os alunos, a primeira semana praticamente voou. Logo era sexta-feira.

Aula de Poções – Grifinória e Sonserina

Hermione agradeceu a Merlin por Slurghorn ter dado um intervalo entre as aulas. A sala estava demasiadamente quente e úmida, resultado dos inúmeros caldeirões fervilhando por toda a sala.

A castanha aproveitou o intervalo para ir ao banheiro lavar o rosto e se refrescar. Viu quando Pansy fez cara de nojo para si e saiu do banheiro deixando duas outras sonserinas por lá. Hermione foi até a torneira e começou a lavar o rosto.

- Deixa eu aproveitar que essa sonsa saiu e te falar – disse Greengrass à sua colega. Hermione queria sair dali o mais rápido possível, não tinha paciência para sonserinos.– Adivinha quem me chamou para ir à Hogsmeade.

- Quem? — respondeu a outra com animação.

- Draco! — a outra respondeu mais animada ainda.

- O Malfoy? – perguntou com espanto.

- Tem outro Draco na escola? É óbvio que é o Draco Malfoy!

Hermione parou o que estava fazendo para prestar atenção na conversa das duas amigas.

- A Pansy vai te matar – disse a sonserina morena.

- Me matar por quê? O Draco nunca foi e nunca será nada dela. Só ela que não percebe que ele apenas a usa. Quando ele quer e da forma que convém a ele – respondeu desdenhosa.

- Ahh e você acha que com você será diferente? – respondeu a outra fazendo pouco caso.

— Bem... Foi ele quem me convidou, não foi? – disse sorridente sem se importar com a inveja da “amiga” – Aliás, foi ele quem veio sentar ao meu lado durante a aula.

De repente as meninas pararam de falar e olharam para Hermione que observava toda a conversa. Greengrass cruzou os braços e ficou olhando para ela. A castanha ficou da cor dos cabelos da família Weasley e saiu do banheiro deixando as duas sonserinas para trás.

~*~



- Porque você olha tanto para a mesa do Malfoy, Mione?

- Impressão sua, Gina. Não estou olhando para lugar algum – respondeu Hermione, olhando para a mesa de Draco que sorria e conversava com uma colega de classe, a mesma que estava no banheiro contando glórias, constatou Hermione irritada.

- É claro que está – disse Gina virando o rosto da castanha – Tem alguma coisa que queira me dizer – sussurrou Gina para a amiga.

- Deixe de bobeira, Gina. Vamos prestar atenção à poção, vem...

Gina ficou um tempo olhando para a amiga e para Draco até ser interrompida por Hermione que pediu atenção na poção que faziam juntas. Gina estava sentada ao seu lado, uma vez que seu companheiro de poções, Rony, preferiu sentar longe dela.



~*~

- Mi, você ainda está assim? — Gina perguntou espantada ao entrar no quarto da amiga e encontrá-la em roupa de dormir – Desse jeito, você vai se atrasar para a visita à Hogsmeade.

- Eu não vou – respondeu Hermione de forma simples

- POR QUÊ? – gritou a ruiva – É a primeira visita ao vilarejo deste ano, só com os alunos mais velhos, sem pirralhos enchendo a paciência.

- Você já respondeu – disse Hermione com um sorriso e se dirigindo à sua estante para pegar o livro que Draco lhe dera – É o primeiro passeio do ano. Prefiro ficar no castelo, adiantando meus relatórios, lendo um livro. Além do mais, o clima vai ser horrível. Imagina a gente sentando em uma mesa lá no Três Vassouras, eu muda de um lado e o Rony do outro com raiva de mim, você e o Harry no meio. Vai ser horrível, não acha?

- Eu não tinha pensado nisso – disse Gina pensativa – mas não acho justo você sair da nossa convivência só porque terminou com o Ron.

Hermione sorriu. Como amava aquela ruiva. Foi até a amiga e deu um beijo na testa.

- Não se preocupe, não estou saindo da convivência de vocês. Só quero evitar constrangimentos, ok?

-Certo – respondeu Gina com um sorriso – na volta eu te conto como foi, tá bom?



~*~



Hermione nem desceu para o café da manhã. Optou em comer algumas frutas que tinha guardado. Passou a manhã lendo o livro que Draco lhe dera. Almoçou rapidamente no grande salão e subiu para finalizar alguns relatórios e revisar os exercícios dados na semana. A tarefa estava tão agradável que ela nem viu o tempo passar. Estava entretida com a tarefa quando ouviu vozes e risadas que só aumentavam.

- Então você quer conhecer o meu quarto? — Hermione ouviu a voz arrastada de Draco. Percebia-se que estava alcoolizado – Você não tem medo do que pode encontrar por lá?

- É claro que não! Cada vez fico mais curiosa! – respondeu a menina que Hermione reconheceu como a loira do banheiro da aula de poções.

Eles viam se abraçando e beijando pelos corredores do salão comunal dos monitores-chefe. Pararam ao ver Hermione.

- Ahhh, oi Granger – disse Draco. Hermione sentiu raiva – O que faz por aqui? Não foi à Hogsmeade?

- Se você não sabe, Malfoy, — disse Hermione irritada – aqui é o espaço reservado aos monitores-chefe e eu estava aqui adiantando os relatórios que precisam ser entregues enquanto você se diverte por aí.

- Mas eles só serão entregues semana que vem – Draco parece recuperar a sobriedade por um minuto. – eu poderia fazê-los durante a semana.

Hermione ia responder alguma coisa quando foi interrompida por Greengrass.

- Draco, você ia me mostrar seu quarto, lembra-se? – disse a loira sedutoramente – vocês não poderiam discutir isso em outra hora?

- Claro – disse o loiro dando outro beijo na garota. Hermione revirou os olhos – Granger, conversamos sobre isso depois.

~*~

Três semanas se passaram desde o passeio à Hogsmeade e Hermione ainda tentava a todo custo esconder de Draco que ela e Ron haviam terminado, embora o loiro parecesse desconfiar às vezes.

- Você e o pobretão brigaram? – perguntou o loiro enquanto faziam um relatório.

- Não — respondeu Hermione sem levantar o rosto. Para a castanha aquilo era meia verdade, afinal não haviam brigado e sim terminado. — Por quê?

- Nada não. – respondeu o loiro desconfiado.



~*~



Na semana seguinte, Hermione voltou mais cedo para seu quarto e percebeu que a porta do quarto do Draco estava entreaberta. Risos baixos vinham lá de dentro. Ela hesitou por um instante antes de entrar em seu quarto e fechar a porta com mais força do que o necessário.

Na outra semana, aconteceu de novo. Sempre garotas diferentes. E sempre aquele cheiro de álcool.

Aquilo incomodava profundamente a castanha. Ela pensou com raiva que, quando namorados, já havia levado Rony algumas vezes em seu quarto de monitora, mas era sempre muito discreto. Já Draco, segundo ela, estava transformando seu quarto em um bordel.

Hermione prometera a si mesmo que se acontecesse novamente, chamaria o rapaz para conversar, “afinal ali não era um local adequado para isso”, como costumava repetir várias vezes para si mesmo. Mas o que mais irritava Hermione era o fato que em uma mesma tarde o rapaz parecia demonstrar interesse por ela, se insinuando, e ficava com uma qualquer à noite.

Logo a temporada de quadribol retornou. O primeiro jogo era Sonserina x Corvinal. Os sonserinos precisavam vencer e torcer para a Grifinória perder no próximo jogo para continuarem na disputa do título. Draco treinou com sua equipe exaustivamente durante três semanas a fio. Embora nesse período o loiro pouco tenha ajudado Hermione nas tarefas de Monitoria, ela gostou. O rapaz chegava tão exausto que nem tinha tempo para sair com nenhuma garota.

~*~

Finalmente o dia do jogo chegou e a vitória de Sonserina sobre Corvinal foi esmagadora. Hermione não viu o rapaz chegar, pois ele foi diretamente para o salão comunal de sua casa comemorar. Apenas o viu de manhã quando ele se despedia de duas colegas.

- Malfoy, precisamos conversar – Hermione estava extremamente irritada com a cena que havia acabado de ver.

- Acabei de acordar, Granger – disse o loiro com a voz arrastada de sono. Sua cabeça doía. Não tinha noção de quanto whisky de fogo bebera na noite anterior. – Podemos conversar mais tarde?

- É claro que não! – Hermione bufou. Seus braços estavam cruzados e ela balançava a perna levemente.

- Ok, Granger! Mas fale baixo, por favor! Minha cabeça parece que vai explodir. — o loiro pôs as mãos nas têmporas.

- Serei breve. Eu não acho correto o que você tem feito!

O loiro a olhou com estranheza. O que ele tinha feito?

- Não acho correto você trazer diversas garotas para dormir no seu quarto! – continuou a castanha. Draco levantou uma sobrancelha — Afinal aqui não é um local adequado para isso. Esse é o nosso quarto de monitoria e isso desres...

Draco deu uma gargalhada, cortando o que Hermione estava falando.

- Você está brincando, não é?

- Não estou brincando. Você não tem se comportado como um monitor-chefe. Esse entra e sai de garotas daqui é um absurdo, Malfoy!

- Você é uma hipócrita, Granger!- Draco disse debochado, mas na verdade, estava extremamente irritado. – Porque você acha que só você pode trazer seu namorado para o seu quarto de monitora? Porque você é uma sabe-tudo ou por que seu namorado é um idiota?

- Hipócrita é você, Malfoy! – gritou Hermione, colocando o dedo em riste na direção dele. Se ela pudesse, pularia no pescoço do rapaz de tanta raiva que sentia – Você é um maldito hipócrita.

- Você está louca ou que? – Draco falou no mesmo tom, se aproximando da castanha – Eu, hipócrita? Você pode até me chamar de covarde, Granger, mas hipócrita é a única coisa que eu não sou.

- É um maldito de um hipócrita sim!- Hermione continuou falando no mesmo tom. Seu dedo já estava na cara do rapaz. – Fica aí se insinuando para mim, todo solícito, todo amável. E, ao mesmo tempo, traz qualquer uma para sua cama.

Hermione só se deu conta do que falou quando sentiu as mãos de Draco agarrarem sua cintura e a puxarem mais pra perto.

- Você não estaria assim se não fosse ciúme, Granger. – sussurrou o rapaz no ouvido de Hermione.

- Você está confund...

- Para de mentir para si mesma, Hermione – Draco segurou o rosto dela delicadamente, forçando que ela olhasse em seus olhos. – Olhe nos meus olhos e diga que você não sente nada por mim. Que você não gosta da minha voz, da minha presença, do meu cheiro.

- Draco, você não está entend... — Draco venceu a mínima distância que os separava e a beijou testando onde ela iria deixá-lo ir. Hermione hesitou por um instante e então correspondeu. Se separaram com um suspiro.

- Olhe pra mim e diga que não sentiu nada. — ele a olhou e ela sentiu borboletas em seu estômago. Então ele abaixou a voz- Eu estou tentando mudar por você.

- Você não deveria tentar por mim. E sim porque é o certo! Deveria tentar por você.

Draco levantou a cabeça lentamente e Hermione percebeu que seus olhos brilhavam. Ele ficou imediatamente sem jeito. Nunca, em toda sua vida, havia se mostrado tão frágil para alguém. Pelo menos não para alguém vivo. Já que em seu sexto ano havia chorado na frente da Murta-que-Geme.

- Não pense que está sendo fácil pra mim. – continuou o rapaz – É tudo muito novo pra mim também. Às vezes penso que é mais fácil eu seguir o fluxo e ser o que fui criado para ser.

- Não – Hermione falou baixinho encostando sua cabeça no peito de Draco – Não siga o caminho mais fácil. Ele não é o melhor.

- Sozinho é difícil – disse o rapaz levantando o rosto de Hermione mais uma vez – Fica comigo.

Hermione ficou parada por um tempo. Seu corpo e sua mente lhe mandavam uma única mensagem. Fechou os olhos por um instante.

- Isso não devia estar acontecendo — ela apertou as mãos em nervosismo, -mas eu percebi que também gosto de você. Sim, fiquei com ciúmes de todas essas idiotas que passaram pelo seu quarto.- completou em um sorriso tímido.

Draco a beijou. E dessa vez foi completamente correspondido.

- Elas não representaram nada. E o pobretão? Eu não vou dividir você com ele.

Mesmo não gostando da forma como Draco chamara Ron, Hermione sorriu.

- Eu não namoro mais o Ron já tem algum tempo.

- Você me enganou todo esse tempo? — Draco travou por um segundo, então abriu um sorriso e beijou a castanha mais uma vez.

- Hum-hum – Hermione retribuiu o beijo – você estava mais preocupado em me fazer ciúmes do que em perceber o que estava acontecendo em sua volta.

- Mas isso não importa. O que importa agora é que você é minha. — ele puxou Hermione mais para perto, ela sufocou um suspiro — Não me faça repetir isso.

E então a beijou profundamente. Hermione não soube precisar por quanto tempo ficaram se beijando. Só sabia que aquele beijo era bom demais e suas pernas bambeavam e seu coração havia disparado.

- Mas para ficarmos juntos, eu tenho uma condição! – disse a castanha quando recuperou o fôlego.

- Qual? – perguntou o loiro espantado.





Notas finais
N/A. Qual será essa condição, hein?? Tenho visto que mais pessoas têm acompanhado a fic! Fico muito feliz! Para me deixar ainda mais feliz, só faltava um comentariozinho...Só um "Hey, estou aqui"...