Revendo Conceitos
12 Descobertas II
Assim que deixou a sala, Draco correu na esperança de encontrar Hermione antes que ela alcançasse o salão comunal dos monitores e daí fosse direto para seu quarto. Queria levá-la a algum lugar onde pudessem conversar com calma.
-Ei – chamou Draco – Me espere!
Ao perceber que estava sendo seguida, Hermione aumentou o ritmo de seus passos. Draco correu até alcançá-la e segurou seu ombro quando finalmente a alcançou.
-Me larga. – Hermione falou em um fio de voz – Não quero falar com você. – Hermione tinha tantas lágrimas em seus olhos que não percebeu de imediato quem a havia alcançado.
-Ei Granger, Sou eu, Draco. -Ele a puxou para um abraço e ela não resistiu quando o reconheceu e se deixou abraçar.
-Ahhh Malfoy!!! – Hermione apertou o abraço.
Draco acariciou de leve os longos cabelos de Hermione. Ele notou que o cabelo dela exalava um perfume suave e se esforçou para conseguir tirar o rosto deles.
- Você precisa se acalmar, Granger.
Ele a puxou para uma sala vazia, a sentou na cadeira mais próxima e transfigurou um copo com água. Hermione tremia e Draco se arrependeu.
-Ei – disse Draco baixinho – beba essa água. Você precisa se acalmar.
-Porque você fez isso? – perguntou Hermione de repente. Draco se espantou.
-Fiz isso? – perguntou tentando disfarçar seu desconforto com a pergunta. Era impossível que ela tivesse descoberto o que ele tinha feito. — Isso o quê?
-Malfoy – a voz dela saiu triste e ela apertava as mãos em nervosismo. – Não me trate como essas menininhas burrinhas e bobinhas que conhece. – Hermione levantou o rosto e olhou nos olhos dele. – Você sabe que eu não sou uma delas, não sabe?
A visão de Hermione sem o tom mandão e de sabe-tudo fez o coração de Draco se apertar. Ele apenas acenou afirmativamente com a cabeça.
Um silêncio constrangedor pairou entre eles. Silêncio que era apenas cortado pelos soluços de Hermione.
-Então, Malfoy? – perguntou Hermione chorando – Vai me dizer ou não?
-E por que acha que eu tive algo a ver com isso? – ele perguntou olhando profundamente em seus olhos, queria entender porque Hermione lhe perguntava aquilo.
-Quando eu entrei naquela sala, eu soube exatamente que você me levou até lá. – Hermione levantou o rosto, seus olhos estavam inchados – Mas, porque, Malfoy?
- Eu não achei justo o que aquele idiota estava fazendo com você. – Draco respondeu de forma simples.
- Foi realmente por mim ou para dar um troco no Ronald pela forma como ele tem se comportado com você?
-Não achei justo que ele ficasse te enganando, Granger. – Draco respondeu na defensiva.
Hermione aumentou o choro e Draco, por um tempo, ficou sem saber o que fazer. A jovem se controlou após um tempo.
-Tive medo de que tivesse feito isso apenas para se vingar do Ronald. – Hermione suspirou – Mas eu escolhi acreditar na sua mudança. Não me causaria dor apenas por um capricho.
-Já está mais calma? – Draco perguntou acariciando o rosto da castanha, que soltou um suspiro.
-Mais ou menos – disse Hermione limpando as lágrimas com as costas das mãos – Mas ainda está doendo bastante aqui — ela colocou a mão no coração — E eu ainda não consigo acreditar no que eu vi.
*****
Gina e Harry estavam praticamente deitados no sofá existente no quarto da Hermione. Ele estava com a mão por dentro da blusa de Gina enquanto a beijava, quando Rony entrou abruptamente no quarto.
-Cadê a Hermione? – disse o ruivo sem ao menos perceber o que se passava pelo quarto. Harry e Gina se recompuseram imediatamente.
-Ainda não chegou, Ron. – disse Gina completamente vermelha – Ela saiu com o Malfoy para fazer a monitoria no castelo.
-Filho da puta. Eu vou matar aquele desgraçado.
-Nossa, Ron. – perguntou Gina assustada – o que houve?
-Nada – respondeu o ruivo. Ron estava tão vermelho quanto seus cabelos. Passou a mão por eles, os desalinhando – Então ela não voltou até agora?
-Não. – respondeu Gina – Ron, você está me assustando. Aconteceu alguma coisa?
Ron mais uma vez negou, mas com um movimento rápido de olhos chamou Harry para um lugar reservado do quarto.
-Ei – brigou Gina – O que vocês estão conversando aí?
-Nada, Gina – respondeu Rony bravo puxando Harry para mais longe da menina que bufava. Ron rapidamente começou a passar para o cunhado e amigo tudo o que havia acontecido na sala de aula.
-Você O QUÊ? – gritou Harry – Você ficou maluco, Rony?
-Shhhhhiiiiiiiiiiii fala baixo – disse o ruivo apontando para a irmã com a cabeça.
-Harry Thiago Potter, eu quero saber agora o que está acontecendo. – ordenou Gina – E não adianta olhar desse jeito para ele, Ronald. Eu quero saber e agora. – mesmo a situação sendo extremamente tensa, Harry quase riu da forma que a namorada falava. Gina era muito parecida com sua mãe e nos momentos de raiva essa característica se exacerbava. – Qual dos dois vai me contar?
*****
-Aquele pobretão é mesmo um idiota. Como pôde fazer isso com você? — Draco ainda acariciava o rosto da menina — Mesmo depois de saber de tudo o que você passou com seus pais.
Hermione ainda chorava baixinho quando se sentiu abraçada e um perfume amadeirado invadiu suas narinas. Seu coração começou a bater acelerado. Enquanto a abraçava, Draco afagava carinhosamente os cachos castanhos de Hermione. Ele levantou carinhosamente o rosto dela para limpar as lágrimas que teimam em escorrer, no entanto, os olhos dele se detiveram nos lábios dela e uma vontade súbita de beijá-la se apoderou dele e ele, lentamente, foi aproximando o seu rosto do dela. Hermione, inebriada pelo perfume e frente à aproximação, apenas fechou os olhos e se deixou levar pelo momento. O primeiro beijo foi leve, quase um teste para ver se os dois rostos se encaixavam.
O segundo beijo foi avassalador, Draco diminuiu a distância mínima existente entre os dois e Hermione, por sua vez, agarrou a nuca do rapaz, esquecendo-se -por um momento — de quem ambos eram.
-Malfoy! — Hermione soltou-se tão de repente do beijo que Draco ainda permaneceu por um tempo de olhos fechados. — Não podemos fazer isso. É errado!
-Errado foi o que aquele idiota te fez, Hermione! – disse Draco segurando nos braços da garota. Ambos se assustaram ao ouvir o primeiro nome dela saindo da boca dele.
Ficaram durante um tempo apenas se olhando em um silêncio constrangedor.
-Eu preciso ir. Preciso voltar para o meu quarto.
-Tem certeza? Você vai querer ver a cara daquele idiota? -Draco apontou para a porta. – Tenho certeza que não.
-Eu preciso voltar. — disse Hermione nervosa de cabeça baixa. A castanha estava envergonhada por ter perdido o controle e correspondido ao beijo de Draco. — Gina e Harry devem estar preocupados comigo.
-Então eu vou com você. Eu te levo até o seu quarto. — Disse Draco indo em direção à porta.
-NÃO- gritou Hermione — Acho melhor você não ir. O Rony deve estar com muita raiva de você. Ele deve estar por lá. Vocês vão acabar brigando. — Hermione se posicionou na frente do Draco.
-Ele que venha. Não vejo a hora de quebrar a cara daquele merda.
-Para, Malfoy! — gritou mais uma vez Hermione — Por que você tem que falar essas coisas? Porque você tem sempre que provocar? Porque você não o deixa em paz?
-E porque você está o defendendo? — perguntou Draco ofendido – Ele te sacaneou! Ou você já esqueceu? – Draco perguntou com raiva. Sentia raiva de si por tudo o que estava sentindo e sentia raiva de Hermione por fazê-lo sentir aquelas sensações e nem ao menos perceber.
-E se eu quiser esquecer?- Ela falou apontando o dedo na cara dele – O que você tem a ver com isso? – Hermione também sentia raiva pelas sensações novas que não conseguia descrever desde que Draco a beijou. Decidiu que afastaria Draco de si. Era muito mais seguro para os dois. – Ele é meu namorado! E eu ... eu o amo — ela falou incerta. — E vou defendê-lo sempre.
-Como é que é? Foi isso mesmo que eu ouvi? – perguntou sarcástico – Então aquele filho da puta te trai e você me diz que o ama? — Draco deu uma risada seca – Não entendo!
-Você não consegue entender porque você nunca se apaixonou e nunca amou ninguém, Malfoy!
-Não diga sobre o que não sabe, Granger- Draco respondeu. E sem esperar resposta da garota a puxou para mais um beijo.
Hermione tentou se desvencilhar no início, mas ao sentir o beijo se aprofundar, se desarmou e se entregou. Não souberam quanto tempo se beijaram. Apenas se separaram quando nenhum dos dois conseguiu mais respirar.
-O que você pensa que está fazendo? – perguntou Hermione baixinho encostando a cabeça no peito de Draco.
-Te provando que você nem sempre é uma sabe tudo! – disse Draco carinhoso enquanto acariciava os cabelos de Hermione.
-O que você está querendo dizer com isso? – ela perguntou não querendo ouvir a real resposta.
-Eu quero ficar com você, Hermione. — Draco levantou a cabeça dela para que se olhassem nos olhos. – Eu...Eu...estou gostando muito de você. — ele falou, constrangido.
-Não, Draco – Hermione balançava a cabeça negativamente – você está confundindo as coisas. Você esqueceu quem somos?
-Claro que não, Hermione, mas eu ac...
-Para, Draco. – Hermione pôs a sua mão no peito de Draco. – É muita coisa na minha cabeça. Desculpa, mas eu não consigo lidar com isso agora.
E sem dizer mais nada, Hermione saiu correndo em direção ao seu quarto de monitora chefe. Draco ainda tentou ir atrás, mas sem muito êxito, se não soubesse que era impossível de fazê-lo na escola, achava que a castanha havia aparatado.
*****
-COMO VOCÊ TEVE CORAGEM DE FAZER ISSO COM A HERMIONE, RONALD?- Gina gritava com Rony quando Hermione entrou no quarto. – Eu vou agora procurar por ela, coitada da minha amiga.
-Não precisa, Gina – disse Hermione calmamente – Já estou aqui.
-Mi, precisamos conversar – começou Rony.- Eu posso te...
-Eu não tenho nada para falar com você, Ronald – Hermione estava séria – Pelo menos não hoje. Saia do meu quarto, por favor!
-Mas Mi...
-Eu já disse – Hermione virou de costas, não queria que o ruivo a visse chorando – Não quero falar com você. Na verdade, eu não quero olhar pra você. Saia do meu quarto. — Hermione olhou para os lados à procura de Harry, ao cruzarem os olhos, Harry entendeu o que a amiga queria.
-Vem, Ronald – disse Harry seco segurando o braço do amigo – A Mione precisa descansar. Amanhã, se ela quiser, vocês conversam.
Harry e Rony se dirigiram à saída do quarto que dava para a torre de Grifinória. Antes de sair, Rony ainda olhou para a Hermione, que virou o rosto. Quando teve a certeza de que Rony estava fora de seu quarto, Hermione abraçou Gina e voltou a chorar.
-Ai Gi. Ainda não acredito que o Rony fez isso comigo.
-Eu estou com vontade de matar aquele desgraçado. – disse Gina com raiva – Amanhã mesmo eu vou mandar uma carta para minha mãe dizendo o que ele aprontou.
Hermione se permitiu sorrir.
-Obrigada Gi, mas acho que não precisa envolver sua mãe nisso.
-Ai eu estou com tanto ódio do Rony, Mione! Como ele ousou fazer isso com você? – disse Gina enquanto acariciava os cabelos de sua amiga que já estava deitada em seu colo. — E aquela vagabunda da Patil? Amanhã mesmo ela vai se ver comigo.
-Ei Gina, calma – disse Hermione sorrindo – Obrigada, por se importar tanto comigo. Obrigada mesmo. Mas não precisa falar com a Patil. Vou tomar um banho – disse a Hermione se levantando – Você vai ficar por aqui?
-Claro. Vai lá. Você precisa relaxar.
Hermione deu um beijo na bochecha da amiga e seguiu para o banheiro. Lá preparou sua banheira, tomaria um banho relaxante e longo e, por hora, não pensaria em nenhum de seus problemas.
*****
-Caramba! – disse Blás assim que Draco entrou na sala. – Você demorou! E aí? — perguntou excitado com a expectativa do que havia acontecido.
Draco olhou para Blás e este se espantou porque ao invés de um sorriso vitorioso, Draco exibia um olhar pensativo.
-O que aconteceu, cara? – Blás perguntou preocupado, levando seu amigo para um lugar reservado – Que cara é essa Draco?
-Nada.
-Como nada? Conseguiu fazer com que a Granger flagrasse o pobretão?
-Sim.
-E aí?- Perguntou Blás excitado – Como foi?
-Ela ficou triste – disse Draco pesaroso – muito triste.
-E você a consolou, é claro! – respondeu Blás de forma safada
-Como é que é? – perguntou Draco espantado – O que você está querendo dizer com isso, Blaise?
-Draco, Draco, não sou nenhuma criança. É evidente que você está bastante interessado na Granger. Eu diria mais. Mas acredito que ainda não está pronto para ouvir.
-Fala – disse Draco entre os dentes.
Antes de falar, Blás deu uma olhada para os lados para ver se não havia ninguém perto, abaixou a voz, falando e rindo sarcasticamente em seguida.
-Acho que, de alguma forma, você se apaixonou pela Granger.
Blás esperava qualquer reação de Draco, menos a que ele teve. O rapaz loiro deu um suspiro de resignação e se jogou no sofá, enterrando o rosto em suas mãos.
-Eita! Calma aí– disse Blás – Não me diga que eu estou certo! – Blaise soltou uma gargalhada – Você se apaixonou! E logo por quem!
-Ahh, por favor, Blás! Vê se não me enche! Não estou com humor para suas brincadeiras. — Blaise se endireitou e ficou sério de repente.
- Que porra aconteceu lá, Draco?
Draco então passou a narrar tudo o que tinha acontecido, inclusive o beijo entre ele e Hermione. Blaise ouviu tudo calado sem se manifestar ou sorrir sarcástico.
-Então ela saiu correndo.... – finalizou Draco arrasado
-Não é para menos, não é? Imagina ...Draco Malfoy se declarando e beijando Hermione Granger. Eu também sairia correndo se estivesse lá. — Blás riu de sua própria piada. Parou ao ver que o amigo continuava sério. – E aí o que vai fazer?
-Sei lá.
-Porque não manda um pergaminho marcando para conversarem melhor. Talvez realmente fosse muita coisa para ela lidar nesse momento.
Draco ficou pensativo durante alguns instantes. Sorriu. Levantou e foi até uma mesa próxima pegando um pergaminho e uma pena.
*****
Gina estava deitada na cama de Hermione quando ouviu algo bater na janela, logo viu que era uma coruja.
-Que audácia do Ron mandar uma coruja para Mione. – Gina estendeu a mão e pegou o pergaminho. Mi – gritou Gina – o idiota do meu irmão te mandou um pergaminho. Posso ver o que esse idiota quer?
-Claro, Gi. E dependendo do conteúdo, jogue fora, por favor. Já estou saindo.
Gina riu do comentário de sua amiga e começou a abrir o pergaminho. Logo sua expressão mudou e do riso passou para o total espanto.
Hermione,
Em primeiro lugar, aquele idiota te importunou? Espero sinceramente que não. Em segundo, desculpe-me se eu te assustei com minha impetuosidade, mas tudo o que eu disse foi sincero. No entanto, entendo sua posição. Sei o quanto esse momento está sendo difícil e confuso para você, mas assim que puder, quero continuar a nossa conversa.
Se precisar de alguém para conversar, conte comigo.
D.M
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