Return of Dangan Ronpa: Our Eternal Doom
2 Capítulo 1: Fogos de Artifício em um Funeral (Hotel Routine)
Notas iniciais
Por um bom tempo, nós ficamos em silêncio, cada um com um pensamento pior que o outro. Aos poucos, as pessoas voltaram a si.
— Então... — Ayaka foi a primeira a falar.
— O que nós vamos fazer agora? — Masaharu perguntou.
— Eu só espero que ninguém aqui esteja planejando ouvir aquele urso — Haruto discutiu — Vamos continuar juntos aqui para garantir a segurança de todos.
— Mas já anoiteceu — Hitomi argumentou — Você não espera que a gente durma aqui, né?
— Vocês ainda querem dormir mais? — Haruto disse.
— Na verdade, sim — Riku respondeu.
— Talvez seja melhor explorarmos o local — Suzume sugeriu.
— Não seria má ideia — eu completei — Se a porta não estivesse trancada, você sabe.
— Quanto a isso — Shinzo apareceu — Eu conferi e, assim que o urso desapareceu, a porta abriu.
— Então é a nossa chance de procurar uma saída — Daiki gritou — Ou encontrar quem está controlando aquele brinquedo e fazê-lo sangrar.
— Tudo bem, mas vamos juntos — Haruto, infelizmente, voltou a falar.
— Se nós nos separarmos, vai ser mais rápido — Hitomi disse — Além disso, não tem como eu simplesmente confiar em vocês, a maioria surtou ao ouvir o que o urso disse.
— Essa é a reação esperada — Emma pirraçou — Você que estava calma demais.
— Eu posso dizer o mesmo sobre você — Hitomi rebateu.
— Vocês duas se acalmem. Vamos nos separar então, vocês são livres para formar os grupos, mas não recomendo que cada um vá sozinho — ela dizia — Se alguém realmente estiver pensando em surtar, tente pelo menos deixar isso para depois que conhecermos o lugar.
Quando Aki terminou, os ânimos pareceram se acalmar e os times começaram a se formar. Inari e Kimiko já estavam juntas desde o início, conversando entre si, mas Mayu preferiu se juntar a Daiki, Kohaku e Riku e foi substituída por Ayaka. Emma e Hitomi continuaram se olhando fixamente por um tempo, mas acabaram formando uma dupla, Yukimura e Masaharu as seguiram apesar de serem totalmente ignorados. Shinzo e Suzume resolveram ir juntos, sendo seguidos por Haruto.
No salão, ficamos eu e Aki.
— Ahn? — ela se virou para mim — Você vai ficar aqui?
— Era a minha ideia — eu respondi — Aqui parece mais seguro.
— Acabaram de te mandar matar ou morrer... Não sei se você pode ver qualquer lugar aqui como seguro — ela riu — Eu vou procurar alguma dica de onde estamos, vem comigo.
— Pode ser — eu disse — Mas... Agora que eu parei para pensar, você foi a única que não me disse o talento.
Ela pareceu um pouco nervosa quando eu mencionei isso, então continuei.
— Tem alguma coisa a ver com liderança? Você pareceu bem confortável dando ordens — eu comentei.
— Não, acho que sou só um pouco mandona — ela deu uma risada forçada — Na verdade, eu não sei bem se eu tenho um talento...
— Você não sabe qual é o seu próprio talento? — retruquei.
— Não é isso — ela respondeu, tímida — Eu sou a Sortuda de Nível Super Acadêmico.
— Como é? — eu me surpreendi — Pensei que não fariam o sorteio dessa vez, que seria contra o regulamento.
— Então você soube — ela falou — Foi o que disseram, então eu fiquei bem surpresa quando recebi o convite. Minha família quis que eu recusasse, mas a oportunidade parecia boa demais, então eu vim mesmo assim.
Por um tempo, ela ficou parada, pensando em algo. Eu não sabia bem o que dizer, pois não parecia uma boa ideia fazer um comentário sarcástico ou uma piada, então eu simplesmente mudei de assunto.
— Vamos então?
— Ah, claro — ela confirmou.
O lugar tinha corredores bem grandes e algumas placas indicavam o que cada cômodo era (como "almoxarifado" e "incinerador"). O corredor acabava levando a duas direções, uma das quais aparentemente todos os outros tinham seguido, então sugeri irmos na outra.
A poucos passos dali havia o que parecia ser uma recepção. Eu tentei abrir a porta do lugar futilmente, nós estávamos presos. Enquanto isso, Aki vasculhou a mesa de recepção e encontrou ganchos para dezesseis chaves, mas nenhuma delas estava alí. Na mesa, havia alguns panfletos que eu comecei a ler:
"O Hotel Hertogenbosch é reconhecido nacionalmente por seus méritos qualitativos. Aclamado pela crítica especializada, suas festas o deixaram especialmente famoso e seu salão principal já recebeu algumas das maiores celebridades do mundo."
O texto era longo e terminava com comentários de gente famosa que passara por ali.
— Sabemos onde estamos então — Aki disse.
— Mas não como sair — eu respondi.
— Quanto otimismo — ela riu — Vamos procurar os outros, talvez alguém teve mais sorte.
Andando pelo corredor, nós decidimos seguir para onde aparentemente Yukimura e Masaharu tinham ido. Chegando lá, encontramos um grande grupo formado pelos grupos de Hitomi e Kohaku, eles estavam entrando no que parecia ser quartos. Paramos Daiki e Emma e começamos a discutir.
— São dezesseis quartos, cada um tem uma chave na porta, todos estavam trancados, mas já abrimos alguns — Emma começou a explicar — Em cada chave há um nome e em cada porta há o que parece ser o desenho de um estudante.
— Os quartos dos meninos são os mais próximos ao corredor principal e os das meninas são os mais distantes — Daiki completou.
— Então estamos mesmo num hotel — Aki falou e entregou um panfleto para Emma — Encontramos isso panfletos numa recepção, a entrada estava trancada.
Em seguida, chegaram Kohaku e Masaharu.
— Os quartos são bem chiques e parecem personalizados para cada um de nós — Kohaku informou e olhou para mim — O seu é bem pomposo.
Eu fiquei chateado por alguém ter entrado no meu quarto antes de mim, mas Masaharu falou antes.
— Além disso, quando você entra em um quarto, simplesmente não dá para ouvir o que acontece nos outros — Masaharu disse — Dá para fazer loucuras dentro de um quarto desses que ninguém fica sabendo.
Aki caminhou até o quarto dela e pareceu decepcionada com o que viu, decidi ver o meu depois. Hitomi, Mayu, Yukimura e Riku apareceram e nós decidimos avisar aos outros que tínhamos encontrado os quartos, assim como fazer uma reunião. No caminho, nós fomos interrompidos por Suzume, Shinzo e Haru.
— Ahn? De onde vocês estão vindo? — Suzume perguntou.
— Há alguns quartos nessa direção, o suficiente para todos nós — Hitomi respondeu — E vocês? O que encontraram?
— Nós conferimos os cômodos espalhados pelos corredores e encontramos tudo que nós precisaríamos — Haruto falou — Menos uma cozinha...
— Alguns aparelhos, como o incinerador e a máquina-de-lavar estão quebrados, mas eu e Suzume encontramos manuais e estamos planejando fazer uns consertos — Shinzo disse.
Com o grupo maior nós continuamos para o salão. Chegando lá, não vimos as pessoas que esperávamos, até ouvirmos uma risada vinda de uma porta que até então não tínhamos notado.
Entrando pela porta, encontramos uma cozinha enorme, onde Ayaka, Kimiko e Inari pareciam estar se divertindo.
— Estávamos esperando vocês — Ayaka foi a primeira a nos cumprimentar — A cozinha é gigante e a despensa está cheia, a gente não vai passar fome por um tempo.
— Foi de Inari a ideia de procurar por uma cozinha aqui — Kimiko falou — Nós nem tínhamos visto essa porta.
— Procurar por suprimentos é a primeira coisa que tínhamos que fazer — Inari começou a se gabar — Quando vi os cômodos no corredor, eu imaginei que a cozinha estaria conectada ao salão principal.
Todos ficaram aliviados por saber disso. Depois de uma troca rápida de informações, nós começamos a planejar o que fazer em seguida.
— Por enquanto, é melhor cada um ir para seu quarto — Kimiko decidiu — Vamos nos acomodar e talvez dormir, o tal do Monokuma disse que tínhamos que nos reunir amanhã, é melhor estarmos prontos para o que vier.
— Sobre isso, tem certeza que devíamos ouvi-lo? — Hitomi se intrometeu — Não sei se é uma boa ideia seguir as ordens dele.
— Também não acho que seja uma boa ideia desobedecê-las — eu falei.
Depois disso, nos dispersamos. As amizades pareciam ter começado a se formar: Inari e Kimiko continuaram grudadas até chegar ao quarto, o mesmo sobre Daiki e Kohaku. Algumas, porém, não pareciam ser tão fortes assim, Hitomi e Emma se separaram e Masaharu ficou em dúvida sobre qual seguir; Yukimura, porém, foi instantaneamente atrás de Hitomi e os dois pareceram começar a brigar, o que acabou com Yukimura chorando e correndo para o quarto dele, que ficava ao lado do meu.
Eu fui calmamente até o meu, meu outro vizinho era Shinzo, que me olhou estranho enquanto procurava a chave que deixou cair. Sinceramente, o garoto parecia o único razoável até agora (claro que os melhores depois dele eram a estrangeira esquisita e a golfista egocêntrica, então a competição era pouca), então fiquei feliz de estar no quarto ao lado do dele. Antes que eu pudesse entrar, porém, Aki apareceu do meu lado, se abaixou e pegou a chave de Shinzo para entregar a ele. Ela desejou uma boa noite para nós dois e esperou ser respondida, mas entramos nos quartos antes de dizer qualquer coisa.
Imaginei que ficaria acordado depois de ter dormido por sei lá quanto tempo, mas o estresse daquele dia me venceu tão rápido que mal notei as peculiaridades do meu quarto.
Não sonhei nessa noite.
Acordei de manhã com um barulho vindo de um monitor no meu quarto.
— Teste! Teste! Todas as pragas que se consideram alunos para o salão principal — No monitor, a imagem de Monokuma apareceu — Tenho um anúncio para fazer.
Ainda deitado, eu vi que meu quarto não era tão estranho quanto Kohaku tinha dito. Ele com certeza era um pouco antiquado, mas parecia mais uma tentativa de criar um quarto estereotipado para o meu talento. Uma câmera de vigilância e um monitor, porém, quebravam o padrão.
Eu demorei um pouco para sair do meu quarto, então eu já via muitas pessoas se dirigindo ao salão quando abri a porta. Seguindo-os, a maioria dos alunos parecia ter chegado lá antes de mim e o salão estava barulhento. Depois de pouco tempo, chegaram Mayu, Riku, Aki e Yukimura e todos estávamos presentes.
— Quanto tempo até isso começar? — Daiki se irritou.
— O atraso faz o vilão parecer despreocupado e superior — Mayu, repentinamente, disse sorrindo — É um mecanismo útil para atrair a atenção do público.
— Obrigado por explicar, especialista em cultura inútil — Monokuma apareceu — Mas agora é minha vez de falar.
— Especialista em cultura inútil? — Mayu se assustou e abaixou a cabeça.
— Eu estive pensando sobre como vocês de repente se viram num lugar desconhecido cheio de pessoas desconhecidas e então descobriram que estavam com a vida em risco — Monokuma começou a explicar — Parecia uma situação triste e desesperadora demais.
— Então você vai nos deixar sair? — Kimiko gritou.
— É claro que não! Eu pensei em algo melhor! — Ele gargalhou e então vários presentes caíram do teto — O que melhor do que presentes para deixar as pessoas felizes? Não importa o quão triste uma pessoa esteja, ela sempre vai ficar alegre ao receber um presente.
— Para mim não parece uma ideia tão ruim assim — Masaharu falou e foi procurar o presente com o seu nome.
Aos meus pés havia uma pequena caixa retangular com o nome "Katsuo Nishimura" numa etiqueta, que eu prontamente peguei e abri o embrulho. Antes, porém, que eu pudesse abrir a caixa em si, ouvi um grito.
— O que é isso? — Shinzo encarava seu presente enquanto suava.
Outro grito foi ouvido, dessa vez de Ayaka. Logo todos pareciam estar surtando.
— Tão cruel... — Monokuma suspirava — Eu me esforço tanto para conseguir esses presentes e é assim que vocês retribuem.
Decido abrir a caixa e encontro somente um pedaço de jornal dentro. O título era algo sensacionalista como "Nishimura continua desaparecido após meses de investigação". O texto em si era uma grande contextualização que eu já tinha lido várias vezes, mas a parte final era algo novo.
"O respeitado pesquisador da Academia Topo da Esperança ainda está desaparecido, investigadores decidem dá-lo como morto."
Dado como morto... Antes que eu pudesse pensar naquilo, Inari gritou.
— Isso não faz sentido algum — ela reclamava segurando um retrato — Que tipo de montagem é essa?
— Não é montagem, garota — ele fingia tristeza — Você tinha ficado tão triste e desesperada quando isso aconteceu...
— Eu me lembraria disso, pare de brincar! — ela perdeu a paciência.
— Sim, você se lembraria... — Monokuma riu — Se estivesse com todas as suas memórias.
— Isso é irreal demais até para mim — Mayu começou a chorar.
— Vocês não se lembram uns dos outros e não entendem as coisas que estão nesses papéis e fotografias — ele continuou — Parece que alguém andou brincando com as suas lembranças.
— Por favor... — Emma pediu — Só seja direto
— Para garantir que a sua vida escolar pudesse ser aproveitada ao máximo, eu tomei a liberdade de remover todas as suas memórias recentes.
Nesse momento, Kimiko e Yukimura desmaiaram, enquanto muitos outros começaram a chorar.
— Mas não se preocupem, vocês podem sair daqui e descobrir o que aconteceu — Monokuma riu — Basta matar alguém.
Então, ele desapareceu.
Muitas pessoas saíram correndo desesperadas e algumas, como Aki e Hitomi, seguiram-nas. No final, somente eu, Daiki, Emma, Masaharu e Suzume ficamos, mas não por muito tempo. As coisas estavam realmente estranhas e cada um foi para seu quarto sem dizer uma palavra.
No meu quarto, eu finalmente tive tempo para ler o jornal direito e pensar no que estava escrito. Fiquei assim por muito tempo, até resolver ir para a cozinha, procurar algo para comer.
De volta ao salão, muitas pessoas estavam sentadas nas mesas, mas poucas falavam. A tensão era quase visível e palpável. Vendo um prato interessante numa mesa onde Aki e Mayu estavam sentadas, eu me sentei junto.
— Boa tarde, Katsuo... — Mayu cumprimentou, triste.
— Boa tarde — eu disse e comecei a pegar coisas do prato — Posso comer com vocês?
— Ah, claro — Aki respondeu e forçou um sorriso — Você não parece estar tão triste quanto o resto.
— Eu estou tentando ignorar isso agora — informei.
— Talvez seja melhor — Aki falou — Parece que não está tão fácil para os outros. Eu e Mayu tentamos entrar no quarto de alguns, mas ninguém parece disposto a abrir a porta.
— Não sei o que fazer — Mayu deitou a cabeça na mesa.
Depois disso, o silêncio voltou, interrompido raramente pelo som de alguém abrindo a porta da cozinha. Acabei decidindo sair dali, peguei o prato e fui até a copa enchê-lo, encontrei Kohaku fazendo café e Inari cozinhando enquanto Kimiko pressionava o rosto contra a mesa.
Com o prato cheio, voltei pro meu quarto e fiquei lá pelo resto do dia. Era chato, mas não havia muita coisa para fazer naquele lugar, acho que o recomendado seria fazer amigos ou algo assim, mas não sou tão bom nisso e todos pareciam ocupados demais se deprimindo.
Uma vez, porém, quando já tinha anoitecido, eu resolvi esticar as pernas e percebi que o lugar estava especialmente vazio. Suzume e Haruto estavam consertando o incinerador, Hitomi mexia no telefone quebrado da recepção e Emma tomava chá no salão. Era triste demais ficar naquele lugar, então voltei pro meu quarto.
Eu acordei particularmente cedo por ter ficado no meu quarto dormindo por tanto tempo, ainda era madrugada, mas eu fui tomar café-da-manhã. No caminho, fui parado por Aki.
— Nós temos nos esbarrado bastante — Aki riu.
— Você não está me perseguindo, está? — respondi.
— Essas coincidências vivem acontecendo comigo — ela disse — Está indo para o salão? Podemos ir juntos.
— Tudo bem, acho — e fomos.
Enquanto passávamos pelo corredor, um cheiro de queimado inexplicável impregnava o ar. Encontramos a porta do salão fechada e algumas pegadas de chinelo no chão, a situação parecia um tanto estranha. Mesmo assim, Aki e eu abrimos a porta sem pensar.
Na noite anterior, o salão parecia perfeitamente normal, a coisa que mais incomum ali era uma adolescente francesa tomando chá.
Naquela manhã, porém, a toalha da maior mesa estava revirada e com manchas de sangue, sangue que fazia uma trilha até o centro do salão. Lá, nós vimos algo que nos deixou em choque.
O cadáver de Shinzo Ohara.
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