Notas iniciais
Finalmente é revelado os motivos por trás dos ataques à família de Byakuya, mais do que isso, um passado vergonhoso e sombrio há anos esquecido tem suas páginas na histórias mais uma vez contadas e caberá ao capitão decidir qual julgamento satisfará os turbilhões de emoção que preenchem o seu coração.

QFVDC — Yuuyake~Target Piano Version~

A Mansão Kuchiki estava em alerta, depois do ataque repentino do que imaginavam serem os corpos de Masaki e Kaien, Byakuya tinha reforçado a vigilância.

Em uma sala reservada ele estava reunido com Rukia, Ichigo e...

– EU QUERO IR!!!!! — O grito enraivecido de Hisana ecoa na mansão.

– Já disse que não e ponto final garota! Já chega de tentar desobedecer! — Ichigo grita de volta rispidamente para a filha.

– Parem vocês dois! — Rukia é quem fala desta vez e os dois se calam, porém mutuamente se encarando.

Byakuya olha para Hisana e resolve falar.

– Hisana, em sua atual condição é impossível você nos acompanhar, veja como está, mal se sustenta nas próprias pernas, não esqueça que sua vida ficou por um fio horas atrás, tivemos problemas demais por um dia.

– Droga! Masaki e Kaien precisam da minha ajuda e querem ignorar isso, estão me tratando como se eu fosse o elo fraco da família, mas eu ainda posso lutar! — Ela eleva um pouco o tom da voz para o tio.

Byakuya nada diz apenas se aproxima de Hisana e de forma delicada toca no ferimento da sobrinha.

Ela grita caindo de joelhos em agonia.

– Se tocando de forma delicada neste ferimento você sente esta dor, não pense que ao vê-la os inimigos a pouparão.

Rukia se aproxima da filha de joelhos e fica ao seu lado lhe ajudando a ficar de pé e voltar para a cama, então fazendo carinho em seus cabelos ela diz:

– Filha nós já cometemos o erro de deixa-los vulneráveis uma vez, agora temos certeza que seus irmãos vivem e quase perdemos você de verdade, consegue entender o que sentimos?

–...

– Se quiser nos seguir, recupere-se primeiro, você já fez muito por hoje. — Byakuya diz.

–...

– Você é forte Hisana, mais do que imagina, mas entrar em uma luta nas suas condições significa querer morrer. — Seu pai fala enquanto Byakuya e Rukia se juntam a ele perto da porta.

– Não faça nada de perigoso logo estaremos de volta. — Rukia fecha a porta atrás de si.

Os três saem do quarto e Yachiru que ouvia tudo calada se aproxima, Hisana olha para a porta e coloca um travesseiro na cabeça começando a chorar, sua amiga de cabelos rosa apenas pousa a mão sobre sua cabeça.

Logo que sai do quarto Byakuya faz um sinal e vários soldados ficam de guarda na porta.

– O que faremos agora? – Ichigo pergunta.

– Irei até o comandante Yamamoto explicar a situação, depois do que houve aqui será impossível o Gotei 13 tentar não interferir. – Byakuya responde.

– Nós permaneceremos na mansão caso tentem atacar novamente. – Rukia diz.

– Façam isso, mais tarde decidiremos o que fazer contra eles.

Ichigo e Rukia assentem.

Byakuya se dirige para o posto de comando do Gotei 13 onde Yamamoto lhe aguardaria.

___________________________________________

QFVDC — Ascensão — Blumenkranz

Longe dali, isolado de tudo e de todos, além das fronteiras distritais de Rukongai, uma enorme construção casteleira contrastava com o ambiente árido, dois guardas ficavam de prontidão em frente a uma cela onde duas crianças os encaravam com olhos de poucos amigos.

– O que estão olhando seus moleques? — Um dos soldados se vira e bate na grade da cela.

Masaki e Kaien continuam em silêncio.

– Hehe, se pensam que irão sair daqui estão muito enganados, quando o nosso senhor começar a nossa vingança vocês serão os primeiros fogos do espetáculo!

As crianças estavam com medo, tinham sido sequestrados e estavam em uma cela fria e escura em um lugar desconhecido, cercados por pessoas que os odiavam sem que eles soubessem o porquê.

– Estão com medo amiguinhos? Querem que o tio dê um abraço? — O outro soldado diz em deboche.

As crianças baixam a cabeça.

– Eu não ouvi a resposta? — O homem faz um gesto querendo ouvir.

–...

– Ei seus moleques?! Não tão ouvindo não?! — Ele grita desta vez.

– Tá bom, deixe-os em paz. — O outro aconselha quando percebe que a brincadeira de ambos parecia estar começando a perder o controle.

– Se existe uma coisa que me deixa furioso é quando não respondem às minhas perguntas! — O guarda pega a chave no bolso e começa a abrir a cela. – Eu vou ensinar como é que se respeitam os mais velhos.

– Ei! Recebemos ordens para não abrir a cela!

– O que esses moleques podem fazer? Ele entra na cela e se agacha. – Então? Vão responder para o tio agora?

As crianças com medo se abraçam e ficam olhando para o chão.

– Oras seus!... — O guarda pega a cabeça de Masaki, mas quando faz menção de tentar alguma coisa...

– O que significa isso?– Uma voz calma e forte se faz presente na cela, mas ecoa pelas paredes tornando-a assustadora, mais ainda por ser de alguém que os soldados sabiam muito bem a quem pertencia.

– Meu senhor! — O guarda fora da cela se ajoelha jogando o rosto em terra com tanta força e medo que bate a cabeça no chão.

– Meu senhor! — O guarda dentro da cela larga a cabeça de Masaki que começa a soluçar. – Meu senhor essa criança me desrespeitou, por isso eu ia ensinar-lhe uma lição! — O guarda corre e se ajoelha perante ele com rosto em terra.

O homem, Kuchiki Kunrei, olha para os dois guardas e por fim para aquele que não havia entrado na cela, contudo era óbvio que o soldado mentia no estado psicológico que as crianças estavam era impossível tentarem alguma coisa.

– O que ele diz é verdade?

O homem perto de Kunrei treme e eleva os olhos para seu senhor, mas o medo que sente é tanto que acaba confessando.

– Não senhor, ele desobedeceu vossas ordens para prejudicar fisicamente a prisioneira! — Continua ele de rosto enterrado no chão.

Kunrei apenas olha para o homem que havia entrado na cela que agora tremia desesperadamente.

– Levante-se. — Ele ordena.

O homem começa a se levantar e a se desculpar em pânico.

– Meu senhor, eu não queria... Ele mente... Eu não iria!...

– Silêncio.

O homem engole suas palavras.

– Desobediência leva a desordem. — Kunrei coloca a mão em sua espada situada na cintura. – Desordem leva à traição que gera o caos. A espada é desembainhada. – Imperdoável. — Com um movimento rápido ele decepa a cabeça do homem na frente das crianças que começar a chorar descontroladamente.

Kunrei olha para o outro homem que estava paralisado de medo.

– Limpe a cela, remova esse lixo de minha casa e alimente os prisioneiros, não quero ouvir mais nada a respeito de desobediência às minhas ordens.

– Sim meu... Meu Mestre! — O homem já se levanta correndo para pegar o corpo do outro guarda morto.

Kunrei olha mais uma vez para as crianças que choravam.

– Seria mais conveniente derramarem estas lágrimas quando as cabeças daqueles a quem amam rolarem sob seus pés, até lá, se contentem com o infortúnio que lhes deu vida e se conformem em serem membros desta família.

Kunrei dá as costas e some do recinto, mas Kaien e Masaki choravam e só conseguiam chamar pelos seus pais.

___________________________________________

QFVDC — Memórias — World Blues

Byakuya marca uma audiência com o Comandante Yamamoto e quando entra tem a leve sensação de que já era esperado antes mesmo de chegar.

– Comandante? – Byakuya o reverencia com a cabeça e se aproxima.

– Capitão Kuchiki, soube que sua família foi atacada e que sua casa mantem-se em vigília.

– Sim senhor, meus sobrinhos Masaki e Kaien foram sequestrados por um homem chamado Kuchiki Kunrei.

Yamamoto olha surpreso e Byakuya ao ver a reação do capitão imediatamente entende que ele sabia de alguma por isso retira o diário de seu avô de um dos bolsos de seu haori.

– Este é o diário de meu avô e ele está selado, tenho certeza que isso se deve às respostas que devem se encontrar aqui, mas creio que saiba de alguma coisa, pois sei que o senhor e meu avô eram bons amigos.

Yamamoto estende a mão e Byakuya entrega o diário.

– Ginrei era um homem misterioso, mas seus mistérios possuíam motivos.

– O que quer dizer comandante?

Yamamoto respira fundo.

– Há muito tempo atrás algo terrível aconteceu em sua família. – Yamamoto estende a mão sobre o diário. – E isso abalou para sempre o seu avô. – A mão do comandante brilha e um choque elétrico circula por todo seu antebraço até desaparecer e a barreira que protegia o diário se quebrar como um espelho dourado.

Byakuya olha surpreso, o comandante havia usado três tipos diferentes de kidous sobre o diário e quebrado o selo, aquilo requeria muita maestria, coisa que ele nunca tinha visto antes.

– O... O que o senhor fez? Fiquei horas procurando uma forma de quebrar este selo, não havia nada registrado nas literaturas!

– E nem deveria existir, eu usei três tipos diferentes de contra selos criados por Ginrei e ele não ensinou a mais ninguém a não ser a mim.

–... E por que ele ensinaria somente ao senhor?

– Para caso alguém descobrisse sobre o diário e sua vida ficasse ameaçada.

–... O que há nele?

– As respostas que procura, porém cuidado com as respostas que deseja encontrar, elas podem decepcioná-lo...

Yamamoto entrega o diário para Byakuya mais uma vez.

– Comandante, sobre o que aconteceu em minha casa hoje...

– Não se preocupe, não iremos interferir, contudo, se a Seireitei for ameaçada, o Gotei 13 estará preparado.

– Obrigado senhor.

– Mais uma coisa capitão Kuchiki.

Byakuya levanta o semblante.

– Leia o diário antes de mostrar à sua família, seu discernimento é necessário antes de revelá-los a verdade.

– Comandante, não pode mais haver segredos em minha família, são estes segredos que assassinaram minha esposa, sequestraram e feriram os meus sobrinhos, está na hora do passado obscuro da família Kuchiki vir à tona e como líder eu tenho a obrigação de arcar com as responsabilidades dos erros de minha família!

Yamamoto assente para Byakuya.

– Boa sorte, da mesma forma como confiei em seu avô, também confio em seu julgamento.

Byakuya reverencia o comandante se retirando.

– Com licença.

Yamamoto fica sozinho na grande sala.

– O que acha? – Ele pergunta ao vento.

– Byakuya-bo saberá o que fazer. – A voz responde.

Yamamoto parece ficar satisfeito com a resposta aparentemente vaga sobre o assunto que discutiam.

– Tudo está nas mãos dele agora...

Uma risada brincalhona ecoa atrás do velho comandante.

– Do que está falando comandante? Ele não está mais sozinho.

Yamamoto sorri.

– Tem razão.

___________________________________________

QFVDC — Memórias — Wonderland

Na mansão Ichigo parecia um dobermann vigiando, ele olhava desconfiado para todos os lados inquieto e sentindo a reiatsu de Hisana para ter a certeza que nada ousaria entrar naquela sala sem ter seus dentes encravados no traseiro.

Hisana por outro lado estava emburrada e deitada na cama, seus pés não paravam de se mexer até que por fim:

– AAAAHHHH, eu não aguento mais ficar aqui sem fazer nada!!!!

– Se acalme Hisana, você não vai conseguir sair daqui com o seu pai... – Yachiru tenta acalmá-la.

– Não vou uma ova!

Ela levanta gemendo e andando arrastando os pés como um zumbi até a porta e enfia a cabeça desconfiada, não vendo ninguém de guarda seus olhos brilham afiados e ela fica pronta para sair.

– Aonde a senhorita pensa que vai?

Ichigo aparece de lugar nenhum com caninos à mostra e rosnando para Hisana que fica pálida de medo e suando como uma condenada.

– O... Oi papaizinho querido do meu coração, o senhor estava aqui é?

– Volte já para seu quarto garotinha e deixe de ser teimosa, acabamos de falar para você descansar e é assim que você obedece?

– Mas pai eu quero fazer xixi!

– Tem um penico ai dentro use. — Ichigo continuava com a cara emburrada.

– Penico!? Eu tenho cara de velha pra usar penico?! Aliás, não tem nada disso no meu quarto! — Hisana estava furiosa agora.

– Acha que me engana Hisana? Pensa que não sei que você quer fugir? Eu sou o seu pai e conheço você desde que estava no berço, não invente histórias que não vai me convencer!

– Mas... Mas! Eu não aguento mais ficar aqui sem fazer nada pai, eu quero bater em alguém, dar porrada em alguma coisa, sei lá! Não posso ficar aqui descansando sabendo que meus irmãos precisam de mim!

– Volte já para seu quarto Kurosaki Hisana. — A expressão de Ichigo era assustadoramente séria.

Hisana engole seco.

– Sim... Senhor... — Ela dá meia volta e entra calmamente dentro do quarto segurando seu ferimento.

– Eu avisei... Hisana por que você não dá ouvidos aos seus pais ao menos uma vez?

– Você dá ouvidos ao Kenpachi?

– Bem... Eu...

Yachiru fica sem graça.

– Tá vendo? A gente não foi feita para ser tratada como criança eu não aguento mais esperar aqui sem fazer nada, eu quero salvar os meus irmãos!

– Hisana você não é a única que quer salvá-los!

– Eu sei droga, mas eu não sou um poste e não aguento ficar parada sem fazer nada.

– Então vai dormir, quando seus pais resolverem agir vão precisar de você recuperada.

– Tsc! Eu não quero dormir...

– Se você deitar eu conto uma historinha e canto para você dormir.

– Credo Yachiru, tá me estranhando? Agora que eu não vou conseguir dormir mesmo!

Yachiru ri e Hisana geme.

___________________________________________

QFVDC — Memórias — Waves of Fire

Byakuya chega à mansão e Rukia ao lado de Ichigo se aproximam.

– Como foi Nii-sama?

– O comandante sabe o que está acontecendo, meu avô contou a ele, ou o próprio comandante vivenciou o que se revela nesse diário, contudo, ele disse não poder interferir.

– E o selo? – Ichigo pergunta.

– O comandante o removeu, meu avô o ensinou como para que os segredos aqui contados continuassem em sigilo até o momento oportuno.

– Que é agora... Não estou gostando nada disso Nii-sama...

– Nem eu... Na verdade já tenho uma idéia do que pode estar contido aqui neste diário, porém preciso de tempo para desvendá-lo.

– Com isso saberemos por que fomos atacados! – Ichigo aperta os punhos com ansiedade.

– Sim, eu vou me retirar e começar a ler o diário de meu avô, Rukia cure Hisana, quando terminar nos reuniremos para decidir o que fazer.

– Sim, Nii-sama.

– Eu vou com você Rukia. – Ichigo segue a esposa.

Byakuya se retira para seus aposentos e ao sentar não perde tempo em começar a desvendar os mistérios do diário...

___________________________________________

“A família Kuchiki sempre foi considerada a família mais nobre e tradicional de todas, eu sucedi a família muito cedo não muitos dias após a morte de meu pai, mas suceder a casa naquela ocasião me trouxe muitos infortúnios, alguns não acreditavam que eu seria um bom líder, outros simplesmente invejavam um posto que diziam ser seu por direito, mas eu ignorava, pois embora aquela grande responsabilidade não me agradasse muito, ainda assim eu desejava cumprir o último desejo de meu pai.”

Byakuya fica um pouco surpreso ao imaginar seu avô dizendo tais palavras, afinal ele sempre o admirou desde criança.

Além de tarefas burocráticas o líder da família tinha a obrigação de ser o mais forte, isso lhe dava o ar de autoridade irrevogável diante de qualquer membro que ousasse usurpar seu posto, além disso, era comum viajar por dias aos arredores de Rukongai exterminando hollows.”

“Em uma destas viagens pelos distritos mais pobres eu conheci uma mulher de boas proporções que me chamara a atenção, ela tinha o rosto pálido e cabelos longos negros, seus orbes purpúreos enfeitavam seu rosto com um sorriso cálido e convidativo, ela me salvara a vida quando à beira da morte cai após lutar contra um enxame de hollows, a jovem que se banhava no rio naquela ocasião me encontrou e cuidou de meus ferimentos por dias e sem dizer uma única palavra ou perguntar sequer o meu nome me trouxe de volta à vida...”

– Onde eu estou? – Ginrei pergunta, ele estava no auge de sua juventude, seus cabelos negros e longos emaranhados pelos dias que passara deitado lhe davam um ar mais velho, além disso, tinha algumas ataduras improvisadas pelo corpo e uma fogueira caseira ardia enquanto uma pequena panela parecia ferver alguma coisa que cheirava muito bem.

– Em segurança na minha casa, descanse o senhor ainda está muito ferido.

“A mulher tinha uma voz profunda e penetrante, parecia morar sozinha naquele lugar, ao terminar de dizer isso ela molha um pano e umedecido põe sobre a testa febril de Ginrei, então se levanta e vai até a panela que cozinhava uma espécie de sopa com cogumelos e alguns legumes cortados, após servir em uma pequena tigela ela traz até o homem ferido. – Beba, vai ajuda-lo a recuperar as forças.”

Ginrei nada diz apenas pega a pequena tigela, a sopa não tinha uma aparência muito boa, mas ao criar coragem e prova-la imediatamente descobre que nem sempre o que tem aparência ruim necessariamente deve ser ruim.

– Está muito bom... Obrigado...

Ela sorri e se levanta indo embora.

– Quem é você? – O jovem pergunta.

– Descanse, ainda haverá tempo para apresentações. – Ao responder sorrindo a mulher sai da casa deixando o shinigami sozinho com sua sopa.

“Foi deste encontro acidental que conheci a minha primeira esposa.”

Byakuya arregala os olhos surpreso fitando o diário de seu avô.

– Esposa!? – Suor nervoso desce da têmpora do capitão. – Mas o que significa... Isso... Minha avó não era de Rukongai...

Byakuya olha receoso para o diário, parecia que seu avô tinha muitos segredos escritos naquelas páginas que ele ousava desvendar, o capitão senta outra vez e vira a página seguinte.

“O nome dela era Sayuri e vivia sozinha naquela pequena casa, costumava colher frutas e ervas na floresta ao redor do distrito para alimentar as crianças mais pobres e órfãs, enquanto me recuperava de meus ferimentos pude conhecê-la melhor e descobri o quanto era amada naquele lugar, as pessoas a respeitavam, pois mesmo que ela não tivesse praticamente nada ainda assim dava tudo o que tinha para ajudar os outros e isso fez sentir-me pequeno diante dela, sua humildade era um tesouro raro encontrado muito além da nobreza e luxo que eu estava acostumado a viver.”

“Não tinha como não se apaixonar por ela.”

Byakuya pára de ler o diário mais uma vez, por um momento ele fica confuso, pois não sabia se estava lendo o diário de seu avô ou o seu próprio, aquele era exatamente o mesmo tipo de sentimento que tinha pela sua esposa!

“Passei bons momentos naquele lugar e da humildade e carinho que me presenteava eu mudei, mas não pude ficar, tinha compromissos e com certeza a Seireitei inteira deveria estar à minha procura.”

Prometo que irei voltar e quando o fizer... – Ginrei segura nas mãos de Sayuri e olha fixo para seus orbes arroxeados. – Pedirei sua mão em casamento.

– Estarei fielmente esperando por este dia meu senhor.

Sayuri e Ginrei se despendem em um beijo e cada um segue o seu caminho.

“De volta à minha casa não havia sequer um único dia que não pensasse em Sayuri, por ser o líder da casa achava que poderia fazer qualquer coisa e por isso anunciei que a pediria em casamento e foi neste momento que percebi o ódio que se enraizava na família.”

– O senhor não pode fazer isso Ginrei-sama, o que as outras casas nobres irão pensar? – Um dos conselheiros diz nervoso.

– Isso mesmo! Existem tantas mulheres de boas famílias dispostas a serem desposadas e o senhor pretende se casar com uma maltrapilha!? – O outro nobre conselheiro se exalta.

– Não ouse ofender minha futura esposa dessa maneira ou juro que não irei perdoá-lo! – Os olhos de Ginrei preenchem de raiva.

– Mas... Mas meu senhor! – Eles tentam convencê-lo inutilmente.

– Já chega! Está decidido, nos casaremos semana que vem!

E foi exatamente o que aconteceu, não poupei nobreza em meu casamento, a mulher que amava não precisava de ouro ou riquezas para me conquistar, mas fiz questão que todas as vissem com grandiosidade naquele dia, embora apenas eu e ela parecêssemos felizes, quando se vive muito tempo cercado de pessoas que dão valor a coisas apenas materiais você perde a capacidade de enxergar as que realmente valem a pena e se torna um receptáculo vazio e material.”

“Alguns meses depois meu primogênito nasceu, era um garoto de boa aparência e choro forte eu nunca tinha ficado tão feliz em toda a minha vida e fiz questão que minha mulher lhe desse um nome.”

– Kuchiki... Kunrei.

Diz Sayuri com voz ainda cansada pelo parto, mas um sorriso regado a lágrimas de emoção.

“Kunrei crescia forte e tinha herdado todas as características da família Kuchiki se tornando um gênio com a espada, eu me orgulhava muito dele e passava todo o conhecimento que possuía, pois imaginar que um dia ele me sucederia trazia-me expectativas que nem mesmo meu pai deveria ter sentido por mim”.

“Quando Kunrei era adolescente minha esposa ficou grávida novamente e nossa alegria se tornou evidente, imaginar que teria um irmão ou irmã mais nova para proteger fez meu filho intensificar seu aprendizado e o que já era perfeito tornou-se excepcional”.

Vejo que suas habilidades com a espada já não possuem adversária a altura meu filho.

– Se o senhor não tivesse me ensinado papai eu nunca teria ficado tão forte, agora o senhor não é o único que consegue proteger a mamãe.

Ginrei ri.

– Em breve não será apenas a sua mãe.

– É verdade! Espero que eu ganhe uma irmãzinha!

– Irmãzinha? Por que não um irmãozinho?

– É por que se algum garoto tentar olhar para ela eu não vou precisar de desculpas para defender sua honra.

Ginrei ri alto outra vez e Kunrei fica sem graça.

– Por que estão rindo tanto?

A voz doce interrompe os dois.

– Mamãe!

Sayuri você não pode se levantar!

Ginrei e Kunrei correm até Sayuri e a amparam com os braços.

– Oh meu... Não precisam se preocupar tanto assim, estou me sentindo bem hoje.

– Os médicos disseram para você ficar em repouso, sua gestação é de risco e você anda muito debilitada. – Ginrei olha preocupado.

– Não se preocupe querido, eu estou bem, só queria pegar um pouco de ar fresco.

– Mamãe... – Kunrei olha nervoso para ela.

Sayuri faz carinho na cabeça do filho.

– Irmãzinha não é mesmo?

Ele sorri balançando a cabeça.

– Se for irmãzinha saiba que ela vai mandar em você igual a como faço com o seu pai.

– Eh? – Kunrei pisca sem entender.

– Ah... – Ginrei olha desconcertado para Sayuri. – Eu não sei do que está falando.

Ela ri graciosamente enquanto Ginrei fica sem graça e Kunrei olha para cima com várias interrogações na cabeça.

“A segunda gravidez de Sayuri foi complicada e totalmente contrária à saúde que tinha quando Kunrei ainda não havia nascido; os médicos da mansão diziam que o corpo dela estava fragilizado e que por isso seria uma gestação de risco necessitando de repouso e atenção, mas o que eu não sabia é que aquela condição não era natural e sim provocada”.

Byakuya olha para aquelas páginas sem conseguir ler, àquela altura ele já tinha certeza do que iria acontecer e por isso fica nervoso, só não sabia distinguir se de raiva ou temor.

“Sayuri era muito forte e mesmo que tudo tentasse ficar contra seu desejo de gerar a criança sua determinação impedia que o planejado contra nós desse certo, então quando ela entrou em trabalho de parto e temendo que um segundo herdeiro acabasse de vez com os seus planos, os antigos conselheiros e nobres finalmente revelaram seus planos”.

“Nossa casa foi atacada de surpresa e muitos servos se voltaram contra nós, a principio ficamos sem reação, mas logo nos erguemos contra os inimigos, eu tentava achar meu filho e minha esposa, mas os assassinos não davam alternativas a não ser lutar e abrir caminho”.

Por que estão fazendo isso?! – Ginrei demanda uma resposta enquanto é cercado por vários assassinos e sua mansão queimava em uma grande fogueira.

– Nós avisamos Ginrei que nunca permitiríamos que você manchasse o nome das famílias nobres com uma pessoa de tão baixo nível.

– Seus desgraçados! Vocês planejaram destruir a minha família desde aquele dia?! Eu nunca vou perdoá-los!

– Papai! – O rapaz chega com espada em punho.

– Kunrei!

– Papai, deixe-me ajuda-lo!

– Não! Corra e fique com sua mãe, eles tentarão mata-la!

O rapaz sente um frio na espinha.

– Vá agora! – Seu pai ordena.

– Si... Sim!

Kunrei corre desesperadamente para o quarto onde sua mãe estava e conforme se aproxima vê inúmeros corpos ensanguentados e sem vida espalhados, ele teme o pior e corre ainda mais desesperado para perto de sua mãe.

– Mamãe!!!

Ele chuta a porta e quando quebra joga sua zanpakutou instantaneamente nas costas de um assassino e se prepara para lutar com as mãos nuas contra mais quatro.

– Seus desgraçados!

O jovem corre e usa defesa pessoal para com destreza derrubar seus adversários que sem piedade são mortos por suas mãos, o último antes de ter o pescoço quebrado ri cuspindo sangue.

– Tarde... Demais...

Kunrei quebra o pescoço do assassino e grita novamente:

– Mamãe!

Ele corre, mas só consegue ouvir o som das labaredas de fogo e madeira nobre queimando.

– Mamãe! — Kunrei encontra uma mulher ensanguentada no chão e ele imediatamente reconhece ser a sua mãe. — Mãe! – O jovem corre até ela, mas já era tarde demais, ela jazia no chão com uma perfuração no pescoço e outras no tórax e na barriga, ele treme sem reação e tenta virá-la, mas não havia mais nada que ele pudesse fazer.

QFVDC — Memórias — Pain and Anger

Kunrei grita em desespero chorando sobre o corpo da mãe tentando acordá-la quando ouve um pequeno choro sufocado ele imediatamente volta a si e procura com os olhos, virando sua mãe e erguendo os cobertores encontra uma bebezinha ainda atada ao cordão umbilical de sua mãe, ele mistura alegria e tristeza quando segura sua pequena irmã no colo e com a própria zanpakutou corta o cordão umbilical do bebê e rasga um pedaço do cobertor para cobri-la no meio de toda aquela fumaça e chamas que o fazem se preocupar com a saúde da criança, Kunrei olha uma última vez para sua mãe e sai correndo da casa, assim que atravessa a porta e coloca os pés na grama sente algo frio no peito fazendo-o sentir dor e parar de ouvir o choro da criança, quando olha para baixo vê uma lâmina transpassada em seu peito que havia também atingido sua irmã, trêmulo olha para trás e um assassino sorria, Kunrei cospe sangue e cai no chão com sua irmã, sua vista fica embaçada ele tenta segurá-la, mas começa a chorar quando percebe que ela havia morrido ao ver o sangue escorrer do pequeno corpo da infante.

(- Por que isso está acontecendo comigo... O que fizemos de errado para merecermos isso?). – Ele pensa.

– Mate o garoto e nosso trabalho terá acabado. – Um homem se aproxima.

– Sim senhor. – O assassino responde.

Kunrei olha com a ponta dos olhos para seus algozes e o homem que parecia nobre lhe diz:

– O que foi garoto? Achava mesmo que nós aceitaríamos que vocês plebeus manchassem o sangue das casas nobres de Seireitei? O veneno não funcionou contra sua mãe, mas lâminas nunca iriam falhar, agora chegou a sua vez, quando isso tudo acabar Ginrei terá aprendido a lição e nunca mais ousará desposar uma mulher do Rukongai.

Ele começa a gargalhar.

(- O que foi que ele disse? Eles mataram a minha mãe e a minha irmã apenas porque...!?).

– Morra plebeu! – O assassino desfere o golpe.

– Haaaaaa!!! – Kunrei grita e sua dor desaparece ao ficar cego de ódio sua reiatsu explode jogando o assassino e o nobre para trás, quando se levanta seus olhos ficam brancos e partindo para cima transpassa o assassino com seus punhos, ao virar para o nobre ele sentava no chão molhando as calças de medo e tremendo.

– Por favor, eu imploro não me mate. – Muda ele o discurso ao sentir a morte se aproximando.

Kunrei não dá ouvidos e de maneira cruel usa sua zanpakutou para matar seu algoz, ele cai de joelhos coberto de sangue e queimaduras olhando para o corpo sem vida de sua irmã que não havia vivido mais que alguns minutos, ele a carrega no colo e grita de ódio enquanto suas lágrimas descem do rosto.

“Alguns minutos depois Yamamoto Genryuusai surgiu ao lado da família Shihouin, alguns assassinos foram presos e outros mortos, os nobres envolvidos foram presos ou exilados, Genryuusai havia me explicado que Shihouin investigava a família há anos, pois havia percebido que alguns nobres da casa planejavam alguma coisa grande, mas quando finalmente descobriu já era tarde e a Seireitei não tem autoridade para intervir diretamente nos assuntos de famílias nobres, por isso quando o ataque aconteceu eles puderam agir quase que imediatamente, porém... Não tinha mais nada que pudessem fazer”.

Nãããããããããooooo!!!! – Kunrei cai de joelhos no chão sobre o corpo da mulher.

– Kuchiki-taichou... Procuramos por toda a mansão e não conseguimos encontrar Kunrei-sama... – Um de seus fiéis servos lamenta.

– Ele não pode ter morrido... Meu filho não morreria tão facilmente, vasculhem tudo! – Ele se exalta.

– Si... Sim! – O soldado some com shunpo.

“Procurei por dias... Meses... Anos... Com o tempo aceitei que havia perdido meu filho para sempre, minha tristeza só pôde ser esquecida quando encontrei consolo em um novo amor e constituí uma nova família, tive filhos e eles me deram netos, o passado sombrio da família havia sido apagado da história e nunca mais comentando, mas não imaginava que o passado ainda poderia estar vivo naquele que eu tanto amava”.

“Em um dia que vinha prestar minhas homenagens à minha primeira esposa uma reiatsu familiar se fez presente e eu imediatamente virei para dar de cara com...”.

QFVDC — Memórias — In a Nightmare

– Meu... Meu filho?! É você?! – Ginrei exclama surpreso ao fitar um homem de olhar frio.

– Ginrei...

A voz fria e sombria do filho faz o homem com aparência já envelhecida ficar tenso.

– Kunrei... O que...

O homem olha para o pequeno túmulo.

– Então é assim que você presta suas homenagens à mulher que amou, enterrando-a vergonhosamente como uma indigente fora de Seireitei... – Sorri cínico.

– Kunrei... Está enganado sua mãe, ela sempre será especial para mim, mas...!

– Você tem vergonha de mostrar à sua atual esposa que amou uma plebeia mais do que ama ela, eu lhe entendo, afinal, casar com uma nobre deve trazer muito mais benefícios do que uma plebeia sem nada... – Ele debocha.

– Não é isso! Eu não enterrei sua mãe na mansão por que não aguentaria olhar para o túmulo todos os dias sem me perdoar... Eu não consigo... – Ginrei baixa a cabeça.

– E era exatamente por este motivo que deveria enterrá-la por lá... – Kunrei vagarosamente se aproxima.

– Kunrei...

– Você não faz idéia do que aconteceu naquele dia... Você não faz idéia do que a sua incompetência me custou... – Ele fecha os punhos.

Ginrei levanta os olhos para encará-lo.

– Quando cheguei até minha mãe ela já estava morta, eu ceifei a vida de seus assassinos e logo descobri que ainda havia esperanças quando ouvi o choro de minha irmã. – Kunrei para de andar novamente, seus punhos já sangravam de tanto apertá-los.

Ginrei olha surpreso.

– Irmã!? – Ele exclama.

– Não fique feliz Ginrei, pois ela foi morta pela nobreza na mesma noite... – Kunrei afasta a roupa que cobria o tórax e mostra uma pequena cicatriz losangular no peito. – Afinal, não tinha como uma criança recém-nascida sobreviver a uma lâmina transpassada em seu pequeno corpo, mesmo o corpo treinado que me deu não foi o suficiente para protegê-la...

Ginrei fica trêmulo.

– Mas não acaba por ai... Você sabia que eu e minha mãe éramos envenenados por isto aqui? – Ele joga uma pequena ramínea com algumas frutinhas vermelhas. – デスグリップ (Death grip) ou o “abraço da morte”, ela é inodora, insípida e nunca levanta suspeita... A doença da minha mãe? Lógico que não era coincidência... Por que eu não era afetado? – Kunrei saca sua zanpakutou e seu pai fica em posição de luta. – Shire, Kurimuzonku~īn (クリムゾンクィーン – Rainha Carmesim).

A zanpakutou se torna totalmente vermelha e seu cabo fica coberto de espinhos como rosas.

– Essa zanpakutou...!

QFVDC — Memórias — Ijou Jitai Hassei!!

– Eu nunca mostrei ao senhor não é mesmo? Pois foi naquele dia que eu descobri sua verdadeira forma e finalmente ouvi a sua voz, ela me contou sobre o veneno no corpo de minha mãe e sobre o veneno que tirava de meu corpo todos os dias, a família Kuchiki é cheia de assassinos e sua incompetência como chefe levou a minha à morte. – Kunrei aponta a zanpakutou para o seu pai. – Mesmo agora eles envenenam uns aos outros com mentiras e falsas promessas em uma nobreza que não existe, minha mãe era muito melhor que todos eles e mesmo assim nunca nos aceitaram naquele lugar. – Ele sorri de forma sombria. – Por isso criei a minha própria família e um dia vou destruir a sua.

– O quê?! – Ginrei fica surpreso.

– Minha mãe poderia não vir de uma família nobre, mas sua nobreza era incontestável diante daqueles que a amavam.

– Não pode ser... Não me diga que você?!

Ginrei não consegue terminar de falar, pois sem perceber se vê cercado de vários guerreiros encapuzados.

– Eu treinei todos eles e os tornei guerreiros muito melhores que aqueles shinigamis medíocres de sua casa.

– Kunrei... – O velho homem começa a suar nervoso.

– Vou deixa-lo viver Ginrei, pois meu ódio não é direcionado apenas a você, mas lembre-se do que vou dizer agora... – Kunrei encara seu pai com toda sua raiva. – Viva sabendo que a qualquer momento sua família poderá amanhecer morta, desconfie de seus servos, preocupe-se com o chão onde pisa, com quem guarda suas costas e aprenda a fazer aquilo que deveria ter feito quando eu ainda era a sua família...

– Kunrei... – As palavras estavam machucando o velho capitão que de joelhos baixa a cabeça sem conseguir mais encará-lo.

– E quando menos esperar... – Kunrei desaparece com seus servos apenas suas últimas palavras ecoam ao vento. – Virei tomar tudo aquilo que mais ama.

Aquela foi a última vez que vi meu filho Kunrei... Cego pelo ódio ele me culpava pela morte de Sayuri e tinha toda a razão, eu permiti que pessoas próximas à mim tirassem tudo que ele mais amava e depois apaguei aquele episódio como se eles jamais tivessem existido, tal qual ele previu, depois daquele dia eu não conseguia mais dormir em paz, tinha medo de ser atacado de surpresa, não conseguia mais confiar em ninguém, por isso, quando estiver lendo meu diário saiba que eu lamento muito ter que jogar em suas costas o peso do grande erro que cometi no passado e rezo para que não pague o mesmo preço que paguei... Sinto muito...”.

Byakuya fecha o diário e permanece em silêncio, ele pondera as palavras de seu avô e finalmente fica de pé.

– Obrigado por confiar seus medos... Vergonha... E sofrimentos a mim vovô...

Byakuya olha para sua mão e por fim fecha o punho.

– Kuchiki Kunrei... Está na hora de conversarmos...

___________________________________________

Continua...

___________________________________________

Notas finais
Meu queridos leitores de Retribution, sinto muito por não ter postado esse capítulo semana passada, mas estou no estágio da minha faculdade e fazendo meu TCC e nunca pensei que fosse tão horrível e cansativo, por isso todo o tempo extra que tive nestas duas últimas semanas foram dedicadas a ele. Espero que não fiquem muito chateados e compreendam meu estado quase insano de faculdade e tenha mesmo assim apreciado a leitura.Obrigada, grata pela compreensão e até breve nas reviews!