Revelações De Um Passado Obscuro

15 Entre o tédio e as ideias


Notas iniciais
Yooooooooooooo, não to morta, não me matem, Gomen, Boa leitura ^^

"De todas as coisas que temos dentro de nós, as melhores dizem quem devemos ser, mas são as piores que mostram de que somos capazes"

A noite já acabara quando os primeiros raios de sol tocaram minha pele. Mais uma vez o sono me abandonou e eu não cheguei sequer a pregar os olhos, e agora, já havia desistido de fazê-lo.

Eu estava sentado num galho qualquer de uma árvore alta, observando o sol nascer ao longe, escutando o barulho de um rio próximo. Mais acima, alguns pássaros cantavam, criaturas irritantes, com tantos lugares para escolher, eu tinha que estar em um próximo a um ninho.

– Droga! – Disse para o nada. Desisti de relaxar, afinal, pra que? Era mais um dia de "missões". Tsc. Praguejei mais uma vez por estar do lado do estúpido Thanatos. Essa história não passa de um pretexto para chegar ao meu "querido" irmãozinho, no entanto, nesse desenrolar, está quase ficando, digamos, "interessante" participar disso. Aquela garota, ela tem alguma coisa, sempre acreditei que cada pessoa definia-se, acreditei na existência do "bem" e do "mal", e sempre me senti conflituoso quanto a isso, em relação a mim mesmo, mas ela parece ter dentro de si um equilíbrio, onde ambas as forças se combinam.

Eu estou nisso, basicamente, porque eu sou um caçador de recompensas, e os portões do inferno estão fora de controle. Sempre foi comum a entrada de seres, mesmo que o fluxo aumentasse e diminuísse usualmente, no entanto, pessoas, monstros, e todo tipo de criatura tem saído de lá em grandes proporções, o que indica anormalidade, e anormalidade no inferno indica guerra.

E se o problema é numa região pela qual sou responsável, eu estar aqui é questão de "dever", ou "obrigação", que seja! E essa coisa toda é realmente um saco! Mas a questão em particular, admito, chama minha atenção. Primeiramente por envolver a Grand Chase, o Lass está lá, e depois, tem a garota, não sei bem por que, mas algo me diz que eu devo descobrir mais sobre ela, para tanto, preciso me aproximar deles, mas como?

Com este pensamento incompleto, peguei um pequeno impulso e da árvore na qual me encontrava antes, em direção ao chão. Bati a mão em minha calça e coloquei novamente a camisa, chequei se as Scarlet estava em ordem, e fui caminhando em meio à floresta. Depois de alguns minutos as árvores davam espaço à um campo aberto, estava cedo e ventilava um pouco, então continuei seguindo “viagem” para qualquer lugar que soasse interessante.

Não sei quanto tempo cheguei a caminhar, mas o silêncio não dominava mais o local, comecei a ouvir passos, deveriam ser cerca de oito pessoas, todos corriam, mas logo avistei o primeiro deles, resolvi me esconder na árvore mais próxima e observar, afinal era a coisa mais interessante que acontecera nas últimas horas. Quando se aproximou mais, pude ver um garoto de cabelos claros arroxeados, aparentava-se novo, mas habilmente se movia pela floresta. Logo pude ver também outros sete homens, que se mostravam irritados.

O garoto que corria adiante, quando chegou a um local mais livre, com poucas árvores, parou e encostou-se numa delas. Olhei-o surpreso, ele ainda não parecia ter me visto, apesar de estar à apenas alguns metros escondido. Esperei para ver o que aconteceria, pois, como esperado, os outros já o haviam avistado e estavam cercando-o, o garoto, no entanto, sequer demonstrava preocupação, com um sorriso estampado no rosto. Quando os homens estavam próximos o suficiente, começaram a falar entre si, ironizando o garoto que continuava inabalável, pelo que consegui ouvir, ele havia feito algo que deixou os habitantes de uma região próxima bastante irritados e eles queriam vingança. O primeiro, já bastante inquieto com a situação de calmaria do menor, tentou acertar-lhe um soco, no entanto, num milésimo de segundo o garoto simplesmente abriu os olhos e desviou, logo em seguida acertando-lhe um golpe no tórax que o empurrou para trás com desequilíbrio, que, com um chute seguinte derrubou-o.

O homem olhou-o ainda com desprezo, e outros três do grupo atacaram-lhe, mas o garoto não desfez a pose de não se importar, desviando de ambos os ataques e contra atacando assim que encontrava brechas, numa combinação perfeita de ataques e defesas, que terminou na derrota dos outros três e na entrada de dois restantes, enquanto um deles já havia desaparecido. Como esperado o garoto também levou-os ao chão.

Os homens caídos ao redor do garoto demonstravam certo medo. Quando este se posicionou e começou a andar entre eles, estes recuavam. O garoto fechou os punhos e começou uma risada estranhamente maléfica – Suas tentativas são tão patéticas – contou vantagem sobre os “oponentes”.
– Q-Quem é você? – Perguntou um dos homens – Este estilo de luta não é comum, não nessas áreas, o que você é? – Olhavam o garoto como um monstro ou algo assim. Tsc, fracos patéticos. Ele riu novamente.
– Falar até adiantaria, se o seu intelecto compreendesse, basta saber que meu nome é Azin, e não se metam comigo novamente, não costumo ter pena de gente patética. Sumam do meu campo de visão. AGORA! – Disse o garoto, por fim, apesar de gritar no fim, quem o olhasse não parecia sair dele, aquela expressão não mudava com nada. Os homens correram e em poucos segundos já não se via mais nenhum.

O garoto, Azin, como disse, sentou-se no chão, com a cabeça pendendo para trás e olhos fechados, e suspirou – Olá, olá, prazer em conhece-lo! – Disse, em tom de ironia. Sorri, sabendo a quem se dirigia. Desci da árvore.

– Tsc, vejo que fui pego – Eu disse, também irônico, pouco me importava se ele me visse ou não, pretendia sair dali de qualquer forma.
– Anda espionando lutas, caçador de talentos? Passei no seu teste? – Disse ele, sarcástico, não olhando diretamente para mim.

– Eu prefiro caçador de recompensas, mas devo admitir que você é bom lutador –Nesta hora me veio uma ideia, a Grand Chase sempre está aceitando novos guerreiros, não? E a personalidade desse cara, o faria um perfeito espião. Conectei-me mentalmente à Thanatos, numa parada temporal de nível básico, e expliquei-lhe a situação. Ele negou primeiramente, por um risco calculado meu do garoto não ser de confiança, mas me ofereci para vigiá-lo, contanto que a tarefa de arrancar informações não fosse minha, posto que eu obviamente não teria a confiança dos membros. Ele aceitou, caso eu convencesse o rapaz. Saí da conexão mental, voltando ao tempo comum, o garoto já levantava-se. – Aonde vai?

– Qualquer lugar, eu não tenho mais nada pra fazer agora. – Disse, virando-se.

– Posso propor um trabalho, como disse, sua habilidade é impressionante, Azin. – falei.

– Estou em desvantagem. Você sabe meu nome, mas eu não sei o seu. – Falou, virando-se novamente em minha direção.

– Lupus, Lupus Wild. – Falei.

– Ótimo, Lupus. Que tipo de trabalho seria? – Perguntou-me. Sorri com o interesse do garoto, ou talvez fosse só tédio, mas ambos resultariam na aceitação então pouco importa.

– Do tipo em que deve se infiltrar numa organização de guerreiros e trazer informações sobre eles para meu... – ARGH! – Chefe.

– Espionagem? – perguntou com ironia.

– É, se prefere simplificar. – Falei.

– E o que eu ganho com isso? – perguntou.

– Poder e a oportunidade de infernizar a vida de alguns integrantes. – Eu disse.

– Hm, as duas coisas que eu mais gosto. – Sorriu. – Qual a organização?

– Chama-se Grand Chase – Em um momento, o sorriso do garoto ficou meio psicopata ou foi impressão minha?

– Topo. – Disse. Fomos caminhando então e expliquei-lhe a situação. Ao fim da tarde, já planejávamos como entrar no grupo, o garoto mostrava que minha intuição em suas habilidades para a tarefa não estavam erradas.

Paramos num local para descansar, pretendendo acordar cedo para pôr os planos em prática. Azin foi para um quarto e eu me dirigi ao meu. Encostei-me na janela e sorri. – Estou chegando irmãozinho, em breve mostrarei que sou o mais forte!