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3 03. Club at the end of the street


"Club at the end of the street"

I

Donna estava cortando legumes para Kitty fazer o almoço quando ouviu o telefone tocar, como estava mais perto do aparelho foi a primeira a atender. Demorou um pouco para a voz do outro lado soar como um calmo…

—Alô?

—Olá, quem fala? — Donna indagou não reconhecendo a voz.

—Aqui é Penélope British. Gostaria de falar com Steven Hyde, ele me deu esse número caso precisasse entrar em contato com ele nesse final de semana.

—Espere um segundo. — Donna se virou para trás e buscou Hyde com o olhar, então o chamou com a cabeça quando o viu passar pela porta. — É pra você. — ela estendeu o telefone. — É uma tal de Penélope.

—Oh, com licença. — Hyde pegou o telefone e passou para a sala de estar esticando o fio. Donna olhou para Kitty havia parado de mexer na panela para prestar atenção na conversa. — Já estava ansioso para ouvir sua voz. — Hyde disse em voz baixa, Donna se aproximou ainda mais da porta para ouvir a conversa. — Não querida, você acabou de fazer o meu dia melhor.

Donna olhou para a sra. Forman que já estava ao lado dela ouvindo a conversa. Steven Hyde falando aquilo era quase como ouvir um elefante tocando flauta.

—Para o porão agora. — Kitty falou já puxando-a pelo braço em direção a escada. Donna agradeceu por o porão estar livre de seus inquilinos, assim ela se empoleirou no sofá enquanto sra. Forman puxava o telefone para que ambas ouvissem a conversa de Hyde.

—Oh você não faz ideia, as coisas não estão indo tão bem entre nós. — Hyde disse parecendo chateado.

—Relacionamentos são complicados, mesmo quando se está com alguém que se ama. — Penélope falou, ou cantarolou, sua voz soava como uma música.— Mas embora eu esteja muito ansiosa para discutir sobre isso tudo e colocar os pingos nos “i’s”. Tenho que avisar que tudo já está pronto para segunda de manhã em New York.

Donna franziu a testa e se virou para Kitty que parecia visivelmente confusa. New York?.

—Essa é a melhor notícia que você poderia me dar. — Hyde afirmou e Donna suspeitou que ele estava sorrindo. — Mal posso esperar para vê-lo.

—Eu tenho certeza que Daniel mal pode esperar para ver seu papai. Oh Hyde, você deveria ter visto a cara dele quando falamos que você viria pegá-lo.

—Papai?! — Kitty exclamou mais alto do que o necessário, Donna colocou a mão sobre a boca dela temendo que Hyde as ouvisse.

—Eu sei. Eu também estou animado para isso. Ele é importante para mim.

—Logo, logo, será ele, você e sua amada, e incrivelmente, esposa. — Penélope disse rindo melodiosamente.

—Esposa?! — Donna gritou, mas Kitty bateu a mão contra sua boca.

—Penny, obrigada por ligar. E não se preocupe, estarei aí segunda de manhã.

—Bay, mal posso esperar para ver você. Te amo.

—Também te amo. — Hyde disse soltando um suspiro no final.

Kitty desligou o telefone. Donna piscou atordoada com as últimas novidades. Ela não sabia se achava mais impressionante Hyde falar a palavra com “a” ou ele ter escondido uma criança e um casamento.

—Aquele filho da puta! — Kitty gritou, Donna se segurou nas almofadas para não cair para trás. — Eu dei amor e carinho para aquele órfão bastardo e o que ele faz? Se casa em segredo, tem um filho e não me conta!

—Sra. Forman, se acalme. Tenho certeza que Hyde tem uma explicação lógica para isso tudo. Talvez ele apenas esteja esperando o momento certo para contar a nós sobre isso. Talvez seja uma surpresa.

—É bom ter mesmo ou eu serei capaz de… — Kitty não terminou sua fala apenas subiu as escadas vermelha e bufante, Donna a seguiu temendo pela vida Hyde. Embora ela tivesse com muita vontade de bater em Hyde até ele falar, ela não podia negar que adoraria ver a pequena Kitty Forman destruir o Bad Boy Steven Hyde. Quando elas chegaram na cozinha só Eric estava lá. — Onde Steven está?

—Ele acabou de sair. — Eric disse pegando um biscoito de chocolate. Kitty grunhiu e voltou para sua panela mexendo furiosamente a colher. Eric se virou para Donna. — O que deu nela? Resquícios da menopausa?

—Ela apenas soube coisas que gostaria de ter ouvido da boca de outra pessoa. — ela disse, Eric franziu a testa confuso. — Esqueça, Eric. Agora me ajude com a comida. Temos pessoas demais para alimentar hoje.

Eric continuou a encará-la com aquela cara de bobo, Donna apenas o beijou na bochecha e se apressou para ajudar Kitty. Seria um longo final de semana.

II

—Por que Red odeia todo mundo? — Michael indagou enquanto dirigia o carro para longe da casa dos Forman. Brooke suspirou lentamente enquanto olhava para o marido, Red havia os expulsado depois uma pequena discussão entre Michael e Fez sobre o último biscoito de Kitty. Ela não tirava a razão de Red, ela mesma tinha vontade de expulsar Michael de vez em quando.

—Por que o céu é azul, Kelso? São perguntas que ninguém sabe responder. — Fez disse batendo no ombro dele. Brooke franziu a testa perplexa com aquela afirmação, mas por fim decidiu apenas ignorar seu amigo.

—Para onde estamos indo, Michael? — ela indagou observando o caminho e tentando decifrar para onde ele estava seguindo.

—Apenas vamos ficar um tempo longe de Red até ele se acalmar. — ele disse, mas seus olhos se mantinham fixos na estrada à sua frente. Brooke tentou ver o que ele tanto olhava fixamente e em meio a fileira de carros ela achou o de Hyde.

—Você está seguindo Hyde?

—Não. — Michael afirmou com convicção, Brooke arqueou a sobrancelha. — Ok, eu estou! Mas você sabe como eu sou curioso. Hyde está armando algo e eu vou saber o que é. Se for contra mim, então eu poderia me defender.

—Então somos espiões! — Fez exclamou animado.

Brooke suspirou um tanto irritada com a atitude infantil do marido, mas sua irritação passou assim que viu Hyde estacionar no meio-fio em uma rua comercial, Michael ficou a uns metros longe dele, mas Brooke pode ver claramente Hyde puxar um celular e digitar o número.

—Hyde não prometeu que nunca usaria um celular? — Fez indagou.

—Ele diz que isso só serve para o governos nos rastrear. Que é uma forma de controle e que no futuro todos serão obrigados a ter um e assim o “homem” saberá que está no controle. — ela disse sem tirar os olhos de Hyde, Michael e Fez rapidamente concordaram. — Isso é estranho.

Brooke observou Hyde descer do carro e ainda com o celular no ouvido dar a volta até o porta-malas, ele o abriu e retirou uma caixa, a mesma que ela havia levado de Chicago até ali, a mesma que Betsy havia feito questão de lacrar e não falar sobre o que havia dentro. Ele a levou para dentro de um prédio de dois andares.

—Deveríamos ir até lá e desmascará-lo. — Fez disse já puxando seu pacote de balas do bolso do caso e oferecendo para ela, Brooke aceitou duas para mascarar a fome.

—Não. Acho que esse não é o destino final. — Michael disse em seu tom sério de policial. — Vamos ficar de tocaia e segui-lo, depois voltamos sozinhos e entramos.

Brooke assentiu avidamente enquanto observava Hyde levar as outras duas caixas para dentro do prédio. Ele então voltou para o carro, jogou o celular no banco do passageiro e deu partida. Michael o seguiu, tentando manter uma distância segura. Brooke então percebeu que Hyde estava fazendo o caminho de volta a casa dos Forman, por um momento ela realmente achou que ele estava voltando para casa, porém quando ele passou reto da rua dos Forman, ela se sentiu ainda mais confusa.

Hyde estacionou na frente de uma casa que na frente tinha uma grande árvore com um balanço, ele não desceu do carro, apenas ficou por um minuto antes de dar a partida e sair para dar a volta no quarteirão e entrar na rua dos Forman. Michael acelerou o carro e estacionou na frente da casa, Brooke desta vez não hesitou, ela pulou do carro e seguiu até a casa.

Ela tinha dois andares e degraus que levavam a varanda da frente, janelas grandes e uma porta vermelha que combinava com a pintura verde das paredes, uma casa moderna para o tipo de bairro que estavam. Havia um sofá na varanda e cadeiras de madeira com almofadas, um sino de vento pendurado na entrada da varanda, também haviam cartas na entrada caixa do correio, Brooke rapidamente puxou uma deixando as outras escorregarem para dentro. Suas sobrancelhas se uniram enquanto ela lia o papel. Steven James Hyde… Casa 203… Point Place.

—Então o que você descobriu? — Michael indagou com seu olhar curioso. Brooke piscou rapidamente. — De quem é essa casa? Hyde está dormindo com alguém daqui? Por favor me diga que sim, aí eu posso queimar ele.

—Vamos lá, Brooke. Diga que ela é feia. — Fez pediu quase pulando no mesmo lugar. Brooke então jogou a carta para dentro da casa, se virou para eles e disse calmamente.

—Acho que vamos ser presos por invasão se não sairmos daqui agora.

—Oh não! Eu não posso ser preso de novo! — Michael exclamou já correndo para o carro sendo seguido por Fez.

—Caroline me mataria se isso acontecesse.

Brooke seguiu os homens, mas não pode deixar de pensar sobre o que havia descoberto. O que diabos Steven Hyde estava fazendo?

III

Fez bateu os dedos contra a pele do seu braço enquanto andava de um lado para o outro da sala. Eric e os meninos jogavam vídeo-game, enquanto Lizzy lia um livro sentada na poltrona de Red e Anne fazia as unhas com as costas encostadas no sofá. Ele gostava muito de passar um tempo na casa dos Forman, ele se se sentia em casa, até porque eles eram sua família americana favorita, e mesmo Red afirmando com todas as forças que odiava cada um deles, Fez sabia que ele se sentia feliz em ter a casa cheia de crianças.

—Quando você e Tucker vão vim? Mamãe já está ansiosa para passar um tempo com o neto dela. E você não pode simplesmente tirar meu filho de mim e levá-lo para esses loucos. — Caroline quase gritou, Fez se encolheu um pouquinho e apertou o celular na mão pensando no que sua bela esposa faria se ele não chegasse em casa a tempo para o jantar. — Fez, você tem dez minutos para trazer meu filho até mim ou eu juro que vou até aí e o arrancar de seus braços mortos!

—Quando você fala de braços mortos, o que exatamente você tem em mente, minha linda rainha loira americana?

—Não venha com essas gracinhas para cima de mim que você sabe muito bem o que eu sou capaz. E é bom que aquela vadia ruiva ou aquela prostituta anã não tenham chegado perto do meu bebê ou eu terei que tomar atitudes drásticas.— Caroline encerrou a chamada, Fez olhou para o celular em sua mão imaginando quanto tempo ele teria para enrolar antes de ter que enfrentar a fera.

—Caroline não te dá folga, não é? — Eric indagou desviando o olhar do jogo e entregando o controle a Elliott.

—São os hormônios da gravidez. Ela mal pode ver ou ouvir falar de Jackie ou Donna. Ela está me enlouquecendo.

—Meu querido amigo estrangeiro, se isso for culpa dos hormônios, tenho certeza que Caroline vive em um eterna gravidez. — Eric disse rindo de sua própria piada. Fez o encarou sério para mostrar que a piada não tinha graça, porém como Eric continuava a rir, o estrangeiro puxou uma almofada e tocou contra o rosto do amigo. — Hey!

Fez riu orgulhoso de seu feito, porém antes que Eric pudesse revirar a porta da frente se abriu e Jackie passou correndo escada acima. Fez e Eric se entre olharam antes de subirem atrás dela, eles pararam na porta do banheiro poucos segundos depois da mesma ser fechada por uma Jackie visivelmente alterada. Fez se aproximou e bateu levemente na porta.

—Minha deusa, você está bem? — ele indagou recebendo barulhos de vômito como respostas. Eric ao seu lado se contorceu colocando a mão sobre a boca.

—Quando ouço alguém vomitando sinto vontade de vomitar. — ele disse e Fez revirou os olhos.

—Jacks, você está bem? Me deixa entrar.

Demorou apenas alguns segundos para que ele ouvisse o barulho da descarga e a porta sendo destrancada, Fez empurrou a madeira e observou uma Jackie sentando no chão com as costas contra a banheira e um cara abatida. Ele se aproximou dela e se sentou ao seu lado. Eles ficaram em silêncio por alguns segundos antes de Jackie desabar, literalmente, em lágrimas.

—Ah Fezzie, isso tudo está uma bagunça. Eu não sei o que fazer. — ela se lastimou deitando a cabeça contra o ombro dele. Fez olhou para Eric em busca de ajuda, mas ele apenas deu de ombros.

—Acho que você precisa comer para raciocinar melhor. — ele sugeriu, mas Jackie negou com a cabeça e se afastou. — Você nem veio para o almoço.

—Eu tinha um assunto a resolver e também acho que não consigo colocar nada em meu estômago, pelo menos por enquanto. Ou pelo próximos seis meses.

Fez franziu a testa e novamente olhou para Eric que também parecia perdido com as palavras de Jackie, mas demorou um pouco mais de dez segundos para os dois entenderem o que ela estava falando.

—Aí meu Deus! Você está grávida! — Eric exclamou arregalando os olhos. — O diabo vai ter um herdeiro.

Jackie revirou os olhos e mesmo sentada deu um chute na canela de Eric que o fez se curvar de dor.

—Oh minha Jackie, parabéns! Você terá um bebê lindo. Que gostará de compras e de ABBA como você. — Fez disse passando os braços ao redor dela.

—Obrigada Fezzie, como tudo ainda é muito recente, você poderia me fazer o favor de não contar a ninguém, principalmente a Steven.

—E por que contaríamos a Hyde? — Eric questionou massageando sua perna dolorida, Jackie apenas o encarou com as sobrancelhas arqueadas. — Ok, nada de contar a Hyde.

—Obrigada. — Jackie sussurrou fechando os olhos e deitando a cabeça contra Fez. Ele acariciou o ombro dela com compaixão e deixou que ela voltasse a chorar.

—Hey Fez, você não deveria estar na Caroline em, sei lá, dois minutos? — Eric indagou olhando no relógio. Fez arregalou os olhos antes de empurrar Jackie e correr para fora do banheiro, mas não sem antes ouvir Jackie gritar.

—Idiota!

Ele desceu a escada e pulou no sofá pegando o filho e o jogando sobre o ombro, então saiu pela porta da frente e correu como se sua vida dependesse disso. E estranhamente, dependia.