Return to Paradise
1 01. Bennie and the Jets
"Bennie and the Jets"
“Katherine & Reginald Forman convidam você para comemorar o aniversário de seu casamento que será realizado em sua residência no dia...”
I
O motor do carro podia ser ouvido a metros de distância enquanto seu motorista dirigia preguiçosamente pela estrada quase deserta. Steven Hyde apoiou o braço na janela aberta sentindo o vento bagunçar seu cabelo e o sol refletir em seus óculos escuros. O convite estava jogado no banco da passageiro, por baixo da mochila abarrotada de roupas que Hyde havia colocado às pressas. Ele tinha esquecido que deveria chegar antes na cidade para poder acertar os últimos detalhes de seu novo projeto, por isso havia corrido contra o tempo no início da manhã para conseguir estar na estrada no tempo certo. Hyde esticou a mão girando o botão para mudar a estação de rádio por já estar perto do outro estado. Ele bateu os dedos contra o volante quando a música começou a soar pelo carro. A letra ele cantava, já a melodia ele murmurava.
—Hey kids, shake it loose together, the spotlight's hitting something.
II
Ela respirou fundo fechando a mala e a deixando no chão do quarto. Seguiu lentamente até sua penteadeira e pegou o envelope com os papéis e os colocou na bolsa que levaria consigo durante o voo. As linhas pontilhadas surgiram em sua mente, ela apenas precisava assinar seu nome, mas embora amasse seu nome, sentia que fazê-lo seria a pior humilhação de sua vida.
Jackie Burkhart puxou a mala de rodinhas e saiu do quarto. O táxi já esperava do lado de fora de seu apartamento, ela desceu as escadas de seu prédio já pensando nas horas de voo que teria pela frente. Quando saiu pela porta de seu edifício notou como o clima em São Francisco estava nublado, ela sorriu minimamente e continuou a descer os degraus até o táxi. Em poucas horas estaria em Point Place com sua família. O motorista do táxi saiu pela rua enquanto no rádio uma música familiar tocava.
That's been known to change the weather.
We'll kill the fatted calf tonight.
III
O garotinho de cabelos castanhos estava sentando no banco de trás do carro jogando em seu Game Boy Advance enquanto sua irmã, a garotinha de cabelos escuros, folheava o livro que havia ganhado no dia anterior. O casal de adultos se revezava do lado de fora do carro para saber quais malas caberiam no porta-malas. Brooke bufou deixando o casaco deslizar sobre os ombros e os braços até ele saísse de seu corpo, ela o arremessou para o banco do passageiro.
—Betsy, por que você tem que levar essas caixas? — Brooke indagou olhando para sua filha mais velha. A garota de cabelos castanhos estourou a bola do chiclete que estava mascando, então desviou o olhar sua revista e para sua mãe.
—Tio Hyde pediu para que eu levasse alguns cd’s e discos para podermos trocar com a outra loja. — ela explicou se afastando da mureta da casa e entrando no carro.
—Quem imaginaria que Hyde entraria no mundo corporativo. — Kelso sorriu abertamente para a esposa. — Já estou preparando um belo fora para isso.
—E que tal preparar isso no carro, em? Já estamos atrasados. — Brooke o empurrou para o veículo enquanto fechava o porta-malas.
Os Kelso ficaram em silêncio enquanto o carro saia pela rua de sua casa em Chicago. Betsy continuou a folhear sua revista, Lizzy virou a página de seu livro, Elliott sorriu ao passar de nível em seu jogo, Brooke abriu a bolsa relembrando tudo o que havia colocado nela, Kelso ligou o rádio apenas balançando a cabeça ao som da música que tocava.
So stick around,
You're gonna hear electric music,
Solid Walls of sound.
IV
O casal caminhou pelo aeroporto sorrindo para todos, cada um segurava a mão do garotinho de oito anos que parecia preste a correr em qualquer direção. A mulher loira segurava uma mochila com o símbolo do Superman, sua barriga já avantajada se sobressaia pelo vestido florido, o homem estrangeiro arrastava uma mala pequena sabendo que em poucas horas estaria em sua cidade favorita da América.
—Happy Birthday to you… — Tucker cantarolou enquanto saltitava entre seus pais. Fez olhou sorrindo para o filho e então para Caroline, sua linda e americana esposa. A pequena família feliz atraia olhares, tanto de estranhamento, como de admiração. Mas eles não se importavam, fechados em sua pequena bolha de felicidade eles mal podiam controlar. Tucker estava animado por reencontrar seus amiguinhos, Caroline estava ansiosa por poder finalmente se deitar no sofá e ficar de pés para cima, já Fez estava feliz por ir ao encontro de sua família do coração, mal podia esperar para contar a todos sua novidade.
—Say, Candy and Ronnie, have you seen them yet? — Fez cantarolou lembrando da música que havia escutado durante todo até ali. — But they're so spaced out, Bennie and the Jets.
V
A mulher se sentou no sofá olhando para a sala ao redor. Tudo estava organizado e limpo, suspirou feliz por saber que assim que saíssem a casa estaria em ótimas condições para que o corretor trouxesse os novos possíveis compradores. Donna Forman respirou fundo e fechou os olhos já se imaginando em uma casa maior com uma piscina enorme e um banheira de hidromassagem.
—Você é estúpido! — o grito alto de Anne atraiu a atenção de Donna, ela observou a sua primogênita entrar na sala sendo seguida por Luke, seu filho mais novo. Anne tinha o cabelo vermelho como o dela e os olhos de Eric, mas mesmo sendo a imagem e semelhança do seu pai, ela havia herdado o espírito de vadia de sua tia. — Eu me pergunto porque mamãe e papai não te deixaram na porta da igreja quando tiveram a oportunidade.
—Anne! — Donna a repreendeu. Mas Anne apenas deu de ombros e seguiu para o andar cima. — Hey mocinha, termine de se arrumar porque estamos indo para a casa de seus avós.
—Mas vovô Red não disse que da próxima vez que fossemos lá sem um aviso prévio, ele daria um chute no traseiro de todos nós? — Luke indagou piscando rapidamente.
—Red é com um cachorro, late, mas não morde. Porém, por precaução, acho melhor ficarmos sempre com mamãe por perto. — Eric falou já pegando o casaco. — Agora vamos porque o corretor chega em poucos minutos. Anne, querida, vamos.
Donna se levantou e empurrou Luke para a porta de saída, Anne desceu a escada com seus fones no ouvido, a música ressoava alta demais para o gosto de Donna, porém ela não falou nada apenas fechou a porta da casa e seguiu sua família até o carro.
But they're weird an they're wonderful,
Oh, Beannie she's really keen.
VI
A cozinha estava silenciosa, o homem já de ralos cabelos brancos sentado na mesa lia seu jornal diário enquanto a mulher sorria mexendo a massa de biscoito. Eles já haviam se acostumado com aquela rotina de silêncio e tranquilidade, embora a falta da gangue na casa fizesse o coração de Kitty apertar um pouquinho, o sorriso de Red aumentava cada vez que ele descia a escada e se encontrava sozinho naquela casa. Não ter mais com quem se preocupar se em algum momento sua casa seria derrubada era a melhor sensação do mundo.
—As crianças vão chegar logo. Estou tão animada para ver meus bebês de novo. — Kitty cantarolou sorrindo. Red revirou os olhos.
—Eles não são mais bebês, Kitty. São adultos panacas com filhos panacas. — Red falou no momento em que a porta da cozinha se abriu e Eric entrou acompanhado de sua pequena família.
—É bom saber que o seu amor por mim nunca morrerá, papai. — Eric disse ironicamente. Red suspirou irritado, então dobrou o jornal e olhou para o filho.
—O que diabos você está fazendo aqui sem ter ligado?
Eric abriu a boca para responder, porém foi interrompido por Kitty e sua sessão de abraços.
—Oh meu bebê, você não precisa ligar quando quiser vir pra cá. Essa é sua casa. — Kitty afirmou sorrindo.
—Não é mais. Ele tem a própria casa e deveria ficar lá. — Red retrucou, mas foi totalmente ignorado.
Kitty e Donna começaram a tagarelar sobre os preparativos para festa que aconteceria dali a dois dias. Red bufou e voltou a ler seu jornal.
—Você está com fome? Já estou fazendo biscoitos e… — Kitty não terminou de falar, seus olhos se desviaram de Luke para a figura que vinha pela garagem em direção a porta da cozinha. Kitty sorriu abertamente antes empurrar Luke e Eric para fora de seu caminho e gritar. — Steven!
Hyde sorriu empurrando a porta de correr e abraçando sua mãe adotiva. Red desviou o olhar do jornal e deu um rápido aceno de reconhecimento a Hyde antes voltar a leitura.
—Aí meus Deus, Steven! Eu estou tão feliz em ter você aqui! — Kitty exclamou sem soltá-lo.
—É, mamãe. Nós percebemos. — Eric afirmou sarcasticamente cruzando os braços contra o corpo.
—Sra. Forman, acho que Hyde está ficando sem ar. — Donna apontou vendo a expressão de desespero de Hyde. A pequena senhora se afastou ainda com um sorriso no rosto. — Hyde, pensei que você só iria vir amanhã.
—Eu aí, mas tive um pequeno contratempo e percebi que teria que vir logo hoje. — ele explicou sem dar muitas informações. Kitty assentiu e voltou a sua massa de biscoitos.
—Que contratempos? — Eric questionou. Hyde lhe deu sorriso maroto.
—Logo você vai saber. — ele afirmou.
Red olhou para o filho adotivo com as sobrancelhas, mas então as abaixou lembrando que ele não dava a mínima para o assunto. Kitty o encarou curiosa, mas Hyde apenas a beijou na bochecha e seguiu com Donna e Eric para o porão enquanto Luke corria para a sala pra se juntar a irmã. Por um segundo foi como voltar no tempo.
Kitty sorriu ainda mais ao imaginar todos os seus bebês de volta para casa, ainda faltavam Michael, Fez e Jackie, mas os três haviam confirmado a presença na festa, então isso significava que em algum momento todos estariam debaixo do mesmo teto. Kitty aumentou o volume do rádio e deixou a música ressoar pela cozinha. Ela estava tão feliz.
She's got electrice [eletric] boots a mohair suit,
You know I read it in a magazine,
Oh! Bennie and the Jets.
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